All Chapters of Caminho Traçado - Uma babá na fazenda : Chapter 241
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Tentando estar perto
Oliver a puxou para um abraço forte e protetor, sorrindo como um garoto. Seus olhos estavam marejados também.— A princesa que vai reinar no meio dos nossos pequenos — ele disse, deixando um beijo demorado em sua testa. — Nossa Helena.Aurora assentiu, sem conseguir falar de tanta emoção.Do camarote, Denise pulava de alegria, enquanto Saulo a ajudava a se equilibrar com a barriga enorme. Henri gravava tudo com o celular, rindo e comemorando. Noah, que chorava por ver a felicidade dos pais, abraçava Elisa, que estava em uma chamada de vídeo, com a irmã que acompanhava de longe.Enquanto via toda aquela alegria, Eloá sentiu o coração apertado por não poder estar ali.No palco, os drones ainda dançavam pelo céu, formando agora um enorme laço cor-de-rosa e uma chupeta brilhante, enquanto a banda principal se preparava para entrar.Aurora se virou para o público, ainda no palco, e pegou o microfone com a voz chorosa:— Obrigada por celebrarem esse momento com a gente. A vida tem sido gene
Visita surpresa
Sem acreditar no que acabara de ler, Eloá apertou o celular com força e perguntou, com a voz levemente trêmula:— Elisa, onde está o Gael?A irmã virou a câmera para si, franzindo o cenho com curiosidade.— O Gael? Ué… ele viajou, está participando de um seminário de arquitetura e urbanismo.— Onde? — insistiu, tentando manter a voz firme.— Acho que em Nova York — respondeu, ainda pensativa. — Por quê? O que aconteceu? Por que você está me perguntando dele?— Nada não — mentiu, forçando um sorriso. — Olha, preciso desligar agora.— O quê? Nem mostrei os aquários ainda!— Mostra outro dia. Boa noite, irmãzinha.Antes que Elisa pudesse dizer qualquer outra coisa, Eloá encerrou a ligação e abriu a mensagem de Gael.“Estou em frente ao estacionamento do seu dormitório. Aparece aqui.”— O que você está dizendo? — digitou rapidamente.“Vim só te ver por alguns minutos. Me encontra aqui, por favor.”O coração dela disparou. Por um momento, ficou paralisada, encarando a tela como se as palav
Dividindo a cama
Sem acreditar no que ouviu, ela caiu na risada, balançando a cabeça.— Você está mesmo achando que eu iria te convidar para dormir no dormitório feminino?— Ué, qual o problema? Somos amigos — rebateu, mantendo a expressão mais séria do que devia.— Eu tenho uma colega de quarto, sabia?— Sei, mas não me importo — respondeu, arqueando as sobrancelhas, provocador.— Está mesmo falando sério?Ela o encarava com desconfiança, e foi só então que ele não resistiu e abriu um sorriso.— Estou brincando — riu. — Vou procurar algum hotel para passar a noite. Meu voo é amanhã às dez.Eloá puxou o celular do bolso e olhou as horas. Quase meia-noite. O campus estava silencioso e ela sabia que Gael não conhecia a cidade. E o pior: estava a pé.Mordendo o lábio inferior, ficou pensativa, até que seus olhos brilharam com uma ideia.— Acho que sei de algo melhor — disse, sorrindo de canto.— O quê?— Me espera aqui um minutinho — pediu, já começando a caminhar em direção ao dormitório.— Eloá? O que
Conversa na escuridão
— Boa noite — ela respondeu, esforçando-se para não pensar demais na situação em que estava.Em seguida, um silêncio denso tomou conta do quarto, como se cada som tivesse sido sugado para dentro de si. Tudo o que ela conseguia ouvir era o próprio coração, batendo alto e descompassado, como se quisesse denunciar a confusão que sentia por dentro.— Já dormiu? — A voz grave de Gael rompeu o silêncio, ecoando pelo quarto.— Ainda não — ela respondeu, virando levemente o rosto em sua direção.Mesmo com o breu envolvendo o ambiente, Eloá sentiu a aproximação dele, como se o calor do corpo dele preenchesse o espaço entre eles.— Obrigado por tirar esse tempo para mim. Estou muito feliz por isso.— Eu que agradeço por aparecer aqui. Meus dias têm sido extremamente solitários.— Sabe no que eu estou pensando? — ele perguntou, com um tom de voz quase cúmplice.— No quê? — murmurou, tentando manter a naturalidade.— Se o seu pai nos visse aqui agora, ele com certeza pensaria tudo errado… e me ma
Sentimento novo
— Mas… — ele continuou —, você sabe tão bem quanto eu que a gente não escolhe por quem o coração bate. Ninguém controla o que sente, por mais que tente sufocar. Eu juro que tentei. Deus sabe quantas vezes. Mas você continuava ali, mesmo em silêncio, mesmo longe.Ela não conseguia falar. Só o ouvia, como se cada frase fosse arrancada de dentro dele.— Eu não estou aqui para competir, nem para te pedir nada que você não possa dar. Mas… se você veio para cá para tentar se afastar dele, se decidiu seguir em frente porque sabe que o que sente por Henri nunca será correspondido… então, por favor, só te peço uma coisa: que você não me descarte sem ao menos olhar para mim com carinho.Houve um silêncio profundo. O tipo de silêncio que gritava.— Eu sei que posso não ser o dono do seu passado, mas… quem sabe, Eloá, se você me deixar, eu posso ser parte do seu futuro.Sabendo que ela não diria nada, Gael foi tomado por uma coragem que há muito tempo guardava para aquele momento. Seus sentimento
