All Chapters of Caminho Traçado - Uma babá na fazenda : Chapter 281
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Cara a cara
— Eu não acredito que fizemos isso… — disse Gael, enquanto dirigia pela estrada pouco iluminada, sem rumo certo.— Eu… eu não consegui — murmurou Eloá, com os olhos marejados, tentando segurar o choro, mas falhando.Gael encostou o carro no acostamento, desligando o motor. O silêncio da noite parecia amplificar cada batida do coração deles.— Shhh… — sussurrou ele, virando-se levemente para ela. — Está tudo bem. Você ficou nervosa. É natural. Eu… eu entendo.Inclinando a cabeça contra o ombro dele, Eloá sentiu o calor de seu corpo e a segurança que emanava.— Mas e agora? — murmurou, quase sem voz.— Agora — disse Gael, passando a mão suavemente pelo cabelo dela —, você só precisa se acalmar e saber que não há nada a temer. Estou aqui e não vou a lugar algum.Ele se inclinou, envolvendo-a em um abraço, como se quisesse proteger cada parte dela. Eloá deixou escapar um suspiro, sentindo o peso do nervosismo se dissipar aos poucos.Gael inclinou a cabeça, pousando um beijo leve na testa
Os pais defendem seus filhos
Vendo o que o pai acabava de fazer, Eloá se jogou na frente dele, tentando intervir.— Para com isso, pai! A culpa não é dele, é minha!— Não tente defendê-lo, Eloá, você não sabe como funciona a cabeça dos homens! — Saulo explodiu, com os punhos ainda cerrados.— Pai, por favor, me escute — ela implorou, engolindo o choro.— Esse safado foi para os Estados Unidos se aproveitar de você porque sabia que eu não estava por perto para protegê-la. — A voz de Saulo ecoava dura.— Não, não foi isso — respondeu Eloá, sentindo as lágrimas escorrerem pelo rosto.— Não foi isso? — ele repetiu, avançando mais uma vez em direção a Gael, com o peito arfando. — Sei muito bem como foi sem precisar de nenhuma explicação!Vendo a cena se intensificar, Oliver se aproximou, colocando as mãos firmes nos ombros do amigo, tentando conter a fúria que transbordava. Noah fez o mesmo, segurando um braço do sogro.— Pare com isso, Saulo! — Oliver disse. — Como eles vão se explicar se você continuar agindo como u
Que comece o julgamento
Sem acreditar no que o amigo acabava de dizer, Oliver fechou os punhos e caminhou na direção de Saulo.— Está mesmo dizendo que prefere me enfrentar do que parar para ouvir o que nossos filhos têm a dizer? — perguntou, ainda incrédulo com aquela situação.— Já disse que nada do que o seu filho fale vai mudar o que sinto! — respondeu Saulo, histérico, avançando um passo. — Sei que ele é seu filho, Oliver, mas nada disso muda o que fez com a minha filha. Você deveria tentar entender o meu lado, ainda mais agora que vai ser pai de uma menina.— Eu não estou defendendo a atitude do meu filho — respondeu Oliver, controlando o tom da voz. — Estou apenas tentando evitar que você o agrida. Devemos usar a lógica agora, não, a força bruta.— Que se dane a lógica! — explodiu, cerrando os punhos. — Eu não consigo olhar para a cara dele e não querer socar. — Logo ele, que eu achava ser um rapaz direito, acabou mostrando que não presta! Eu já disse, vou acabar com a raça dele, Oliver, e é melhor vo
Uma filha desafiadora
Sabia que não poderia esconder nada do pai, pois ele era astuto demais para perceber qualquer entrelinha.— Sim, papai.Sem acreditar no que acabava de ouvir, Saulo começou a caminhar inquieto pela sala, batendo levemente o pé e mordendo o lábio.— Quando isso aconteceu? — perguntou, a voz mais alterada a cada sílaba.— Numa noite, antes de eu viajar — respondeu Eloá, tentando soar firme.— Mas naquela noite você ficou na casa dos seus avós — retrucou ele, incrédulo.— Sim, mas eu saí de madrugada e fui me encontrar com ele na casa de praia dos pais dele — disse ela, quase sussurrando, sabendo que cada palavra pesava no ar.— Isso só pode ser uma brincadeira — praguejou Saulo, passando a mão pelo cabelo, visivelmente perturbado.Denise arqueou uma sobrancelha, com o olhar afiado como uma lâmina:— Espera… No dia em que te buscamos, passamos pela casa de praia da Aurora, e o carro que estava lá era do Henri.— Sim, o carro era do Henri, mas quem estava lá era o Gael. Fui eu quem pediu
Nada pode separar quem se ama de verdade
Ao ver a filha saindo pela porta, Denise tentou alcançá-la, mas o marido a segurou pelo braço.— Deixe-a, daqui a pouco ela vai perceber o que acabou de fazer e volta sozinha.— Eu não acredito que você disse aquelas coisas absurdas para a nossa filha, Saulo! — exclamou Denise, com os olhos cheios de reprovação.— E o que queria que eu dissesse? Não viu o quanto ela estava rebelde? — retrucou ele, com o rosto tenso.— Rebelde? Você a insultou e ainda acha que tem o direito de se sentir ofendido? — Ela rebateu.— Por acaso está do lado dela, morena? — ele provocou.— Não estou do lado de ninguém. Mas o que não vou tolerar é que minha filha saia de casa agora, sem rumo algum.— Se você for atrás dela, só vai dar a impressão de que ela pode falar o que quiser comigo.— E se ela for, você vai achar que está no direito de gritar com ela! Saulo, pelo amor de Deus, que tipo de pai você se tornou? Vai mesmo deixar que sua filha, grávida, saia de casa brigada com você?— Eu só quero que ela en
