All Chapters of Vendida ao Sheik: Chapter 131
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CAPÍTULO - VISITA A NATÁLIA
Narrado por LaraKhaled não respondeu de imediato. Ele me olhou por um longo tempo, como se avaliasse cada centímetro da minha alma, buscando alguma insegurança que o fizesse desistir da ideia. Mas, no fim, ele apenas deu um leve aceno de cabeça e chamou um dos seguranças. Em árabe, disse algo rápido e firme. O homem assentiu e saiu correndo.Minutos depois, estávamos em um dos carros pretos da família, cercados por uma pequena caravana. Três SUVs blindadas, mais motos abrindo caminho. Parecia que a gente estava indo pra guerra. E talvez estivéssemos mesmo.Khaled estava ao meu lado, calado. Seu maxilar travado. As mãos entrelaçadas no próprio colo, e os olhos vidrados na janela. Eu sabia que ele odiava aquele homem com todas as forças. E, no fundo, eu também sentia medo. Não do que Hamzah podia fazer comigo — porque Khaled jamais deixaria — mas do que eu poderia encontrar. Da expressão da Natália. Do que ela se tornara.Talvez eu estivesse indo ver os cacos da minha irmã. Ou talvez..
CAPÍTULO - PORCO
Narrado por Lara Depois que abracei a Natália e a deixei no quarto, meu corpo inteiro tremia por dentro, mas o meu rosto era puro aço. Cada segundo dentro daquela casa me fazia querer gritar. Aquilo ali não era um lar. Era um cativeiro disfarçado de palácio. E ela estava presa. Fraca. Quebrada. Desci as escadas com a certeza queimando no meu peito. Khaled estava do lado de fora, ao lado do carro, de braços cruzados, me observando como se soubesse que algo em mim tinha virado. E tinha mesmo. Me aproximei sem hesitar. Ele arqueou a sobrancelha com aquele olhar afiado, mas não disse nada. Fui eu quem quebrei o silêncio: Lara: Eu quero ele morto. Khaled piscou lentamente, como se estivesse confirmando se tinha ouvido certo. Khaled: E não era você que sempre disse que odiava sangue? Que era contra violência? Dei um passo pra frente. Encostei o peito no dele. Minha voz saiu baixa, firme, fria. Lara: Você já matou tantas vezes. Já eliminou gente por muito menos. Agora mate porque eu
CAPÍTULO - MENINO
Narrado por LaraDepois que minha família embarcou de volta pro Brasil, o silêncio dentro da casa ficou diferente.Não era mais o silêncio do desprezo. Era um silêncio de paz. Um tipo de vazio que não doía — pelo contrário, acalmava.As empregadas se movimentavam em passos leves, como se até elas sentissem que algo tinha mudado. Os corredores pareciam mais largos. O ar, mais leve. Pela primeira vez desde que eu pisei em Dubai, eu sentia que esse lugar era meu. E não apenas um castelo de vidro onde eu vivia vigiada por todos.Khaled ficou mais presente do que nunca. Ele passou a dormir comigo todas as noites. Me acordava com café da manhã na varanda. Mandava flores para o meu quarto. E eu escolhi mesmo.Escolhi ele.Escolhi a nossa vida. E o nosso filho.Hoje era o dia do ultrassom morfológico. Já tínhamos passado da metade da gestação. O bebê mexia muito, principalmente de madrugada, e toda vez que Khaled colocava a mão na minha barriga, parecia que o nosso filho — ou filha, até entã
Capítulo Final – Narrado por Lara
Cinco anos depois.O sol de Dubai continua o mesmo, dourado e quente como fogo. Mas a minha vida… essa não tem mais nada a ver com o deserto que me engoliu anos atrás.Hoje, ele floresceu em mim.O jardim está cheio de crianças correndo. As flores que Khaled mandou plantar em homenagem ao nascimento de nosso filho desabrocham como se soubessem que é um dia especial. As fontes jorram água cristalina, e os sons de riso, vida e amor enchem cada canto da nossa casa.Sim, nossa. Porque hoje tudo me pertence também.— Mamãe! Olha o que eu fiz!Meu pequeno corre na minha direção com os olhos brilhando. Cabelos escuros, pele dourada, e aquele sorriso travesso que ele definitivamente herdou do pai.— O que foi, Adir? — pergunto, abaixando para abraçá-lo.Ele estende um desenho feito com giz colorido. É a nossa família. Eu de vestido longo, Khaled alto ao meu lado, e ele entre nós segurando nossas mãos. No céu, o nome dele está escrito em letras grandes: ADIR AL-SAUD.Meus olhos se enchem de lá
Epílogo – Layla & Rafiq
Epílogo – Layla & RafiqSe teve uma amizade que floresceu no meio do caos e virou laço eterno, foi a minha com Layla.Ela apareceu na minha vida como um respiro, quando tudo ainda era sufoco. Me ensinou sobre os costumes locais com paciência, me ajudou a entender minha posição na cultura, mas, acima de tudo, me fez sentir... pertencente. A gente se conectou no primeiro olhar — duas mulheres de mundos diferentes, mas com o mesmo brilho nos olhos: força.Hoje, somos inseparáveis.Fazemos compras juntas no souk antigo, rimos até chorar no nosso café preferido escondido entre as vielas da cidade antiga, trocamos receitas que nunca seguimos direito e fugimos dos maridos pra fazer spa sem dar explicação.— Se os homens governam o mundo, nós governamos o coração deles, ela sempre diz, rindo com sua taça de suco de romã em mãos.Layla é um furacão de alegria e elegância. E o amor dela por mim é algo que me sustenta nos dias mais difíceis. Ela nunca me julgou. Nunca me cobrou. Apenas... esteve
Epílogo – Natália, Bianca e Alberto
Epílogo – Natália, Bianca e AlbertoDepois que deixaram Dubai, Natália, Bianca e Alberto voltaram ao Brasil com a sensação amarga da derrota, mas também com a chance rara de recomeçar do zero. E, surpreendentemente, eles fizeram isso... à maneira deles.Natália foi a primeira a se mexer. Em menos de seis meses, reapareceu com um senhor de idade, milionário, viúvo e completamente enfeitiçado pelos olhos e pelos sorrisos calculados dela.E então veio o golpe da barriga.Grávida, rica e com status social restaurado, Natália passou de escândalo a "senhora respeitável" da alta sociedade paulistana. O velho faleceu um ano depois, deixando tudo para o filho "a caminho". E, com isso, ela garantiu uma herança que nenhuma humilhação anterior jamais poderia apagar.— Não era amor, era sobrevivência com classe, ela dizia, rindo enquanto brindava champanhe com a irmã.Com parte da herança, as duas reabriram a antiga empresa da família — uma marca de moda voltada para mulheres jovens e sofisticadas
Capítulo 1 - História Adir.
