All Chapters of Uma noite, uma vida : Chapter 61
- Chapter 70
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CAPÍTULO 60
GISELE NARRANDO:Coloquei o último par de tênis no Rodriguinho, e ele balançava as perninhas, muito animado como se soubesse que iria passear. O body azul-marinho, o short mostarda com aquele ursinho fofo na parte de trás, e o cabelo penteado para o lado. Ele parecia um bonequinho. Sorri enquanto passava o perfuminho leve no pescoço dele, sussurrando:— Hoje você vai conhecer seus avós, meu amor. Precisa se comportar, hein? — Ele riu de volta, aquela gargalhada gostosa de bebê que derretia meu coração.Quando o coloquei no chão, um sentimento estranho me invadiu. A ansiedade crescia a cada minuto. Conhecer os pais de Rodrigo... E se ele estivesse lá? Pior ainda, e se Micaela estivesse lá? Pensei em cancelar tudo. Mas aí meu celular vibrou com uma mensagem de Duda, dizendo que já estava chegando. Respirei fundo, me apressando para terminar de me arrumar. Já tinha tomado banho, então só precisava trocar de roupa.Mas o problema era que eu não tinha muita opção. Fazia meses que não comp
CAPÍTULO 61
GISELE NARRANDO:Entramos na casa e logo fui recebida por um ambiente de puro luxo. O chão de mármore brilhava, as paredes eram claras com detalhes dourados, e um enorme piano dominava o espaço. Nas paredes, quadros de um casal mais velho. E então, meus olhos cruzaram com os de Rodrigo.Ele estava em pé, conversando com um senhor que se virou assim que nos aproximamos. O homem era a cópia de Rodrigo, alto, bem vestido, com um terno preto listrado, cabelos grisalhos penteados impecavelmente e uma barba desenhada. Segurava um copo de uísque na mão. E então, Duda caminhou até uma mulher alta, magra, com tatuagens que cobriam seus braços e mãos, usando um vestido longo preto elegante.Quando a mulher viu Rodriguinho, seus olhos brilharam de emoção.— Mas ele é tão lindo... uma cópia do Rodrigo quando pequeno — disse ela, tocando o rosto de Rodriguinho, que abriu os bracinhos, se oferecendo para ir no colo dela.— Olha como ele é bonzinho, mami — Duda comentou orgulhosa, enquanto eu, com o
CAPÍTULO 62
GISELE NARRANDO:A conversa flui de forma natural entre todos. Eles me perguntam sobre o que Rodriguinho gosta, o que ele não gosta, e rimos juntos das pequenas travessuras que ele já começa a fazer mexendo em tudo que tem sobre a mesa. Sinto-me mais relaxada, aos poucos. É como se, por um breve momento, eu pertencesse a esse lugar, a essa família.Quando Rodriguinho passa de colo em colo, sendo mimado por todos, sinto uma pontada de alívio. Eles o adoram, e ele também parece gostar de estar ali, rodeado de tanto carinho. E, por um segundo, permito-me imaginar: e se isso tudo fosse real? E se esse momento fosse o começo de algo maior?Mas logo afasto o pensamento. Isso é temporário, uma visita. Não posso me iludir.Depois que terminamos a sobremesa, o sol estava ficando forte demais, então voltamos para a sala de estar com o ar condicionado ligado. O ambiente estava fresco, e Rodrigo, com aquele jeito cuidadoso, colocou o Rodriguinho no chão, mas sem tirar os olhos dele. Era engraçad
CAPÍTULO 63
GISELE NARRANDO:Madah me olhou com uma expressão de compreensão profunda e, para minha surpresa, se aproximou, tocando meu rosto gentilmente.— Gisele, eu te dou minha palavra que jamais vamos afastar o Rodriguinho de você. Você é a mãe dele. Você já faz parte dessa família, e quero que se sinta como uma filha para mim, entendeu? — Ela disse, e pela primeira vez em muito tempo, senti uma ternura genuína, que quase me fez chorar.Minhas defesas começaram a desmoronar, mas ainda havia uma parte de mim que precisava lutar pela minha dignidade.— Obrigada, Madah, essa é a única coisa que eu peço. Não preciso do dinheiro de vocês, eu não quero pensão nem nada — falei, com o orgulho que ainda me restava. — Sempre trabalhei e não vou ficar às custas de vocês, prometo.Ela me olhou com um sorriso terno, cheio de empatia.— Querida, você é muito forte. Mas o Rodriguinho, como nosso herdeiro, tem seus direitos, assim como você também tem os seus. Já sei que a Duda lhe disse que não está sozinh
CAPÍTULO 64
RODRIGO NARRANDO:Desde o momento em que Gisele entrou no carro e colocou o cinto, o silêncio entre nós parecia sufocante. O ar estava pesado, e a tensão se instalou como uma terceira presença. Eu dirigia em direção ao trabalho dela, mas a cada quilômetro percorrido, sentia o peso do que havia acontecido entre nós. Eu a tinha decepcionado, e isso me corroía por dentro.Olhei de relance para Gisele, mas ela permanecia imóvel, com os olhos fixos para fora da janela. O rosto dela, tão calmo e sereno, me deixava desconfortável. Ela estava tão bonita, com os cabelos caindo levemente sobre os ombros. A timidez que normalmente a acompanhava agora parecia ser uma barreira entre nós. Eu queria dizer algo, mas as palavras me faltavam. O orgulho me segurava, como sempre. Eu raramente errava – pelo menos, era isso que eu gostava de acreditar – e pedir desculpas nunca foi o meu forte.Mas Gisele... Ela era diferente. Era a mãe do meu filho. E, por mais que isso pesasse em mim, eu sabia que não pod