Café
Quando acordou pela manhã e sentiu braços fortes envolvendo seu corpo, Eloá virou o rosto devagar e encontrou Gael ainda adormecido, com a expressão serena e os traços relaxados. Ele parecia em paz, como se aquele lugar — e aquele momento — fosse tudo o que precisava.Mas… e ela?O coração apertou.Uma confusão tomou conta de seus pensamentos, fazendo sua cabeça doer. Lentamente, tentou se mover para sair dali, mas os braços dele se ajustaram em volta de sua cintura, como se, mesmo dormindo, recusassem deixá-la ir.— E agora? — sussurrou para si, com o coração disparado.Ficou imóvel. Não queria acordá-lo. Não sabia o que dizer, nem como reagir. Também não queria continuar ali, deitada em seus braços, como se tudo estivesse resolvido.Oh, céus… o que eu fiz?Fechou os olhos por um instante e sentiu um peso na alma. Repassou a noite em silêncio, os toques, as palavras, o beijo. E se perguntou o porquê de ter se deixado levar. Por impulso? Carência? Ou… por algo mais?Virou o rosto outr
Esquecimento
Depois que terminaram o café, Gael insistiu em acompanhá-la até a frente do dormitório. O caminho foi curto, mas silencioso, como se ambos estivessem presos nas próprias dúvidas. Quando pararam em frente à entrada, ele a puxou para um abraço demorado, apertado, como se quisesse gravar aquele instante na memória.Antes de soltá-la, inclinou-se até seu ouvido e sussurrou:— Tente pensar em mim com carinho… só isso já me basta.Ela apenas assentiu, com o coração apertado, e se afastou sem olhar para trás. Seus passos pareciam pesar mais do que conseguia carregar.Ao entrar no quarto, encontrou Tess ainda dormindo. Em silêncio, pegou uma muda de roupa e foi direto para o banheiro. Assim que girou a tranca, suas pernas fraquejaram, mas ela se manteve firme. Ligou o chuveiro e deixou que a água quente caísse sobre seu corpo, tentando lavar o que havia dentro dela; não a pele, mas a confusão, a culpa, o arrependimento.Fechou os olhos e tudo voltou como um filme, então sentiu o peito apertar.
Exames e descobertas
Eloá ficou em silêncio. Por dentro, muitas memórias da noite com Henri a invadiam, o rosto dele, o toque, e a promessa de que ninguém nunca saberia de nada.— Ninguém vai descobrir, Brook. Nem ele, nem minha família.Brook a fitou, séria.— Segredos assim têm o péssimo hábito de aparecer… quando a gente menos espera.— Mas esse farei questão de guardar a sete chaves.— Mas o pai tem direito de saber sobre o filho — Brook argumentou.Eloá então a encarou com seriedade. Havia dor em seu olhar, mas também certeza.— Você pediu sinceridade, não foi? Então vou ser sincera. O pai desse bebê, ele nunca gostou de mim. Nunca me viu como alguém com quem pudesse ter algo de verdade. Mesmo assim, eu… gostava muito dele. E quando soube que viria para cá, pedi apenas uma coisa: que ele ficasse comigo uma vez na vida. Só uma.Brook manteve o olhar fixo, ouvindo sem interromper.— Ele hesitou, claro. Mas eu insisti. Implorei, para ser honesta. E ele aceitou, com uma condição: que ninguém jamais soube
Espaço não preenchido
Na casa de Aurora, o som de martelos, risos e passos apressados preenchia o ambiente. Trabalhadores iam e vinham pelos corredores, montando o novo quarto cor-de-rosa com todo o carinho que a ocasião merecia.— Ainda não consigo acreditar no que nos aconteceu — ela disse, com os olhos marejados, enquanto observava o berço sendo montado.— Mas está acontecendo — Alice respondeu, abraçando-a carinhosamente. — E é lindo demais.— Tem épocas da vida em que as coisas boas parecem acontecer todas de uma vez — Aurora comentou, sorrindo.— Do mesmo jeito que já houve épocas em que só vinham desgraças — Alice completou, com um tom melancólico.Aurora desviou o olhar por um momento. Mesmo sendo bem pequena quando os horrores aconteceram, Alice sabia dos traumas que a irmã mais velha havia enfrentado. Sabia o suficiente para admirar sua força e entender seus silêncios.— Não vamos pensar nisso agora, tudo bem? — Aurora pediu, com um sorriso leve, tentando afastar as sombras do passado.— É difíci
Amigo, irmão
À noite, Oliver decidiu visitar seu amigo em casa. Os dois se sentaram na varanda, sentindo a brisa fria da noite.— Como estão as coisas por aqui? — perguntou ele, olhando para o quintal escuro.— Bem — respondeu Saulo. — A morena anda mais cansada, então estamos poupando ela. A ideia é segurar os meninos pelo menos até as 37 semanas.— Entendo. Se precisar de qualquer coisa, sabe que pode contar comigo, né?— Sei sim. Se tem alguém em quem eu confio de olhos fechados, é você.— Somos amigos há quanto tempo mesmo? — Oliver perguntou, pensativo. — Uns 35 anos?— Possivelmente mais um pouco, viu? — Saulo riu, mas logo franziu a testa ao notar a expressão séria do amigo. — O que está pegando? Você está tenso.— A Aurora me pediu um favor — revelou Oliver.— O que foi dessa vez? — perguntou já preocupado.— Na verdade, não é para ela. É para a Alice. Ela quer encontrar a mãe… e convidá-la para o casamento.— Não acredito nisso — murmurou Saulo, arrastando as palavras. — Sério mesmo que a