All Chapters of Caminho Traçado - Uma babá na fazenda : Chapter 261
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Família quase completa
Os maqueiros entraram na sala de parto e, em poucos instantes, saíram carregando Saulo, ainda desacordado, como se fosse um troféu de emoção extrema.— Eu não posso deixar essa cena passar — Noah riu, já puxando o celular para registrar o momento, mas mal teve tempo de desbloquear a tela antes de sentir um leve soco no estômago.— Nem pense nisso! — Elisa repreendeu, semicerrando os olhos. — Já não acha que é humilhante o suficiente para ele?Vendo que ela falava sério, Noah suspirou e guardou o aparelho no bolso.— Está bem, está bem… me desculpa, amor.— Sem problemas… — ela sorriu de canto. — Mas me faz um favor? Vá com ele. Vou ficar com a mamãe.— Claro — respondeu, já caminhando atrás dos maqueiros. — Mas, só para constar, eu ainda acho que seria um vídeo histórico.Elisa revirou os olhos, mas não conteve um pequeno riso.— Nem pense nisso!Enquanto Noah acompanhava o sogro até outra sala, ela voltou a se sentar no corredor, ansiosa para ver os gêmeos. Minutos depois, a porta se
Peso na consciência
Na casa da família Caetano, Aurora corria pelo quarto, tentando se arrumar o mais rápido possível. Desde que recebeu a mensagem sobre a chegada dos gêmeos, não conseguiu mais ficar calma.— Já está pronta? — Oliver perguntou da porta, impaciente.— Quase… deixa eu só pegar a minha bolsa.— Tudo bem, vou te esperar lá na sala.Quando saiu do quarto, notou que a porta do quarto de Gael estava entreaberta. Ao ouvir o som de portas de armário sendo abertas e fechadas, ele se aproximou, desconfiado.— Filho?— Pode entrar, pai.Oliver empurrou a porta e se deparou com o quarto cheio de malas arrumadas.— O que está fazendo?— Arrumando minhas coisas para a viagem.— Mas… — franziu o cenho.— Pai… — se virou para encará-lo — eu te disse que só vim para o casamento da Alice, mas que voltaria para os Estados Unidos em seguida.— Sim, você disse… mas, filho — ele cruzou os braços — tem certeza de que vale a pena mesmo ficar longe de sua família devido a um estágio?Gael respirou fundo. Se havi
Mudança
Quando desligou a chamada com a irmã, Eloá não conseguiu conter as lágrimas. Tudo o que mais queria naquele momento era fazer parte daquela alegria, estar com eles, abraçar os irmãos recém-chegados… mas a imagem do olhar de desaprovação dos pais, especialmente de seu pai, surgiu tão nítida em sua mente que ela engoliu em seco.— Eu não posso voltar… ele jamais me perdoaria por isso — murmurou, como se tentar dizer em voz baixa pudesse tornar aquela verdade menos dolorosa.Determinada a afastar os pensamentos que lhe apertavam o peito, levantou-se e seguiu para a biblioteca. Enterrou-se nos livros como vinha fazendo nos últimos meses. Pelo menos, dessa forma, conseguia manter-se entre as melhores da turma, reconhecida como uma das alunas mais dedicadas e com as notas mais altas. Ainda assim, no fundo, sabia que estava estudando não só para o futuro, mas para não pensar no presente.A semana começou no mesmo ritmo corrido de sempre. Eloá já estava numa fase em que não adiantava mais ten
Visitante
Notando que estava falando demais, Tess mordeu os lábios e deu um passo discreto para trás.— Quem é você? — perguntou, ainda com cautela.Percebendo que a garota havia se retraído, ele decidiu se apresentar.— Me desculpe pela falta de modos. Sou Gael Caetano, amigo da Eloá — disse, estendendo a mão.Mesmo hesitante, Tess correspondeu ao gesto.— Olá, Gael. Eu sou Tess.— Tess… — repetiu, como se saboreasse o som do nome. — É curto, mas cheio de personalidade.Ela sorriu diante do comentário inesperado.— Sabe me dizer quando foi que a Eloá se mudou?— Hoje mesmo — respondeu sem rodeios.— Foi para o apartamento dela? — questionou, com uma ponta de curiosidade.Como ele parecia já conhecer detalhes da vida de Eloá, Tess apenas assentiu.— Sim.Gael não precisava se esforçar muito para lembrar o endereço, mas não queria sair dali sem aproveitar para conseguir o máximo de informações possível.— Escuta… você mencionou a gravidez da Eloá, certo?— Sim… — confirmou, voltando a demonstrar
Eu te quero
Era estranho para Eloá perceber como o simples toque da mão de Gael já despertava nela um arrepio que percorria todo o corpo. Como ele podia dizer aquelas coisas, ainda mais vendo o estado em que ela se encontrava?— Gael, por favor… — pediu, com os olhos marejados.— Eu já disse… não vou mudar de ideia.Sem lhe dar tempo para reagir, ele se inclinou e a beijou nos lábios, colocando naquele gesto toda a intensidade do que sentia. Queria que ela soubesse, sem precisar de palavras, que a amava e que estaria ao lado dela, acontecesse o que acontecesse.O beijo a pegou desprevenida. Por um instante, Eloá sentiu o corpo vacilar, como se as pernas não fossem capazes de sustentá-la. O calor dele, o sabor familiar, o jeito como seus dedos lhe seguravam o rosto com firmeza… tudo a fez esquecer, ainda que por segundos, de qualquer medo ou insegurança.Quando Gael se afastou, manteve a testa colada à dela, respirando rápido.— Você não está sozinha, Eloá. Nunca mais vai estar.Ela fechou os olhos
