All Chapters of Caminho Traçado - Uma babá na fazenda : Chapter 201
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Conte a verdade
Uma médica jovem, de jaleco branco e expressão serena, entrou com uma prancheta nas mãos. Ela olhou para Luana com empatia e, em seguida, voltou-se para Marta, que ainda chorava baixinho, sentada ao lado da cama, segurando a mão da filha.— A senhora é a mãe dela? — perguntou com a voz suave.— Sim, eu me chamo Marta Passos. — respondeu, enxugando as lágrimas apressadamente, tentando recuperar alguma compostura.— Dona Marta, sou a doutora Sabrina, responsável por acompanhar o quadro da Luana desde que ela chegou. Sei que a senhora está muito abalada, mas queria tranquilizá-la com algumas informações importantes.Com um leve movimento de cabeça, Marta assentiu, revelando os olhos vermelhos.— Luana está estável agora. Ela chegou ao hospital bastante desidratada e com hematomas pelo corpo, principalmente na região dos braços, costelas e pernas. Foram realizados exames de imagem para verificar fraturas internas, e felizmente, não encontramos nada grave além das escoriações e contusões.
Uma filha irreconhecível
Surpresa com o que acabava de ouvir, Marta arregalou os olhos, como se tivesse sido atingida por um raio em pleno peito.— O que você está dizendo, menina? — perguntou, quase sem fôlego.— É a verdade, mãe — respondeu Luana, com a voz baixa e trêmula. — Eu percebi que aquele homem me olhava muito no avião. E... por mais errado que pareça agora, eu gostei da atenção. Me senti vista. E acabei provocando-o. Eu só queria… me distrair do que havia acontecido na fazenda e pensei que tudo aquilo acabaria assim que eu descesse do avião. No entanto, nunca imaginei que um senhor como ele fosse perigoso.Fez uma pausa, como se reviver cada detalhe fosse um peso enorme.— Eu não sabia que ele conhecia a tia Liana, não sabia de nada. Quando desembarquei, eu não o vi mais e continuei o meu caminho até que notei que ele começou a me seguir. No começo, achei que foi pelas minhas invertidas no voo… mas logo ficou claro que não era. Ele veio atrás de mim, mãe. Me seguiu, me encurralou. E quando tentei
Ponto final
Atônito com o que acabava de ouvir, Noah deu um passo à frente, confuso.— Como assim…? — perguntou, tentando encontrar alguma lógica naquele afastamento repentino. — A Luana precisa passar por profissionais que possam ajudá-la no trauma que passou.Virando-se devagar, Marta o encarou em silêncio. Seus olhos, cansados de chorar, fixaram-se no rapaz alto, de aparência séria, que a encarava com os olhos vermelhos.— Esqueça tudo o que eu te disse naquela sala, Noah — disse com firmeza, olhando-o nos olhos. — Tudo mesmo. Aquelas palavras foram ditas no impulso de uma emoção… e de um engano.Ele franziu o cenho, sem entender.— Eu gostei de saber que tenho um sobrinho — ela continuou. — E sim, é reconfortante ver que, apesar da má índole da sua mãe, você é um bom rapaz. Corajoso, decente. Mas isso… — sua expressão endureceu ainda mais — não muda o passado. Nem apaga o que foi feito.Com os olhos marejados, Marta continua:— Eu não quero e nem devo manter qualquer contato com você. E minha
Por que esperar?
Assim que terminou de preparar o lanche de Noah, Elisa o acomodou com cuidado em uma bandeja e subiu até o quarto. A porta estava entreaberta, e ela deu dois toques leves antes de entrar.Ao empurrar a porta com o ombro, encontrou Noah vestindo apenas uma calça de moletom cinza, o tronco nu e ainda com os cabelos úmidos do banho. A cena fez seu coração acelerar.— Aqui… trouxe algo para você comer — ela disse, tentando manter o tom casual, mesmo com as bochechas corando.Ele se virou ao ouvi-la, e um sorriso surgiu em seus lábios. Aproximou-se devagar, pegou a bandeja de suas mãos e a colocou sobre a mesa de cabeceira, sem desviar o olhar.— Obrigado pelo gesto… — murmurou, com a voz rouca — mas, sinceramente, o que eu quero agora… é você.As palavras sussurradas atingiram-na em cheio. Elisa engoliu em seco, totalmente desconcertada. Antes que conseguisse responder qualquer coisa, já estava deitada na cama, com os braços dele envolvendo sua cintura, como se quisesse protegê-la do mund
Irmãs
Enquanto caminhava pela pista que levava até sua casa — uma estrada bem iluminada, apesar de isolada — chutava com força algumas pedrinhas que encontrava pelo caminho.— Ai, que raiva! — resmungou, bufando alto. — A gente tinha a oportunidade perfeita… e ele resolveu bancar o puritano justo agora?Cruzando os braços, contrariada, enquanto o vento da noite bagunçava os fios soltos de seu cabelo. Seu rosto alternava entre frustração e decepção.— Será que ele realmente me deseja como diz? — murmurou, sentindo o coração apertar no peito. — Ou será que ainda não sou atraente o suficiente?Por mais que tentasse compreender o lado de Noah, não conseguia disfarçar a ferida que aquilo havia deixado. Sentia-se rejeitada. E essa sensação era como uma farpa invisível que insistia em incomodar.Ao longe, viu a luz acesa da varanda de sua casa. Respirou fundo, enxugando os olhos antes que qualquer lágrima caísse, e apressou o passo, decidida a não deixar que ninguém percebesse o quanto aquela noit
