Capítulo 03
Author: Karyelle Kuhn
last update2024-08-03 04:42:28

Liz

Passei o sábado todo em casa, mas continuei pensando nele. Ainda bem que o Petter e a Sandra estavam comigo, como de costume estamos nós três na sala, maratonando “Supernatural” e comendo pipoca.   

— Liz, quando quiser me contar o que está acontecendo, é só falar.  

— Obrigada. — Me aconcheguei no abraço dela.  

— Menina. 

— Oi, Petter! 

— Eu e a Sandra vamos jantar em um restaurante hoje. — Ele faz uma pausa. — Quer nos acompanhar? 

— Não — respondi, não podia atrapalhar este momento tão deles.  

— Tem certeza? Nós também podemos ficar. — Sandra depositou um beijo em minha testa. 

— Não, Sandra, podem ir. — Ela hesitou por um segundo. — Não se preocupem, estou bem. E Ana me chamou para ir em uma festa hoje. 

— E você vai? 

— É claro. — Olhei a hora no relógio de parede da sala. — Aliás, preciso me arrumar. 

Dei um sorriso para ela, me levantei e fui na direção das escadas. 

— Ok. Talvez não voltemos hoje. — Petter avisou quando eu subia os degraus. 

— Sem problemas! Aproveitem! — gritei do topo das escadas. 

Até eles têm encontros românticos, e eu?! Eu aqui, sem fazer nada devido a um mísero contrato. 

Entrei no meu quarto e me joguei na cama, encarei o teto imaginando as possíveis chances de o Henry assinar aquele contrato sem me conhecer, inúmeras possibilidades passaram pela minha mente, e a mais absurda delas, ele se apaixonar por mim. Confesso que tê-lo visto de perto despertou em mim algum tipo de sentimento, ou seja, só loucura da mente de uma mulher carente. Encarei o teto e não demorei para pegar no sono. 

Acordei com o meu celular tocando, olhei no visor: Ana. Já são 1h da madrugada. 

— Ana? 

— Liz, venha para cá! — Ela está bêbada. 

— O Igor… O professor gostosão está com aquela Britney. — Sam grita antes que Ana termine a frase. 

Será que a Ana comentou alguma coisa com a Sam!? 

— O que eu tenho com isso? 

— Venha Liz, você nunca sai — ela gaguejou. — Preciso de ajuda com o Igor. 

— Estamos naquela boate dos caras gostosões. — Sam gritou e elas começaram a rir. — Ela está tirando a roupa. 

— Quem está tirando a roupa? — Meu Deus! Será que é a Ana?! — ANA, SAM. — Elas não respondem mais. — Não saiam daí. Já estou chegando. — Desliguei o celular e dei um pulo da cama. 

Sem muito tempo de pensar no que vestir, peguei um vestido azul justo, com um decote em v altamente generoso, com as costas abertas até a cintura. Estava guardando-o para uma ocasião especial, mas como ela nunca chegou, resolvi usá-lo hoje. Encarei meus sapatos e escolhi calçar saltos pretos meia pata.  Não poderia usar alguma coisa mais alta, pois não sabia o que me aguardava. Resolvi não abusar na maquiagem, apenas o essencial, olhos bem delineados, cílios marcantes e um batom vermelho carmesim, para realçar meus lábios. 

Se o senhor McNight pode ir à balada como solteiro, então à senhora McNight vai ensinar que também sabe participar desse jogo — pensei. 

Fui à garagem, entrei na Mercedes GLA, toda branca. Amo carros brancos. Comprei assim que fiz 18 anos, odeio dirigir, mas no momento é o que eu tenho que fazer. 

***

Cheguei na balada, uma fila imensa na entrada. Bufei, mas lembrei que não precisaria ficar na fila, já que a boate era do pai do Pedro, um amigo querido, e já fui tantas vezes naquele lugar que os seguranças já me conhecem, mas é bem raro eu aparecer aqui. Sempre vou à casa do Pedro com a Ana, ele tem uma queda por ela, mas ela não vê isso e fica chorando pelos cantos pelo Igor. 

Me aproximei da entrada. 

— Senhorita Navarro! — O segurança me cumprimentou, retribuo assentindo com a cabeça. 

Ele liberou a passagem e entrei. 

O lugar estava lotado, a música alta e a luz piscando, quando mexi na bolsa em busca do meu celular, lembrei que ele estava no carro.  

Voltei a minha atenção na música que estava tocando, Alok - Alive 

— É, Liz, que desatenta! — murmuro para mim mesma. 

Vou andando pela multidão, tentando não pisar em ninguém, o que foi quase impossível. 

— Licença! — falei gritando e algumas das pessoas abrem passagem. 

Depois de alguns minutos vejo a Ana com a Sam, estão dançando com Igor e o Pedro. 

— Liz! Liz! — Ana me gritou. 

— Vocês estão bem? 

— Viu, era só dizer que alguma de nós duas ia tirar a roupa que ela vinha correndo! — Ana e Sam dão risada. 

— Não acredito! Vocês jogaram sujo. — Torci o nariz. 

— Não fique brava, Liz. — Ana fez cara de coitada. — Você nunca sai.  

— Vamos dançar. — Sam me puxou pelo braço e a Ana veio logo atrás. 

Chegamos na pista e começamos a dançar, eu mexia meu corpo conforme sentia as batidas da música. As minhas amigas já estavam bem loucas.  

 Já que o meu marido pode ir a uma boate, eu também posso. Apesar que ainda não o tinha visto. Meus olhos estão procurando por ele. Será que elas estavam falando a verdade ou só fizeram isso para eu vir até aqui? Pelo menos elas conseguiram me tirar de casa. 

Igor apareceu e começou a dançar comigo. A música invadiu o meu corpo todo, só sei que estou dançando no ritmo certo. 

Voltei novamente a procurar por ele. Olhei na parte de cima da boate havia um homem de costas que me chamou atenção. Ele estava usando uma camisa branca e uma calça jeans preta que marca todo o seu corpo. Realmente lindo. 

Ele se virou, nossos olhos se encontram, então perco o fôlego. 

Henry me encarou com tanta intensidade, mas seu cenho está franzido com um aspecto sisudo de que não gostou nem um pouco de me vir ali, dançando.  

Igor me tirou do transe me oferecendo uma bebida. 

— Toma, você vai gostar. — Peguei o copo da sua mão e tomei tudo em um gole só. — Calma. — Igor gritou em meu ouvido. 

Pego o copo da Ana e da Sam e tomei cada bebida em apenas um gole. Meu corpo todo esquentou, aos poucos a minha visão vai ficando um pouco turva, e uma alegria estava me invadindo. 

Olhei para o mesmo lugar em que Henry deveria estar, e para minha surpresa, ele já tinha sumido. 

*** Se você está gostando da história, não esqueça de me seguir, para ficar por dentro dessa e das futuras histórias!❤️ ***

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Agora ele pega ela bêbada na festa, transa com ela, deixa ela grávida. E ela vai se apaixonar e sofrer o pão que o diabo amassou.

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