All Chapters of Vendida ao Sheik: Chapter 141
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Capítulo 5
Nayla Não consegui dormir a noite toda pensando no que aconteceu ontem. Amir não deveria ter me enganado desse jeito. Se não queria seguir meus passos, o mínimo que poderia ter feito era ter sido honesto. Olhei para o relógio — sete da manhã. Decidi que não dava mais para fugir. Tomei um banho rápido, vesti uma roupa leve e fui até a escola. Precisava saber se ao menos ele estava frequentando as aulas. A diretora me recebeu com um olhar cansado. Quando perguntei sobre a frequência do Amir, ela foi direta: ele tinha mais de setenta por cento de faltas. E o pior — Amir queria mesmo se formar, ou ao menos fingia que queria. Enquanto eu abria mão dos meus sonhos por ele, ele traía minha confiança. Mas o mais doloroso nem era isso. Era lembrar de todo dinheiro que dava para ele almoçar, dos trabalhos extras para garantir que não faltasse nada, da mesada para ele não ter que trabalhar enquanto estudava. Sempre quis que Amir tivesse oportunidades melhores do que as minhas, que ele pudesse
Capítulo 6
AmirNunca imaginei que andar pelo mercado central seria tão cansativo. O sol do meio-dia queimava, e cada passo entre as barracas era um desafio. Minha garganta já estava seca, mas eu continuava gritando para chamar os clientes:Amir: Chá gelado! Água fresca! Tâmaras doces! Aproveitem!Passavam senhoras com véus coloridos, homens discutindo preços, crianças correndo entre as carroças. Às vezes, eu via garotas bonitas, cheias de ouro nos pulsos e no pescoço, mas quando olhavam pra mim, logo desviavam o olhar. Para elas, eu era só mais um ambulante, alguém invisível no meio da multidão.Minha irmã nunca ia entender o que era esse corre. Nayla era orgulhosa demais, vivia falando de honestidade, de dignidade. Mas eu? Eu só queria dar um jeito de ser notado, mesmo que fosse por pouco tempo. Admito: peguei dinheiro dela, menti sobre trabalhos da escola, gastei tudo tentando impressionar alguém. No fundo, eu sabia que estava errado, mas também sabia que, sem dinheiro, ninguém respeita ningu
Capítulo 7
NaylaCheguei em casa com o corpo exausto e a mente inquieta. O cansaço não era apenas físico; havia um peso constante no peito, uma sensação de alerta permanente que não me abandonava desde o dia em que aceitei aquele acordo. Fui direto para o banheiro, tomei um banho demorado, lavei o cabelo com cuidado e deixei a água escorrer pelas costas como se pudesse levar embora parte da ansiedade. Sequei-me com calma e deitei por alguns minutos, colocando o telefone para despertar.Tentei descansar, mas o sono não veio. Permaneci deitada, olhando para o teto, revivendo cada palavra dita naquela noite. Perguntava-me quando Adir Rashid me chamaria. Não era uma questão de “se”, mas de “quando”. Um homem como ele não esquece acordos, sobretudo quando envolvem sacrifícios tão grandes. Eu sabia que aquela dívida reduzida tinha um preço, e esse preço era eu.O telefone despertou, e eu me levantei. Escolhi uma calça simples e um cropped discreto, deixei os cabelos soltos e fiz uma maquiagem leve. Nã
capítulo 8
Adir RashidEu estava no camarote, observando o movimento com a tranquilidade de quem sabe que tudo ali funcionava sob sua autorização. Os homens conversavam, bebiam, riam alto. Nada fugia ao meu controle. Foi quando notei Nayla.Ela trabalhava, indo e vindo entre o bar e as mesas, concentrada, alheia aos olhares que atraía. Não passou despercebida. Alguns homens comentaram, outros olharam demais. Eu percebi a mudança imediata no semblante de Yasmin. O ciúme se manifestou rápido, visível. Ignorei. Yasmin não tinha qualquer direito de interferir. Nunca teve.Quando Nayla saiu do camarote, o assunto continuou. Permaneci ali, acompanhando o evento, até que gritos interromperam a música. Levantei-me no mesmo instante. Não tolero confusão nos meus ambientes.Quando cheguei, vi Yasmin envolvida numa briga com Nayla. Ouvi sua versão dos fatos, carregada de dramatização. Não acreditei. Conheço o tipo de mulher que ela é. Nayla, por outro lado, não tinha motivo para provocar ninguém.Chamei Na
Capítulo 9
Nayla Tenho medo, sim. Seria mentira dizer que não. Mas nunca abaixei a cabeça para ninguém, e não seria agora, principalmente sabendo que estou certa. Ele sabe muito bem que foi a mulher dele quem iniciou a confusão. Mesmo assim, apareceu na minha casa cheio de autoridade, tentando jogar a culpa sobre mim. Não aceito. Se eu perder aquele trabalho, ele vai ter que arcar com o valor da diária, sim. E, a partir de agora, eu só pagarei metade da dívida do meu irmão sempre que houver evento naquele lugar. Não é negociação, é consequência. Comigo também é pouco diálogo. Fiquei com a porta aberta, esperando que ele fosse embora. Ele permaneceu parado, braços cruzados, me encarando em silêncio. Confesso que aquilo me causou um certo receio. Ele é um homem enorme, imponente, e eu, com meu metro e sessenta e cinco, sustentava o olhar sem recuar. Era óbvio que aquilo ainda renderia problemas. Adir: Feche essa porta. Eu ainda não terminei de falar com você. Você pensa que está falando com q