Revelação
Algumas semanas depois…— Parabéns, maninha! Até que enfim concluiu o ensino médio — comemorou Elisa, com um sorriso largo no rosto.— Obrigada — Eloá respondeu, tirando a beca com cuidado e ajeitando os cabelos soltos com os dedos. O olhar, porém, parecia distante.— Agora a gente pode ir juntas para a faculdade — Elisa disse empolgada, se aproximando e apertando levemente o braço da irmã. Mas Eloá não respondeu, apenas forçou um sorriso e fingiu arrumar a manga do vestido que usava por debaixo da beca.A casa estava cheia naquela noite. Saulo havia preparado um jantar especial para comemorar a formatura da filha. Oliver, sua família e outros amigos próximos estavam reunidos na área externa, onde um churrasqueiro contratado preparava a carne, enquanto conversas animadas e risadas leves preenchiam o ar com um clima acolhedor.Bandejas com pães de alho, farofa e saladas circulavam entre os convidados e uma música suave tocava ao fundo. Todos pareciam felizes. Todos, menos Eloá.A jovem
Explosão de sentimentos
A revelação caiu como uma bomba no meio da comemoração. Por um momento, o tempo pareceu parar. As conversas cessaram, os sorrisos congelaram, e todos se entreolharam, confusos com o que Eloá, que ainda permanecia de pé no centro, havia acabado de falar.Denise se aproximou devagar, com os olhos arregalados, a boca entreaberta, como se procurasse palavras que simplesmente não vinham. Já Saulo permanecia imóvel, com o olhar cravado na filha, tentando compreender o real peso do que acabava de ouvir.— Como assim, no exterior? — ele perguntou, rompendo o silêncio com a voz baixa e incrédula. — Você nunca disse que tinha vontade de estudar fora, filha.Eloá assentiu levemente, respirando fundo antes de responder.— Sim, o senhor tem razão… Eu nunca havia pensado nisso antes, mas… a vida é imprevisível, não é? E com o tempo, eu fui percebendo que lá fora terei mais chances de expandir meu conhecimento. Yale não é apenas um sonho, é uma porta que se abriu e que eu não posso ignorar.— Mas vo
Sempre você
Percebendo que todos ainda tentavam assimilar o que acabava de acontecer, Henri decidiu sair de mansinho e seguiu atrás de Eloá.Caminhou pela estrada escura, mas não a encontrou. Ao chegar em sua casa e perceber que ela também não estava por lá, concluiu que provavelmente ela teria pegado a estrada da vila. Sem hesitar, pegou o carro e dirigiu devagar em direção à Vila São Caetano. Como suspeitava, logo avistou uma silhueta sentada atrás de uma árvore, quase escondida pela escuridão. Soube imediatamente que era ela, encolhida, como se quisesse que ninguém a encontrasse ali.Parando o carro no acostamento, desceu em silêncio e caminhou em sua direção. Quando Eloá o viu se aproximar, fez uma expressão frustrada, virando discretamente o rosto.“Por que, de todas as pessoas, tinha que ser logo ele?”, pensou, sentindo um nó apertar em sua garganta.Como se esperasse um sermão, ela se pôs numa posição defensiva. Os ombros levemente erguidos e o olhar endurecido entregavam que estava dispos
A escolha certa
— Acho que ninguém quer que você vá — ele respondeu, após um tempo.Aquela resposta quebrou todas as expectativas que ela havia criado. Frustrada, inspirou o ar com força e desviou o olhar, sentindo-se mais uma vez tola por ter acreditado que ele diria o que seu coração tanto esperava ouvir, algo como: “É isso mesmo. Não quero que você vá.”Um nó se formou em sua garganta, mas ela o engoliu em seco. Não iria permitir que aqueles malditos sentimentos a dominassem de novo.— Eu sei que seus pais estão sofrendo muito… mas nada se compara ao que a Elisa deve estar sentindo agora — ele continuou. — Vocês têm praticamente a mesma idade, cresceram praticamente grudadas, uma na outra…— A Elisa vai ficar bem — rebateu, interrompendo-o. — Ela tem o Noah agora. Ele vai ajudá-la a lidar com a minha ausência.— Não é bem assim que as coisas funcionam… — ele protestou.— Mas vão ter que funcionar — rebateu, antes que ele pudesse concluir. — Eu amo a minha irmã, mas ela precisa entender que eu també
Compreensão
Quando Henri estacionou o carro em frente à casa de Eloá, ela permaneceu sentada ali por alguns segundos, com as mãos no colo, imóvel.— Está tudo bem? — ele perguntou, lançando um olhar preocupado.— Não, não está — respondeu, sem rodeios.— Você não precisa ficar nervosa — ele tentou acalmá-la. — Seus pais vão estar mais calmos agora. Eles vão te entender.— Não é isso o que está me perturbando agora — ela revelou, com a voz mais baixa.— Então… o que é?Ela virou o rosto em sua direção e o observou por alguns segundos silenciosos. Aos seus olhos, Henri parecia o homem perfeito. Desde muito tempo, havia criado um mundo no qual os dois se encaixavam. Idealizava um romance com ele com tanta intensidade que, imaginar ir embora sem sequer ter tido a chance de tocar os lábios dele uma única vez… doía. Uma dor muda, que se misturava com revolta e frustração. Era como se estivesse perdendo algo que nunca chegou a ter.— Henri… — começou, hesitante, buscando coragem entre as palavras.— O q