All Chapters of Predador: Presa em minhas garras: Chapter 1
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Capítulo 1: O lobo cruel
Capítulo 1: O lobo cruel Era o aniversário de Melia, naquela noite estava fazendo 17 anos.Era frágil, magra, os cabelos grudados na testa de tanto suor. Corria pela mata com os pés descalços, tropeçando nos galhos, com os olhos marejados e o coração batendo tão alto que abafava qualquer som ao redor. A respiração arfante da mãe ao seu lado mostrava que ambas estavam no limite. A floresta de Obsidian parecia nunca terminar, árvores escuras, o chão úmido e coberto de folhas mortas e pedras que cortavam seus pés era tudo o que viam à frente. A noite densa era iluminada apenas pela luz trêmula da lua e, mesmo sem muitas esperanças, precisavam continuar.E atrás delas… o som de lobos.Rugidos e uivos preenchiam a mata como um coro vindo de um pesadelo sufocante. Galhos se partindo, patas rasgando o chão… Eles estavam cada vez mais perto.— Melia, corre! — gritou sua mãe, Selene, puxando o braço da filha com força. — Não olha pra trás, minha pequena! Não para de correr!Mas o corpo da garo
Capítulo 2: Faço tudo por você
Um ano depois A porta do prédio rangeu quando Melia entrou, segurando a sacola de compras contra o peito. Seus passos ecoaram pelo corredor mofado e, por um momento, ela ficou feliz por finalmente estar em casa, mas a felicidade logo se foi assim que viu uma figura bloqueando a passagem. Era um homem grande, fedendo a cerveja velha e cigarro. Tinha uma barba mal feita, a camisa encardida e um o sorriso nojento. — Aí, garota… Cadê a mamãe? Faz dias que não aparece. Os caras estão com saudade do serviço dela. Melia apertou a sacola contra o corpo, sentindo o estômago se revirar. — Ela tá doente — respondeu baixo, sem olhar para ele. — Doente? — o lobo riu, inclinando-se para frente, a barriga grande quase roçando nela. — Uma pena. Você podia ocupar o lugar dela, tá na idade, né? Bonitinha assim… O coração da garota quase pulou para fora do peito. — Sai da frente. — A voz saiu trêmula, mas firme. As mãos dele se ergueram enquanto sorria malicioso. — Você sabe como é aqui, menin
Capítulo 3: Bunny
As luzes do palco se apagaram lentamente, engolidas pela escuridão vermelha que pulsava ao som grave da música ambiente que começou a tocar depois que a dançarina da vez terminou seu show. A multidão na plateia sussurrava entre goles de uísque e olhos famintos. No centro do salão, bem na primeira fileira à frente do palco, Killer Knight se acomodava na poltrona de couro como um rei no trono, porque ele era. Dono da Fera Dourada, maior boate de Valtheria, alfa da alcateia que comandava tudo naquele território, poderia estar em qualquer lugar mas foi apenas por insistência de seu beta, e já estava começando a se arrepender.Assim que se sentou, as dançarinas se movimentaram ao redor dele como mariposas sedentas pela luz, oferecendo bebidas, toques, sorrisos pintados de batom. Ele não deu atenção, como sempre, pegou seu copo com a mão tatuada, girou o líquido âmbar e se encostou no encosto largo da poltrona. Estava atento, observando o palco, esperando o próximo número, mesmo sabendo que
Capítulo 4: Você é um sucesso
Melia foi levada para os bastidores sob aplausos ensurdecedores, Corin estava sorrindo de orelha a orelha.— Você foi um sucesso, Bunny! — exclamou, batendo palmas. — O salão todo ficou de pé por você, isso nunca acontece!Melia não respondeu, estava ofegante, com os joelhos bambos. Suas mãos tremiam e ela tentava cobrir a pele, ainda sem roupa alguma. As pilhas de notas estavam perfeitamente empilhadas ao lado apenas esperando por ela.— Posso ir agora? — perguntou, a voz baixa.Corin assentiu.— Vai descansar, mas não vá pra casa ainda, alguém pode pedir uma dança em particular. O dinheiro vai ser levado para o camarim, pode contar lá, parabéns, menina! — Enquanto saia, Corin acertou um tapinha empolgado na bunda da garota, sorrindo como se tivesse encontrado sua galinha dos ovos de ouro.Mas enquanto Corin parecia prestes a pular de alegria, Melia só sentia medo e nervosismo. Seu coração ainda batia forte, não pela apresentação, mas por causa dos olhos dele.Alfa.Poderoso.Perigos
Capítulo 5: Você vai ser o primeiro dela
Nesse mesmo momento, a porta do camarim foi aberta de supetão. Um segurança entrou primeiro, largo como um armário, seguido de perto por Corin.— O que está acontecendo aqui? — A gerente perguntou, a voz carregada de irritação.Melia tentou correr, mas Jack esticou o braço e segurou o pulso dela com força, obrigando-a a parar. Os olhos da ômega foram para a gerente com esperança de ser salva, afinal, ela e Corin tinham um acordo.— Essa vadia aqui tá se fazendo de difícil — ele respondeu, ainda sem largá-la. — Se recusou a fazer o trabalho dela e agora tá pagando de santa.— Isso não é verdade! — Melia gritou, se debatendo para soltar o pulso. — Eu já disse que não faço programas! Eu só danço, só isso!Jack riu sem humor, balançando a cabeça como se ela tivesse acabado de contar a melhor piada do mundo.— Como é que uma prostituta não faz programa? — Ele ergueu as sobrancelhas, o tom carregado de sarcasmo. — Tá doida, garota?— Eu não sou prostituta! — Melia sentiu a garganta arder de
