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Capítulo 5 – A Verdade Escondida
Author: Débora Oliveira
last update2025-10-04 06:07:36

Vinte dias haviam se passado desde a noite em que Olívia, sem saber, se entregou a um desconhecido. Desde então, Peter não lhe dirigiu uma palavra. As mensagens dela permaneciam sem resposta, as ligações iam direto para a caixa postal. O silêncio se tornou um peso insuportável.

Foi a sogra quem falou o dia que ele chegaria.

Aquela informação ficou ecoando na mente de Olívia enquanto encerrava o expediente na empresa. O coração pulsava em expectativa, esperança misturada com medo. Precisava vê-lo. Precisava de explicações.

Mas havia algo ainda mais urgente dentro dela.

Nos últimos dias, seu corpo começou a dar sinais diferentes. A menstruação atrasada, os enjoos que surgiam de repente e o sono incontrolável.

Assim que deixou a empresa, estacionou em frente a uma farmácia e comprou um teste de gravidez.

No carro, com uma das mãos no volante, a outra deslizou até o ventre ainda plano.

— Será que já existe um bebezinho aqui? — murmurou, a voz embargada, enquanto um sorriso nervoso surgia. — Não estava nos meus planos agora… mas, se der positivo, vou ficar imensamente feliz. Porque você será o filho do meu grande amor.

O caminho de volta para casa foi lento, cada semáforo parecendo um teste de paciência.

Ao entrar, encontrou o pai, Fabrício, sentado na poltrona da sala mexendo no celular. O rosto dele se iluminou ao vê-la.

— Como foi o dia, minha Pérola? — perguntou, usando o apelido carinhoso de sempre.

Ela se inclinou, beijando-lhe a testa.

— Foi muito bem, papai. Está tudo sob controle.

O olhar dele brilhou de orgulho.

— Eu tenho tanto orgulho de você, filha. Você é a joia mais preciosa da minha vida. Queria tanto que seu irmão seguisse seu exemplo… Victor é um excelente engenheiro, mas não tem juízo nenhum.

Olívia sorriu, tentando esconder a tensão que a consumia.

— Papai, olha o coração… não se preocupe. O Victor está criando juízo, você vai ver.

— Tomara, filha. Tomara… — suspirou.

Subiu para o quarto, fechando a porta atrás de si. Colocou a bolsa sobre a poltrona e entrou no closet. O espelho refletia seu rosto ansioso, as mãos instintivamente pousadas sobre o ventre.

— Que dê positivo… — sussurrou para o próprio reflexo.

Voltou para o quarto, pegou o teste na bolsa e sentou-se na cama por alguns segundos para respirar fundo e em seguida, entrou no banheiro.

Minutos depois, saiu do banheiro com o coração em disparada. Começou a andar de um lado para o outro, olhando o relógio. Os cinco minutos pareciam uma eternidade.

Quando finalmente o tempo terminou, voltou ao banheiro. O olhar fixo, quase incapaz de respirar. Pegou o teste com as mãos trêmulas.

Duas linhas.

O ar escapou de seus pulmões num soluço.

— Positivo… — murmurou, um sorriso crescendo em meio às lágrimas que surgiram sem controle. — Aí meu Deus, estou grávida!

Sentou-se no vaso, olhando o teste . A emoção era intensa. Imaginou um bebê, pequenino, de olhos claros iguais aos dela e a cara de Peter. A esperança floresceu, doce e ingênua.

— Vou dar essa notícia para ele amanhã. Peter ficará feliz… será o pai mais incrível do mundo. — disse em voz baixa, sonhando alto.

Pela manhã, ela foi fazer uma transvaginal.

— Senhora, qual será a forma de pagamento? — perguntou a recepcionista.

— Cartão — disse Olívia, abrindo a bolsa e pegando a carteira com um sorriso discreto. — Vou usar o cartão do Peter para o primeiro gasto do nosso filho. Ele sempre dizia que, no dia em que eu engravidasse, seria responsabilidade dele cuidar de tudo. — completou, a voz baixa, carregada de um carinho silencioso.

A obstetra a recebeu com ternura.

— Vamos começar, Olívia? — disse, indicando a cama.

Deitou-se, o coração batendo descompassado. Na tela, pequenas imagens surgiram. A médica ajustou o aparelho.

— Está vendo? — perguntou a obstetra, suavemente. — Esse é o seu bebê.

Olívia não conteve as lágrimas.

— É tão emocionante saber que estou gerando uma vida. Está tudo bem com ele? — a voz saiu trêmula.

— Sim, tudo dentro da normalidade. — A médica sorriu. — Você agora precisa começar o pré-natal. Mas pode ficar tranquila, ele está crescendo bem.

