All Chapters of Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário: Chapter 101
- Chapter 110
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Capítulo 101
O jatinho cortava o céu em direção ao Rio de Janeiro, deixando para trás a Serra Gaúcha e seu final de semana caótico. Pela janela, o sol começava a se pôr, pintando as nuvens de rosa e laranja. Em outras circunstâncias, seria um espetáculo que prenderia minha atenção, mas meus pensamentos estavam tão turbulentos quanto o ar que ocasionalmente fazia a aeronave trepidar.Annelise estava incomumente quieta no assento à minha frente, olhos fixos na tela do celular, embora eu duvidasse que estivesse realmente lendo as mensagens que descia mecanicamente com o polegar. O silêncio entre nós era estranho — Anne raramente ficava sem palavras, sempre pronta com uma piada ou comentário sarcástico.— Você está bem? — perguntei finalmente, quebrando o silêncio que já durava quase meia hora.Ela ergueu os olhos, um sorriso forçado se formando em seus lábios.— Claro, só um pouco cansada. Foi um final de semana... intenso.— Anne. — Meu tom deixou claro que não aceitaria aquela resposta superficial.
Capítulo 102
A rotina se estabeleceu mais rápido do que eu esperava. As manhãs invariavelmente começavam da mesma forma – eu acordando antes do despertador, correndo para o banheiro com aquela náusea persistente que teimava em não passar, lavando o rosto com água gelada e escovando os dentes com vigor extra para eliminar qualquer vestígio do mal-estar.Depois vinham as buscas por emprego, currículos enviados, entrevistas que terminavam com sorrisos educados e promessas vazias de "entraremos em contato". E então, nas noites em que Christian estava no Rio para reuniões de negócios – que felizmente haviam se tornado mais frequentes nas últimas semanas – havia aquela breve sensação de normalidade, de propósito, de algo próximo ao que eu imaginava ser um casamento real.— Está ficando tarde. — Christian esticou os braços acima da cabeça, os ombros estalando após horas curvado sobre documentos espalhados na mesa de jantar. — Acho que terminamos por hoje.Assenti, recolhendo as xícaras de café vazias. Ch
Capítulo 103
A cafeteria estava lotada, típico de final de manhã em Ipanema. Escolhi uma mesa próxima à janela, estrategicamente posicionada para impressionar – visível o suficiente para mostrar confiança, discreta o bastante para uma conversa profissional. Enquanto esperava, ajustei nervosamente a pasta com meu portfólio sobre a mesa.Esta não era uma entrevista convencional. Luciana Almeida, diretora de comunicação da Prisma RP, havia sugerido um "bate-papo informal" após ver meu currículo. "Melhor nos conhecermos sem a pressão de uma mesa de escritório entre nós," escreveu ela. Um bom sinal, segundo todas as dicas de carreira que havia devorado nas últimas semanas.Pontualmente às 11h, uma mulher de quarenta e poucos anos entrou na cafeteria. Seu cabelo curto platinado e os óculos de armação grossa vermelha combinavam perfeitamente com a reputação da Prisma como a agência mais ousada e inovadora do Rio.— Zoey? — Ela se aproximou com um sorriso caloroso e um aperto de mão firme. — Luciana Almei
Capítulo 104
~ Christian ~— Absolutamente não. — Minha voz ecoou na sala de conferência, mais alta do que eu pretendia. — Esses números não fazem sentido.Marco, sentado à minha direita, passou a mão pelo rosto em um gesto de frustração que espelhava o meu próprio. À nossa frente, através da imensa tela de videoconferência, três membros do conselho europeu nos observavam com expressões variando entre tédio e desaprovação.— Os números são claros, Sr. Bellucci. — Vittorio Castellini, o mais velho dos três, ajustou os óculos de leitura. — As projeções indicam que o projeto orgânico exigirá um investimento adicional de 40% além do orçamento original para atingir as certificações necessárias.— Isso é absurdo. — Folheei rapidamente os relatórios à minha frente. — Nossa equipe fez uma análise minuciosa dos custos. As certificações orgânicas têm valores fixos e bem estabelecidos.— Talvez as estimativas de sua equipe não tenham considerado todas as variáveis. — A insinuação na voz de Castellini era pal
Capítulo 105
O jatinho particular da família Bellucci iniciou sua descida suave em direção à Serra Gaúcha, balançando ligeiramente com uma corrente de ar. Pela janela, se desenrolava o cenário que agora causava em mim um misto de ansiedade e, surpreendentemente, um sentimento que se aproximava de saudade.— Uau, isso é que é viajar com estilo! — Matheus, meu irmão, tinha o rosto grudado na janela como uma criança. — Muito melhor que nosso voo apertado para o casamento. Deveríamos ter aceitado quando o Christian ofereceu o jatinho naquela época também.Revirei os olhos, mas não consegui conter um sorriso. Ter minha família inteira vindo para o aniversário de Giuseppe havia sido ideia do próprio patriarca Bellucci – um convite tão enfático que beirava uma convocação. "Família completa, Zoey. Quero todos aqui para meus 83 anos!"— Giuseppe vai adorar ver vocês novamente — comentei, ajustando o cinto para o pouso. — Ele não parou de falar nisso nas últimas semanas.— Seu sogro é um doce — disse mamãe,
