All Chapters of Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário: Chapter 41
- Chapter 50
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Capítulo 41 - A Escolha das Armas
“Toda guerra começa no instante em que alguém decide parar de se defender.”Elena RossiO quarto não mudou, mas eu mudei dentro dele.O silêncio era outro. Não mais o silêncio do medo, da espera, da submissão involuntária. Era o silêncio tenso de quem sabe que algo está prestes a acontecer e não tem mais a ilusão de escapar.A caixa ainda estava aberta sobre a poltrona. O vestido preto dobrado com precisão cirúrgica parecia me observar, ou talvez fosse eu quem não conseguisse parar de observá-lo.Afastei-me alguns passos, indo até a janela, como se pudesse fugir da tentação apenas mudando de â
Capítulo 42 - O Corpo Que Não Obedece
“O corpo é sempre o primeiro a trair aquilo que a mente insiste em controlar.”Damian CavallariO primeiro impacto não foi estético, foi físico.Um golpe baixo, direto no centro do corpo, como se algo tivesse sido ativado sem minha permissão. O ar ficou mais pesado, o pulso, mais lento, o sangue fervendo.Ela estava ali, de preto, ocupando com perigo um território onde antes eu ditava até a forma como a luz tocava tudo.Meu olhar desceu antes da razão impedir e isso me enfureceu.A frente do vestido era contida, quase clássica. O tipo de imagem que tranquilizaria qualquer mesa de negócios. Mas quando ela se move
Capítulo 43 - O Valor à Mesa
“Há mesas onde não se senta para jantar, mas para ser avaliado.”Elena RossiO salão estava cheio demais. Não de pessoas, mas de olhares.Assim que cruzamos a entrada, senti como se uma lâmina invisível tivesse cortado o ar. Conversas diminuíram de volume. Risos se tornaram mais contidos. Taças de cristal se ergueram com um segundo de atraso. Tudo ali obedecia a um protocolo silencioso que não estava escrito em lugar nenhum.Damian Cavallari havia chegado.E eu… com ele.As luzes douradas refletiam nos espelhos altos, nos metais polidos, nas joias estratégicas. Homens de ternos impec
Capítulo 44 - A Defesa Que Não Parece Proteção
“Há homens que protegem para salvar. Outros protegem para não perder.”Damian CavallariEu vi de longe.Vi o exato momento em que o homem se aproximou de Elena. A maneira que ele se inclinou demais. O sorriso que não era social e o modo que aquela proximidade fez Elena ficar desconfortável. O corpo dela denunciou antes do rosto.Os dedos enrijeceram contra a haste da taça. Os ombros perderam a leveza, a respiração mudou de ritmo. Aquela reação eu reconheço com precisão cirúrgica.São reações que indicam ameaça. Os japoneses fal
Capítulo 45 - O Instrumento do Medo
Elena Rossi— Não confunda isso com gentileza.A voz de Damian veio baixa, fria e quase cirúrgica.— É apenas a forma como organizo o que é meu.A frase caiu sobre mim como um tapa invisível. Senti o corpo reagir antes de conseguir pensar. Um encolhimento involuntário, um reflexo antigo. E eu odiei que ele tenha percebido.— Eu… só quis agradecer. — respondi, tentando alinhar a própria voz. — Você me tirou de uma situação desconfortável.Desconfortável.A palavra pareceu irritá-lo.&m
Capítulo 46 - O Silêncio que Me Prendeu
Elena RossiO carro parecia um caixão em movimento.Não pela forma. Nem pelo luxo. Mas pelo silêncio.Por fora, luzes, vidro, asfalto. Florença passando em manchas elegantes, douradas, vivas, um mundo inteiro vestido para parecer perfeito. Turismo, riqueza, história, arte, movimento. Tudo existia. Tudo respirava.Por dentro, não.Por dentro, havia apenas o silêncio. E não era o silêncio que descansava, era aquele silêncio que aperta, que comprime por dentro, o que empurra a respiração contra o próprio peito até doer.Eu estava sentada ao lado dele. Não próxima, não d
Capítulo 47 - A Regra que Queimou
Senti uma presença atrás de mim. Não precisei virar para saber quem era.O mesmo perfume discreto. A mesma energia contida, pesada, que mudava a temperatura do espaço.Virei o rosto apenas pela metade.— B… boa noite. — sussurrei, com a voz mais baixa do que eu gostaria.Não esperei resposta. Dei mais dois passos em direção ao corredor que levava ao meu quarto foi quando senti a mão dele fechando em torno do meu braço, fazendo o meu corpo perder o equilíbrio no mesmo instante em que ele me puxou de volta. A parede surgiu atrás de mim antes que eu processasse o caminho. As costas bateram de leve no revestimento liso, o i
Capítulo 48 - Quando o Controle Falha
Damian CavallariSaí da casa como quem deixa para trás um incêndio que ainda arde por dentro.A porta se fechou às minhas costas com um som limpo demais para o caos que continuava reverberando no meu peito. Atravessei o hall, a escada, a porta principal, tudo em linha reta, sem olhar para os lados, sem permitir que ninguém me interpretasse. Eu não estava fugindo de ninguém ali dentro, estava fugindo de mim.O ar frio da noite bateu no meu rosto quando alcancei a rua. Abri a porta do carro com mais força do que deveria e entrei. O banco de couro recebeu meu peso, mas não aliviou a tensão que se acumulava nos ombros, na mandíbula, nas mãos.Fechei a porta, girei a chave. O motor respondeu de imediato, grave, obediente e arranquei.As luzes da cidade passaram em borrões contínuos pelo para-brisa. Faróis, placas, fachadas, semáforos. Tudo estava ali, mas nada existia de verdade. O único quadro nítido na minha mente era outro.A parede, o corpo dela contra a parede, o instante em que meus
Capítulo 49 - A Confissão do Corpo
Elena RossiEntrei no quarto sem acender a luz.Fechei a porta devagar demais, como se qualquer ruído mais alto pudesse me denunciar para mim mesma. Como se o silêncio fosse a última coisa que eu ainda pudesse controlar. Minhas costas escorregaram pela madeira até eu me sentar no chão, com os joelhos dobrados contra o peito, o vestido ainda intacto… e os lábios ainda queimando.O beijo não tinha ido embora.Ele permanecia ali, impresso na pele, na memória, na respiração que ainda não encontrava o ritmo certo. Era como se o meu corpo tivesse ficado preso naquele segundo exato contra a parede, no instante em que tudo se desorganizou dentro de mim. Levei a mão à boca como fiz no corredor, ma
Capítulo 50 - O Sonho Que Me Desperta
O sono me venceu sem pedir licença.Não foi um descanso. Foi uma queda lenta, como se meu corpo estivesse sendo puxado para dentro de um lugar onde a lógica não tinha permissão para entrar.Quando percebi, já não estava mais no quarto.A noite ao meu redor parecia diferente. Mais pesada, como se o escuro tivesse peso e textura. O silêncio não era vazio, era cheio de expectativa, como o segundo que antecede um toque.E então eu senti.Damian.Não o vi primeiro. Eu o senti. A presença dele vinha antes da imagem, antes da voz. Como na vida real. O ar ao meu redor mudou de densidade, como