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Capítulo 48 — Hora do show
Joyce chegou à recepção da Royal como quem entra em território próprio. O salto alto ecoou pelo mármore. Da sala de Ricardo vinham vozes abafadas. Dava para ouvir tensão… mas não distinguir palavras. Joyce inclinou levemente a cabeça, curiosa. Aproximou-se da mesa de Ingrid. — O Ricardo está me esperando. — disse, segura demais. — Avise que eu cheguei. Ingrid levantou os olhos, desconfortável. — Sim, senhora… — respondeu com cautela. — Ele autorizou a entrada, mas não acredito que seja um bom momento— Joyce a interrompeu, sem sequer olhar direito para ela. — Você não é paga pra acreditar em nada. — cortou. — Só pra obedecer. E saiu caminhando antes que Ingrid dissesse qualquer outra coisa. Determinada. Curiosa. Convicta de que tinha vencido. Parou diante da porta da sala. Girou a maçaneta. Abriu. E congelou. Nathália estava ajoelhada no chão. Chorando. O cabelo levemente desalinhado. As mãos trêmulas, estendidas em súplica. Ricardo, em
Capítulo 47 — Roteiro Da Vida
Nathália ainda ficou para o almoço e logo depois foi embora. Antes de sair, Agatha avisou: — Às quatro da tarde a gente passa no seu trabalho. Nathália franziu a testa. — Pra quê? Agatha sorriu. — Surpresa. Anabela e Ana trocaram um olhar cúmplice. — Coisa de irmã. Jorge se recolheu ao escritório logo depois da saída dela. Parou diante da janela. O campo verde se estendia até onde a vista alcançava… mas ele não via nada daquilo. A preocupação o atingiu em cheio. Claro que respeitaria o tempo dela. Mas havia demorado tantos anos para encontrá-la. Tantos. E agora só queria poder estar perto. Nathália era a prova viva de que existira amor entre ele e Emília. Mas também… a prova da própria covardia. Durante anos, Jorge sonhara com o que diria se voltasse a encontrá-la. Ensaiara discursos. Pedidos de perdão. Explicações. Mas agora que sabia a verdade… agora que a realidade pesava… permitiu que a dor finalmente o alcançasse. As lágrima
Capítulo 46 — Um Sobrenome
Ricardo voltava para a mesa depois de mais uma reunião interminável quando passou pela recepção. Ingrid levantou os olhos na mesma hora. — Senhor Rocha… chegou esse envelope pro senhor. — estendeu o pacote pardo. — Foi falha minha. Com todos os compromissos do baile, acabei deixando passar. Me desculpa. Ricardo pegou o envelope. — Tudo bem, Ingrid. Só tenta não repetir. — Claro. Obrigada. Ele seguiu direto para a própria sala. Fechou a porta. Rasgou a lateral do envelope sem sentar. As fotos escorregaram para a mesa. Impressas. Coloridas. Bem enquadradas demais. À primeira vista… perfeitas. Boas o suficiente para enganar qualquer um. Mas não ele. Ricardo encarou cada imagem com atenção cirúrgica. Um homem. Nathália. Um beijo. Sombras bem posicionadas. Um “acaso” perfeito demais. E então… o detalhe. A pequena marca no pescoço dela — a que ele conhecia melhor do que qualquer um. Não estava ali. O peito dele endureceu. Bastava. Montagem. Armadil
Capítulo 45 — Armadilha
O dia de Nathália começou agitado. Depois que Ricardo saiu, ela simplesmente não conseguiu voltar a dormir. Virou de um lado. Do outro. Cansada de encarar o teto, Nathália se levantou. Tomou um banho rápido. Vestiu-se. Arrumou o cabelo. Organizou a bolsa. E saiu. Minutos depois, atravessava o hall imponente da MonteiroCorp. Foi direto para a mesa. Ligou o computador. Abriu e-mails. Tentou se concentrar. Não conseguiu. Pouco depois, passos conhecidos se aproximaram. Thiago surgiu com dois copos de café na mão. Olheiras leves. Camisa amarrotada demais para alguém tão vaidoso. — Bom dia, Nathi. Trouxe pra você. Entregou o copo do Starbucks. Nathália sorriu. — Bom dia, Thi. Muito obrigadinha. Chegou cedo. — Muito trabalho. Ele respondeu rápido demais. Como se escondesse algo. Às oito em ponto, o celular vibrou. Jorge. O coração dela deu um pulo. — Preciso falar com você com urgência. — Aconteceu alguma coisa? — Vou mandar o
Capítulo 44 — Peças em Jogo
Joyce andava de um lado para o outro no quarto da mansão Nunes como um animal enjaulado. O celular jogado sobre a cama. As unhas roídas. Os nervos à flor da pele. — Aquela mulher tem que ter algum podre… — murmurou. Pegou o primeiro objeto que encontrou. Um vaso decorativo. Arremessou contra a porta. O impacto ecoou pela casa vazia. Ninguém veio. Não havia mais empregados. Não havia luxo circulando. Só silêncio. Só contas bloqueadas. Só policiais rondando. Só a sensação sufocante de que tudo estava desmoronando rápido demais. Joyce respirou fundo. Tentou se recompor. Mas era impossível. Estava vivendo na mansão com a mãe agora. Sem o pai. Sem notícias. Sem dinheiro entrando. Sem segurança. Sem poder. O sobrenome Nunes, que antes abria portas, agora levantava suspeitas. Ela sentou na cama. Pegou uma foto que estava sobre a mesa. Observou a imagem com desprezo. Nathália. Nos braços de outro homem. Rindo. Beijando. Uma mon
Capítulo 43 — Antes da Tempestade
A rotina agora era diferente. Ricardo voltava para o apartamento sozinho. Acordava sozinho. Não precisava mais passar para deixar ninguém na empresa. Sem beijo de boa noite. Sem beijo de bom dia. Sem beijo de despedida. Agora era tudo por mensagem. E aquilo estava começando a consumi-lo. Estava distraído com os próprios pensamentos quando a porta do escritório se abriu sem aviso. Ricardo ergueu a cabeça. Ela estava ali. Elegante. Imponente. Postura impecável. Carlota Rocha. — Ricardo… por que eu ligo e você não atende? Ele apoiou as mãos na mesa. — Muito ocupado, mãe. — Para sua mãe, você está sempre ocupado. — Vamos pular essa parte. — respondeu seco. — O que trouxe você aqui? Carlota cruzou os braços. — Fiquei sabendo que terminou com a secretária. — Sim. — respondeu sem hesitar. — Terminamos o namoro. Na cabeça dele, o pensamento veio automático: > Agora somos noivos. Um quase sorriso apareceu no canto da boca. Carlota estreit
