All Chapters of Caminho Traçado - Uma babá na fazenda : Chapter 251
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Deixe o ciúme de lado
Dois dias haviam se passado desde que Saulo começou a investigar o paradeiro da mãe de Aurora. Na manhã de domingo, um de seus funcionários lhe entregou um envelope grosso com o relatório da busca. Assim que começou a ler, a expressão em seu rosto mudou. Os olhos estreitaram, o maxilar se contraiu, e a mão que segurava o papel se fechou levemente.Sem dizer palavra alguma, ele respirou fundo e anunciou:— Estou indo até a casa do Oliver. Alguém quer ir comigo?Ele mal terminou a pergunta e, como esperava, a voz animada da filha ecoou do corredor.— Eu quero!Elisa surgiu à porta do quarto com um vestido curto, os cabelos soltos e o celular na mão. Saulo a olhou de cima a baixo, e por um instante, a crítica subiu até a ponta da língua… mas ele se conteve. Havia prometido que pegaria mais leve com a filha, desde que ela não lhe desse motivo para se preocupar.— Então vamos logo — disse.Empolgada com a liberdade inesperada, Elisa correu até ele, segurou o braço do pai e lhe deu um beijo
Um amor de verdade
O ar pareceu sumir da sala. O tempo parou por um segundo, enquanto ambas as irmãs se encaravam por alguns segundos.Alice piscou várias vezes, tentando assimilar.— F-faleceu? — repetiu em um fio de voz. — Tem certeza?Oliver assentiu com um pesar no olhar.Aurora, ao contrário, permaneceu calada. Não derramou nenhuma lágrima, mas uma sombra densa passou por seus olhos. Era como se aquela confirmação trouxesse um pouco de dor.— Como foi? — Alice murmurou, já com a voz embargada.— Ela vivia em uma pequena cidade no interior. Havia se casado outra vez e estava trabalhando como operadora de caixa num supermercado da cidade. Um dia, antes de ir para o trabalho, sofreu um AVC e não resistiu.O silêncio voltou a dominar o ambiente, pesado e amargo. Alice abaixou a cabeça e começou a chorar silenciosamente, enquanto Aurora apenas encarava um ponto fixo da mesa, imóvel.— Eu sei que ela não era a mãe que vocês sonhavam ter — Oliver disse com pesar — mas nenhuma filha merece receber essa not
Conversas entre irmãs
Quanto mais as semanas passavam, mais a barriga de Eloá se tornava evidente de um jeito que nem mesmo as roupas largas, que agora faziam parte do seu guarda-roupa diário, conseguiam disfarçar. Tess, sua colega de quarto, notou as mudanças em seu corpo, mas em vez de perguntas ou julgamentos, ofereceu silêncio e empatia. Eloá agradeceu mentalmente por isso, aliviada por ter ao menos uma pessoa ao seu lado que não exigia explicações.Mas à noite, quando o mundo silenciava, a mente dela gritava.Antes, era Henri quem a visitava nos pensamentos. As lembranças dos momentos que teve com ele, dos olhares discretos, das conversas… tudo parecia ter ficado para trás. Agora, havia outra pessoa invadindo seus sonhos, outra presença acendendo seus sentimentos. Era Gael.Toda vez que fechava os olhos, era como se o toque dele ainda estivesse ali, morando em sua pele. As mãos firmes, mas, ao mesmo tempo, gentis. O calor dos lábios dele contra os seus. A forma como a olhou naquela noite… como se ela
Um homem que não desiste
Sem entender muito bem o rumo da conversa, Elisa franziu o cenho, confusa.— O que você está querendo dizer com isso?Houve uma breve pausa antes da resposta vir, cheia de hesitação.— Elisa… possivelmente estou gostando do Gael também.Do outro lado da linha, o silêncio voltou. Mas era um silêncio surpreso, de incredulidade e também de um princípio de compreensão.— Uau… — foi tudo o que Elisa conseguiu dizer no primeiro momento.— Eu sei como isso soa — desabafou Eloá, com a voz baixa e os olhos marejados. — Parece errado. E talvez seja mesmo. Mas eu não escolhi isso, Elisa. Eu só… senti. E agora não consigo parar de pensar nele.— Se está confusa, isso já diz muita coisa.— Como assim? — perguntou, arqueando uma sobrancelha, mesmo que a irmã não pudesse vê-la.— Significa que o Henri talvez não tenha sido tudo isso na sua vida, como você acreditava.As palavras da irmã encontraram espaço na mente de Eloá. Faziam sentido, ainda que fossem difíceis de aceitar. Ter esperanças em algo
Lágrimas por outro
Eloá baixou o olhar por um segundo, tentando controlar o choro que ameaçava vir. A vontade de se jogar nos braços dele era quase maior que o medo.Mas havia algo dentro dela agora. Um segredo. Um limite invisível que separava o antes e o depois daquela noite.Ela respirou fundo, olhou para ele e respondeu, com a voz trêmula:— Gael… você não entende.— Então me faz entender — ele pediu. — Me diz o que está te afastando de mim. Me deixa ajudar.Ela abaixou os olhos, encarando o próprio tênis, como se aquele fosse o único lugar seguro no mundo.— Não é tão simples assim — sussurrou.Ele continuou ali, paciente. Esperando. Respeitando o tempo dela.— Não é só sobre sentimentos… — continuou, com dificuldade. — É sobre o que é certo. Sobre o que é justo.— Justo para quem?— Para você. Para mim.— Eu não me importo com o que é justo ou não, Eloá — disse ele. — Se você está confusa, me deixa te ajudar a entender o que sente. Eu estou aqui. Por você.Ela cerrou os dentes, tentando manter a r
