All Chapters of Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário: Chapter 521
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Capítulo 521
~ MARCO ~Estendi o envelope para ele, aquele gesto simples carregando o peso de anos de história, de decisões, de um futuro sendo redefinido naquele exato momento.Christian olhou para o envelope por um longo momento, como se estivesse processando não apenas o que aquele objeto representava, mas também tudo que levara até aquele ponto. Então suspirou fundo, um som que parecia carregar tanto alívio quanto melancolia, e pegou o envelope lentamente, quase reverentemente.Observei em silêncio enquanto ele abria o envelope com cuidado, desdobrava a carta que eu tinha escrito e reescrito diversas vezes até encontrar as palavras certas, e lia minha carta de demissão. Curta. Direta. Respeitosa. Mas definitiva de uma forma que as tentativas de afastamento anteriores nunca tinham sido.Quando terminou de ler, ele dobrou a carta cuidadosamente, colocou-a de volta no envelope, e ficou segurando-o no colo, seus olhos encontrando os meus com uma intensidade que me fez segurar a respiração.— Acho
Capítulo 522
~ MAITÊ ~O carro parou em frente aos portões dos Parques Salvani e por um momento apenas fiquei ali sentada, olhando através do para-brisa, incapaz de me mover.O parque estava... vivo.Luzes coloridas piscando em cada brinquedo. Música tocando suavemente pelos alto-falantes. Pessoas por todo lado: famílias com crianças, casais jovens, grupos de amigos, todos sorrindo, todos animados. A fila para entrar se estendia pela calçada, e mesmo de dentro do carro eu podia sentir a energia, a expectativa, a alegria pura emanando daquele lugar.Meu lugar. O legado da minha família. Finalmente, finalmente de volta à vida.— Maitê? — a voz de Marco me trouxe de volta, suave e compreensiva. — Está pronta?Olhei para ele e vi a mesma emoção refletida em seus olhos. Genuinamente feliz por mim. Por nós.— Estou — disse, minha voz saindo embargada. — Estou pronta.Saímos do carro e imediatamente fomos cercados. Flashes de câmeras explodindo. Microfones sendo estendidos. Influenciadores gravando ao vi
Capítulo 523
~ BIANCA ~Ajustei o retrovisor do meu carro enquanto a voz de Christian ecoava pelo viva-voz, repetindo pela terceira vez os detalhes da identidade falsa que havíamos construído juntos.— Bianca Ricci — recitou meu irmão com paciência exagerada. — Consultora de marketing digital especializada em turismo rural. Formada pela Bocconi, trabalhou com campanhas para pequenos negócios na Toscana e agora está em busca de novos clientes para montar portfólio independente.— Eu sei, Christian — suspirei, desviando de um caminhão que subia a estrada estreita em velocidade de tartaruga. — Eu sei.— Sei que você sabe — Christian fez uma pausa significativa. — Mas é a primeira vez que você faz algo assim, Bia. Preciso ter certeza de que vai sair tudo certo.Apertei o volante com mais força, sentindo o couro macio ceder sob meus dedos enluvados. Sabia exatamente o que ele não estava dizendo: que normalmente contava com Marco para esse tipo de missão. Ou com Nathaniel quando precisava de sutileza ex
Capítulo 524
~ BIANCA ~Tudo estava escuro. Quente. Confortável.Então, lentamente, a escuridão começou a se dissipar nas bordas, como tinta se dissolvendo na água. Abri um olho — apenas um, testando se o mundo ainda existia do outro lado das minhas pálpebras. A luz era suave, amarelada, nada agressiva. Encorajada, abri o outro olho.O teto branco girava levemente, ou talvez fosse eu que estava girando. Não tinha certeza. Pisquei algumas vezes, tentando forçar o mundo a ficar parado, a fazer sentido.Foi então que percebi: eu estava se movendo. Não, não exatamente. Estava sendo carregada.Braços me seguravam — um sob meus joelhos, outro apoiando minhas costas. Braços fortes. Muito fortes. Inconscientemente, meus olhos deslizaram para baixo, para aqueles antebraços expostos onde as mangas de uma camisa de flanela haviam sido enroladas até os cotovelos. A pele era levemente bronzeada, com aquele tom dourado que vem de horas ao sol, não de máquinas de bronzeamento artificial. Pelos escuros e finos co
Capítulo 525
~ NICOLÒ ~Coloquei a mão na base da cintura da senhorita Ricci, sentindo o tecido macio do casaco sob meus dedos. O toque era mais íntimo do que eu normalmente ousaria com uma estranha, mas precisávamos vender a farsa que acabáramos de criar.Bianca se enrijeceu levemente sob meu toque — apenas por uma fração de segundo — antes de relaxar e se deixar guiar em direção à saída do consultório.— Vou cuidar dela, doutor Marchesi — disse, mantendo minha voz firme enquanto assinava os papéis de liberação que ele me estendia. — E vou seguir todas as orientações. Qualquer sintoma preocupante, trago ela de volta imediatamente.— Ótimo, Nico — o médico me entregou uma folha impressa com instruções pós-traumatismo craniano e uma receita. — Mantenha ela em observação pelas próximas vinte e quatro horas. Nada de esforço físico intenso, evite telas por períodos prolongados, e se ela vomitar, ficar com visão embaçada ou muito sonolenta, me ligue imediatamente.Assenti, dobrando os papéis e guardand
