All Chapters of Uma noite, uma vida : Chapter 1
- Chapter 10
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CAPÍTULO 2
RODRIGO NARRANDO: Precisava me esconder. Se Renan me visse, faria um escândalo e tudo estaria acabado. Por sorte, a bartender bonita fez um sinal para eu me abaixar e abriu uma porta lateral do bar. Rapidamente me escondi no vão, ouvindo claramente a discussão. — Cadê ele? Você acha que sou estúpido? Que viajei por quatorze horas sem saber que ia te encontrar aqui com seu amante? Eu já sei que está me traindo, Micaela! — Renan gritava. — Não faça escândalo. Estou sozinha, não estou com ninguém. Você não vê? Está agindo como um louco. Eu disse que precisava de espaço e não estava brincando!— Micaela retrucou. Senti-me péssimo. — Eu vi que tinha um copo junto com o seu. Onde está? Você guardou, garçonete? Está ajudando essa vadia? — Renan rosnou para a bartender, que se manteve firme. — Se o senhor continuar causando tumulto, vou chamar os seguranças — a jovem respondeu, apertando um botão vermelho próximo à pia. Senti-me um covarde por estar escondido, mas não queria expor M
CAPÍTULO 3
RODRIGO NARRANDO: Ignorei todos os alertas de furacão quando embarquei para Cancun. A sirene de emergência soava alto, mas nada importava mais para mim do que estar com Micaela, e eu estava preocupado do que Renan pudesse fazer com ela. O resort estava em alerta máximo, com hóspedes sendo levados para os bunkers e equipes de emergência correndo de um lado para o outro. Eu e a garota do bar corremos pela parte coberta do hotel, onde o chão já começava a ficar alagado. Pequenas correntes de água formavam poças profundas enquanto a chuva batia furiosamente contra as janelas. O vento era implacável, tão forte que parecia querer nos arrastar para longe. Por mais que tentássemos nos abrigar, a chuva entrava pelas janelas quebradas, molhando nossas roupas e nos deixando ensopados. No meio da correria, ouvi um estalo e, em questão de segundos, o vidro de uma das janelas explodiu ao nosso lado. Estilhaços voaram para todos os lados, e, antes que pudesse reagir, vi Gisele ao meu lado tenta
CAPÍTULO 4 🔥
RODRIGO NARRANDO: Quando finalmente nos separamos, ofegantes, olhei para ela, ainda sentindo o sabor de seus lábios nos meus. — Desculpa... eu... — Não peça desculpas — ela disse suavemente, com um sorriso tímido, mas cheio de intensidade. — Eu também queria. Ela apertou minha mão, e a conexão entre nós ficou ainda mais forte. Sabíamos que, apesar de tudo, estávamos juntos, compartilhando algo mais profundo que a tempestade lá fora. Não era só o perigo que nos aproximava, mas algo que estava crescendo dentro de nós há algum tempo. — Vai ficar tudo bem — sussurrei, mais para mim do que para ela, enquanto a puxava para mais perto, sentindo a segurança em sua presença. E novamente me inclinei para tocar seus lábios, com um beijo ardente, intenso, como se estivéssemos esperando por isso desde o momento em que nos conhecemos e agora era difícil de parar. Meu polegar deslizou por sua bochecha, acariciando sua pele, enquanto eu aprofundava o beijo, explorando sua boca com minha língua
CAPÍTULO 5
RODRIGO NARRANDO: Quando os seguranças do hotel nos encontraram no bunker oito horas depois, Gisele e eu havíamos pegado no sono. Despertamos um pouco surpresos, e Gisele parecia envergonhada. Ela se levantou rapidamente, ajeitando sua roupa e os cabelos. Eu também ajeitei minha camisa, felizmente estávamos vestidos e não desprevenidos como horas atrás. Os seguranças perguntaram se estávamos bem, e confirmamos que sim. Ao sairmos do bunker, o céu estava nublado e a chuva forte já havia passado. Os seguranças se dirigiram aos outros bunkers, e a área externa do resort estava um pouco destruída, com árvores caídas, muita sujeira, a piscina transbordando e bastante suja. Uma equipe já estava se movimentando para a limpeza. Gisele começou a andar na direção contrária e eu fui atrás dela. — Espera, não quer tomar café da manhã comigo? — perguntei. — Eu acho melhor não, mas obrigada — ela respondeu, piscando para mim e continuando a andar. Eu pensei que Gisele ficaria por perto, que p
CAPÍTULO 6