Adir RashidNão sou um homem que gosta de repetir ordens. No império que carrego no nome, uma instrução é dada uma única vez. Quem compreende, permanece. Quem falha… desaparece. Foi assim que aprendi observando meu pai, e foi assim que fui moldado para assumir o que agora começa a pesar sobre meus ombros.Enquanto meus pais percorrem o mundo, desfrutando da liberdade que conquistaram juntos, sou eu quem permanece aqui, cuidando das engrenagens invisíveis que sustentam tudo. Poder não é ostentação. Poder é controle absoluto sobre números, pessoas e silêncio.Naquela noite, o escritório estava mergulhado em uma quietude pesada. As luzes baixas refletiam nos relatórios espalhados sobre a mesa de madeira escura. Eu revisava a contabilidade da semana pela terceira vez quando algo finalmente saltou aos meus olhos.Os números não fechavam.Não era um erro comum, desses que se corrigem com uma anotação atrasada. Era um buraco evidente, um vazio que gritava na página. Mais de cem mil haviam si
Capítulo 2
Adir RashidSaí do escritório no fim da tarde com a cabeça pesada. Não pelo dinheiro em falta, isso seria resolvido, mas pela conversa que eu sabia que me aguardava. Meu pai não chamava para janta sem motivo. Quando Khaled Rashid dizia que queria falar pessoalmente, significava apenas uma coisa: decisões definitivas.A casa dos meus pais sempre teve um silêncio diferente. Não era ausência de vida, mas controle absoluto dela. Segurança discreta, corredores amplos, paredes claras. Tudo ali refletia exatamente quem eles eram.Fui recebido por minha mãe com um sorriso tranquilo, daquele que só alguém que conhece todos os monstros da casa consegue sustentar.Lara: Você chegou cedo.Adir: Não queria me atrasar.Ela me observou por alguns segundos, como se tentasse ler algo além do que eu demonstrava. Sempre fez isso. Sempre soube quando eu estava carregando mais do que devia.Meu pai surgiu logo em seguida, postura firme, olhar atento. Não precisava dizer nada para ser respeitado. Nunca pre
Capítulo 3
Nayla Sempre soube o peso de sustentar uma casa sozinha. Desde o dia em que meus pais morreram, tudo caiu sobre mim. Eu tinha dezessete anos. Amir, meu irmão, quinze. Hoje ele tem dezoito, e eu, vinte. O tempo passou rápido demais, e às vezes me pergunto se fiz tudo certo. Ainda assim, sei que fiz o possível. Voltei do trabalho exausta naquela tarde. Eu trabalhava no mercado central, atendendo clientes, limpando bancas, servindo, carregando caixas, fazendo o que fosse necessário. Tinha mais de um emprego. Também aceitava serviços extras nos fins de semana. Não queria que Amir precisasse trabalhar. Queria que ele terminasse os estudos. Ele estava no último ano, e isso me enchia de orgulho. Eu não consegui entrar em uma universidade. Por isso, queria que ele tivesse essa chance. Não por mim. Por ele. Para que tivesse uma vida digna. Subi a colina em direção à nossa casa cumprimentando os vizinhos. Conhecia todos. Já trabalhei na padaria, no pequeno mercado, limpando casas. Sempre esti
Capítulo 4
Adir RashidQuando Faris me passou a informação pelo rádio, deixei minha casa imediatamente. Não gosto de ser interrompido, mas gosto ainda menos de ser surpreendido. Problemas não esperam, e eu não sou homem de adiar decisões. Saí com a cabeça tomada pela irritação, certo de que encontraria apenas mais um erro comum, mais um homem descartável que acreditou que poderia brincar com o meu dinheiro.O que eu não esperava era encontrar ela.Assim que atravessei a porta daquela casa simples, percebi que algo ali fugia do padrão. Nayla não pertencia àquele cenário. Não era apenas beleza — embora fosse inegável. Pele morena, cabelos escuros e longos, presos de forma desleixada, olhos castanhos claros carregados de exaustão e dignidade. Havia nela uma força silenciosa que não combinava com medo. Não havia submissão em sua postura, apenas desespero contido.Quando tentou negociar, eu recusei sem hesitar. Parcelamentos não existem no meu mundo. Homens que falham uma vez falham sempre. Para mim,