CAPÍTULO 65
RODRIGO NARRANDO:Dirigir de volta para a casa dos meus pais com a cabeça cheia de frustração não era exatamente como eu tinha planejado o resto do meu dia. A conversa com Gisele... bom, isso foi um desastre completo. O silêncio que pairava no carro até agora parecia ecoar no fundo da minha mente, como um lembrete constante de que eu precisava aprender a lidar melhor com tudo. Mas lidar com a mãe do meu filho? Isso não estava nos meus talentos.Pego o celular, respiro fundo e ligo para Virgínia. Preciso me distrair com alguma coisa de trabalho, algo que eu saiba controlar.— Senhor Rodrigo? — a voz de Virgínia soa atenta, como sempre.— Virgínia, o que você tem pra mim? — pergunto enquanto ajustei o volume do áudio, tentando me concentrar na conversa.— Temos alguns assuntos urgentes no escritório. Preciso que você veja alguns documentos sobre a reunião de amanhã e também tem aquele contrato pendente... — ela começa a listar, mas eu a interrompo.— Anota tudo, por favor. Amanhã estare
CAPÍTULO 66
RODRIGO NARRANDO:Depois de dar o banho em Rodriguinho e trocá-lo com a ajuda da minha mãe, senti um alívio ao ver meu filho aconchegado no pijama azul claro. Minha mãe, como sempre, estava radiante, enchendo o neto de elogios. — Olha só, Rodrigo, como ele é lindo! Parece você quando era pequeno segurando sempre o pezinho pra cima. — Eu sorri, cansado, mas com uma alegria que não sentia há tempos.Duda, claro, não parava de filmar. — Ele é uma estrela. Cada movimento desse bebê vale ouro — disse ela, rindo enquanto registrava cada detalhe com o celular ou sua câmera.Eu estava grato por aquilo. Queria ter essas lembranças para sempre. — Valeu, Duda. Essas imagens serão importante pra ele... e pra mim.Depois de dar mais um pouco de mamadeira, Rodriguinho finalmente adormeceu, o rostinho sereno, respirando de forma ritmada. Coloquei-o com cuidado na cama super king size dos meus pais, enquanto minha mãe organizava travesseiros ao redor para garantir que ele não caísse. Fiquei olhand
CAPÍTULO 67
RODRIGO NARRANDO:Dirigir de volta para o meu apartamento foi como se eu estivesse deixando para trás o peso do mundo e carregando comigo apenas o que realmente importava: a energia que o Rodriguinho me dava. Ele era como uma fonte de renovação para mim, como se meu filho fosse o carregador da minha bateria. Sorrindo enquanto dirigia, deixei a música alta preencher o carro, o vento bagunçando meu cabelo enquanto eu acelerava o conversível pelas ruas da cidade. A sensação de liberdade me envolvia completamente.Ao chegar na cobertura, o silêncio tranquilo do lugar me acolheu. Abri a porta, joguei as chaves na bancada junto com os celulares e subi as escadas, começando a tirar a camiseta polo e desabotoando a calça, já pronto para um banho relaxante. Mas quando entrei no meu quarto, fui pego de surpresa. Micaela estava ali, deitada na cama, tomando um vinho, com as luzes de LED criando um clima suave no ambiente. Ela usava uma lingerie vermelha, absolutamente sensual, com o robe aberto,
CAPÍTULO 68
GISELE NARRANDO:Quando cheguei em casa após mais um turno cansativo no bar, o silêncio era quase ensurdecedor. Estar sem o Rodriguinho era estranho, como se parte de mim tivesse ficado para trás. A kitnet parecia vazia, e o cansaço que eu sentia não era só físico, era emocional também. Eu estava acostumada com aquela bagunça carinhosa que ele fazia, com o riso dele preenchendo os espaços. Sem ele, o vazio me invadiu.Tomei um banho rápido, evitando essa sensação de falta. Enquanto a água escorria pelo meu corpo, me lembrei de todas as vezes que meu celular vibrou durante o meu trabalho. Eram mensagens da Duda. Ela mandava fotos e vídeos do Rodriguinho. Meus lábios se curvaram em um sorriso ao ver as cenas dele com o pai, Rodrigo, trocando fralda, dando banho, fazendo o bebê dormir. Duda tinha um jeito divertido de registrar esses momentos, e eu acabei vendo os vídeos mais de uma vez, saí do banho me secando e me enrolando com minha toalha.Involuntariamente, eu reparava em Rodrigo. E
CAPÍTULO 69
GISELE NARRANDO:Assim que terminamos de organizar tudo, ouvi uma batida leve na porta. Ao abrir, lá estava Dona Sueli, minha vizinha, com aquele olhar curioso que eu já conhecia muito bem. Ela sorriu, mas seus olhos logo focaram nas malas e sacolas espalhadas pela sala.— Oi, minha filha. Conseguiu outra kitnet? — perguntou, cruzando os braços e apoiando-se no batente da porta.Respirei fundo, tentando não demonstrar o turbilhão de sentimentos que estava dentro de mim. — Oi, Dona Sueli. Na verdade, não consegui outra kitnet. Vou ficar um tempo na casa dos avós do Rodriguinho. Eles me convidaram e... acho que vai ser bom.Os olhos de Dona Sueli se arregalaram de surpresa. — Na casa dos avós? Mas isso quer dizer que você vai morar com a família do pai dele? Então eles já sabem do menino.Balancei a cabeça, confirmando. — É, vou ficar com eles por enquanto. A mãe do Rodrigo insistiu muito e, sabe como é... Essa ordem de despejo com poucos dias, me pegou de surpresa — Sorri meio sem g