All Chapters of Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário: Chapter 81
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Capítulo 81 - O Preço da Esperança
“Todo milagre cobra um preço. Todo amor também.”Elena RossiAlessandro nos ajudou a subir, quando nos acomodamos, ele sentou ao lado, e por alguns minutos ninguém falou nada. O som das hélices ocupava o silêncio, mas por dentro eu estava ansiosa. Por um momento fechei os olhos e me lembrei do dia em que os médicos disseram que se minha irmã não fizesse a cirurgia iria morrer. Lembrei do meu desespero, de como saí caminhando daquele hospital disposta a fazer qualquer coisa para salvá-la. Recordo o momento exato que ouvi uma conversa que falava sobre um leilão reservado para homens poderosos que compravam tudo. Não tinha muito a oferecer a não ser a mim mesma. Naquela mesma noite, peguei o meu melhor vestido e fui ao local disposta a tudo.Não sabia quem ia encontrar. Não sabia o preço, nem o que estava vendendo, se era meu corpo, minha dignidade ou a minha esperança. Só sabia que precisava salvar minha irmã.O helicóptero ganhou altitude e a cidade começou a encolher sobre nós. O so
Capítulo 82 - O Quarto que Não Existia
“Existem amores que não pedem nome. Apenas gestos.”Sofia não olhou para nós de imediato. Primeiro, levantou o queixo com a lentidão de quem testa o mundo antes de encarar o impacto dele.Quando finalmente me viu, abriu um sorriso tão grande que quase não cabia na boca.— LENA VOCÊ VEIO!Eu não tive tempo de dizer nada. Ela saltou da cama com os pés descalços e correu para mim com aquela velocidade teimosa que as crianças têm quando estão muito felizes para lembrar que quase morreram.O impacto do abraço veio forte na cintura, como se ela quisesse ancorar os dois braços ao meu corpo p
Capítulo 83 - Quando o Silêncio Tem Nome
“Desejar é simples. Ceder é outra coisa.”Damian CavalariVoltei para casa com o cansaço típico de quem passou horas discutindo poder com pessoas que confundem influência com inteligência.Cruzei o hall e senti o peso do paletó sobre os ombros aumentar antes de finalmente tirá-lo, como se o gesto fosse suficiente para aliviar metade da carga do dia. Joguei a peça sobre a poltrona mais próxima e soltei o ar devagar, com o maxilar contraído, sentindo a tensão acumulada ao longo da tarde se instalar no pescoço e nas costas como um lembrete desagradável de que o corpo cobra o que a mente insiste em ignorar.Tereza surgiu poucos segundos depois, com a postura
Capítulo 84 - A Forma Como Ele Deseja
“O contrato nunca mencionou amor. Mas também não proibiu.”Coloquei o tecido de volta no lugar com cuidado para um objeto que não deveria significar nada. Virei as costas antes que o quarto me dissesse algo que eu não estava preparado para ouvir.Fui para o banho, deixei a água quente bater na nuca e descer pelas costas enquanto respirava pelo nariz e soltava pela boca, tentando convencer meu corpo a abandonar alguma parte da tensão que parecia ter se instalado ali como hóspede permanente. Quando saí, vesti apenas uma calça de flanela e desci para o escritório.Servi a dose de uísque e deixei o líquido descer com a lentidão calculada de quem está acostumado a medir efeitos antes de medi-los em consequência. Fechei a mão ao redor do copo, sentindo o peso do cristal, e por um instante inteiro minha mente voltou ao banheiro da noite anterior, como se aquela lembrança tivesse sido programada para emergir exatamente quando eu não podia fazer nada a respeito.Ela estava encostada no box, o
Capítulo 85 - Quando o Medo Dorme Primeiro
“Alguns homens aparecem mesmo quando não chegam.”Elena Rossi O quarto parecia maior quando a porta finalmente se fechou atrás da última enfermeira. O silêncio tomou conta do quarto por apenas uns segundos. Por um instante eu pude ouvir o som da respiração de Sofia como quem reencontra uma música que quase esqueceu como se canta.Ela estava sentada no meio do tapete azul-claro, com o ursinho “mel” entre os braços, olhando para o castelo iluminado como se tentasse memorizar cada lâmpada de estrela individualmente, como se um dia precisasse relatar tudo com exatidão.— Lena… dá pra ficar acordada até mais tarde hoje? — perguntou, sem tirar os olhos do castelo.Sorri ao me aproximar.— Hoje pode. — respondi. — Hoje é um desses dias em que as regras não sabem onde dormir.Ela riu, aquele riso que sempre trouxe luz, até nos dias mais sombrios da minha vida. Depois virou para mim e levantou os braços num pedido silencioso que eu conhecia antes mesmo dela nascer.Peguei Sofia no colo com c
Capítulo 86 - O Homem que Não Admite
