All Chapters of Vendida ao Sheik: Chapter 111
- Chapter 120
303 chapters
UM CORAÇÃO BATENDO ENTRE NÓS
Narrado por LaraAcordei com os dedos dele entrelaçados aos meus. A luz que entrava pelas cortinas dançava nos móveis dourados do quarto, e pela primeira vez em muito tempo, não senti pressa para sair da cama.Khaled já estava acordado, me observando com aquele olhar morno, quase cúmplice. Sorriu quando viu que abri os olhos.— Bom dia, minha mulher.Me espreguicei, deixando escapar um sorriso.— Bom dia, meu marido possessivo.Ele riu.— Eu sou. Mas estou tentando não ser tanto.— Você tem feito um bom trabalho. — Beijei a mão dele. — E hoje?— Hoje... — Ele olhou para o relógio. — A médica ligou cedo. Quer fazer um ultrassom. Dizer que é de rotina, mas pelo que ela falou, o bebê já está grande o bastante pra ouvirmos o coração dele.Minha respiração falhou por um segundo.— Hoje?— Agora de manhã. Eu mandei preparar tudo.Sentei na cama, sentindo um frio na bar
O PREÇO DE UMA VINGANÇA
Narrado por Natália O cheiro do quarto me dava ânsia. Era uma mistura sufocante de perfume masculino barato, gordura impregnada e uísque velho. As janelas estavam sempre fechadas. As cortinas pesadas abafavam a luz, e o ar condicionado fazia um barulho irritante que me lembrava que ali dentro o tempo passava diferente. Mais lento. Mais cruel. No centro do quarto, a cama era um altar de humilhação. Lençóis de seda cor marfim, como se tentassem disfarçar a podridão que cobriam todas as noites. O espelho no teto era a cereja do inferno — eu via meu próprio corpo sendo reduzido a um objeto refletido, uma mercadoria comprada. Uma mulher sem nome, sem passado, sem valor. Mas agora, eu estava decidida. Eu não ia mais chorar. Não ia mais pedir socorro. Não ia mais esperar que alguém viesse me salvar. Se eu quisesse sair viva daquele lugar — ou pelo menos deixar meu rastro gravado em sang
EU NÃO TENHO VERGONHA. EU TENHO UM PLANO
Narrado por NatáliaDizem que o inferno é quente, cheio de fogo e gritos. Mas eu descobri que ele tem ar-condicionado, cheiro de incenso caro e tapetes de ouro bordado.O inferno tem nome.Hamzah.E hoje... o inferno recebeu visita.Eu ouvi os passos antes de qualquer coisa. Pesados, lentos, com o arrastar típico de alguém acostumado a ser servido, nunca a correr. Me aproximei da escada central com cuidado. Me escondi atrás da cortina do segundo andar. De onde eu estava, via o salão inteiro, sem ser vista.E lá estava ele.O famoso Sheikh.Velho.Gordo.Rico.Asqueroso.E com os olhos brilhando como os de um homem que nunca teve que ouvir a palavra “não”.Ele sentou, alargou as pernas e estalou os dedos. Hamzah, sempre sorridente demais, serviu a bebida com a postura de um cão lambendo o próprio rabo.— Estou aqui, Hamzah. Agora me diga... o que você tem a me oferecer que valha
PEÕES NO TABULEIRO
Narrado em terceira pessoaA bandeja de prata ainda tremia levemente na mesa de mármore, resquício da tensão de minutos antes. O ar do corredor parecia carregado, denso como areia quente no deserto. Natália havia deixado o quarto do Sheikh com o queixo erguido e os olhos gelados — mas por dentro, algo começava a ferver.Ela estava suando. Não de medo — mas de raiva. E essa raiva, canalizada com precisão, se tornava uma arma.Enquanto caminhava pelos corredores do palacete de Hamzah, envolta apenas por um roupão leve, as palavras do velho ecoavam em sua cabeça:“Quero que ela me sirva melhor esta noite. Se me agradar… temos um acordo.”Ela não era burra. Sabia o que “servir melhor” significava. E sabia também que aquele homem, o Sheikh, era podre até a alma — e que bastava uma palavra dele para colocar um exército a marchar contra Khaled. Por mais que tudo dentro dela se contorcesse, ela queria vingança. Queria ver Lara destruída. E a
VINGANÇA VESTIDA DE SEDA
Narrado por NatáliaA porta do carro se fechou atrás de mim com um estalo abafado, e o motorista nem precisou me dizer onde eu estava. O palácio do Sheikh era conhecido. As paredes decoradas com ouro, os tapetes persas que mais pareciam relíquias de museu, o perfume espesso de incenso e domínio. O velho morava no próprio ego.Andei pelo corredor como quem pisa em campo de batalha. A seda colada ao meu corpo não me protegia do calor, mas não era proteção que eu queria. Era atenção. Era poder. Era o que me restava.Dois guardas me encararam, mas não ousaram dizer nada. Quando abriram a porta, o ar do quarto me envolveu como uma promessa silenciosa: nada do que eu era antes importava aqui.Ele estava ali. Deitado em almofadas imensas, com uma taça de vinho e o olhar mais nojento que já cruzei. Mas não desviei os olhos. Pelo contrário. Encarei como quem desafia.— Pontualidade — ele disse, com a voz grossa. — Já me agrada.Eu ap