Marcando território
Ela o afastou depressa e se sentou na cama, tentando recuperar o fôlego.— Quem é? — ele perguntou, confuso.— Minha tutora — respondeu, ainda ofegante.— A ignore — sugeriu, com um tom quase implorando.— Não posso fazer isso — retrucou, levantando-se e tentando pensar em algo rápido.— Então abra a porta.— Como posso abrir se você está aqui? — ela rebateu, olhando para ele com o olhar assustado.— Diga quem sou — disse, firme.Aquelas três palavras caíram como um peso sobre ela. Quem ele era? Um amigo de infância que cresceu ao seu lado? O irmão do pai de seu bebê? Ou… o homem que amava?O coração disparou. Pensar naquilo a deixou ainda mais nervosa, principalmente com Brook batendo na porta com insistência.Ele se aproximou lentamente, até que a ponta dos dedos tocou de leve seu rosto.— Não quer que ela me veja aqui? — perguntou em um sussurro.— Não é isso… — murmurou, desviando o olhar.— Então, o que é? — insistiu.— Nesse momento, eu não sei explicar para ninguém quem é você
Primeira conversa
Como nunca percebeu aquele lado possessivo de Gael? Como nunca notou o quanto ele poderia dominá-la apenas com a força silenciosa da sua presença?Os olhos dele queimavam sobre seu rosto e Eloá, perdida entre o desejo e o medo de se afogar nele, fechou os olhos. Tentava recuperar o fôlego, controlar os batimentos acelerados que ele sempre arrancava dela e que agora, deitada ao lado dele, pareciam ainda mais descompassados.Sentiu o colchão ceder levemente quando Gael se ajeitou ao seu lado. Um instante depois, o calor da mão dele repousou sobre sua barriga, traçando carícias lentas. O gesto, embora carinhoso, lhe trouxe um incômodo súbito, fazendo-a contrair o corpo.— Não faça isso… — murmurou, quase num sussurro.Gael não recuou de imediato. Seus dedos percorreram um último traço antes de pararem, e sua voz veio baixa.— Por quê? — perguntou, olhando-a como se quisesse atravessar cada barreira que ela ainda mantinha.Sem coragem de encará-lo, Eloá engoliu em seco.— Porque é estranh
Verdades secretas
— A questão não é o que quero, Gael… — respondeu, mesmo que o coração estivesse em guerra. Levantou-se, como se a distância física pudesse amenizar o que sentia. — É sobre o que é certo. Por que eu te colocaria no meio de algo que não é problema seu?Ele se ergueu também, sem deixar que ela se afastasse.— E se for meu problema? — retrucou, deixando a voz ganhar um tom quase desesperado. — E se tudo isso que está acontecendo for minha responsabilidade?Ela franziu o cenho, confusa, o peito subindo e descendo revelava como a sua respiração estava acelerada.— Do que você está falando?— Eloá… por favor… — Ele deu um passo na direção dela, como se as palavras precisassem de proximidade para fazer sentido. — Seja sincera comigo. O que você sente por mim?Ela abriu a boca, preparada para mentir, como já havia feito antes para afastá-lo. Mas a lembrança do arrependimento que carregou desde a última vez que o fez queimou como um alerta dentro dela. Não poderia repetir o mesmo erro.— Gosto
Como corrigir um erro
O silêncio que se seguiu parecia sufocar o ar ao redor. Eloá deu um passo para trás, como se quisesse colocar um oceano entre eles.— Não… — ela balbuciou, balançando a cabeça, com a respiração acelerada. — Você está mentindo.— Eu nunca mentiria sobre isso — disse Gael, com os olhos implorando para que ela o ouvisse.Ela soltou uma risada nervosa, misto de incredulidade e desespero.— Você… você não sabe o que está dizendo, isso sim! Que tipo de brincadeira sem graça é essa? Está dizendo isso para tentar me fazer sentir melhor, ou parar de me culpar?— Não, claro que não! — ele rebateu, um pouco nervoso. — Só estou contando isso porque não aguentava mais esconder isso, no entanto, estava com medo de te perder, caso contasse a verdade antes de saber o que sente por mim.— Medo de me perder? — ela repetiu, sentindo a raiva crescer. — Você me enganou, tirou o meu direito de saber a verdade! Você não tinha esse direito, Gael!Ele se aproximou, mas ela recuou, erguendo a mão como se quise
O que houve no passado
Alguns meses atrás.Quando viu Eloá sair do galpão, Henri sentiu um desconforto imediato. O jeito apressado com que ela caminhava, as palavras ditas com cautela e aquele ar de mistério acenderam um alerta dentro dele.— Isso não está certo… — murmurou para si, já imaginando na mente cenários que preferia não considerar.Virou-se e continuou ajustando a cela do cavalo, decidido a dar uma volta pela fazenda. Mas, em vez de ir sozinho, queria companhia e sabia exatamente de quem. Enquanto esperava por Gael, sentou-se num dos bancos de madeira próximos, tentando costurar mentalmente tudo o que Eloá havia dito não só naquele dia, mas em todas as conversas que já tiveram. Algo não fechava.Alguns minutos depois, Gael apareceu. Estava recém-saído do banho, cabelos ainda úmidos e uma expressão tensa no rosto.— Ainda aqui? — perguntou, surpreso.— Estava esperando por você — respondeu Henri, erguendo o olhar.— E para quê?— Quero dar uma volta.— É melhor não. Acabei de chegar da plantação e