All Chapters of Vendida ao Sheik: Chapter 121
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CAPÍTULO — FUMAÇA NA AREIA
Narrado por NatáliaO palácio de Hamzah era silencioso nas manhãs quentes de Dubai, como se a própria areia lá fora segurasse o ar. Eu já conhecia aquele ritmo — o ranger suave das portas de madeira, o perfume dos incensos, os passos apressados dos criados tentando parecer invisíveis.Naquela manhã, eu estava no quarto que ele designou para mim desde o início, um espaço luxuoso demais para uma prisioneira, confortável demais para uma escrava, mas frio como uma cela de ouro. Sentada em frente ao espelho, eu finalizava minha maquiagem com movimentos delicados. Cada traço era uma máscara. Cada batida de pincel, um golpe estratégico.Eu sabia que hoje algo estava para acontecer. Sentia isso nas minhas costas, como uma sombra encostando devagar.Foi então que os passos acelerados vieram. Alguém batendo duas vezes antes de empurrar a porta.— Senhora... — disse o criado com a respiração falha, os olhos arregalados como se tivesse visto um
Capítulo — O Jantar com o Emir
Narrado por NatáliaO som das correntes do bracelete escorrendo pelo meu pulso era a única coisa que eu escutava naquela sala imensa enquanto ajeitava o véu sobre os ombros. A seda do vestido vermelho colava na minha pele como uma promessa maldita. A noite era quente. Não só por causa do calor sufocante de Dubai, mas pelo que estava por vir.O jantar com o Emir Faisal não era um simples evento diplomático. Era um campo minado. Um jogo onde cada olhar dizia mais que palavras, e onde eu precisava manter minha postura como se não soubesse que tinha sangue fresco na fundação daquela casa. O sangue do Sheikh Abdul Rahman ainda estava impregnado nas paredes do palácio, mesmo que ele estivesse enterrado a metros debaixo da areia.Me olhei no espelho uma última vez. Cabelo solto com leves ondas, olhos delineados com precisão, batom vermelho escuro. Uma imagem calculada. Uma armadura. Porque eu não podia me dar ao luxo de parecer frágil.Desci as escadas da mansão com passos lentos, os saltos
Capítulo — O Berço do Terror
Narrado por NatáliaAs janelas estavam abertas, mas o calor não me incomodava. Eu gostava da secura do ar. Da sensação de que o mundo estava sendo queimado aos poucos, igualzinho aos planos que eu vinha traçando desde que pisei neste lugar. Desde que fui entregue como moeda de troca. Desde que me tornei peça.Agora, eu era jogadora.Caminhei até a escrivaninha de madeira entalhada que ficava no canto do quarto. O criado já havia deixado a caixa ali, envolta num tecido negro e um laço de cetim vinho. Tão delicada por fora. Tão podre por dentro. Exatamente como Lara.— Está tudo conforme pedi? — perguntei, sem olhar.— Sim, senhora. O boneco foi customizado. Está… como a senhora especificou.Assenti. Meus olhos encontraram o objeto. Um bebê de plástico, com olhos vazios, costuras na boca e o corpo sujo de tinta vermelha. Um trabalho artesanal grotesco. E ainda assim, perfeito.Abri a tampa e olhei para ele.— Jajá vai ser o seu, irmãzinha. — sussurrei, sorrindo.Peguei o bilhete que eu
CAPÍTULO — A PROMESSA DO INFERNO
Narrado por Lara A recepção do consultório estava gelada, mesmo com o calor escaldante do lado de fora. Sentei na poltrona bege com as mãos sobre o ventre, tentando controlar a ansiedade. A médica ainda não tinha me chamado, mas o bebê estava inquieto. Meus dedos roçavam instintivamente a barriga — um carinho que talvez fosse mais pra mim do que pra ele.Eu precisava respirar. Precisava que os batimentos desacelerassem. A ameaça de Natália ainda ecoava em mim como um sussurro antigo que nunca ia embora. Mas eu achava que hoje seria um dia normal. Eu queria que fosse.— Senhora Lara? — chamou a assistente com um sorriso simpático. — Pode entrar.Levantei-me devagar. Sorri em resposta. Estava cansada, mas tentei parecer firme. Eu era uma Rashid, afinal.A médica me recebeu com gentileza. Conversamos alguns minutos antes de ela começar o exame. Ela passou o gel no meu ventre e ligou o aparelho.— O bebê está bem — ela disse com serenidade. — Coração forte.Suspirei aliviada. Era isso o
CAPÍTULO — A VERGONHA DOS ALMEIDA
Narrado por KhaledA caixa ainda estava sobre a mesa de vidro no meu escritório quando mandei chamá-los.O cheiro do embrulho... não era exatamente de sangue, mas do que ele simbolizava: guerra. Guerra fria. Guerra suja. E se tinha algo que eu aprendi nesses anos todos, era que você nunca subestima uma mulher ferida — especialmente quando ela é Natália Almeida Rashid.Eu estava de pé quando Alberto e Bianca chegaram. Ele entrou com a arrogância de sempre, o rosto vermelho de indignação antes mesmo de saber por quê. Bianca vinha atrás, visivelmente tensa, os olhos evitando contato comigo. Os dois filhos de uma linhagem podre de orgulho e coberta de ouro sujo.— O que é tão urgente, Khaled? — Alberto disparou, fechando a porta atrás de si.— Senta. Os dois.— Eu não vim aqui pra obedecer ordens suas.— Você vai querer sentar — respondi, seco.Ele hesitou, mas obedeceu. Bianca também se acomodou sem dizer uma palavra. Peguei o pacote da mesa e o joguei com força diante deles. A caixa de