O diálogo é a base de tudo
Não foi fácil pegar no sono naquela noite. Nem o cansaço da viagem, nem o peso da gravidez conseguiram fazer Eloá descansar. Tudo parecia estranho: o quarto em que cresceu, antes tão familiar, agora lhe causava uma sensação de estranhamento e melancolia. Sentia-se vulnerável, sozinha, e a ausência de Gael ao seu lado a fazia apertar o peito de saudade.Quando o primeiro brilho da manhã começou a entrar pela janela, ela não conseguiu mais permanecer na cama. Levantou-se devagar, sentindo o corpo cansado, e caminhou pelo corredor silencioso. Passou pelo quarto dos irmãos, onde os meninos dormiam tranquilos, monitorados pelas câmeras. Não queria acordá-los, então apenas os observou por alguns instantes, imaginando-se em breve segurando seu próprio bebê nos braços.Seguindo até a varanda, respirou fundo o ar frio da manhã. A luz pálida do sol nascente tingia o céu, trazendo uma estranha sensação de esperança no meio do turbilhão de emoções. Aproximou-se da rede, querendo se apoiar, e foi
Como as coisas serão
Ver que seu pai estava disposto a tentar mudar aquela situação, trouxe um sorriso aliviado ao rosto de Eloá.— Acho que podemos, sim — disse, com cuidado —, mas para isso, o senhor precisa me escutar sem julgamentos.Ele assentiu, pressionando os lábios, como quem tentava segurar a própria ansiedade.Eloá começou a falar, abrindo o coração como nunca antes. Contou tudo ao pai: desde o encontro com Gael na casa de praia até o momento em que descobriu a gravidez. Não mencionou que, de início, estava tentando se encontrar com Henri, sabia que isso desencadearia outro show do pai, mas foi sincera em cada detalhe: seus medos, suas inseguranças e seus erros.— Sei que não foi assim que o senhor imaginou que seria o meu futuro, mas é o que está acontecendo agora — admitiu.— E a faculdade, Eloá? — perguntou ele, preocupado.— Eu vou continuar — respondeu, determinada. — A faculdade tem programas que incentivam alunas grávidas a não pararem os estudos. Além disso, o Gael prometeu que vai esta
Conversa entre homens
Antes que a conversa se transformasse em um debate, Denise tomou as rédeas da situação.— Que tal irmos todos para o jardim? Vou pedir que sirvam o café para todos.— Ótima ideia, mãe — disse Eloá, um pouco nervosa.Todos assentiram e começaram a caminhar em direção aos fundos da casa. Quando viu o pai se afastar, Eloá se aproximou de Gael e, com cuidado, tocou o rosto dele.— Não acredito que ficou assim por minha causa — sussurrou, sentindo o coração apertar.— Já te disse que não me importo com nada do que aconteça comigo, contanto que, no final, tudo fique bem para você — disse ele, olhando-a profundamente nos olhos.— Gael, eu sinto muito pelo que meu pai fez.— Não sinta, meu amor — respondeu, tocando a mão dela. — Só quero que resolvamos tudo e possamos ficar bem novamente.A tranquilidade com que ele falava passava um pouco de segurança para o coração aflito dela.— Como foi sua noite? Conseguiu dormir? — Ele continuou.— Não… não consegui pregar os olhos — ela revelou.— Eu t
Momento de nostalgia
Em sinal de acordo, Gael estendeu a mão para Saulo.— Eu prometo que nunca precisará chegar a esse ponto, sogro — falou, com confiança.Saulo estreitou os olhos, avaliando se apertaria a mão dele ou não. Por mais que quisesse resistir, sabia que não havia escolha. Tudo já havia acontecido, e, no fundo, deveria se sentir grato: mesmo que a filha ainda fosse jovem, pelo menos se envolveu com um homem que realmente prestava.— Mais um me chamando de sogro… eu mereço isso!Saulo apertou a mão do mais novo genro, que sorriu satisfeito.Ao ver a cena, todos suspiraram aliviados, percebendo que um problema a menos havia sido resolvido.— Graças a Deus, este final de ano será de paz — comentou Oliver, acomodando-se na cadeira.Uma funcionária trouxe o café da manhã e serviu a todos, que comeram com muito mais tranquilidade.— Agora que já resolvemos isso, devemos tratar do casamento deles — disse Aurora, dando uma mordida no sanduíche.— Conheço um juiz que pode celebrar o casamento, mesmo es
Foi o melhor
Quando a família Caetano se despediu deles, Eloá dirigiu-se ao quarto para se arrumar para a viagem à capital com a mãe. Pelo corredor, deparou-se com Elisa saindo do próprio quarto.A irmã lhe encarou por alguns segundos, mas permaneceu em silêncio. Eloá respirou fundo e decidiu tomar a iniciativa.— Bom dia.— Bom dia — respondeu Elisa, num tom contido, revelando seu desconforto.— Será que podemos conversar um pouco? — perguntou Eloá, cautelosa.— Estou ocupada agora — disse Elisa, começando a caminhar pelo corredor, evitando o olhar da irmã.— Por favor, Elisa… sei que está brava comigo, mas tive meus motivos.Elisa parou por um instante, sem se virar.— Sei que teve… — murmurou. — Mas isso não muda o fato de que você não confiou em mim.— Eu estava com vergonha de te contar o que aconteceu — Eloá explicou, com a voz trêmula.— Desde quando houve esse sentimento entre a gente, hein? — disse, finalmente se virando. O olhar furioso encontrava o dela. — Sempre compartilhamos tudo, de