ELES MEXERAM COM O INFERNO ERRADO
Narrado por Khaled Era fim de tarde quando Youssef entrou no escritório com o cenho franzido. A postura dele entregava que algo estava fora do lugar antes mesmo que ele abrisse a boca. Fechei o tablet onde revisava os contratos da nova filial em Doha e levantei os olhos lentamente. — Pode falar. — disse seco. Youssef hesitou. Isso era raro. Quase nunca vi aquele homem de expressão impenetrável perder o equilíbrio. — Khaled... recebemos informações de dentro da casa de Hamzah. Apenas levantei uma sobrancelha. — Algo relacionado à Natália? Ele assentiu. — Aparentemente, sim. Uma das criadas escapou e nos procurou. Disse que Hamzah está recebendo visitas... importantes. Me recostei na poltrona de couro. Cruzei os braços. — Quem? — O Sheikh Abdul R
QUANDO O DEMÔNIO B**E À PORTA
Narrado por KhaledO carro atravessou os portões do palácio de Abdul Rahman com a lentidão de quem já carrega dentro de si o caos. Eu fui sozinho. Não levei Youssef, não levei segurança armada. Não porque subestimei o velho, mas porque sabia que ele esperava isso: uma demonstração de confiança, ou arrogância. E eu queria que ele não soubesse qual das duas estava encarando.O calor de Dubai queimava mesmo com o sol já em declínio. A areia se acumulava nos cantos do caminho de pedra branca, e as colunas do palácio tremeluziam ao longe como miragens. Mas não havia miragem nenhuma ali. Havia um homem velho, nojento, que queria brincar de desafiar o inferno.O empregado me conduziu até um salão aberto, onde o Sheikh fumava um charuto e recebia tâmaras em uma bandeja de ouro. Estava de túnica clara, sentado como um sultão de eras passadas, como se o tempo ainda respondesse a ele.— Khaled — disse com a voz rouca, sem levantar. — Que surpresa...
Last Updated : 2025-06-05Read more
A SOMBRA DE UM IMPÉRIO
Narrado pelo Sheikh O carro serpenteava por entre as pedras do deserto como se cortasse carne antiga. O sol queimava alto, e a areia refletia o calor que dançava na estrada. Eu olhava pela janela sem realmente ver, os dedos firmes sobre meu bastão de marfim. Aos sessenta e cinco anos, aprendi que os verdadeiros inimigos nunca gritam. Eles apenas chegam. Como Khaled. O comboio parou diante da propriedade de Hamzah, e os criados se apressaram, abrindo as portas como se meu silêncio fosse mais pesado que qualquer rajada de vento. Não esperei ninguém me anunciar. Entrei. O palácio de Hamzah era exagerado — dourado, barulhento, como se precisasse gritar para ser notado. Diferente do meu, onde cada sombra tinha um propósito. Onde cada parede já viu sangue. Ele me esperava no salão, com um robe escuro e um sorriso forçado. — Sheikh… que honra — disse, abrindo os braços.<
CAPÍTULO — O PREÇO DA TRAIÇÃO
Narrado por KhaledO palácio estava silencioso demais.Nem os corredores longos, nem os pátios internos, nem mesmo o tilintar dos talheres ao longe conseguiam camuflar o cheiro do que estava por vir. Traição, como o sangue, tem aroma próprio. E eu já aprendi a reconhecê-lo à distância.Sentei no meu escritório, em silêncio. As paredes escuras refletiam o brilho amarelado das luminárias orientais. A vista da cidade pela janela parecia uma tapeçaria de luzes — mas tudo ali fora era falso. Ilusório. O verdadeiro poder não está no que se vê. Está no que se teme.Desde que deixei o palácio do Sheikh, não parei de pensar no que ouvi. Ele não negou. Ele provocou. Ele brincou com a ideia de me enfrentar. De usar Natália contra mim. De se aliar a Hamzah — um verme disfarçado de senhor de guerra. Não havia mais volta.Respirei fundo. Me levantei. Caminhei até a estante, peguei uma garrafa de uísque envelhecido e servi uma dose. O líquido queim
CAPITULO - SEDE
Narrado por HamzahO dia amanheceu com o céu mais limpo que o normal. Nenhuma nuvem, nenhum som além do vento riscando as palmeiras do jardim. Mas eu sabia. Eu sempre soube: os dias mais belos carregam as mensagens mais sombrias.Estava no escritório principal da mansão, um salão amplo com janelas que se abrem para o deserto, e que até então me oferecia paz. Tinha uma bandeja de tâmaras ao lado, um copo de água de rosas pela metade, e papéis demais para uma manhã só. Lia sobre as exportações de armamentos, os valores prometidos pelos aliados novos e antigos, os nomes que estavam dispostos a me seguir caso Khaled caísse.Estava ganhando. Ou, pelo menos, era o que parecia.O barulho de passos apressados me tirou da leitura. Firmes, desesperados. Quando a porta se abriu, o criado mal conseguia respirar.— Senhor... chegou... algo.Ergui os olhos sem mover o corpo.— Algo?Ele assentiu, a pele pálida, os olhos