All Chapters of Caminho Traçado - Uma babá na fazenda : Chapter 221
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Planejando uma surpresa
— Eu ainda não acredito que estamos à espera de gêmeos — Denise dizia, radiante, enquanto estavam no carro.— Nem eu… meu Deus, é uma felicidade em dobro — Saulo respondeu, sorrindo de orelha a orelha.— As meninas vão surtar!— Ah, disso eu não tenho a menor dúvida.Todavia, Denise ficou em silêncio por um instante, seu sorriso foi suavizado por um pensamento mais denso.— A Eloá…Ela não precisou dizer mais nada. Saulo entendeu na hora o que se passava no coração da esposa. Ele também sentia aquele aperto, ainda mais com os papéis quase todos prontos para a partida da filha.— Eu sei… — ele disse com ternura, soltando uma mão do volante para tocar o ombro dela. — Mas conhecendo a nossa Eloá, ela vai dar um jeito de estar sempre por perto. E, de toda forma, ela não pode parar a vida por nossa causa.— Você tem razão — sussurrou Denise, enxugando uma lágrima teimosa antes que escorresse.— Não vamos pensar muito nisso, tudo bem? O que quer fazer agora? — ele perguntou, querendo animá-
Seria o outro
Enquanto caminham em direção à casa da amiga, Denise segura levemente o braço da filha enquanto comenta sobre os medos da gravidez.— Tenho certeza de que tudo será maravilhoso, mãe. Deus está cuidando de tudo. — Eloá tenta animá-la. — Vai ser uma nova fase linda.Denise sorri, mas antes de responder, algo capta sua atenção. Um rapaz alto, de porte atlético, sai pela porta da casa usando um terno elegante, ajeitando os punhos da camisa com cuidado.— Aquele é o Henri ou o Gael? — perguntou, semicerrando os olhos.— Acho que, pelo jeito de andar, é o Henri — Eloá respondeu, sem disfarçar o olhar mais demorado.— Eu nunca os reconheço de primeira, ainda mais quando estão de longe — a mãe confessou, divertida.— Às vezes me confundo também — admitiu Eloá, ainda observando enquanto ele se aproximava. — Até a voz se parece.Ao notar a presença delas, Henri abriu um sorriso gentil e caminhou em direção às duas.— Bom dia, tia Dê. Eloá. — disse com educação.— Bom dia, querido. Como você est
Tudo está animado por aqui
Percebendo que havia falado mais do que devia, Eloá tentou se corrigir às pressas.— Eu não quis dizer nada com isso, mãe.— Como não? — Denise arqueou uma sobrancelha, desconfiada. — Por acaso é o Henri quem te interessa?— Não! — rebateu, visivelmente nervosa. — Ninguém me interessa. Eu não estou pensando em relacionamento agora, só quero estudar. É isso que eu quis dizer.Denise a observou por mais alguns segundos, estreitando os olhos, mas decidiu não insistir.— Tudo bem.Em seguida, elas bateram na porta da casa da amiga. Quem as atendeu foi uma das funcionárias.— Bom dia, Marta. A Alice está em casa?— Bom dia, dona Denise. Está sim. Pode entrar.As duas entraram e, assim que passaram pela porta, Denise voltou-se para a filha.— Eu vou conversar com a Alice a sós, está bem?— Tudo bem — respondeu Eloá, lançando um sorriso debochado. — Vai lá com o seu segredinho…Mesmo revirando os olhos, Denise não respondeu à provocação. Seguiu em direção ao corredor, enquanto Eloá se jogou
O tempo passa rápido
Uma semana depois…A lua brilhava sem pressa num sábado à noite, enquanto a casa de Denise se enchia de convidados e conversas animadas. Um arco de balões azuis e rosas adornava a entrada do quintal, e em cima da mesa principal, um enorme bolo coberto com chantilly branco aguardava o momento da revelação. Bandeirinhas com as frases “Menino ou Menina?” pendiam entre os vasos de flores, e uma mesa repleta de doces personalizados alegrava os olhos de todos os presentes.Denise andava de um lado para o outro, radiante, cumprimentando os convidados e ajeitando os últimos detalhes. Saulo, vestindo uma camisa social e com um brilho animado no olhar, tentava ajudar como podia, ainda que o nervosismo fosse visível em seus gestos.— Vamos fazer isso logo, ou vou ter um treco — ele sussurrou no ouvido da esposa.— Tudo bem, senhor ansioso.Assim que os convidados se acomodaram, Denise se posicionou ao lado do marido no centro do salão, radiante em um vestido branco que realçava lindamente o tom
Pensando em voz alta
Algum tempo depois…— Eu ainda não consigo acreditar que você vai embora amanhã — disse Elisa, abraçando a irmã com força, enquanto a via fechar a mala.— Pois é... o tempo voou — Eloá respondeu, com um sorriso leve, mas o olhar distante.— Tem certeza de que não quer desistir? A minha faculdade tem cursos incríveis…— Elisa, eu não esperei tanto tempo por isso para desistir na última hora — respondeu, tentando conter a própria ansiedade.— Eu sei, eu sei… — Elisa murmurou, já com os olhos marejados. — É que eu vou sentir tanto a sua falta.— Não mais do que eu vou sentir a sua — garantiu Eloá, tocando o rosto da irmã com carinho.— Que tal sairmos hoje à noite? Só nós duas. Um jantarzinho, sei lá… para nossa despedida?— Não vai dar… — respondeu, hesitante.— Por que não?— Eu tenho outros planos — revelou, desviando o olhar.— Que outros planos? — perguntou, curiosa.Desde o nascimento, as duas sempre foram unidas. Brigas eram raras, e a cumplicidade entre elas era quase sagrada. Gu
Lembra do favor?
