All Chapters of Caminho Traçado - Uma babá na fazenda : Chapter 211
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Um pai ciumento
Após conversar com os pais e explicar tudo o que precisaria, como plano de saúde, autorização e os documentos exigidos no país, Eloá foi para o quarto, certa de que enfim teria um momento de descanso. No entanto, ao abrir a porta, se deparou com Elisa deitada em sua cama.A irmã estava imóvel, com os olhos abertos, fitando o teto em silêncio, o semblante distante revelava o quanto ela estava pensativa.— O que faz aqui? — perguntou, surpresa.— Estava te esperando — respondeu Elisa, sem mover o olhar.Soltando um suspiro discreto, ela se aproximou devagar, deitando-se ao lado de Elisa. As duas se cobriram com o mesmo cobertor e, por um instante, ficaram apenas ali, olhando para o teto como costumavam fazer quando eram crianças.— Me desculpa por mais cedo — disse Elisa, enfim rompendo o silêncio. — Eu não queria te deixar nervosa.— Está tudo bem — respondeu, com a voz suave. — Acho que, se fosse o contrário, eu também teria reagido daquele jeito.— Você vai mesmo para o exterior?— V
Filhinha de papai
Na mesa do café da manhã, todos comiam em silêncio… quer dizer, quase todos. Elisa lançava olhares nada animados ao pai, enquanto murmurava entre uma garfada e outra:— Eu não sei por que o senhor pega tanto no meu pé se nunca dei motivo.— Sou apenas um pai cuidadoso — respondeu Saulo, servindo panquecas numa travessa como se aquilo encerrasse a discussão.— Isso não parece proteção, parece cárcere privado.— Filha, olha como fala com seu pai! — Denise interveio, com o tom reprovador.— Eu só não entendo o motivo — continuou Elisa, sem se dar por vencida. — Antes de Noah e eu namorarmos, o papai deixava a gente sair juntos para qualquer lugar.— Isso porque vocês não namoravam — explicou Saulo, sentando-se. — Sabia que nunca fariam nada… sempre foram tímidos demais para até segurar na mão um do outro.— E nada mudou depois que começamos a namorar! — rebateu.— Pare de questionar, Elisa. Você precisa entender que para tudo tem seu tempo. Se não iam fazer nada além de tomar café da man
Um homem de verdade
Ainda sem acreditar no que estava acontecendo, Noah permaneceu parado, a boca entreaberta, o olhar perdido, como se o cérebro não conseguisse acompanhar o que os olhos estavam vendo.— Vem logo, amor — disse ela, puxando a sua mão com um sorriso travesso.Ele se levantou, ainda meio atordoado, como se estivesse em transe.— Você tem certeza? — ele perguntou, olhando discretamente ao redor, como se temesse que alguém aparecesse de repente.— Tenho sim — respondeu, se aproximando um pouco mais. — Vamos logo… quero aproveitar a água com você.Mesmo diante da provocação, ele ainda hesitava. Elisa, impaciente, levou as mãos até a barra da blusa dele e a puxou para cima, tirando-a com facilidade. Depois, deixou os dedos escorregarem até a cintura da calça jeans, mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, ele segurou suas mãos com firmeza.— Não — disse ele, encarando-a com os olhos intensos.— Noah… você vai entrar na água de calça? — questionou, arqueando uma sobrancelha.— Vou.— E depoi
Surpresa
— Tudo bem — ela disse, abaixando a cabeça enquanto pegava o sutiã da mão dele. — Faremos como você quer.A voz saiu baixa, quase num sussurro envergonhado. Por dentro, se sentia péssima, como se tivesse ultrapassado um limite e agido como alguém fora de controle, como se fosse apenas um corpo implorando por atenção.Ela não entendia ao certo o que Noah queria dizer. Já o amava, confiava nele, conhecia cada parte do seu jeito de ser… Então, por que ainda era necessário esperar? Por que colocar mais uma barreira entre dois corações que já tinham se escolhido?Era frustrante. E, de certo modo, humilhante.Enquanto vestia novamente a peça, lutava para disfarçar a mistura de mágoa e decepção. Não por ele. Mas por si mesma… por ter se deixado levar e se exposto demais.Noah a observou enquanto vestia o sutiã com os olhos baixos e os ombros levemente curvados. Sentiu o coração apertar no peito ao perceber a forma como Elisa tentava disfarçar a frustração.Ele se aproximou devagar, pela água
Confissão
Ao se aproximar da casa de Oliver, Saulo desceu do veículo com tanta pressa que nem se deu ao trabalho de estacionar direito. Deixou o veículo atravessado na entrada e foi direto até a porta da frente, batendo com força. Como ninguém atendeu de imediato, deu a volta na casa, notando que a porta da cozinha estava apenas encostada e entrou sem cerimônia.— Tio Saulo? — chamou Alice, surpresa ao vê-lo surgir repentinamente.— Onde está o Noah? — perguntou com os olhos estreitos e a voz impaciente.— Acho que no quarto dele… Por quê? Aconteceu alguma coisa?— Ainda não — respondeu seco. — Mas vai acontecer.E saiu dali em passos largos, determinado.Assustada com o semblante tenso do tio, Alice percebeu que havia algo muito errado. Sem perder tempo, correu em direção ao galpão, onde a irmã e Oliver se preparavam para um passeio a cavalo. Chegou ofegante, interrompendo o momento com urgência.— Aurora! É melhor vocês voltarem para casa.— Por quê? O que houve? — Aurora perguntou, já descen
