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Capítulo 6: Minha coelhinha - parte 2
Author: Evy
last update2025-07-31 08:54:17

Killer estava nos fundos da Fera Dourada, encostado na parede, tragando o cigarro como se fosse a única coisa capaz de mantê-lo no lugar, e talvez fosse mesmo. O ar denso misturava o cheiro de fumaça, álcool e suor, mas nada conseguia abafar aquele outro aroma que queimava em sua mente havia horas. O cheiro dela.

— Tá se escondendo aqui por quê? — a voz de Trash quebrou o silêncio atrás dele.

Killer nem se deu ao trabalho de olhar.

— Vai embora.

— Ah, qual é. — Trash se aproximou, cruzando os braços. — Você veio hoje pra se divertir, não pra ficar nesse canto como um psicopata assustando as meninas. Todo mundo já morre de medo do Alfa da dentes de Prata, você não precisa se esforçar para ficar mais assustador.

— Trash... — Killer jogou a bituca no chão e a esmagou com a bota. — Vai se foder.

O beta soltou um riso curto, nada ofendido, já estava acostumado com o tratamento do amigo.

— Você só sabe falar isso?

— É o suficiente pra todo mundo entender. — Killer virou o rosto e o encarou, os olhos frios, quase selvagens.

Trash levantou as mãos num gesto de rendição, mas não recuou. Já conhecia aquele humor azedo, se fosse qualquer outro lobo, provavelmente já teria levado um soco no queixo, mas ele e Killer tinham mais intimidade.

— Tá de mau humor porque não comeu ninguém hoje? — Trash provocou, mas dessa vez não recebeu nem um grunhido como resposta. 

Em vez disso, percebeu algo diferente no amigo, a tensão em Killer não era só irritação comum. Era... outra coisa.

O beta ficou mais sério, endireitando a postura.

— O que tá pegando, Killer?

O alfa não respondeu, apenas passou pelo beta com os olhos brilhando em vermelho e o queixo levemente erguido. Estava ali, o maldito cheiro de novo. Seus pulmões encheram com aquele aroma, agora mais forte, mais doce, mais... insuportável.

Killer fechou os olhos por um segundo e inspirou profundamente, tentando lutar contra a onda de desejo que quase o fez perder o equilíbrio. O corpo inteiro dele reagiu, cada fibra se armando para caça.

— Que porra é essa? — Trash franziu o cenho, vendo o alfa ficar imóvel no meio do corredor. — Killer? O que tá acontecendo?

Mas tudo o que o beta recebeu foi um rosnado mal alto, mais furioso. 

 — Ei, cara… fala alguma coisa…

 — Cala a boca. — A voz saiu rouca, monstruosa.

Então ele correu. O cheiro o guiava, mais forte, mais viciante, corredores estreitos passavam em borrões, botas batendo pesado no chão. Trash o seguia, ofegante.

 — Killer! Explica essa porra!

Mas a unica coisa que o movia era o cheiro dela, sua companheira aquela que ele esperou por quase duzentos anos, a mulher que a deusa da lua escolheu para ele… 

Então finalmente, ele a ouviu…

 — NÃO! POR FAVOR, PARA!

O rugido que encheu o corredor fez Trash travar, Killer virou para a direita, guiado pelos gritos, mais furioso a cada instante com mais sede de sangue a cada passo.

Chutou uma porta: não era ela. 

O cheiro o intoxicava, mais próximo.

 — NÃO ME TOCA!

A última barreira da humanidade se rompeu, seu lobo tomou o controle. Se não chegasse a tempo, nada sobraria naquele clube além de sangue e morte.

O alfa não escutava mais nada, não tinha espaço para raciocínio, para prudência, para conversa. Só havia um instinto: chegar até ela.

Um último grito atravessou a parede fina do quarto no fim do corredor, tão desesperado que fez os dentes de Killer rangerem. Ele chutou a porta com tanta força que a fechadura voou, batendo contra a parede do lado de dentro.

O que viu fez seu estômago se revirar de nojo e sua visão se tingir de vermelho.

Jack, um alfa que ele havia convidado para visitar suas terras e formar uma aliança, cliente antigo do clube, metido a valentão, cheio de dinheiro e de arrogância, estava segurando a garota de máscara de coelho pelos cabelos, forçando a cabeça dela para trás com brutalidade.

— Para de chorar, vadia. — Jack rosnava, a voz carregada de deboche e ameaça. — Se ficar quietinha, eu prometo que vou ser rápido. Hoje eu vou te ensinar o que é ser mulher. 

Bunny se debatia como podia, mas estava fraca, esgotada de tanto lutar. O corpo nu completamente exposto, coberto de marcas, hematomas arroxeados, vermelhidões de t***s, chupões agressivos que denunciavam cada segundo de humilhação que tinha sofrido ali.

Quando Killer respirou fundo, o cheiro de medo que emanava dela bateu nele como um soco no estômago. Ele sentiu o corpo perder o controle num piscar de olhos. O calor da raiva subindo pelas veias, cada músculo inchando, cada osso estalando.

As pupilas dilataram, o maxilar se alongou, os dentes se tornaram presas afiadas. As garras começaram a surgir nas mãos, enquanto o rosto ainda mantinha um formato meio humano, mas já tomava traços monstruosos de lobo.

Um rugido ecoou no quarto, tão grave que fez as paredes vibrarem.

Jack soltou Bunny num sobressalto, virando-se para trás.

— Al…Alfa K... Killer?!

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