All Chapters of Vendida ao Sheik: Chapter 101
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O DESTINO NÃO ERRA
Narrado por KhaledO dia estava absurdamente calmo para o que eu já sabia que estava por vir.O céu em Dubai estava limpo, tingido de azul claro, e a brisa do mar entrava pela janela aberta do meu escritório. Eu estava sentado à mesa, revisando contratos com importadores da Europa, quando ouvi batidas firmes e contidas na porta.— Pode entrar. — disse, sem tirar os olhos do papel.Youssef surgiu, com a mesma expressão sóbria que sempre trazia quando algo fugia do comum.— Notícias do armazém, senhor.Minha mão parou no meio da página.Levantei os olhos lentamente, deixando os dedos soltarem a caneta.— Continue.— A venda da prisioneira... Natália Almeida... foi finalizada.Apenas assenti com a cabeça, esperando que ele completasse.— O comprador foi… Hamzah Al-Farouk.Um silêncio pesado se instalou.Soltei uma risada seca, sem qualquer traço de humor.— Hamz
TARDE DEMAIS PARA REDENÇÃO
Narrado por Alberto AlmeidaEu sempre achei que tinha tudo sob controle.Por mais que tivesse tomado decisões questionáveis… sempre acreditei que fazia parte do jogo. Que no fim, o dinheiro resolvia tudo. Sempre resolveu.Mas quando o telefone tocou naquela madrugada, e a voz do contato estrangeiro disse:— Sua filha Bianca será leiloada esta noite...…alguma coisa em mim quebrou.Era real.Era sério.E, pior, era tarde demais para impedir o que eu mesmo ajudei a começar.Peguei o primeiro voo para Dubai.Nem pensei. Nem dormi. Nem comi.Só me vi no avião, com a garganta fechada e a mente acelerada.A imagem das minhas filhas me consumia como ácido.Bianca.Natália.Que tipo de pai vende uma filha?Que tipo de verme... sacrifica o próprio sangue por contratos?Mas eu vendi.E agora estava correndo contra o tempo para salvar uma.Ao chegar,
QUEM BRINCA COM FOGO, VIRA CINZA
Narrado por KhaledA calmaria sempre me incomoda.Ela engana. Te faz baixar a guarda.Mas eu nunca caí nesse truque.Estava no meu escritório, revisando uma proposta de expansão de um terminal logístico no norte de Oman, quando Youssef entrou sem pedir permissão.Olhei para ele por cima dos óculos, sem me mover.O rosto dele dizia tudo.— Fala. — ordenei, fechando a pasta devagar.Ele não enrolou.— O leilão foi invadido. A polícia local agiu com mandado. Os compradores fugiram. Alguns foram presos. Bianca Almeida foi retirada do local viva.O silêncio que se seguiu foi mais ensurdecedor do que um tiro.Senti os dedos das mãos formigarem.Não de medo.De ódio.— Como isso aconteceu? — perguntei, ainda calmo. Calmo demais.— O pai dela. Alberto. Ele chegou ontem em Dubai, foi direto ao quartel policial com provas de envolvimento do galpão com tráfico humano. Us
MINHA PELE NÃO ME PROTEGE MAIS
Narrado por Natália AlmeidaQuando entrei naquele quarto pela primeira vez, parecia um palácio.A cama era imensa, cheia de almofadas bordadas, lençóis limpos, cortinas pesadas nas janelas. Um abajur de cristal jogava luz dourada sobre as paredes. Tudo parecia novo, caro, bonito.Mas aquilo não era um quarto.Era uma cela.E eu...Era a prisioneira de luxo.Fazia três dias que eu estava ali.Três noites.Três silêncios que me engoliram inteira.Na primeira noite, ele me mandou tirar a roupa e deitar na cama.Na segunda, ele me forçou a sorrir.Na terceira...Eu parei de contar.Hamzah.Era esse o nome dele.Velho, gordo, cheiro forte de suor e perfume enjoativo. Ele sempre sorria quando me olhava. Mas não era um sorriso de quem gosta — era de quem venceu. De quem comprou. De quem acha que tem direito.Hoje, ele me chamou pelo interfone:— Vem. Agor
NÃO EXISTE PORTA PARA SAIR DE UM INFERNO
Narrado por Natália AlmeidaA maçaneta estava solta.Pela primeira vez, a porta não estalou.E pela primeira vez desde que fui jogada aqui, eu senti esperança.O corredor estava silencioso.Nenhum segurança. Nenhum som de passos.Só o zumbido baixo do ar-condicionado e o cheiro de incenso queimando em algum lugar distante.O palácio — ou melhor, a prisão de ouro — estava dormindo.E eu?Eu estava acordada.Com o coração acelerado e uma coragem que não sabia de onde vinha.Não pensei duas vezes.Saí descalça, com o robe fino de seda que ele me dava para andar dentro dos quartos.Nada mais.A cada passo, sentia a pele arrepiar.Era como andar no meio de uma floresta cheia de lobos — cega.Mas se eu não tentasse agora, eu ia morrer ali dentro.Desci as escadas com cuidado, usando as pontas dos pés.Na segunda curva do corredor, vi uma porta entreaberta.Par
O HOMEM QUE RESTOU