Capítulo 106
Encontrei Giuseppe na adega privada, um espaço quase sagrado da mansão, reservado apenas para as garrafas mais raras e especiais. A temperatura era cuidadosamente controlada, e o cheiro de madeira antiga e vinho envelhecido criava uma atmosfera quase mística. As paredes de pedra eram cobertas por prateleiras que abrigavam garrafas que valiam mais que carros de luxo – um testamento à história e tradição dos Bellucci.Giuseppe estava sentado em uma cadeira antiga de couro, admirando uma garrafa empoeirada sob a luz ambiente. Mesmo aos 83 anos, havia uma força em sua postura que comandava respeito. Suas mãos, marcadas pelo tempo e pelo trabalho, seguravam a garrafa com a reverência que um sacerdote reservaria para um objeto sagrado.— Giuseppe? — chamei suavemente, não querendo assustá-lo.Ele ergueu os olhos, um sorriso iluminando seu rosto enrugado. As rugas ao redor de seus olhos se aprofundaram, testemunhas de uma vida de sorrisos.— Ah, Zoey! Venha, venha. Quero te mostrar algo.Apr
Capítulo 107
O silêncio na adega parecia se estender infinitamente, minha confissão pairando no ar como uma nuvem tóxica. Esperei a decepção aparecer no rosto de Giuseppe, a mágoa, o sentimento de traição. Mas o que veio a seguir me deixou completamente atordoada.Uma gargalhada.Não uma risada educada ou forçada, mas uma gargalhada genuína e profunda que parecia vir do fundo de sua alma. Seus ombros tremiam com o esforço, e por um momento absurdo, pensei que ele estava tendo algum tipo de ataque.— Giuseppe? — perguntei hesitante, preocupação substituindo minha própria angústia.Ele levantou a mão, pedindo um momento enquanto tentava recuperar o fôlego. Finalmente, enxugando uma lágrima de riso do canto do olho, ele me olhou com uma expressão que mesclava diversão e ternura.— Minha querida, tenho 83 anos, não 8. — Ele balançou a cabeça, ainda sorrindo. — Você acha mesmo que eu não sabia?Senti como se o chão tivesse desaparecido sob meus pés.— Você... sabia? — As palavras saíram quase inaudívei
Capítulo 108
Quando retornei à festa, o salão estava no auge da celebração. A orquestra tocava uma valsa suave, e vários casais deslizavam elegantemente pelo centro do salão. Meus olhos encontraram Christian imediatamente, como se existisse um radar invisível conectando-nos. Ele conversava com um grupo de homens mais velhos, mas seu olhar continuava a vagar pelo salão – procurando por mim, percebi com uma onda de calor no peito.Quando finalmente me avistou, seu rosto se transformou. O sorriso iluminou suas feições, e sem sequer se despedir propriamente do grupo, ele atravessou o salão em minha direção.— Achei que tinha sido sequestrada pelo meu avô. — Sua mão encontrou naturalmente a minha, nossos dedos se entrelaçando como se tivessem sido projetados para se encaixar. — Ele te mostrou o vinho de 1947?— Sim. — Sorri, ainda processando a revelação surpreendente de Giuseppe. — E conversamos um pouco.Algo em minha expressão deve ter alertado Christian, porque sua testa franziu levemente.— Tudo b
Capítulo 109
— Água? Sério? — Seus olhos se estreitaram, um sorriso malicioso formando-se em seus lábios. — Você está na maior festa do ano da vinícola Bellucci. Você está louca ou devo começar a chamar você de "mamãe"?Virei-me para encontrar Anne se aproximando, duas taças de vinho nas mãos. Ela me ofereceu uma, franzindo o cenho.— Anne... — Revirei os olhos, embora seu comentário tenha provocado um tremor involuntário. — Se você continuar sumindo com Marco desse jeito, vai acabar grávida antes de mim.Ela riu, tomando um gole generoso da sua taça.— Ele ficou semanas na Europa, e eu mereço matar as saudades.— Também estou com saudades de Christian e mal conseguimos ficar sozinhos!— Não tenho culpa se vocês não são criativos o suficiente para encontrarem seus próprios cantos escuros. — Anne sorriu por trás da taça. — Vinte minutos bem aproveitados em um armário de suprimentos podem fazer maravilhas. Pergunte a Marco.— Detalhes que definitivamente não quero saber. — Balancei a cabeça, tentan
Capítulo 110
Seguimos por um caminho de pedras iluminado por pequenas lanternas estrategicamente posicionadas, afastando-nos do burburinho da festa. O ar noturno estava perfumado com o aroma dos vinhedos, uma fragrância que eu havia aprendido a reconhecer e apreciar nos últimos meses. A lua, quase cheia, derramava uma luz prateada sobre as fileiras organizadas de videiras que se estendiam até onde a vista alcançava.Christian caminhava em silêncio ao meu lado, sua mão ocasionalmente roçando a minha, mas sem entrelaçar nossos dedos como faria normalmente. Seu perfil estava tenso, a mandíbula rígida enquanto processava o que quer que estivesse passando por sua mente. Ele havia apenas herdado oficialmente o comando completo da empresa de sua família – deveria estar celebrando, não se isolando comigo nos vinhedos.O mirante surgiu à nossa frente – uma estrutura elegante de madeira e pedra construída no ponto mais alto da propriedade. Durante o dia, oferecia uma vista panorâmica de toda a vinícola Bell