capítulo 10
Adir RashidSaí da casa de Nayla com a irritação ainda pulsando no peito. As palavras dela ecoavam na minha mente, firmes demais para o meu gosto. Atrevidas. Diretas. Aquela mulher ainda aprenderia que coragem excessiva costuma ter preço. Não naquele momento, mas teria.Pensei em voltar ao camarote, mas mudei de direção e fui até o bar. Foi então que vi Amir atrás do balcão. Ele também se assustou ao me reconhecer. Aproximou-se com cautela, visivelmente nervoso.Amir: Como posso ajudar, senhor?Observei-o por alguns segundos antes de responder.Adir: Vejo que decidiu trabalhar. Talvez assim alivie um pouco o peso que sua irmã carrega.Ele assentiu, respirando fundo.Amir: Estou tentando colocar minha vida em ordem. Não quero que ela continue pagando pelas escolhas erradas que fiz. Sei que falhei muito. Ela deixou isso bem claro. Tenho aprendido que a vida não é simples e que preciso assumir responsabilidades.Adir: Está satisfeito com isso?Amir: Não. Estou longe disso. Mas é o que pr
Capítulo 11
Nayla Passei praticamente a noite inteira acordada, virando de um lado para o outro na cama, incapaz de desligar a mente. As palavras de Adir Rashid insistiam em ecoar, firmes, definitivas, como sentenças que não admitem contestação. Eu não havia imaginado que ele me chamaria tão rápido. Ainda assim, acordo era acordo. Eu sabia disso desde o momento em que aceitei. Respirei fundo muitas vezes, tentando me convencer de que conseguiria cumprir minha parte sem perder a razão. Já era quase três da manhã quando ouvi a porta se abrir. Reconheci os passos de Amir pelo corredor, o cuidado exagerado para não fazer barulho. Permaneci imóvel, mas desperta. Minutos depois, ouvi a voz dele no quarto, falando ao telefone, animada demais para alguém que deveria estar exausto. Aproximei-me da porta em silêncio. Amir: Estou te dizendo… ele me aceitou de volta. Disse que eu posso procurá-lo hoje de manhã. Não vou mais trabalhar com cargas. Vai ser outra função. Melhor. Vou ganhar mais, vou andar p
Capítulo 12
Adir Rashid Voltei para a base tomado pela impaciência. Nayla sabia que havia um compromisso comigo. Não havia qualquer desculpa para não ter retornado ao bairro. O pensamento me corroía: onde ela estava dormindo? Com quem? Teria ousado me enganar? A simples possibilidade despertava uma fúria silenciosa. E o pior de tudo era saber que o irmão dela não tinha controle algum sobre a própria casa. Um homem incapaz de cuidar da própria família. Eu havia cometido um erro ao aceitar aquele acordo. Um erro que precisava ser corrigido rapidamente. Não demorou muito para Amir ser trazido até mim. Ele entrou na sala visivelmente nervoso, sem entender por que havia sido chamado de forma tão urgente. Amir: Aconteceu alguma coisa, senhor? Eu não fiz nada errado. Meu dinheiro está certo, pode conferir. Ignorei a justificativa. Adir: Quero saber onde está sua irmã. Um dos meus homens foi até a casa de vocês. Ela não estava lá. Disseram que saiu cedo e não voltou. Amir engoliu em seco. Amir:
Capítulo 13
Amir Saí da base quase correndo, com o coração disparado e a cabeça girando. Eu não sabia para onde ir, nem por onde começar. Só sabia de uma coisa: Nayla não voltaria para o bairro. Eu a conhecia melhor do que ninguém. Quando ela tomava uma decisão, não havia ameaça que a fizesse recuar. O problema era que quem pagaria o preço não seria ela. Seria eu. Comecei a ligar desesperadamente. Uma chamada atrás da outra. Nenhuma resposta. Enviei mensagens, todas ignoradas. Era como se ela tivesse desaparecido do mundo. O pânico começou a subir pela garganta. Se eu não a encontrasse, Adir Rashid cumpriria o que prometera. E eu sabia que ele não fazia ameaças vazias. Foi então que decidi ir até a casa de Rafaela. Se alguém soubesse onde Nayla estava, seria ela. Caminhei rápido, quase tropeçando nas próprias pernas. Bati à porta com força. Rafaela abriu com o semblante fechado, o olhar duro, como se já esperasse por mim. Amir: Rafaela, por favor… me diga que você sabe onde minha irmã está.
capítulo 14
Adir RashidQuando meus homens avisaram que Amir havia deixado o bairro, senti algo raro: impaciência. Não medo. Não dúvida. Impaciência.Pessoas não saem do meu território sem que eu saiba exatamente o motivo. Muito menos quando têm razões de sobra para permanecer. Onde eu comando, tudo se move conforme a minha vontade. Barreiras, ruas, prédios, pessoas. Nada acontece sem que eu seja informado.Levantei-me da cadeira com calma. O silêncio na sala foi imediato. Ali dentro, ninguém falava sem permissão. Não por ordens explícitas, mas porque todos sabiam quem eu era.Meu nome atravessava fronteiras. Comprava governos. Derrubava acordos. Silenciava guerras. Onde eu pisava, portas se abriam. Onde eu apontava, destinos eram traçados. Para muitos, eu não era apenas um homem. Eu era um eixo. Um centro. Um poder inevitável. Alguns me chamavam de rei. Outros, em silêncio, de deus.E Nayla havia ousado me desafiar.Caminhei de um lado para o outro enquanto passava ordens pelo rádio. Pedi confir