All Chapters of Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário: Chapter 31
- Chapter 40
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Capítulo 31 - O Desejo na Boca do Lobo
Elena RossiFiquei alguns segundos ali, respirando devagar. Aos poucos, o choro foi diminuindo. As lágrimas ainda desciam, mas já não vinham em ondas. Eram filetes silenciosos, resignados.Encostei a cabeça na borda da cama e olhei para o teto.Foi então que, contra a minha vontade, a imagem dele voltou.Damian.Os olhos azuis cortantes, que mudavam de tom dependendo da luz. A linha dura do maxilar. A voz baixa, firme, controlada. O modo como disse “comigo” quando falou sobre ver a Sofia.Comigo.A palavra ardeu por dentro como fogo.Eu deveria odiá-lo e odiava.<
Capítulo 32 - Antes Que Ele Me Veja
Elena Rossi O amanhecer chegou devagar, mas não teve piedade.A primeira coisa que senti foi a luz. Um fio tímido atravessando a fresta da cortina pesada, riscando o quarto em tom dourado pálido. A segunda coisa foi o peso. Não no corpo, mas no peito. Como se a noite anterior tivesse se solidificado ali dentro.Pisquei algumas vezes, tentando me situar.Não era o quarto do hospital, nem o do meu apartamento. Era o quarto na casa dele. Lençóis impecáveis, brancos, frios demais para combinar com a bagunça dentro de mim. O teto alto, o silêncio absoluto, a sensação de que eu era um ponto de cor deslocado no cenário perfeito.Virei o rosto no travesseiro e o c
Capítulo 33 - Na Órbita Dele
Elena RossiPercebendo que eu não me movia, ela riu. Uma risada baixa, gostosa, que preencheu o corredor de um jeito inesperado.— Eu sou Teresa, governanta da casa. Se precisar de algo, qualquer coisa, pode falar comigo.Assenti, sentindo um pequeno alívio por ver um rosto humano que não tentava me medir, nem me comprar, nem me analisar.— Obrigada, dona Teresa.Ela inclinou a cabeça, satisfeita com o tratamento.— O senhor Cavallari pediu que eu a informasse que o desjejum será servido no jardim. — disse, retomando o tom formal, mas sem perder a doçura. — Ele já está à sua espera.
Last Updated : 2025-12-26Read more
Capítulo 34 - Ninguém Sai Ileso
Elena RossiO ar entre mim e aquela jovem desconhecida ainda vibrava com a pergunta quando passos firmes ecoaram pelo salão. Passos que eu reconheceria mesmo de olhos fechados.Damian.O som dos sapatos dele no piso claro parecia outro tipo de batimento cardíaco, mais lento, mais pesado, mais perigoso. Ele surgiu no campo da minha visão como se sempre tivesse estado ali, alto, impecável, usando um terno claro demais para alguém que gostava tanto de sombras.Os olhos dele passaram por mim como uma lâmina rápida e, por um segundo, tive a nítida impressão de que ele já sabia exatamente o que estava acontecendo ali.O olhar então desviou, pousando na jov
Capítulo 35 - Não Há Retorno Fácil
Elena RossiO carro avançava pela estrada estreita como um animal de metal obediente, cortando a manhã ainda coberta por uma névoa pálida. As árvores altas dos dois lados formavam um túnel verde-escuro, e a luz do sol filtrava-se em lâminas douradas sobre o capô. O mundo parecia calmo demais para o que acontecia dentro de mim.Eu estava sentada ao lado de Damian, no território direto dele.O banco de couro era macio, silencioso sob meus movimentos mínimos. O cinto atravessava meu peito como uma linha de contenção, lembrando-me que eu estava presa não apenas ao banco, mas à trajetória inteira que ele havia traçado para nós dois.Ele dirigia com uma calma quase cruel.Uma mão firme no volante. A outra repousando solta sobre a
Capítulo 36 – O Preço da Vida
Elena RossiO helicóptero tocou o solo com um impacto seco, e as hélices continuaram girando acima de nós como lâminas invisíveis rasgando o ar. O vento levantou poeira e folhas. Meu estômago se contraiu como se o chão ainda estivesse longe demais para ser real.Damian foi o primeiro a se levantar.Desafivelou o cinto, abriu a porta antes mesmo do piloto anunciar a liberação total. O ar frio da manhã entrou cortante, trazendo o cheiro de grama molhada e combustível. Eu o segui, ainda sentindo as pernas instáveis, como se tivesse atravessado não apenas o céu, mas uma fronteira que não me permitiria recuar.A poucos metros do heliponto, um carro preto aguardava com o motor ligado. O m
Capítulo 37 - Quando Até a Esperança Tem Dono
Elena RossiA médica falava com as mãos.Mesmo quando tentava manter a postura profissional, seus dedos denunciavam a empolgação contida, desenhando pequenas linhas pelo ar, como se as palavras não fossem suficientes para acompanhar o ritmo daquilo que ela precisava dizer. A expressão era séria, mas havia um brilho vivo nos seus olhos, um entusiasmo quase infantil, em contraste absoluto com a sobriedade branca do jaleco.Damian, ao contrário, era pedra.Ele estava alguns metros à frente de mim, no corredor reservado da UTI, ao lado da grande janela de vidro que dava visão para o quarto de Sofia. Ombros retos, queixo firme, mãos cruzadas à frente do corpo. O terno claro, perfeito, destoava daquela atmo
Capítulo 38 - Segurar-se em Quem Não é Chão
Elena RossiA volta até o carro pareceu mais rápida do que a ida. Não sei se o tempo realmente correu mais depressa ou se foi a minha mente que decidiu pular trechos, cansada demais para registrar cada detalhe.O motorista já aguardava próximo à entrada lateral, mas ao nos ver, endireitou a postura, pronto para retomar o posto ao volante.Damian levantou a mão, num gesto breve.— Não será necessário. — disse. — Pode aguardar a próxima instrução.O homem apenas assentiu, recuando.Fiquei em silêncio.Minutos depois, estávamos de
Capítulo 39 - Onde o Controle Vacila
“O maior erro de um homem que controla tudo é acreditar que sabe exatamente o que não o afeta.” Damian Cavallari O toque veio antes que eu tivesse tempo de prever.Não foi delicado, nem calculado, foi instintivo.Os dedos dela se fecharam contra a minha coxa com força suficiente para afundar no tecido do terno, como se naquele gesto estivesse concentrada toda a fragilidade que ela jamais admitiria em voz alta. A vibração do helicóptero sacudiu a cabine, mas foi aquele toque que me atingiu de verdade.Meu corpo reagiu antes da minha razão.Um erro. Um maldito erro.Po
Capítulo 40 - Quando a Refém Aprende a Jogar
“Toda refém aprende a sobreviver. Algumas aprendem a jogar.”Elena RossiO quarto parecia maior do que antes.Não fisicamente, mas emocionalmente. Havia um eco estranho em tudo. Nos passos que eu dava sobre o tapete macio, no som quase imperceptível da cortina balançando com o vento, no modo como o ar parecia parado demais para um espaço de luxo. Era como se cada objeto tivesse assistido ao que eu ainda tentava organizar dentro de mim.Sentei-me na beira da cama devagar.O vestido ainda grudava no meu corpo como uma extensão da tensão que eu não tinha conseguido deixar no helicóptero, no hospital, no toque, na frase que não queria sair da minha cabeç