— Olha… até que foi bom ouvir esse elogio, já que ele serve indiretamente para mim, né? — Henri brincou, com um sorriso provocador, notando o quanto as bochechas dela estavam vermelhas.— Eu… eu não sabia que era o Gael — ela sussurrou, já se arrependendo no instante seguinte.— Sério? Então quer dizer que o elogio era para mim? — Ele se aproximou mais um passo, diminuindo a distância entre eles.— Não… não foi isso que eu quis dizer — rebateu, tropeçando nas próprias palavras, sem saber onde enfiar o rosto.Antes que a situação ficasse ainda mais embaraçosa, Gael percebeu a movimentação no galpão. Virou o rosto e viu Eloá ali, conversando com o irmão. Então, largou a escova que segurava e caminhou na direção dos dois.— Eloá, que surpresa boa te ver por aqui.— Vim me despedir… — ela murmurou por fim, se recompondo.— Já vai mesmo? — A expressão de Gael ficou mais contida, com um toque de melancolia.— Amanhã, bem cedinho. Mas eu não queria partir sem me despedir de vocês.— Vai faze
Não sei dizer ainda
Assim que voltou para o interior da casa, Eloá se despediu dos tios e já estava prestes a cruzar a porta quando escutou seu nome ser chamado com certa urgência.— Eloá… por acaso estava indo embora sem se despedir de mim? — Gael perguntou, com um tom magoado que ela não esperava.— Não. — respondeu, sem jeito, sentindo as bochechas esquentarem.Mas a verdade é que sim, havia se esquecido. E não era por desconsideração, de forma alguma. Era só que, naquele momento, sua mente estava dominada por um único pensamento. Um pensamento que latejava com tanta força, que a fazia até tremer.A expectativa daquela noite era tamanha que parecia maior do que qualquer convicção que ela já teve na vida. Estava prestes a fazer algo que o medo sempre a impediu. E, mesmo sem saber exatamente como as coisas iriam ficar depois, estava decidida a seguir até o fim.— Sério mesmo? Você já estava quase do lado de fora da casa — ele comentou, ainda um pouco desconfiado.— Eu só ia até a varanda. A Alice, o Noa
Planos
— Como assim? Achei que você fosse dizer algo mais elaborado — Elisa comentou, confusa com a resposta.— Eu acho que ainda não me dei conta de verdade de que não vou mais vê-lo — Eloá explicou. — É por isso que te disse isso.— Mas… acredito que vocês ainda vão se falar por telefone, né?Ela já tinha pensado nessa possibilidade. Muitas vezes, na verdade. Embora estivesse de partida para outro país, sabia, no fundo, que manter contato com Henri seria um erro. Um erro perigoso. Era por isso que já havia tomado uma decisão: assim que entrasse no avião, bloquearia o número dele da agenda. Nada de mensagens, ligações, nada que pudesse alimentar a menor fagulha de esperança dentro do peito.— Não vou ter muito tempo para ficar de conversa com ninguém — disparou, com a voz mais seca do que pretendia. — Estou indo para estudar, não para tirar férias.A frieza repentina na resposta fez a irmã franzir o cenho. Por um segundo, Elisa teve a impressão de que sua irmã era outra pessoa.— Espero que
De menina para mulher
Quando se aproximou da porta da casa, estranhou o breu que tomava conta de tudo. Estava escuro demais, silencioso demais. Por um instante, seu coração vacilou. E se Henri não estivesse ali? E se ele tivesse esquecido do que combinaram?Com o estômago apertado, decidiu contornar a casa. Foi quando viu o carro dele estacionado bem em frente. Um suspiro de alívio escapou dos seus lábios. Ele estava lá.Sem hesitar mais, digitou a senha na fechadura eletrônica, que já conhecia bem e entrou com cuidado. A casa estava mergulhada na penumbra, mas não demorou a perceber um filete de luz escapando discretamente do andar de cima.Subiu os degraus devagar, com a respiração presa e as mãos suando frio. Quando chegou ao corredor, viu a porta do quarto dele entreaberta. A luz amarela que vinha do corredor iluminava suavemente o interior do cômodo, revelando Henri deitado, de costas para a porta, aparentemente adormecido.Eram quase duas da manhã. Claro que ele estaria exausto, provavelmente esperou
Cinderela
Enquanto sentia o sabor do beijo do homem que tanto desejou, Eloá teve a nítida sensação de que seu coração poderia parar a qualquer instante. Mas, ao perceber que ele correspondia com a mesma intensidade, gradualmente, foi se acalmando. A felicidade que a invadiu era silenciosa e arrebatadora, fruto de um desejo guardado por tempo demais. Era como se o tempo tivesse sido suspenso só para aquele momento acontecer.Com um gesto suave, ela levou a mão à camisa dele mais uma vez. Diferente de antes, não encontrou resistência. Ele apenas a permitiu conduzir, entregando-se à iniciativa dela. Aquilo a fazia se sentir viva como nunca, no controle de algo que, por tanto tempo, achou que jamais poderia tocar.Com cuidado, tirou a camisa dele, sentindo a pele quente sob os dedos, cada movimento parecia um gesto de descoberta. Era a realização de tudo o que imaginou, não como nos devaneios românticos e perfeitos, mas de forma real, imperfeita e ainda assim tão bonita. Um marco silencioso de cora