Olívia voltou a chorar, desta vez em silêncio. Por fim, pousou as mãos sobre o ventre e murmurou, a voz embargada.

— Você é um presente lindo que Deus nos deu. E terá os pais mais maravilhosos do mundo. Eu te amo, meu amor.

A noite, Olívia vestiu-se com cuidado. Um vestido elegante, para combinar com o momento especial. Guardou o teste e o exame dentro da bolsa, era a prova do futuro que carregava no ventre.

Dirigiu até o apartamento de Peter. O coração dela acelerou quando chegou.

Subiu pelo elevador, a respiração presa. Ao tocar a campainha, sentiu as pernas fraquejarem.

Peter abriu a porta. O rosto dele estava fechado, os olhos frios.

— Olívia. — disse, seco.

Ela forçou um sorriso, tentando conter a emoção.

— Amor… que saudade. Precisamos conversar — disse, aproximando-se para lhe dar um beijo.

Ele recuou sutilmente, sem dizer uma palavra. Ela entrou, os olhos percorrendo o apartamento impecavelmente arrumado, como sempre.

— Está tudo bem, amor? — perguntou Olívia, preocupada.

— Estou cansado, Olívia. Se puder ser rápida… — respondeu Peter, a voz fria, enquanto seguia para o sofá.

Sentaram-se. Olívia respirou fundo, abriu a bolsa e tirou o teste de gravidez primeiro. Colocou sobre a mesa entre os dois, o coração batendo tão forte que parecia audível.

— Peter… eu estou grávida. — disse, a voz embargada, mas iluminada de esperança. — Vamos ter um bebê.

Por um instante, o silêncio dominou o ambiente. Ela buscava no rosto dele alguma reação de surpresa, quem sabe até de alegria.

Mas o que veio foi uma explosão.

— Grávida? — Peter ergueu-se num salto, a voz carregada de raiva. — Não ouse me dizer que esse filho é meu!

Olívia piscou, em choque.

— Como assim? É claro que é seu! — respondeu, com os olhos marejados. — Não é hora para brincadeiras, amor.

Ele pegou o teste da mesa com violência e atirou no rosto dela.

— Não me faça de idiota, sua vagabunda! Você deu pra outro homem e quer que eu assuma a criança?

As palavras atingiram-na como facadas. As lágrimas começaram a rolar.

— Amor… que agressividade é essa? — perguntou Olívia, em choque.

Peter avançou até ela e a ergueu pelos braços, com brutalidade.

— Outro homem te comeu. Este bastardo não é meu!

— Outro homem? — repetiu, sem compreender. — Do que você está falando, Peter? Eu… eu só estive com você! Nunca te traí.

— Mentirosa! — gritou, o olhar cruel, antes de atirá-la no sofá. — Você não vai me enganar com essa cara de santinha. Você me traiu, Olívia!

Aos prantos, Olívia foi até ele e o abraçou, implorando.

— Amor, para com isso! Eu me guardei pra você, eu me entreguei pra você… e agora você quer fugir das responsabilidades?

Peter segurou o rosto dela, fingindo ódio diante daquela confissão, mas a verdadeira raiva ardia pela promoção perdida. Então despejou sua versão:

— Responsabilidades? Eu te deixei na suíte daquele hotel e fui buscar uma surpresa. Minha mãe me ligou dizendo que estava passando mal e eu fui vê-la. Eu não te toquei, para de mentiras!

As pernas de Olívia fraquejaram, o peito apertou. A mente girava, tentando juntar as peças. As lembranças da noite especial vinham borradas, envoltas em vinho e num calor estranho. A última coisa que recordava era Peter murmurando que ela era “apertada”…

Um arrepio gelado percorreu sua espinha.

— Não… não pode ser… — murmurou, quase inaudível.

As lágrimas escorriam pelo rosto, mas não eram apenas de tristeza: eram de medo. Algo naquela noite não fazia sentido. E agora, a crueldade de Peter abria uma ferida profunda.

— Peter… Você não está pronto para ser pai, é isso? — falou em total desespero, tentando entender a situação.

Ele a agarrou pelos braços, arrastando-a em direção à porta.

— Já chega! — rosnou. — Enquanto eu quebrava a cara lá fora, você estava abrindo as pernas para qualquer homem. Some da minha vida!

Ele a lançou para fora e bateu a porta com violência.

Olívia caiu de joelhos no corredor, o corpo tremendo, os olhos arregalados em choque. As lágrimas desciam sem que ela percebesse.

— De quem é o filho que eu carrego?

— Quem era o homem daquela noite?

As perguntas ecoavam dentro dela como gritos, rompendo o silêncio sufocante do corredor.

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