All Chapters of Uma noite, uma vida : Chapter 71
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CAPÍTULO 70
GISELE NARRANDO:Logo que começamos a entrar na área das mansões, algo chamou minha atenção. Homens armados estavam posicionados ao longo da entrada, discretos, mas inegavelmente presentes. Franzi o cenho, sentindo um leve desconforto.— Duda, por que tantos homens armados ao redor da casa dos seus pais? — Perguntei, tentando disfarçar a preocupação, mas não pude evitar.Duda fez uma pausa, provavelmente já esperando essa pergunta. — Bom, isso é para proteção, Gisa... — Ela respondeu calmamente enquanto estacionava o carro.— Proteção de quê? — Questionei, olhando para ela com curiosidade. Era algo que não fazia parte da minha realidade.Duda parou por um segundo, parecendo ponderar sobre o que dizer. — Ah, eles têm muitos negócios, como... uma transportadora com frotas de caminhões, e uma fábrica de bebidas. Mais precisamente, tequila. É do meu avô, El Toro, e minha mãe toma conta de toda a empresa.— El Toro? — Eu me endireitei no banco, surpresa. — Essa tequila é a número um de
CAPÍTULO 71
GISELE NARRANDO:No segundo dia na mansão Corleone, o sentimento de acolhimento que eles me ofereciam era reconfortante, mas, ao mesmo tempo, eu estava tensa. Tinha sido tudo tão rápido, tantas mudanças, e eu ainda estava tentando processar tudo. Na noite anterior, Duda havia me levado para o trabalho. Ela ficou no bar, tomando alguns drinks e água, até o meu turno acabar. Depois, me levou de volta para a mansão. Preciso descobrir qual linha de ônibus passa perto do condomínio, porque, pela distância, ficar dependendo de táxi seria um absurdo de tão caro.Dormir em um quarto novo era estranho. As minhas coisas e de Rodriguinho foram organizadas no closet mais rápido do que imaginei. Eu mal comecei a arrumar e, quando retornei pela manhã, Rita e outra empregada já tinham feito todo o serviço. Sobrava espaço, afinal, não tínhamos tantas coisas assim. Quando chegamos logo cedo, Rodriguinho ainda estava no quarto dos avós, dormindo, então aproveitei para tomar um banho relaxante e, pela p
CAPÍTULO 72
GISELE NARRANDO:Engoli em seco, tentando manter a compostura.— Felicidades para vocês dois. Mas quanto às suas desculpas, Micaela, sinceramente, eu não sei se acredito nelas... De qualquer forma, só espero que você trate muito bem o meu filho. Se quiser maltratar alguém, faça comigo. Porque se eu descobrir que você fez qualquer coisa contra o Rodriguinho, eu vou acabar com você — avisei com firmeza, com minha voz ameaçadora.Antes que ela pudesse responder, me virei e saí. Aquilo tudo era demais para a minha cabeça.Estava voltando para a sala com o coração acelerado, lutando para manter a calma depois daquela conversa com Micaela. Ao ver Rodriguinho no chão, engatinhando animado ao redor das caixas de presentes, senti um aperto no peito. Eu o peguei no colo com cuidado, acariciando seu rostinho macio, tão inocente, tão alheio a toda aquela tensão. Beijei sua bochecha e murmurei baixinho:— Que a Virgem de Guadalupe te proteja, meu amor... te proteja de todo o mal.Ele sorriu, esti
CAPÍTULO 73
GISELE NARRANDO:Duda mexia no celular com a naturalidade de quem falava sobre o tempo, enquanto eu me ocupava em preparar sua piña colada, em silêncio. As palavras dela me incomodavam, me deixavam inquieta, mas mantive o foco no que estava fazendo.— Você não ficou chateada, né? — ela perguntou, levantando o olhar, largando o celular e me encarando.— Não... Claro que não. Eu e seu irmão nunca tivemos nada, exceto uma noite... — respondi, tentando parecer despreocupada, mas sentindo um nó na garganta enquanto entregava a bebida para ela.Duda tomou um gole no canudo, me analisando com aquele olhar curioso e sagaz.— Ah, mas vai saber... Eu sei que você é inteligente demais para gostar de um idiota como o meu irmão, mas ele é todo bonitão, charmoso... Sei que é fácil se iludir — disse ela, como se estivesse desvendando um segredo.Soltei um suspiro discreto e dei de ombros enquanto atendia outro cliente.— Eu não tenho tempo para ilusões, Duda — respondi, evitando o assunto.Ela riu,
CAPÍTULO 74
GISELE NARRANDO: Acordei de um sonho maravilhoso, mas meu corpo parecia tão pesado que tive que me arrastar para a beirada da cama. O sol entrava por alguma fresta da janela, mas percebi que as cortinas estavam fechadas. Franzi a testa ao pensar ter visto Dona Madah entrando no meu quarto essa manhã, mas eu estava tão sonolenta que não tinha certeza.Me espreguicei e peguei meu celular, percebendo que já eram duas da tarde. — Mais uma vez, dormi demais — pensei, rindo de mim mesma enquanto me levantava. Fui até as cortinas e, com um puxão, às abrir de uma vez. O brilho do sol me atingiu, e por um momento eu me senti viva novamente.Olhei para o lado e avistei Duda e Raphael na piscina, rindo e brincando com o Rodriguinho, que estava se divertindo. Ele sorria, espirrando água para todos os lados, enquanto Duda e Raphael se revezavam segurando o pequeno. A cena era pura felicidade, e eu não consegui evitar um sorriso ao ver como eles estavam aproveitando aquele dia ensolarado.Dona M