CAPÍTULO — O PREÇO DA VERGONHA
Narrado por Alberto Khaled não falou. Ele despejou a bomba com a frieza de quem já matou com as próprias mãos. Estendeu o pacote ensanguentado em cima da mesa como quem oferece um presente macabro.Dentro, o boneco.O bilhete.A prova.“Jajá vai ser o seu, irmãzinha.Com amor,Natália.”A letra da minha filha. Minha filha. Aquela que eu criei, protegi, eduquei... ou pelo menos tentei. Porque agora, olhando aquilo, eu não via mais a Natália que eu conhecia. Via uma mulher mergulhada num ódio cego, sujo, desesperado.Bianca chorava em silêncio. O rosto pálido, os olhos tremendo.— Isso é real? — ela sussurrou.Khaled apenas assentiu, encarando o boneco como se fosse a própria sentença.— E você quer que a gente faça o quê? — perguntei, com a voz grave. — Mande um buquê de flores pra ela?— Eu quero que você faça o que devia ter feito desde o começo. — ele respondeu. — Eu quero que você pare a sua filha. Antes que ela morra.— Ela não faria isso… não desse jeito.— Então explica isso aq
Capítulo — Sem Preço
Narrado por Bianca AlmeidaA vontade que eu tinha era de cuspir na cara daquele desgraçado.Hamzah permanecia ali, como se fosse algum tipo de rei, com aquele sorrisinho arrogante no canto da boca. Como se tivesse nos vencido apenas por existir, por respirar aquele ar saturado de dinheiro, poder e podre corrupção.— Você tá louco se acha que vai manter minha irmã aqui como prisioneira, Hamzah. — falei, a voz saindo firme, mesmo com o estômago revirando.Ele deu um passo em nossa direção, mas os guardas se adiantaram. Alberto esticou o braço à minha frente, me protegendo — como se ainda pudesse fazer alguma coisa.Hamzah: Eu não pedi pra ela ser vendida. Mas ela veio até mim. Com a cabeça erguida. Com ódio nos olhos. E com sede de vingança. Se ela está aqui, é porque escolheu ficar. E agora… ela é minha.Alberto: Você acha que eu vou aceitar isso? A minha filha sendo usada por um homem como você? Eu quero saber quanto. Quanto você quer pra liberar ela. Eu pago. O que for.Hamzah me enc
CAPÍTULO - EU SEI QUE NO FUNDO
Narrado por AlbertoEu fiquei sem saber o que fazer, porque eu sabia que aquele desgraçado não ia devolver a Natália. Se ele não quis devolver ela por dinheiro, imagina de graça. Eu e Bianca ficamos desesperados, porque eu sabia que a minha filha estava disposta a se vingar, mas eu também vi que ela queria voltar pra casa. Vi que ela queria voltar pro Brasil. Vi que ela não queria ficar com aquele monstro do Hamzah. Mas, ao mesmo tempo, eu estava de mãos atadas, porque eu não tinha muito o que fazer aqui. A minha única alternativa era voltar na casa do Khaled e implorar pra ele me ajudar a recuperar a Natália — isso se ele quisesse, porque a boa vontade dele é muito curta quando se trata da minha família.Chegamos de volta na propriedade do Khaled e os seguranças mandaram a gente esperar do lado de fora, porque ele estava almoçando com a esposa dele. Eu comecei a gritar feito um desesperado, falando que queria falar com a Lara. Por mais que ele estivesse com ódio da Natália, elas aind
CAPÍTULO - SAIM DA MINHA CASA
LaraFiquei olhando para a cena patética de Bianca de joelhos na minha frente, me implorando para poder salvar Natália, e eu fiquei me perguntando se eu deveria... depois dela ter me mandado uma caixa com um bebê ensanguentado, claramente ameaçando o filho que eu estou esperando. É claro que eu senti alguma coisa — afinal, eles são a minha família — mas talvez Khaled tenha razão. Talvez eu tenha que me manter longe deles, porque eles vão acabar me matando.Lara: Não há nada que eu possa fazer pela sua irmã. Eu sinto muito. Eu entendo que ela tenha caído nas mãos daquele velho sujo em um leilão, mas eu não tenho nada a ver com isso. Eu só quero aproveitar meu momento de gestação em paz, se possível sem ela me mandando caixas e ameaçando o meu filho. Como se não fosse o suficiente, vocês me ignoraram a vida toda. Agora ela ainda quer matar minha criança?Alberto: A sua irmã está com raiva, está fora de controle, mas aquela ameaça foi só uma brincadeira. Ela nunca faria nada contra você,
CAPÍTULO - VOCÊ CONFIA EM MIM
Narrado por LaraAssim que a porta da sala se fechou atrás deles, eu senti um nó na garganta tão apertado que precisei me apoiar na parede para não desabar ali mesmo. O som dos passos do meu pai ecoando pelo corredor foi ficando cada vez mais distante… até desaparecer de vez. Mas o vazio que ficou aqui dentro, esse ficou mais alto do que qualquer grito que ele deu durante aquela visita.Minhas mãos tremiam.A imagem da Bianca ajoelhada, com os olhos marejados, implorando por ajuda, me corroía. A dor dela era real. Mas e a minha? A dor que eles ignoraram por anos? O que eu passei nesse país por culpa deles, ninguém tirou. Ninguém curou. Só restou eu... e Khaled.Foi só olhar para ele que desabei. Minhas pernas cederam, e ele veio rápido, me amparando antes que eu caísse no chão.Khaled: Calma, meu amor... você está tremendo. Vem aqui, deita comigo... respira.Me afundei nos braços dele como se fosse a única coisa segura que me restava no mundo. E talvez fosse mesmo. Ele se sentou no so