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CAPĂŤTULO 111
RENNAN NARRANDO:A manhĂŁ tinha sido um verdadeiro caos no escritĂłrio. Estava atolado com as demissões e os processos de pagamento que Claudio e eu estávamos finalizando. Os nĂşmeros nĂŁo paravam de surgir, e minha mente já estava quase saturada. NĂŁo via a hora de concluir logo tudo o que tinha vindo resolver no MĂ©xico.— Aqui estĂŁo os Ăşltimos contratos, Renan — Claudio comentou, passando-me uma pilha de papĂ©is.Peguei os documentos, mas antes de assinar, meu telefone vibrou. Era uma mensagem da Duda. Abri, esperando algo rápido, mas em vez disso, lá estava ela, linda como sempre, em uma selfie na piscina, deliciosa somente de biquĂni com aquele sorriso que mexia comigo. Era inegável: Duda tinha uma intensidade que era quase impossĂvel de ignorar.Mas eu nĂŁo podia me distrair tanto. Meus planos eram claros, e tinha que manter o foco.Voltei Ă realidade. Estávamos no meio de uma reuniĂŁo importante, e eu precisava concentrar-me. Tentei retomar a conversa com Cláudio quando, de repente, o c
CAPĂŤTULO 110
DUDA NARRANDO:Eu estava saboreando uma deliciosa taça de sorvete de morango ao lado de Gisele e Rodrigo, aproveitando o clima descontraĂdo da tarde. Rodriguinho, meu sobrinho, tirava um cochilo tranquilo sob a sombra de uma palmeira, com sua babá do lado, e eu podia sentir claramente o clima entre os dois Ă minha frente. Claro que percebi os olhares que Rodrigo lançou para Gisele, mas decidiu ignorar e deixá-los Ă vontade. NĂŁo queria ser uma presença intrusiva.A verdade era que minha atenção estava em outra coisa — ou melhor, em outra pessoa. Meu celular vibrava em cima da mesa, e cada nova mensagem que me chegava arrancava um sorriso. Era Renato. Eu me senti leve conversando com ele, mesmo ele estando ocupado na empresa. Quando ele disse o que eu estava fazendo, nĂŁo resisti. Tirei algumas fotos de biquĂni, nada muito ousado, mas o suficiente para mexer com ele, e enviei. NĂŁo demorou muito para que ele respondesse com sua provocação tĂpica:"VocĂŞ Ă© deliciosa demais, pimentinha...
CAPĂŤTULO 109
RODRIGO NARRANDO:O gosto amargo da tequila desceu queimando minha garganta. Já era quase meio-dia, e eu estava sentado no meu escritório, olhando para a garrafa meio vazia. O barulho do relógio na parede me irritava, e o peso da situação de Micaela rodava na minha cabeça, sem me deixar trabalhar. Especialmente a conversa com Gisele, de madrugada. Não conseguia tirar ela da cabeça, nem o jeito dela quando falamos sobre o que está acontecendo entre nós. Eu estava disposto a conquistá-la, mas era tanta coisa ao mesmo tempo...Apertei os olhos, sentindo a frustração latejar. Não dava para continuar assim. Chamei Virginia até minha sala e cancelei toda a minha agenda da tarde. Não ia adiantar me forçar a trabalhar, não com a cabeça cheia dessas questões. Peguei as chaves do carro e dirigi até meu apartamento.Quando entrei, o silêncio me recebeu. Micaela podia ficar ali, claro, mas a verdade é que o clima entre nós dois estava insuportável. As coisas estavam tensas, complicadas, e eu sab
CAPĂŤTULO 108
RODRIGO NARRANDO:No dia seguinteO relĂłgio nĂŁo marcava nem sete horas e eu já estava no escritĂłrio, concentrado no meu computador. A transação que eu fazia era importante — milhões estavam em jogo, e um erro poderia custar muito. O telefone vibrou algumas vezes, mas ignorei. NĂŁo queria começar o dia me aborrecendo. Já sabia quem era.Enquanto digitava os nĂşmeros finais, o telefone interno tocou, era Virginia.— Diga— Senhor Rodrigo, a senhora Micaela está aqui — ela disse com a voz sĂ©ria, mas educada.Suspirei profundamente, sentindo o nĂł da gravata me sufocar. "Ela nĂŁo pode me dar um tempo?", pensei. NĂŁo tinha como evitar agora.— Deixe ela entrar — respondi, tentando manter a calma, mas já sentindo a irritação crescer.Poucos segundos depois, Micaela entrou. Ela estava impecável, como sempre. Um conjunto Chanel branco que realçava sua elegância, mas seu rosto traĂa todo o glamour. Olhos inchados e vermelhos, como se tivesse chorado a noite inteira. Eu conhecia bem aquele olhar.
CAPĂŤTULO 107
GISELE NARRANDO:O vento gelado batia no meu rosto, cortando a pele e fazendo meus olhos lacrimejarem. O carro conversĂvel de Rodrigo acelerava pela estrada quase deserta, e eu me encolhia no banco, cruzando os braços para tentar me aquecer. A blusa de manga longa que eu vestia era fina demais para enfrentar o frio da madrugada. Eu sabia que deveria ter pego algo mais quente antes de aceitar a carona, mas, sinceramente, nĂŁo estava pensando muito quando Rodrigo ofereceu.A conversa no inĂcio foi tranquila. Falamos sobre a Mieko, a nova babá do Rodriguinho, que dona Madah havia contratado. Eu havia conversado um pouco com ela mais cedo, e a impressĂŁo era boa. Ela parecia ser mesmo uma excelente escolha: atenciosa, cuidadosa, e claramente tinha experiĂŞncia com crianças. Rodrigo comentou que foi uma indicação de uma prima, que era bem exigente.— Deve ser uma boa pessoa mesmo. Eu me sinto mais tranquila em saber que o Rodriguinho está sendo bem cuidado — eu disse, tentando distrair minha
CAPĂŤTULO 106
GISELE NARRANDO:Meu turno estava finalmente chegando ao fim, e não vou mentir, eu já estava no meu limite. O bar tinha ficado cheio até quase três da manhã, um verdadeiro caos. Agora, só restavam alguns copos para lavar. Foi então que eu o vi. Rodrigo entrou com sua habitual elegância, mas dessa vez, algo parecia diferente. Ele usava uma camisa preta com os primeiros botões abertos, calça social e sapatos impecáveis, como se tivesse vindo direto de alguma reunião de negócios.Ele caminhou até o balcão, sentou-se bem à minha frente e me encarou com aquele olhar indecifrável.— O que você tá fazendo aqui? — perguntei, sem esconder a surpresa.Rodrigo não era de aparecer assim, ainda mais a essa hora.— Aqui é um bar, não é? Vim beber. E boa noite pra você também — ele respondeu, claramente sóbrio, mas com um tom que eu não soube identificar de imediato.— Sim, é um bar que você não costuma frequentar — respondi, tentando manter a conversa leve. — Mas o que vai querer?Sequei as mãos e