Na nossa idade
Todos os olhares se voltaram para Denise, que chegou até a abaixar a cabeça, visivelmente envergonhada.— Seu? — Saulo repetiu, completamente confuso. — Como assim… seu?Erguendo o rosto devagar, ela encara os olhos azuis do marido e, com a voz trêmula, confessa:— Eu estou grávida.— Ah, meu pai… — murmurou Saulo, boquiaberto.Como se tivesse escutado errado, ele piscou várias vezes. Cambaleou um passo para trás, levou a mão ao peito e arregalou os olhos. Foi tudo tão rápido que ninguém teve tempo de reagir.Se não fosse Noah o amparando a tempo, ele teria caído no chão.— Amor? Amor? — Denise correu até ele, tocando seu rosto. — Saulo, fala comigo!Mas o marido já havia desmaiado, com o rosto pálido e a expressão entre o susto e a incredulidade.— Ele desmaiou! — Elisa exclamou, levando as mãos à boca, apavorada.— Traz água! Rápido! — Denise gritou, desesperada, enquanto ajudava Noah a apoiar Saulo.— Eu pego! — disse Aurora, já correndo em direção à cozinha.Com cuidado, Noah ajei
Pensando igual
Depois que orientou os funcionários sobre o almoço, Aurora percebeu que o marido estava encostado perto da varanda, observando-a em silêncio. Seus olhos a seguiam com uma atenção redobrada.Ela se aproximou dele e arqueou uma sobrancelha.— O que foi agora, amor? Por que está me olhando desse jeito?— Nada — ele respondeu, desviando o olhar. — Só estou pensando.— Pensando no quê?— Que o Saulo deve estar bem feliz nesse momento.— Ah, com certeza — ela assentiu. — Acho que ele nem sonhava com essa surpresa.— Realmente — ele concordou, mas logo ficou em silêncio outra vez, com o olhar distante.Desconfiada, o encarou de lado. Ela sabia muito bem quando ele estava remoendo alguma coisa por dentro. Oliver era mais de falar do que pensar, mas naquele momento, não parecia assim…— O que foi agora? — ela insistiu. — Pode me falar, eu aguento.Ele soltou o ar devagar, como se ponderasse se devia ou não abrir o jogo.— É que agora com a Denise grávida — começou, pausando por um segundo —, e
Sapatinho de algodão
O casal cai na risada, mas Saulo continua:— Não adianta rir, está me ouvindo? Eu ouvi muito bem o que você e a Aurora estão planejando.— Calma, cara — Oliver respondeu, ainda rindo. — Eu só estava brincando com ela.— É bom mesmo que seja brincadeira! — rebateu. — Já não basta a loucura que passo tendo a minha filha namorando o seu filho.— Você fica desse jeito porque ainda não aceitou que eles cresceram — Oliver comentou, tentando se controlar. — E olha que o Noah é um bom menino, hein? Respeitoso, trabalhador e ainda trata a Elisa como uma princesa!— Sim, não posso negar que ele é — resmungou Saulo. — Mas você não tem ideia das preocupações que passo sendo pai de menina.— A maioria das coisas que você passa é drama da sua cabeça — Aurora respondeu.— Drama, Aurora? — indagou ele, ofendido. — Eu sou um pai zeloso!— Enquanto a sua filha namorar o meu filho, não precisa se preocupar com nada — Oliver garantiu, com um sorriso confiante. — Eu o criei para ser respeitador, e nisso c
Conversa na varanda
Durante o almoço, o assunto não poderia ser outro. Todos pareciam animados com a novidade sobre a gravidez de Denise, e os sorrisos à mesa entregavam o clima leve que tomava conta da casa.— Você já sabe de quantas semanas está, Denise? — Aurora perguntou, inclinando-se levemente sobre o prato.— Ainda não… — respondeu. — Eu já estava com suspeitas há alguns dias e havia marcado uma consulta, mas a curiosidade foi maior… Acabei fazendo o teste antes. A ideia era fazer uma surpresa para todos, mas… bom, não saiu exatamente como eu planejava.Saulo abaixou os olhos, coçando a nuca, visivelmente constrangido.— Foi uma surpresa, sim… só que em edição especial e com direito a escândalo — murmurou, arrancando risadas abafadas dos outros.— O papai tem razão — Elisa disse, tentando conter o riso. — Do jeito que tudo aconteceu, acho que acabou sendo até mais divertido. Só não achei muita graça na parte em que ele quase arrancou a minha orelha.Todos riram alto, inclusive Denise, que acaricio
Surpresa
No dia seguinte, Saulo deixou Elisa na faculdade e seguiu direto para o hospital com a esposa. Os dois estavam ansiosos para saber como estava o bebê e descobrir quantas semanas de gestação ela estava.Na sala de espera, enquanto aguardavam serem chamados, avistaram Aurora e Oliver, que também pareciam animados.— Já estou indo retirar o DIU — Aurora confidenciou com um sorriso discreto.— Aposto que o Oliver está empolgadíssimo — Denise comentou, baixando o tom da voz.— Ah, você nem imagina — ela riu. — Ele até sugeriu que, depois daqui, fôssemos direto para a casa de praia… disse que lá teríamos mais privacidade.— Eita! — Denise arregalou os olhos, entrando na brincadeira. — Pelo visto, você não vai ter descanso nenhum nos próximos dias, hein?— Acho que não mesmo — respondeu rindo, lançando um olhar cúmplice para o marido, que conversava com Saulo do outro lado da sala.— Mas vou te dizer… — ela completou em tom leve. — Se for para aumentar a família com mais amor, que venha o ca