Capítulo 02
Author: Karyelle Kuhn
last update2024-08-03 04:39:17

Liz

Não posso negar que não prestei atenção em nenhuma das outras aulas. Só conseguia me lembrar daqueles olhos verdes! Ele é bem mais lindo do que na foto que tinha visto. E além de tudo, é meu marido. Tenho certeza de que ele não sabia quem eu sou. Espero que continue assim até ele assinar o divórcio. 

Saio do meu devaneio quando ouço a voz da Ana. 

— Você está bem, Liz? 

— Sim, estou — menti. 

— Então vamos, foi a nossa última aula. — Olhei para os lados, ou melhor para a sala, e estava vazia.  

— Vamos! 

— Hoje vai ter uma festa na casa da Samantha, vamos? 

— Não estou muito bem. —  Franzi o cenho com um olhar triste. 

— O professor gostosão te deixou assim? — Ela começou a rir. 

— Claro que não — Tentei mentir. — Estou com cólica., ou acho que foi algo que comi que não me fez muito bem — Seguimos para fora do corredor. 

—  Amiga, queria muito te fazer companhia, mas vou tentar dar uns beijos no Igor — Ana sempre foi atirada e um pouco comportada, se é que me entendem. 

— Boa sorte com ele. — Igor era a paixão platônica dela, não se interessava nem um pouco pela minha amiga, todos viam isso, menos ela.  

— Tá bom, obrigada. Até segunda. — Ana me abraçou e seguiu em direção ao portão.  

Fiquei ali parada, apenas olhando ela se afastar. 

— Você está bem senhorita…? — Ouço aquela voz rouca e sexy atrás de mim. Meu corpo todo se arrepiou, percebi que realmente não fazia ideia que era casado comigo. 

— Navarro! Liz Navarro — falei me virando, com um ar de ironia. Se ele pensou que esqueci o quão grosseiro foi comigo, estava muito enganado! 

— Desculpa. Levará um tempo até eu aprender o nome de todos os alunos.  

Que voz maravilhosa a desse homem. E ele me tratou como uma simples aluna. 

Não respondi nada, apenas me virei e segui em direção ao portão. Não olhei para trás. 

— Senhorita Navarro? Senhorita? 

Afastei-me enquanto ouvia que ele chamava por mim, sequer olhei para trás. Quando passei pelo portão senti um alívio descomunal. O carro do Petter estava parado à frente, e agradeci mentalmente por ele ser tão pontual, entrei de súbito. 

— Aconteceu alguma coisa, Liz? 

— Nada não, Petter. — Tentei disfarçar, mas ele continuou a me encarar pelo retrovisor. — Acho que comi algo que não me fez bem. 

— Quer ir ao médico? 

— Não precisa. Um chá da Sandra já é o suficiente. 

— Ok. — Ligou o carro e seguimos. 

 Passei o caminho todo pensando nele. Assim que cheguei em casa, Bruno estava me esperando, o homem sempre tinha as feições sisudas, como se estivesse sempre com um humor infernal.  

 — Bruno?! 

— Oi, minha menina. — Sandra vem ao meu encontro. — Você está pálida, aconteceu alguma coisa? 

 — Comi algo que não me fez bem. — Fiz uma careta para ela acreditar. 

 — Vou fazer um chá para você. — falou e foi à cozinha. 

 — Obrigada. — Coloquei minha bolsa no chão e me sentei no sofá oposto ao que o advogado estava. 

 — Tudo bem, Liz? 

 — Tudo, sim, Bruno. A que devo a honra? 

 — O senhor Henry deseja falar com a senhorita sobre o divórcio. 

 — Não tem necessidade, ele nunca teve interesse nenhum em saber quem eu era, agora do nada para assinar o divórcio ele quer? Nem no nosso casamento ele veio, não vejo necessidade de continuar com essa palhaçada, isso já durou mais do que deveria. Só mandar os papeis que eu assino, não é assim que funciona? — declarei por fim. 

 — Ele virá à cidade para fazer isso — explicou. 

 — Ele já está na cidade! — disse, às vezes não consigo controlar minha língua. 

 — Como?  

 — Eu vi em um jornal que ele já tinha chegado aqui. — tentei mentir. 

— Ah sim. — Pareceu acreditar. 

 — Fala para ele apenas assinar os documentos, quero viver minha vida, apenas isso. Diga o que for necessário!  

 — Olha Liz, eu vou tentar. Não garanto nada. O senhor McNight tem um gênio muito forte. 

 — Isso é porque ele nunca me viu brava. 

 — Vou ver o que consigo, certo? — O olhar do advogado carregava uma certeza que não daria certa sua tentativa. — Eu te ligo. 

 — Agradeço muito!  — Bruno se levanta e vai em direção à porta. 

Será que meu marido é um “demônio”? Todos que falam dele, parecem temê-lo.  

Sandra voltou com o meu chá, que diga-se de passagem era um chá horrível de boldo, mas tive que tomar tudo, pois não queria contar para ela o que tinha acontecido. 

*** Se você está gostando da história, não esqueça de me seguir, para ficar por dentro dessa e das futuras histórias!❤️***

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