Narrado em terceira pessoaO sol da manhã mal aquecia o jardim da frente. Khaled e Lara tomavam café em silêncio na varanda, o cheiro de cardamomo e pão fresco preenchendo o ar. Ela estava quieta, com os olhos levemente inchados de sono, e ele a observava com a mesma paciência felina de sempre.Tudo parecia calmo.Até que a calmaria foi quebrada pelo som de vozes se exaltando do lado de fora dos portões.Gritos.Um deles... familiar.— NATÁLIA! ME DIZ ONDE MINHA FILHA ESTÁ, KHALED! SEU MALDITO!Lara se levantou bruscamente. O corpo congelou por um segundo. Ela reconheceria aquela voz em qualquer lugar.— É o meu pai.Khaled ergueu os olhos lentamente. Bebeu mais um gole de café, impassível.— Ele não vai entrar — disse, seco.— Deixa ele entrar — insistiu Lara, firme. — Quero ouvir o que ele tem a dizer.Ele não respondeu de imediato. Cruzou os braços e observou os segura
ENTRE VÉUS E VERDADES
Narrado por LaraFazia tempo que eu não me sentia… leve.Mesmo nos raros momentos em que Khaled parecia mais calmo, ou quando tentava se aproximar com gestos doces, alguma coisa dentro de mim ficava sempre alerta. Como se eu soubesse que a paz era uma ilusão curta demais.Mas naquela manhã, eu desci as escadas com uma sensação diferente. Não porque o mundo havia mudado. Mas porque talvez, pela primeira vez, eu estava começando a mudar por dentro.Foi quando a porta lateral da sala se abriu, e entrou uma mulher coberta por um abaya de um tecido finíssimo, preto como a noite, com fios dourados delicadamente bordados. Os olhos castanhos grandes e marcantes me observaram com gentileza.Rafiq veio logo atrás dela, sorrindo com aquele ar despreocupado que eu começava a reconhecer como típico dele.— Lara, esta é minha esposa — disse, orgulhoso. — Layla.Ela se aproximou com passos elegantes e me cumprimentou com um beijo
CONFIANÇA É UM RISCO QUE SE ESCOLHE
Narrado por KhaledO jardim lateral da casa estava silencioso, com exceção dos passos dos seguranças trocando turno e o som quase imperceptível do vento passando pelas folhas das palmeiras. Desde a última tentativa de invasão, coloquei um sistema de vigilância reforçado em cada canto. Agora, até o som de uma respiração mais forte ativava os sensores. Eu não tolerava mais falhas.Estava de pé, observando a troca de guarda, braços cruzados, mentalmente calculando o que ainda precisava ser feito. Quando ouvi os passos atrás de mim, não precisei olhar.— Layla — disse, ainda sem virar. — Imaginei que você fosse me procurar.Ela caminhou até parar ao meu lado. Sutil. Reservada. A esposa de Rafiq sempre teve um jeito sereno, mas eu sabia que sob aquele véu de tranquilidade havia uma mente afiada.— Khaled — ela começou, com a voz firme e suave —, vim pedir algo.Dei um meio sorriso. Nenhuma frase que começa assim termina de um jei
O MUNDO LÁ FORA AINDA EXISTE
Narrado por LaraEu estava sentada à beira da cama, escovando o cabelo com calma, quando a porta se abriu devagar. A empregada me olhou com aquele respeito mudo que todos ali tinham aprendido a ter comigo. Mas, dessa vez, havia um brilho no olhar dela. Algo diferente.— Senhora, Layla gostaria de vê-la na sala.Franzi o cenho.— Agora?— Sim. Disse que é importante.Deixei a escova sobre a penteadeira e desci com passos calmos, como se meu corpo já soubesse que havia algo prestes a romper a rotina sufocante daquela casa. Quando cheguei à sala, encontrei Layla de pé, elegante como sempre, com aquele sorriso sereno e sincero que fazia minha guarda baixar mesmo sem perceber.— Bom dia, Lara — ela disse.— Bom dia, Layla. Aconteceu alguma coisa?Ela se aproximou e segurou minhas mãos.— Aconteceu sim. Você vai sair comigo hoje.Fiquei imóvel por alguns segundos, sem conseguir processa
TALVEZ EU POSSA SER FELIZ AQUI
Narrado por LaraO céu já estava em tons de dourado quando terminei de guardar as sacolas no closet. Eu ainda me sentia embriagada pela sensação de liberdade. Não queria que aquele estado passasse tão cedo. Me sentia leve, viva, e pela primeira vez em muito tempo… esperançosa.Tomei um banho morno, vesti uma camisola de seda clara e prendi o cabelo de forma simples, deixando alguns fios caírem sobre o ombro. Quando saí do banheiro, Khaled estava sentado à beira da cama. O blazer abandonado sobre a poltrona e a gravata solta mostravam que o dia também tinha sido longo para ele.— Posso? — ele perguntou, olhando para a cama.Assenti, sentando ao lado dele com uma das sacolas.— Quero te mostrar uma coisa.Ele me observou em silêncio enquanto eu puxava o pacotinho mais delicado de todos. Aquele que comprei por impulso, mas que agora pesava como um símbolo de tudo que poderia ser.Abri devagar e estendi o pequeno vestid