CAPÍTULO 75
GISELE NARRANDO:Eu estava ali, pensando em como perguntar, em como abordar o assunto, mas antes que eu pudesse balbuciar qualquer coisa, Duda se adiantou, salvando-me do constrangimento.— Eu e a Gisa queremos sair essa noite para ir a uma balada, e queríamos saber se você se importa de ficar com o Rodriguinho pra gente se divertir, mami — Duda falou de forma tão direta que senti minhas bochechas queimarem instantaneamente.Madah olhou para nós duas com uma expressão calma, mas levemente divertida, antes de responder.— Claro que não, podem ir. Rodriguinho está ficando super de boa comigo e com o Rafa — disse ela com um sorriso, fechando a porta da geladeira.— Madah, eu não quero incomodar vocês. Já falei para a Duda que não acho legal vocês ficarem com o Rodriguinho só para eu sair — falei, ainda sem jeito, mas com sinceridade. Não queria parecer que estava me aproveitando da hospitalidade deles.Madah deu uma risadinha curta e acenou com a mão, como se eu estivesse exagerando.— I
CAPÍTULO 76
RODRIGO NARRANDO: Ter um filho com Micaela era algo que vinha se tornando recorrente em nossas conversas, especialmente durante nossas noites mais íntimas, quando estávamos fazendo sexo. Ela parecia gostar da ideia, mas sempre deixava claro que se sentiria mais segura e confiante se estivéssemos noivos. Confesso que, no começo, essa conversa me pegou de surpresa. Eu nunca havia planejado esse tipo de coisa com antecedência, mas com o tempo, a ideia de formalizar nossa relação começou a parecer natural, até animadora. Então, quando Mica sugeriu irmos às compras para o Rodriguinho, vi ali uma oportunidade de fazer algo especial. Durante as compras, Micaela estava radiante. Ela fez questão de escolher cada peça de roupa como se meu filho fosse para um desfile, encontrando aquelas roupinhas de luxo em tamanhos compactos para o nosso pequeno. Foi divertido entrar nessa onda com ela. Estava ansioso para ver Rodriguinho com as roupas novas, todo curioso, abrindo os sacos e fazendo aqu
CAPÍTULO 77
RODRIGO NARRANDO:Era segunda-feira, e o dia começou tão agitado quanto eu imaginava. Desde cedo, minha mesa estava cheia de documentos para revisar, e o telefone não parava de tocar. O mercado financeiro necessitava da minha atenção constante, e as dúvidas sobre a nossa nova criptomoeda são intermináveis. Investidores bilionários queriam respostas, garantias, e todos queriam a mesma coisa: resultados.Passei a manhã em reuniões com a equipe, analisando relatórios e estratégias. O Breno, como sempre, foi um dos que mais se destacaram. Ele tem uma habilidade especial para detalhar os números e projetar cenários de longo prazo, o que me fez dar uma missão importante a ele no final da reunião.— Breno, — Eu disse, me recostando na cadeira. — Quero que você assuma uma análise completa desse novo mercado que estamos explorando. Preciso de um relatório sobre os riscos e as oportunidades. O prazo é apertado, mas confio que você vai entregar algo sólido.— Claro, chefe,— ele respondeu com um
CAPÍTULO 78
RODRIGO NARRANDO:O vento da noite batia suave, e eu respirava fundo, sentindo a familiaridade do momento. Meu conversível estava estacionado no lugar de sempre, reluzindo sob as luzes do estacionamento. Entrei, liguei o som e deixei a música preencher o silêncio enquanto dirigia para a mansão dos meus pais. Mesmo sendo o caminho oposto do meu apartamento, ver o Rodriguinho valia o desvio.Eu esperava que ele ainda estivesse acordado.A estrada noturna era tranquila, o motor rugia baixinho enquanto os faróis cortavam o asfalto. A música ecoava pelo carro, uma trilha sonora para os meus pensamentos que vagavam. Não via meu filho há alguns dias, e sempre que o pensamento de não estar presente para ele surgia, sentia um incômodo no peito. Quando cheguei à mansão, o portão se abriu automaticamente, revelando o jardim perfeitamente cuidado que cercava a casa. Estacionei o carro na frente da entrada e saí, sentindo o cheiro da grama recém-cortada. A propriedade imponente diante de mim traz
CAPÍTULO 79
GISELE NARRANDO:A noite estava começando e eu ainda sentia aquele frio na barriga que não sabia se vinha da ansiedade ou da incerteza de estar fazendo a coisa certa. Quando entrei no banco do carona do Range Rover da Duda, meu coração deu um salto. Ela sorriu pra mim, ligando o som, e o reggaeton tomou conta do espaço como uma onda de vibração. O vento da noite entrava pelos vidros abertos, bagunçando meus cabelos, enquanto a batida da música fazia tudo parecer mais leve. O ar fresco acariciava meu rosto, e naquele momento, eu me permiti relaxar e aproveitar. Era a primeira vez que saímos juntas assim, e uma parte de mim estava animada.Quando chegamos em frente a Love Story , meu queixo caiu. Um letreiro enorme de LED rosa iluminava o prédio imenso que dominava o quarteirão inteiro. Era uma boate, sim, mas parecia mais um palácio de luzes e música. Duda entregou a chave do carro para o manobrista com um aceno casual, e nós descemos. Eu mal consegui acreditar que era segunda-feira –