O casamento de Alice
O tão esperado dia do casamento de Alice havia finalmente chegado. Embora ela sonhasse com uma cerimônia simples na fazenda, cercada pela natureza e pela memória dos dias felizes em família, Oliver fez questão de surpreendê-la. Alugou um salão de festas luxuoso, com vista panorâmica para uma montanha coberta de verde, onde o pôr do sol parecia abençoar cada detalhe.Era a forma dele dizer “eu te amo” sem precisar usar palavras.Criada por ele desde pequena, Alice foi tratada com a sua filha de coração, a única menina da casa, que ele não cansava de mimar. E naquele dia, ele queria que tudo fosse perfeito. Do vestido aos arranjos florais, da música ao menu sofisticado, cada escolha carregava o desejo de vê-la sorrir como quando era criança, só que agora, prestes a se tornar esposa.— Acho que não vou aguentar… vou chorar — Aurora murmurou, emocionada, abraçando o marido com força. — Ainda não consigo acreditar que a minha irmãzinha vai se casar.Ele a envolveu com carinho, apertando-a
Conversa proibida
Vendo a firmeza na voz dele, Elisa se sentiu mais à vontade para continuar a conversa.— Achei que, por você ter dito que ficaria nos Estados Unidos, fosse justamente para estar mais perto da minha irmã… e tentar algo com ela.— E essa era mesmo a minha intenção — ele respondeu, com um meio sorriso.— E então… por que voltou?Olhando para o salão onde Alice dançava com Caio, rindo leve e despreocupada. Ele a apontou com um gesto de cabeça.— Eu não poderia perder o casamento dela.— Então voltou apenas por isso? Quer dizer que vai retornar aos EUA? — Elisa arqueou uma sobrancelha.— Sim. E, dessa vez… é definitivo.Ela se inclinou um pouco na cadeira, encarando-o com mais atenção.— Me diz uma coisa… — falou em tom mais baixo, quase em confidência. — Você está indo embora por causa da Eloá?Ele sorriu, mas o sorriso não tocou os olhos. Era um sorriso amargo, resignado.— Sim. É só por ela. Mas sei que conquistar a Eloá… não vai ser nada fácil.— Por quê? Eu já te disse, ela tem pensado
O melhor amanhecer
A festa foi um sucesso e terminou só de madrugada.Exausta após tanto dançar com o namorado, Elisa voltou para casa com os pais e mal se encostou na cama, já apagou no mesmo instante. Tudo o que queria era aproveitar o resto do dia para dormir e recuperar as energias.Mas, às cinco da manhã, seu celular começou a tocar insistentemente.— Quem é que ousa me acordar a essa hora? — murmurou, ainda com a voz arrastada e o rosto enterrado no travesseiro. Pegou o celular com cara de poucos amigos, mas assim que viu o nome do namorado na tela, seu humor mudou na hora.— Noah? Achei que você já estivesse dormindo — atendeu, bocejando.— Eu até tentei — ele disse do outro lado da linha — mas não consegui pregar o olho.— Aconteceu alguma coisa?— Sei que você está cansada e queria descansar… mas será que pode me encontrar agora?— Agora?— Sim. Quero te levar num lugar.— Onde? — perguntou, já desconfiada, arqueando a sobrancelha.— É surpresa.Ele nem precisava insistir muito. Se tinha algo q
Trabalho de parto
Se voltando para o noivo com um sorriso enorme no rosto, Elisa perguntou, cheia de expectativa:— E quando a casa vai ficar pronta?— Bom… ainda não sei ao certo — ele respondeu, coçando a nuca. — Eu já rascunhei um projeto, mas queria te mostrar antes, para ver se você quer mudar alguma coisa.— Eu não quero mudar nada! — disse rápido, quase interrompendo. — Tenho certeza de que o que você fez está perfeito. Você é ótimo com desenhos, né? E aposto que fez tudo com amor.Noah sorriu, mas balançou a cabeça.— Vai ser a nossa casa, Elisa. Quero que você participe de cada detalhe. Quero que ela tenha o seu toque também.— Então, se quer mesmo um palpite meu… — disse, se aproximando ainda mais. — Comece a construção o quanto antes. Eu quero ver a nossa casa de pé ainda esse ano.Ele riu ao ver a empolgação dela, mas sabia que precisava ser realista.— Esse ano já não dá, amor.— Por que não?— Porque a casa onde eu quero morar com você tem que ser perfeita. E perfeição leva tempo. Não que
Saulo sendo Saulo
Quando Elisa entrou no quarto, deu de cara com a mãe sentada em frente ao espelho, calmamente fazendo uma enorme trança no cabelo, como se tivesse todo o tempo do mundo.— Mãe, pelo amor de Deus! Vamos para o hospital agora mesmo! — disse, quase arrancando a escova da mão dela.— Já estou indo, filha… — Denise respondeu tranquila, puxando mais uma mecha. — Só deixa eu terminar essa trança.— Meu Deus, como a senhora consegue ter tanta calma numa hora dessas? — perguntou, quase pulando de aflição.— Já não basta o seu pai desesperado? — ela brincou, arqueando a sobrancelha. — Alguém precisa manter a compostura.— Compostura? A senhora está prestes a ter dois filhos, não é hora de se preocupar com penteado!— Filha, não quero chegar descabelada na maternidade, quero estar digna — disse, rindo.Elisa levou a mão à testa, sem acreditar.— Eu devia gravar isso para mostrar para a Eloá.— Pode gravar, mas rápido, porque essa trança é artística e não se faz correndo — Denise respondeu, prend