All Chapters of Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário: Chapter 71
- Chapter 80
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Capítulo 71 - Onde o Dia Fingiu Normalidade
“Algumas consequências chegam antes do café.”Elena RossiExiste um tipo de despertar que não começa nos olhos, mas na pele.O meu começou assim, como se o corpo soubesse algo que a memória ainda não tinha coragem de confessar.Pisquei algumas vezes até que a visão estabilizasse. Minha cabeça latejava um pouco, mas não foi isso que me chamou atenção. Foi o fato de estar completamente nua. Demorou um segundo até meu cérebro processar o que justificaria metade do meu pânico. Eu não dormia nua. Nunca dormi. Puxei o l
Capítulo 72 - O Limite Que Ele Não Cruzou
“O mais perigoso não foi o que aconteceu, mas o que ficou faltando.”Elena RossiSó quando ouvi o som da porta se fechando, anunciando que Damian já estava longe, meu corpo decidiu se mover.Joguei o lençol em volta de mim, improvisando nele uma dignidade temporária, e saltei da cama com um impulso que não combinava com a sofisticação do quarto. Corri até a porta e a fechei depressa, como se o mundo lá fora pudesse invadir o pós-acontecimento sem bater.O som da chave trancando a porta fez com que eu conseguisse finalmente soltar o ar que estava preso nos meus pulmões. Fiquei parada ali por um instante, com as costas encostadas na porta, e o lençol agarrado ao corpo como se uma pequena parte da minha vergonha fosse cair no chão se eu relaxasse os dedos.Respirei fundo.Por breves segundos fiquei sem pensar em absolutamente nada, mas o meu cérebro parecia disposto a brincar comigo e logo um pensamento surgiu em minha mente.O que foi que eu fiz? O impulso de andar surgiu antes mesmo q
Capítulo 73 - Entre o Contrato e a Escolha
“Há riscos que se tomam com o corpo e há riscos que só o coração conhece.”Damian CavalariSaí do quarto e deixei Elena para trás. Ainda podia sentir o calor daquele quarto na pele, não o da calefação, mas o calor íntimo que só existe quando uma mulher dorme ali, vulnerável, entregue, e completamente alheia ao tipo de caos que pode provocar num homem que não deveria reagir.A porta fechou, mas meu corpo demorou para aceitar a ordem de se afastar. Havia uma tensão nos músculos, uma vontade tola e primária que não tinha sido saciada, apenas contida.Conter não significa
Capítulo 74 - Onde as Histórias Começam
“Antes de amar um homem, é preciso conhecer o mundo que o fez.”Elena RossiA batida na porta veio exatamente quando eu terminei de dizer para o espelho que estava perdida.Não era forte, nem impaciente. Três toques educados, como se quem estivesse do outro lado soubesse que qualquer coisa acima da delicadeza faria tudo desmoronar.Terminei de colocar o vestido às pressas, o tecido deslizou sobre a pele ainda sensível, e passei as mãos pelos cabelos, tentando parecer mais composta do que realmente estava. As marcas no corpo estavam cobertas, mas a memória delas, não.Abri a porta.— Bom dia, Elena. — Beatrice sorriu com aquela elegância que só quem cresceu cercada de etiqueta consegue sustentar sem esforço. — Pronta?“Pronta” era uma palavra generosa demais para o meu estado, mas assenti.— Acho que sim.Os olhos dela fizeram um percurso rápido por mim, não invasivo, mais atento. Beatrice enxergava mais do que dizia, e dizia mais do que qualquer pessoa sensata revelaria em voz alta. A
Capítulo 75 - O Mundo Que o Formou
“Ninguém nasce frio. Alguém ensinou.”Começamos a caminhar de novo, e eu fui junto. Passamos por uma sala com fotografias em preto e branco e uma em especial chamou minha atenção. Era uma mulher de vestido simples em frente a uma escultura. Ela era linda e seus traços delicados lembravam os de Beatrice, mas o sorriso lembrava o dele. Beatrice parou, tocando de leve a borda da moldura.— Ele fez a minha mãe sofrer mais do que qualquer quadro poderia justificar. — disse, finalmente. — Relacionamentos extraconjugais, noites que terminavam em discussão, promessas que nunca passavam de palavras bem encaixadas. O tipo de coisa que destrói uma mulher devagar, especialmente uma que ainda insistia em acre
Capítulo 76 - O Homem Que Resolve
