All Chapters of Caminho Traçado - Uma babá na fazenda : Chapter 271
- Chapter 280
444 chapters
Não dá para fugir
Quando saiu do prédio, sem sequer ter paciência para esperar o elevador, Eloá optou pela escada. Cada degrau parecia um golpe seco, abafado, como se o som ecoasse apenas dentro dela. Não queria correr o risco de Gael a acompanhar e despejar mais palavras que a deixassem ainda mais confusa, perdida… despedaçada.Vestiu o vestido às pressas, mal-ajeitado no corpo e não tinha condições de ir para muito longe, pois não havia levado nem o celular, nem a bolsa. Estava ali, no meio da calçada, sentindo o vento frio bater no rosto, lembrando-a de como aquele dia havia se tornado o pior de sua vida. O mundo ao redor seguia em seu ritmo: veículos passavam, vozes se perdiam, passos apressados cruzavam com os seus. Mas para ela, tudo parecia distante, como se estivesse atrás de um vidro grosso, separada de qualquer vestígio de normalidade.Caminhou sem destino, deixando as ruas decidirem o trajeto. Seus pés se moviam, mas a mente estava presa naquele apartamento, naquele momento em que tudo despe
O sentimento trai
O que responderia para ele naquele momento? A mágoa queimava por dentro, e poderia muito bem revidar com palavras afiadas, só para machucá-lo tanto quanto ele a havia machucado. Mas… valeria a pena?Não queria vê-lo sumir outra vez, e, ao mesmo tempo, não suportava a ideia de tê-lo ali, tão perto, naquele instante.Que droga de vida era aquela, em que tudo parecia se tornar mais difícil a cada dia que passava?— Não acha que está exigindo respostas demais de alguém que acabou de descobrir tantas coisas de uma vez? — devolveu, encarando-o com a cabeça erguida, embora por dentro estivesse em pedaços.Ele mordeu o lábio, como se quisesse segurar algo, e a expressão ansiosa denunciou o quanto estava lutando contra si mesmo.— Me desculpe… — disse por fim, soltando o ar de maneira pesada. — Você tem razão. Eu não posso pedir que me responda antes mesmo de digerir tudo o que descobriu.Houve um breve silêncio, até que ele continuou um pouco desesperado:— Eu não quero te pressionar… nem pos
Coração mole
Após sair do apartamento de Eloá, Gael caminhou sem rumo, como se cada passo fosse guiado apenas pela necessidade de não se afastar dela. Não queria voltar para Nova Iorque, onde estava hospedado, tampouco tinha ânimo para procurar um hotel naquela cidade. Sentia que se afastar seria como desistir, e desistir não era uma opção.Acabou encontrando um banco solitário em uma pequena praça. Sentou-se, deixando o corpo pesar, e passou as mãos pelo rosto, apoiando os cotovelos nos joelhos. A ideia de que Eloá poderia não o perdoar lhe atravessava como uma lâmina invisível.— Não posso perdê-la… não agora… — murmurou.Pensar nessa possibilidade o apavorava, ainda mais quando percebia que, apesar de tudo, começavam a reencontrar um fio de entendimento, uma chance de recomeço. O medo e a incerteza o deixavam paralisado, e lágrimas teimavam em se formar. Tudo o que queria era estar com ela, cuidar dela, construir algo verdadeiro… mas já não sabia se ela ainda o queria.— Por favor, meu Deus… nã
Não importa o preço
Quando acordou pela manhã, Eloá, ainda de olhos fechados, passou a mão pelo outro lado do colchão, buscando o calor de Gael para se aninhar contra ele. Mas seus dedos tocaram apenas o lençol frio e vazio. Um aperto tomou conta de seu peito, ela abriu os olhos, virando-se para ter certeza. Ele não estava lá. Sentou-se na cama num sobressalto, com o coração disparado. Confusa, correu os olhos pelo quarto silencioso e, sem pensar, levantou-se. Caminhou pelos cômodos, chamando o nome dele em um sussurro quase trêmulo, mas não obteve resposta. A cada passo, a esperança se esvaía. — Ele… foi embora? — murmurou, sentindo a garganta arranhar. Na varanda, o brilho do sol já tomava conta do horizonte. O dia havia começado, e ele não estava mais ali. — Ele foi embora… — repetiu, e dessa vez a voz se quebrou. Voltando para dentro, sentiu as pernas pesarem. Encostou-se à parede da sala e deixou-se deslizar até o chão. Os olhos marejados já não conseguiam conter as lágrimas que escapavam sem co
Colocando a mão no fogo
O Natal estava quase chegando, e Elisa não escondia a empolgação enquanto auxiliava a mãe a colocar os bebês para dormirem.— Eu não vejo a hora! — disse, animada.Quando os dois finalmente pegaram no sono, mãe e filha saíram do quarto e seguiram até a varanda. Denise, com a tela da babá eletrônica ligada, não se preocupou em deixar os gêmeos sozinhos.Na varanda, Saulo estava deitado na rede, com a cara de quem havia enfrentado uma batalha noturna. Ele havia passado horas tentando acalmar um dos bebês, que insistia em não dormir.— Acho que precisamos contratar babás até para o fim de semana — resmungou ao ver as duas.— Eu não discordo — Denise respondeu, rindo.— Agora entendo o que a Aurora e o Oliver passaram quando os meninos nasceram. Um já dá trabalho, dois juntos… misericórdia.— Conosco não foi muito diferente — Denise recordou. — Eu engravidei da Eloá quando a Elisa ainda tinha só três meses.— Foi mesmo… — ele riu, meio incrédulo.Elisa aproveitou o gancho.— Vendo tudo is