“Homens não confessam. Eles agem.”Damian acordou antes do alarme, o que, para ele, não era exatamente novidade. Seu corpo tinha o hábito de reagir ao mundo antes que o mundo pudesse reagir a ele.Abriu os olhos devagar, respirou fundo e levou alguns segundos para processar o detalhe mais inconveniente da manhã: não estava no próprio quarto.Virou a cabeça no travesseiro, observando o espaço vazio ao lado. O tecido estava marcado, levemente amassado, e ainda guardava o perfume dela. Um perfume discreto, doce e impossível de ignorar quando se tem memória, e pior ainda quando se tem desejo.A lembrança veio inteira, como se a mente não precisasse de permissão para reviver: Elena nua nos seus braços, o corpo pequeno e suave, a pele quente que reagia ao toque dele com uma precisão quase irritante. Não havia drama, não havia esforço, apenas o modo com que ela se entregava, silenciosa, como quem entende que o silêncio às vezes é a forma mais alta de confissão.O membro pulsou, pesado, exig
Capítulo 87 - Ela Fica
“Homens como ele não amam. Decidem.”A porta se fechou atrás de Alessandro com aquele clique seco que sempre precedia assuntos que ninguém queria nomear. Lá fora, o escritório seguia com o ruído abafado de teclas, passos rápidos e telefonemas que se encaixavam no ritmo da empresa, mas ali dentro, o som cessava. O escritório presidencial não era apenas uma sala, era um campo de batalha onde nada era sentimental e tudo era estratégia.Alessandro segurava a pasta de couro com a ponta dos dedos, e caminhou até a mesa com o tipo de lentidão calculada que irritava homens impacientes. Damian desviou os olhos dos relatórios por dois segundos, apenas o suficiente para medir o cunhado, não como família, mas como alguém que traz problemas embalados em papel timbrado.— Quer começar pelo corporativo ou pelo pessoal? — Alessandro perguntou, deixando a pergunta no meio-fio entre a provocação e a formalidade.Damian entrelaçou os dedos sobre a mesa. Não era um gesto defensivo, era um lembrete de com
Capítulo 88 - Aquilo Que o Corpo Lembra
“O corpo guarda aquilo que a mente teme confessar.”Elena RossiO San Michelle di Firenze nunca dormia. Na verdade, os hospitais nunca param, foram construídos para manter a vida em movimento enquanto o resto do mundo dormia. E naquela manhã, quando os passos das enfermeiras começaram a preencher o corredor, Sofia já estava desperta.Eu não consegui dormir. Tudo parecia um sonho e temia que se fechasse os olhos, pudesse acordar novamente naquele pesadelo que nos acompanhou durante meses. — Lena, você não dormiu? — perguntou, sentada com as pernas cruzadas no meio da cama, segurando o ursinho mel como se ele também quisesse saber. Eu esfreguei o rosto, tentando ajustar a visão ao mundo que insistia em começar antes de mim.— Que horas são?— Sete e cinco! — ela respondeu com a empolgação de quem acaba de ganhar um presente.— Isso é madrugada para os adultos.— Madrugada é três e cinquenta e dois. — ela corrigiu com autoridade. — Eu perguntei ontem.Suspirei fundo me sentando e puxe
Capítulo 89 - Aquarelas Para Respirar
“O castelo continua, mesmo quando mudam os quartos.”Elena RossiEu ouvi o salto de Beatrice antes de vê-la.No corredor do San Michelle di Firenze, aquele som não combinava com o resto. Enfermeiras usavam tênis silenciosos, médicos deslizavam com sapatos de borracha, familiares caminhavam na ponta dos pés. Beatrice não. O salto dela marcava presença como se lembrasse ao hospital que a vida lá fora continuava acontecendo com pressa, beleza e perfume caro.Ela surgiu na porta com o corpo apoiado de lado no batente, os óculos de sol empurrados para o topo da cabeça, lenço de seda caindo perfeito sobre o pescoço e um sorriso que ocupou o quarto inteiro.— É aqui que está dormindo uma princesinha? — perguntou com um sorriso largo no rosto. Sofia ergueu o rosto tão rápido que as orelhinhas da touca balançaram.— TIA BIA! — gritou, como se tivesse esperado meses, não algumas horas.Sempre que ela falava assim, meu coração oscilava entre gratidão e medo. Gratidão porque Sofia ainda consegu
Capítulo 90 — Homens de Gesto, Não de Palavra
“Alguns homens dizem com gestos o que não sabem dizer com a voz.”Pare. Não diga “bem”. Não finja pra ela.— Cansada. — completei.— Física ou emocional?— As duas coisas. — admiti.Ela assentiu, como quem já esperava.— E você dormiu?— Um pouco.— Um pouco quanto?— Três horas. — respondi, sem precisar contar. Meu corpo guardava o número com rancor.Beatrice inclinou a cabeça, analisando minha expressão, meu tom, meu ombro tenso.— Você ficou acordada ouvindo a respiração dela, não ficou?Olhei para as próprias mãos. Sempre que fico desconfortável, mexo nos dedos. Passei o polegar sobre a marca clara do anel que não uso mais. O anel que pertenceu a minha mãe, e que tive que vender para pagar o tratamento de Sofia. — Fiquei.— Quantas vezes você já fez isso na vida?— Desde que ela nasceu. — respondi. — Só mudou o cenário.Beatrice sorriu de canto.— Agora tem equipe médica, monitores, exames diários e uma porção de tecnologia te ajudando. — enumerou. — E ainda assim você não confia