GISELE NARRANDO: A noite com o estranho que conheci no resort foi incrível, embora uma completa loucura em meio ao caos do furacão. Nunca imaginei que entregaria minha virgindade a um desconhecido, especialmente depois de vê-lo envolvido com uma mulher casada no bar. Mas, quando ficamos sozinhos no bunker, escondendo-nos da tempestade, a tensão entre nós era palpável. Rodrigo era lindo, cheiroso, com uma barba perfeitamente desenhada, olhos castanhos profundos e um corpo muito definido. Seus beijos, toques e cada sensação estão cravados na minha pele, uma memória que guardarei para sempre. Quando os seguranças nos encontraram, fiquei muito envergonhada por ter adormecido ao lado dele. Os seguranças me conheciam de vista, o que tornou a situação ainda mais embaraçosa. Assim que saímos, queria ir para casa o mais rápido possível. Rodrigo me chamou para tomar café da manhã, mas sabia que ficar perto dele era problema, então recusei e corri para ir embora. As ruas estavam destruí
CAPÍTULO 7
GISELE NARRANDO: Faz semanas que tento encontrar algum vestígio de Rodrigo, mas parece que ele é um fantasma. Procurei ajuda de um colega que trabalha na recepção do resort, mas não havia nenhum hóspede registrado com esse nome naquela noite. Nenhum Rodrigo, nenhum Rafael, nenhum Rodolfo, nenhuma pista que me levasse a ele, apenas um lenço com as iniciais "R.C" que ele deixou comigo. Como ele foi capaz de mentir sobre o próprio nome? O canalha me enganou e agora me sinto tão burra. Não sei de onde ou que cidade ele veio, qual seu sobrenome, nem mesmo seu número de telefone, parecia ser mexicano pelo sotaque e eu pensava de qual parte. Pela primeira vez, sinto-me verdadeiramente irresponsável. O que vou dizer ao meu filho quando ele me perguntar sobre o pai? Que me entreguei a um homem que mal conhecia... Um filho de um estranho. Como eu explicaria isso para o meu filho um dia? Minha primeira vez foi com um mentiroso. Eu me culpei tanto no começo, mas quem nunca errou nessa vida
CAPÍTULO 8
GISELE NARRANDO: A vida na Cidade do México não foi fácil no começo, mas encontrar um lugar para morar foi o primeiro passo para recomeçar. Eu queria algo barato, afinal, precisava economizar ao máximo. Depois de algumas semanas de busca, encontrei um apartamento em uma villa simples, com várias kitnets homologadas, formando um pequeno condomínio. Não era o bairro mais bonito, mas era seguro, tranquilo, e o aluguel cabia no meu bolso. O proprietário só pediu um aluguel adiantado e a chave estava em minhas mãos, era pequeno, mas tinha tudo que eu precisava para começar. Ao entrar, era possível ter uma visão completa, com uma cama de casal encostada na parede, um guarda-roupa modesto ao lado, na cozinha, uma geladeira pequena, um fogão de quatro bocas e uma máquina de lavar no canto, bem ao lado da pia. Era prático, tudo ao alcance da mão, mas o espaço era apertado. A sala tinha apenas um sofá de dois lugares e uma mesa de centro gasta pelo tempo. O que me chamou a atenção foi o tam
CAPÍTULO 9
GISELE NARRANDO: Finalmente, o dia chegou. Acordei com as dores das contrações e, logo de início, percebi que aquela seria uma longa jornada. As dores eram indescritíveis, cada vez mais intensas. Eu mal consigo respirar, mas sabia que precisava me preparar. Lembrei da mala que tinha deixado preparada semanas antes. Coloquei a primeira roupa confortável que vi e, com dificuldade, consegui descer as escadas. Minha vizinha, uma senhora muito bondosa, me ajudou a chamar um táxi. Ela segurou minha mão por alguns momentos, enquanto eu tentava manter a calma, rezando para Virgenzinha de Guadalupe. O medo e a dor se misturavam, mas eu segui firme. Chegar ao hospital foi um colapso e, ao mesmo tempo, um choque. As luzes brancas, o cheiro de desinfetante, o burburinho dos corredores... Tudo parecia tão distante enquanto eu tentava, entre uma contração e outra, seguir as orientações da equipe médica. Eles me levaram diretamente para a sala de parto, e foi ali que as horas começaram a se a
CAPÍTULO 10
GISELE NARRANDO: Os últimos meses foram uma verdadeira montanha-russa emocional. Rodriguinho, meu filho, era o centro do meu mundo. Ele estava crescendo tão rápido, cada dia mais inteligente e com uma curiosidade infinita. Às vezes, eu me pegava encarando seu rostinho, percebendo como ele herdava os traços do pai. Os olhos castanhos profundos, a linha do queixo... era impossível não pensar em Rodrigo, mesmo que, até então, ele fosse apenas uma memória distante. A verdade, no entanto, era que a maternidade não era fácil. Na teoria, eu sabia que seria difícil, mas nada me preparou para a realidade de criar um bebê sozinho. O custo de cuidar de um recém-nascido era maior do que eu imaginava. Minhas economias foram sumindo como areia entre os dedos. Aluguel, contas de luz, água, fraldas, remédios, roupinhas... A cada mês, Rodriguinho crescia, e eu particularmente comprava mais coisas. Quando ele completou cinco meses, passei por mais um obstáculo: meu leite secou. Foi um choque.