“O poder não está no que se ordena, mas no que se sustenta.” Damian CavallariCheguei ao hospital San Michele di Firenze quarenta minutos depois do telefonema. Entrei pelo saguão principal sem diminuir o passo. As portas automáticas abriram. Alguns olharam, reconheceram e recuaram. Nome e posição ainda falam alto. Em ambientes como aquele, até a curiosidade aprende a respeitar protocolos.No balcão, a recepcionista levantou os olhos, ajeitou o blazer e quase endireitou a postura sozinha.— Bom dia, senhor Cavallari.— Dra. Arquete? — perguntei.— Já foi informada da sua chegada. Está a caminho.Assenti, mais por hábito do que por cortesia, e me virei na direção do corredor principal. O cheiro de antisséptico e flores dominava. Uma combinação pensada para vender a ideia de recuperação em vez de dor. Uma encenação. E, como quase tudo ali, funcional.O som dos saltos dela veio antes da presença.— Senhor Cavallari!Virei o rosto e encontrei a doutora Patricia Arquette se aproximando com
Capítulo 77 - O Preço do Controle
“Foi por ela. Mas ele ainda não sabia.”Damian Cavalari Quando descobri o motivo real de Elena ter aceitado aquele leilão, não acreditei. As mulheres que cruzavam aquele tipo de palco normalmente tinham interesses específicos, dinheiro, conexões, estabilidade social, às vezes até um casamento por contrato. Nada daquilo me surpreendia. Já tinha visto o suficiente para reconhecer ambição disfarçada de charme a metros de distância.Mas quando vi Elena subir naquele palco, houve algo que não se encaixou no padrão. Não era o vestido, não era a postura. Era o olhar. Elena não levantou o rosto para provocar, mas também não abaixou a cabeça para buscar compaixão. E quando os olhos verdes encontraram o público, não havia sedução nem medo, havia força. Uma força rara, crua, que eu só tinha visto antes nos olhos de outra pessoa.Minha mãe.E foi ali que tudo começou a se desnivelar. Quando descobri que Elena se vendeu, não por vaidade, mas para salvar a irmã que estava morrendo de câncer, a hi
Capítulo 78 — O Homem Antes do Homem
“O amor de um homem se mede pelo que ele protege.”Elena RossiO portão da mansão Cavallari se abriu com a suavidade de quem já me reconhecia. O motorista conduziu o carro até a entrada principal. Era aproximadamente três da tarde, quando desci do carro. O vento trouxe o perfume de lírios do jardim, suave o suficiente para me prender por um segundo.Beatrice havia ficado no museu para resolver algumas pendências. Eu deveria estar cansada, afinal, andamos por horas e falamos mais ainda. No entanto, a verdade é que a exaustão não vinha do corpo, vinha do que Beatrice me fez enxergar.Cada detalhe da casa me pareceu diferente quando entrei. Como se a conversa no museu tivesse reposicionado tudo um centímetro para o lado. O piano fechado na sala, os quadros que eu nunca realmente tinha observado, a escada de mármore que agora parecia uma metáfora ambulante de tudo o que Damian era, sólido, frio, bonito, e construído sobre fundações que ninguém questiona.Eu sorri sozinha enquanto subia a
Capítulo 79 - Onde o Cuidado Não Pede Nome
“Amar é simples. Sobreviver ao amor é complicado.”Elena RossiA noite anterior veio inteira.A boca firme, o beijo que não pediu permissão, a mão que segurou a minha nuca com a posse de quem sabe exatamente o que está fazendo. O aperto na cintura, o calor que subiu pelas minhas costas, o modo exato como ele falou o meu nome, grave, baixo, quase como um aviso.Mas não foi só isso.Foi ele me conduzindo ao banheiro com a naturalidade de quem resolve crises e não cenas românticas. Foi o cuidado ao me despir, não como quem toma, mas como quem assume responsabilidade. A água quente escorrendo pela pele, o vapor preenchendo o ambiente, e a sensação de que nada ali era comum.O beijo veio mais ardente, sem intervalo, sem hesitação. E então ele se ajoelhou diante de mim, não como súdito, mas como homem que sabe o que faz com as mãos e com a boca quando decide derrubar qualquer defesa que ainda restou. O prazer veio rápido, profundo e silencioso demais, para que eu pudesse processar. Eu me de
Capítulo 80 -O Homem Que Mudou Tudo
“Nem todo poder destrói. Alguns curam.”Elena RossiAlessandro chegou quinze minutos depois da ligação terminar.O ronco do motor cortou o silêncio do pátio e se espalhou pela frente da mansão antes mesmo do carro parar diante da escadaria.Beatrice saiu primeiro, empurrando a porta com a pressa habitual. O conjunto de saia e blusa, leve e elegante, balançou contra as coxas quando ela desceu os dois primeiros degraus. A luz dourada do fim da tarde realçou o sorriso grande no rosto dela. Quem visse não imaginaria por um segundo sequer que tínhamos passado a manhã inteira juntas.— Elena… — ela disse, e só a forma como respirou já denunciava a euforia — você não tem ideia.Eu mal tive tempo de perguntar “ideia do quê”, porque ela já me puxava pelo pulso, como quem tem pressa de contar algo antes que a vida atrapalhe.Alessandro desceu logo depois, fechando a porta do carro com a calma de quem sabe que o mundo se move mais rápido do que deveria e que a única maneira de sobreviver a isso