Planos e medos
— Ah… Gael…Eloá gemia de olhos fechados, afundada a cabeça no travesseiro, enquanto ele explorava seu corpo usando a língua.O calor da respiração dele contra sua pele a fazia estremecer, e cada arrepio parecia um chamado, uma rendição inevitável.Ela tentou conter o gemido, mas foi inútil. O coração batia descompassado, o corpo pedia mais, perdido naquela onda de sensações.Gael levantou o rosto, a fitando com intensidade. Não disse nada, não precisava. Havia mais verdade naquele olhar do que em mil palavras. Eloá, sem forças para resistir, ergueu a mão e tocou o rosto dele, como se quisesse ancorar-se naquela certeza.Ele sorriu de leve, e então a tomou em seus braços, puxando-a para junto de si. O beijo veio profundo, urgente. Não havia espaço para o passado, apenas para o agora e no agora, os dois eram um só.Ela repousou a cabeça sobre o peito dele, sentindo a respiração acelerada. Gael deslizou os dedos pelos cabelos dela, em silêncio por alguns instantes, como se estivesse sabo
As coisas acontecem naturalmente
Antes mesmo do Natal, Eloá e Gael haviam se entendido de uma forma que seus sentimentos já não pareciam mais um território nebuloso. As incertezas, os receios e as palavras reprimidas deram espaço a uma cumplicidade mais clara. Havia, entre eles, a sensação de que estavam finalmente caminhando na mesma direção.Foi nesse clima de compreensão mútua que Gael decidiu se mudar para o apartamento dela. No início, Eloá hesitou, não por falta de desejo, mas pelo peso da decisão. Era como oficializar algo que ainda vivia em segredo. Porém, a presença dele ao seu lado se tornou um alívio tão grande, que a escolha foi natural. Aos poucos, foram ajustando os detalhes: suas roupas misturadas às dela no guarda-roupa, o café da manhã compartilhado, as conversas até tarde no sofá. Mais do que um casal escondido, viviam como um verdadeiro lar.Nos dias de consulta, Gael passou a acompanhá-la, orgulhoso de estar ao lado dela em cada passo daquela fase delicada. Ele segurava sua mão na sala de espera,
Preparativos para o natal
Os preparativos de Natal na região da Vila São Caetano estavam a todo vapor. Oliver havia contratado uma equipe especial para decorar toda a vila, além de alguns cantores para animar a grande festa de fim de ano.Todos por ali amavam aquela época, a mais movimentada do calendário, só perdendo para a feira agropecuária. Luzes coloridas já começavam a piscar nas ruas, e o cheiro de doces típicos se espalhava pelas casas, criando um ambiente quase mágico.— A ceia esse ano será na nossa casa ou na da Denise? — Oliver perguntou à esposa, que estava concentrada no computador, escolhendo alguns itens para a decoração.— Esse ano faremos aqui mesmo, já que a Denise tem muito trabalho com os gêmeos — respondeu Aurora, sem desviar os olhos da tela.— Tem razão — ele disse, se sentando ao lado dela e deixando um beijo em seu pescoço. — Não se esforce tanto, ouviu? Não faça nada que a canse.Aurora riu baixinho, mas sem esconder o carinho que sentiu ao ouvi-lo.— Se eu não fizer, quem fará?— Eu
A volta para casa
Na casa de Saulo, o clima estava mais animado do que nunca. Ele havia colocado uma enorme árvore de Natal na sala, toda decorada com bolas brilhantes e laços vermelhos, e a fachada da casa piscava com uma infinidade de luzinhas coloridas. Enquanto balançava um dos meninos no colo, o outro dormia tranquilamente no carrinho, embalado pelo movimento que ele fazia com um dos pés.Para ele, aquela pequena rotina com recém-nascidos, após tantos anos afastado desse universo, eram surpreendentemente divertidas. Cada colo e até o cansaço fazia parte da alegria.— Vou pedir para uma das babás levá-los para o quarto — disse Denise, enquanto surgia na sala, carregando uma bandeja com dois copos de suco.— Mas eles estão tão quietinhos aqui… — ele comentou, abraçando mais forte o bebê que estava em seu colo.— Eu sei, mas daqui a pouco a Elisa e o Noah chegam, e o barulho vai começar. Não quer que eles percam a soneca da tarde, quer?— Jamais! — respondeu, já sorrindo nervoso, sentindo o braço pes
Suspeitas
Vendo que a irmã não saía do carro, Elisa se aproximou da porta para abri-la, mas notou que estava trancada.— O que foi? Não vai descer do carro, não? — perguntou rindo, tentando aliviar o clima, mas ao encontrar o olhar desesperado da irmã, a diversão desapareceu imediatamente.— Filha… — Denise se aproximou, com o olhar preocupado. — O que houve? Não quer nos dar um abraço?Eloá permaneceu imóvel, sentindo o corpo tenso. Por um instante, a coragem que guardou durante toda a viagem se esvaiu. Ela virou o rosto em direção a Gael e, com a voz quase inaudível, sussurrou:— Por favor… me leva embora daqui.O desespero estampado em seus olhos era impossível de ignorar. Sem dizer uma palavra, Gael engatou a marcha e arrancou o carro, cortando a escuridão da estrada enquanto desaparecia rapidamente. Atrás deles, todos ficaram paralisados, sem entender nada.— Ei, Eloá! — Saulo gritou, correndo até a beira da estrada, sentindo o coração disparar. — O que está acontecendo?— O que será que d