Capítulo 526
~ NICOLÒ ~— Papai! Quem é essa moça?A voz aguda de Bella ecoou pelo corredor, e eu me afastei de Bianca como se tivesse levado um choque elétrico. Meu coração disparou — parte pela interrupção súbita, parte pela culpa absurda de ter sido pego em uma situação que não deveria estar acontecendo.Virei-me para a porta e lá estava minha filha, seus cachos castanhos escapando da trança que minha mãe havia feito pela manhã, o vestido rosa com manchas de algo que parecia ser molho de tomate. Seus olhos castanhos — tão parecidos com os da mãe que às vezes doía olhar — me encaravam com curiosidade pura e inocente.Abri a boca para responder, para explicar, para dizer... alguma coisa. Mas meu cérebro estava completamente em branco. As palavras se embaralharam na minha língua e nada saiu.Então Bianca se moveu.Ela se abaixou com graça natural, dobrando os joelhos até ficar na altura de Bella. Um sorriso suave curvou seus lábios — o tipo de sorriso que alguém reserva para crianças, caloroso e g
Capítulo 527
~ NICOLÒ ~Desci as escadas com passos pesados, mas minha mente estava completamente em outro lugar.No corpo frágil de Bianca desmaiada em meus braços. No peso surpreendentemente leve quando a carreguei até a caminhonete, como se ela fosse feita de algo delicado demais para este mundo. Naquele par de olhos azuis intensos que me encaravam com uma mistura de confusão e certeza que não fazia o menor sentido. Nas pernas longas que haviam escorregado da maca quando tentei ajudá-la a se acomodar.E no beijo.Merda. O beijo.Não tinha sido aquele tipo de beijo, o tipo que tira o fôlego e faz o mundo parar. Tinha sido quase um selinho, rápido, casto, inocente. Seus lábios haviam tocado os meus por não mais do que dois segundos antes de Bella aparecer na porta.Se minha filha não tivesse chegado e nos interrompido...Balancei a cabeça com força, afastando o pensamento. Obviamente eu teria feito a mesma coisa — me afastado, explicado, estabelecido limites. Eu não era o tipo de homem que se apr
Capítulo 528
~ BIANCA ~Joguei o celular contra a parede oposta com toda a força que consegui reunir. Ele bateu com um som satisfatório de crack e caiu no chão, a tela provavelmente despedaçada.Ótimo. Mais uma coisa quebrada.Assim como minha memória. Minha sanidade. Minha vida inteira, aparentemente.Sentei na beirada da cama, respirando pesadamente, sentindo as lágrimas de frustração queimarem atrás dos meus olhos. Não ia chorar. Não ia.Mas caramba, era tão frustrante lutar contra a própria memória para descobrir coisas básicas sobre mim mesma. Coisas que qualquer pessoa deveria saber. Coisas simples.Quem sou eu?A pergunta ecoava na minha cabeça sem resposta.Levantei-me e fui até a mala. Abri-a com força e comecei a vasculhar o conteúdo, jogando roupas para os lados sem cerimônia.Precisava de algo. Qualquer coisa que me desse uma pista sobre quem eu realmente era.Roupas. Muitas roupas. Todas caras demais. Cashmere, seda, linho italiano. Sapatos que custavam mais do que a maioria das pesso
Capítulo 529
~ BIANCA ~Nico olhou rapidamente para mim, depois para a moça, e respondeu com uma voz que soava... cansada.— Já estou indo, Paola.Fiquei observando a dinâmica entre eles. A forma como ela o chamou, a familiaridade na voz dela, o jeito que ele respondeu sem hesitar. Senti algo desconfortável se retorcer no meu estômago. Ciúmes? Era ciúmes?Paola assentiu, satisfeita com a resposta, e disse:— Ótimo. Os turistas já estão esperando para o passeio.Então ela deu as costas e saiu, caminhando com passos decididos de volta em direção à villa principal. Observei enquanto ela se afastava, notando a confiança em cada movimento, a forma como seu rabo de cavalo balançava, como se ela pertencesse àquele lugar de uma forma que eu claramente não pertencia.Queria perguntar quem ela era. Queria garantias de que não havia motivos para ter ciúmes, que ela era apenas uma funcionária ou uma amiga ou qualquer coisa que não representasse ameaça. Mas ao mesmo tempo, parecia tão patético não lembrar de t
Capítulo 530
~ BIANCA ~Como eu entendia tanto de vinhos?Pensei. Realmente pensei. Procurei na névoa confusa que era minha memória por alguma explicação lógica, alguma razão que fizesse sentido. Mas tudo que encontrei foi... vazio. E então, como se fosse a coisa mais natural do mundo, a resposta saiu:— Eu não sei.Nico franziu a testa, confusão evidente em seus olhos verdes.— Talvez você tenha me contado? — sugeri, agarrando-me a qualquer explicação plausível. — É... é a primeira vez que eu venho aqui?Ele assentiu lentamente.— É. É a primeira vez que você está na propriedade.E então, como uma comporta que se abre, as perguntas começaram a jorrar da minha boca sem qualquer controle. Era como se minha linha de raciocínio não passasse por nenhum filtro e simplesmente saísse, crua e desesperada.— Eu vim... eu vim conhecer sua família? É por isso que estou aqui? É por isso que eu não conhecia ninguém antes? Mas... não deveríamos ter feito isso quando ainda éramos namorados? — Respirei rapidament