Capítulo 6: Minha coelhinha - parte 1
Jack soltou um riso baixo, satisfeito, enquanto erguia a omega e a jogava sobre o ombro com a facilidade de quem carrega um saco de algodão. — Me põe no chão! — Melia bateu nas costas dele com os punhos, tentando se contorcer. — Me solta agora!— Continua esperneando, que isso só me dá mais vontade. — Jack ergueu a mão e deu um tapa na bunda nua dela, tão forte que o som ecoou pelo corredor. — Você vai amar, docinho. Até quem diz que não quer, sempre acaba querendo.— Seu nojento! — Ela gritou, sentindo a pele arder onde ele tinha batido. — Me larga! Jack apenas deu outra risada, como se estivesse lidando com uma criança birrenta. Ele saiu do camarim com passos firmes, ignorando completamente os olhares curiosos de algumas meninas que espiavam discretamente pelo corredor. Muitas queriam ajudar, mas ninguém tinha coragem de enfrentar Corin ou um cliente alfa em plena boate.Melia se debateu até os braços ficarem dormentes, mas nada adiantava. O corpo dele era rígido como pedra, e o om
Capítulo 6: Minha coelhinha - parte 2
Killer estava nos fundos da Fera Dourada, encostado na parede, tragando o cigarro como se fosse a única coisa capaz de mantê-lo no lugar, e talvez fosse mesmo. O ar denso misturava o cheiro de fumaça, álcool e suor, mas nada conseguia abafar aquele outro aroma que queimava em sua mente havia horas. O cheiro dela.— Tá se escondendo aqui por quê? — a voz de Trash quebrou o silêncio atrás dele.Killer nem se deu ao trabalho de olhar.— Vai embora.— Ah, qual é. — Trash se aproximou, cruzando os braços. — Você veio hoje pra se divertir, não pra ficar nesse canto como um psicopata assustando as meninas. Todo mundo já morre de medo do Alfa da dentes de Prata, você não precisa se esforçar para ficar mais assustador.— Trash... — Killer jogou a bituca no chão e a esmagou com a bota. — Vai se foder.O beta soltou um riso curto, nada ofendido, já estava acostumado com o tratamento do amigo.— Você só sabe falar isso?— É o suficiente pra todo mundo entender. — Killer virou o rosto e o encarou,
Capítulo 7: Salvador ou Monstro? - parte 1
— E-eu… Eu não sei o que… — Jack gaguejou, mãos tremendo. — Eu só… só tava…Killer deu um passo à frente, garras arranhando a parede. — Não é o que parece! — Jack ergueu as mãos, desesperado. — Eu paguei por ela! Corin me vendeu! Eu juro, não tô roubando nada!Killer não disse nada, mas seu silêncio era a pior ameaça.— Por favor… — Jack recuou. — Posso pagar… o dobro… qualquer coisa… Temos uma aliança…Quando chegou até o outro lobo, o alfa agarrou Jack pelo pescoço e esmagou-o contra a parede com tanta força que rachou o concreto. — Alfa Killer! Foi só um mal-entendido…Porem, o alfa da Dentes de Prata não queria saber, o punho de Killer atingiu sua boca com um estalo seco. Mais um soco quebrou o nariz, outro no queixo… A cada soco o ódio que Killer sentia vazava pelos punhos em forma de violência.— Para! Por favor! — implorava Jack, sangue escorrendo.Ele não parou. Cada soco era aviso: ninguém tocaria no que era dele. — Killer… — tossiu. — Eu… Eu não sabia…O som fez as presas
Capítulo 7: Salvador ou Monstro? - parte 2
O homem as encarou de soslaio, mas não disse nada, aquela não era uma cena tão estranha para os arredores daquela boate. O silêncio pesado dentro do carro só era quebrado pelo choro baixo de Melia, que abraçava os próprios joelhos, tentando se encolher no assento.Nenhuma das duas falou durante o trajeto.Quando o carro parou na rua mais próxima ao bairro dos renegados que o taxista se dispôs a chegar, Juno pagou e desceu com pressa, ajudando Melia a se equilibrar.— Falta pouco, tá? A gente vai a pé agora.Melia apenas assentiu, sem conseguir emitir som.As ruas do bairro estavam desertas, exceto por alguns grupos de renegados encostados nas esquinas, fumando, rindo alto, encarando-as de cima a baixo com olhos cheios de malicia.— Olha só o que temos aqui... — um deles gritou, levantando a garrafa que tinha na mão. — Duas princesinhas querendo brincar? Pago bem por vocês duas.— Dá para sair do caminho? — Juno retrucou seca, sem diminuir o passo.— Ei, ei, calma, gata... — outro reneg
Capítulo 8: Qual o nome dela?
Corin subiu os últimos degraus com as mãos suadas. O salto fino batia no piso de madeira, produzindo um som seco que ecoava pelo corredor silencioso. A boate, lá embaixo, ainda vibrava com luzes e música, mas aquele andar parecia um prédio abandonado de tão silencioso.Ela parou diante da porta do escritório principal e respirou fundo. O rumor tinha corrido rápido: Killer tinha matado um alfa naquela noite, na frente de uma das garotas… A maldita Bunny. Isso, por si só, já era suficiente para deixar qualquer um em alerta. Mas Corin sabia que aquele não era apenas um problema de reputação para a boate ou para a alcateia. Não... aquilo significava que Killer estava furioso, fora de controle, e era justamente para ele que ela estava prestes a se apresentar.Corin ajeitou a blusa de seda, mesmo sabendo que estava ridícula tentando disfarçar o nervosismo. Pior do que encarar Killer era saber que ele não sabia do que ela realmente fazia ali dentro. Ele acreditava que ela gerenciava a boate d