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Capítulo 92 - Grito em camadas
Author: Lilah V
last update2025-11-26 09:50:01

“A arte só existe quando rompe correntes.”

Depois do embate com Helena, Viviane voltou para casa fervendo de raiva. Nem quis permanecer no hotel com as amigas — a irritação pulsava tão forte que tudo parecia insuportável. Jogou-se na cama, encarou o teto por alguns segundos e, depois, começou a rolar a tela do celular com a velocidade de quem precisava de uma distração imediata.

Não demorou para encontrar o que não queria ver.

Uma matéria havia acabado de ser publicada com a foto que ela mesma
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    “A inveja é o monstro de olhos verdes que zomba do alimento de que vive.” ShakespeareA sexta-feira chegou rápido demais.Cássio conseguiu convencer Silvia a ir sozinha para a empresa, delegando-lhe a tarefa de acompanhar a equipe de criação no início dos estudos para a nova coleção. A justificativa soava razoável — embora ambos soubessem que a equipe não precisava dela para absolutamente nada. O verdadeiro motivo era outro: ele precisava da casa vazia.Silvia percebeu.Aquele pedido não fora casual. Havia algo ali, algo que ele não queria que ela presenciasse. Um segredo. E segredos sempre lhe despertavam curiosidade. Por um instante, cogitou a possibilidade mais óbvia — outra mulher —, mas descartou quase de imediato. Cássio estava atolado demais em problemas, em pressão, no trabalho. Não havia espaço para outro romance.Ainda assim, atendeu ao pedido.Talvez, se cedesse naquele ponto, ele deixasse de insistir na ideia absurda de que ela deveria se afastar do trabalho para se dedica

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    “Nada desaparece completamente. Tudo deixa sua sombra.” Virginia WoolfSilvia saiu de casa praguejando em silêncio. Como pôde ter sido tão descuidada a ponto de esquecer da empregada? Um erro bobo, primário — indigno dela.Mas logo afastou o incômodo. No fim das contas, aquela mulher não passava de mais uma figura irrelevante. Não tinha porque perder tempo com isso quando havia um problema infinitamente maior à sua espera.Parou o carro antes de entrar no bairro antigo. O lugar onde crescera parecia resistir ao tempo de forma quase cruel, como se estivesse sempre pronto para lembrá-la de quem ela fora — e de quem jamais voltaria a ser. Puxou o capuz do moletom sobre a cabeça e abriu o porta-malas. Pegou o saco pesado com os produtos de limpeza, fechando-o rápido demais, como se o simples gesto pudesse denunciá-la.Caminhou tentando parecer apenas mais uma pessoa apressada. Mas algo ainda faltava. Algo essencial para o que precisava fazer.Água.Parou em frente à padaria antiga. A fac

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    “O verdadeiro horror da vida está em não compreender o que nos acontece.” Albert CamusA delegacia despertava em Cássio uma sensação contraditória, quase sufocante. Parte dele temia que algo grave tivesse acontecido com Helena. Outra parte — menos nobre — receava que finalmente tivessem encontrado alguma prova contra si. Fosse pela tentativa inconsequente de sequestro, fosse por qualquer rastro que o ligasse a Dante, aquele homem nebuloso que ele ainda não sabia direito quem era e nem no que estava metido.Atendeu à convocação do policial imediatamente. Agora aguardava na sala de espera, ao lado de Riviera. O advogado aproveitara o trajeto para informá-lo de que o dinheiro retirado do caixa da empresa havia sido reposto conforme solicitado. Tecnicamente, o problema estava resolvido. Ainda assim, Cássio tinha a estranha sensação de que aquele acerto cobraria um preço que ele ainda não conseguia mensurar.Pouco depois, um policial surgiu no corredor.— Senhor Amaral, o doutor Augusto já

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