All Chapters of Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário: Chapter 681
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Capítulo 681
~ NICO ~Eu tinha prometido.Não com palavras bonitas, nem com aquelas promessas que adultos fazem para se sentirem melhores — eu tinha prometido com presença. Com tempo. Com a coisa mais rara que eu tinha aprendido a dar depois que virei pai: ficar.Bella estava espalhada no tapete da sala com uma manta por cima da cabeça, transformando o próprio corpo num “fantasma” dramático que andava devagar e trombava de propósito nas coisas.— Uuuuh… — ela fez, batendo de leve no sofá. — Sou o fantasma que assombra pais que fazem bebês.Eu ri sem querer, mesmo com o peito ainda apertado de tudo que tinha acontecido.— Nossa. Que específico.— Fantasma sabe de tudo — ela respondeu, saindo debaixo da manta com o cabelo todo bagunçado e o nariz vermelho do choro mais cedo.Eu me agachei na frente dela.— Tá. Então vem cá. Fantasma sabichão… você quer conversar comigo sem manta?Ela hesitou, os olhos indo para o lado como se conversar fosse uma armadilha. Mas a mão dela veio procurar a minha. Peque
Capítulo 682
~ NICO ~O trânsito de Florença tinha a crueldade de sempre: lento, estreito, cheio de gente atravessando como se o mundo não estivesse desabando no banco do motorista.A voz da Bianca ainda martelava dentro de mim — delegacia — e eu não conseguia encaixar aquilo na realidade. Bianca Bellucci não “ia pra delegacia”. Bianca Bellucci resolvia coisas com contratos, com reuniões, com uma frase no tom certo.Eu precisava de alguém que fosse frio por nós dois.Peguei o telefone no viva-voz, sem desviar os olhos da rua, e ligue para o número que eu já tinha salvado.— Doutor Conti.A voz veio limpa, acordada demais para aquele horário.— Sou eu. Nico.Um segundo de pausa, e eu ouvi o homem trocar de modo.— Senhor Montesi.— É minha esposa. — A palavra ainda tinha gosto de novo na boca, mas eu não tinha tempo de sentir. — Bianca. Ela está na delegacia de Florença.— Já estou a caminho — ele respondeu, sem precisar de detalhes dramáticos. — Me diga qual delegacia.Eu passei a localização que
Capítulo 683
~ RENATA ~Naquela segunda-feira, estacionei a duas quadras da escola da Bella e fiquei alguns segundos dentro do carro, olhando meu reflexo no vidro. O corte na testa estava coberto por uma faixa discreta. Os roxos no corpo com roupas adequadas. O resto… o resto era maquiagem e um ângulo bom.A secretaria da escola me reconheceu antes mesmo de eu dizer meu nome. Não com carinho — com aquele olhar profissional de quem já viu pai rico, mãe irritada, criança no meio. Eu mostrei o documento, assinei um papel, inventei uma frase simples sobre “um compromisso médico” e “preciso dela duas aulas antes”.Mãe.A palavra abre portas.Ninguém perguntou se o pai sabia. Ninguém queria entrar nisso. Escolas preferem não comprar guerra de família. E eu sabia exatamente como usar essa covardia a meu favor.Bella apareceu na porta da sala com a mochila nas costas, surpresa estampada no rosto.— Mamãe? — ela disse, e por um segundo foi só isso: uma menina vendo a mãe fora do combinado, e o coração dela
Capítulo 684
~ BIANCA ~A casa estava limpa demais.Não “limpa” no sentido de organizada — a casa sempre era organizada, porque eu não suportava a ideia de viver no improviso — mas limpa demais no sentido de… preparada. Encenada. Como se eu tivesse tentado varrer também aquilo que não varre: os problemas, a delegacia, a humilhação de ter meu nome dito por um policial como se eu fosse um problema público.Eu tinha escolhido uma camisa discreta, cabelo preso, maquiagem leve o suficiente para não parecer que eu estava tentando esconder nada — e, ao mesmo tempo, competente o suficiente para esconder o que dava para esconder.Nico fingia uma calma que não tinha.Bella, por outro lado, parecia… normal. Normal demais.— Vai dar certo — Nico disse baixo, encostando a mão na minha cintura de um jeito protetor demais para não ser também ansioso.Eu assenti. Sorri. Eu era ótima em parecer que estava tudo sob controle.Só que meu estômago não acreditava em mim.A campainha tocou com pontualidade italiana, o q
Capítulo 685
~ BIANCA ~A pergunta caiu na cozinha como um copo de vidro no mármore: não fez barulho nenhum aqui dentro da adega, mas eu senti a vibração atravessar o meu corpo.Nico não respirou.Eu vi pelo jeito como os ombros dele endureceram, como se o ar tivesse virado pesado demais para entrar.Bella respondeu rápido demais.— Da mamãe.Sem pausa. Sem aquele “hm” de criança pensando. Sem o “posso falar outra coisa?” que ela costumava usar quando estava dividida entre duas vontades. Foi seco, limpo, imediato. Uma resposta que parecia… pronta.Nico fez um som baixo, quase um engasgo, como se tivesse levado um golpe no estômago e ainda estivesse tentando manter o peito em pé. A mão dele foi até a parede, procurando apoio enquanto seus joelhos cediam. Eu me ajoelhei ao lado dele na mesma hora, sem pensar.— Calma — eu sussurrei, bem perto. — Calma. Não quer dizer nada. Ela te ama.Ele me olhou, e naquele olhar tinha uma dor tão crua que por um segundo eu senti raiva de mim mesma por ter acredita
Capítulo 686
~ BIANCA ~O telefone ainda estava quente na minha mão quando eu desliguei.Por um segundo, eu fiquei parada na sala, vendo Bella encolhida no abraço do Nico, como se aquele gesto fosse o único lugar seguro do mundo. E talvez fosse mesmo.Eu não podia jogar “incêndio” em cima daquilo sem antes preparar o chão.Fiz um sinal curto para Nico e ele entendeu na hora.— Filha, escolhe um desenho — ele disse, baixo, como quem sugere uma coisa normal. — A gente já volta, tá?Bella assentiu sem olhar muito, o controle na mão, o dedo passando pelas opções com uma seriedade que me partiu por dentro. Criança quando tenta ser “forte” vira adulta por alguns segundos e isso nunca devia ser necessário.Eu e Nico fomos para a cozinha.— Era o Dante — eu disse.Nico passou a mão pelo rosto, já cansado antes de ouvir.— O que foi agora?— Ele ligou da Tenuta. Algo sobre o incêndio.Eu vi a mandíbula dele travar.— O quê exatamente?— Ele não disse por telefone. Só… — eu respirei, sentindo o peso do que
Capítulo 687
~ BIANCA ~A forma como Dante falou me deu a exata medida do problema: não era um comentário solto, nem um palpite de corredor. Era algo que exigia olhos. Exigia contexto. Exigia que a gente encarasse de frente.Nico assentiu uma vez, curto, e eu vi os ombros dele endurecerem como se estivessem se preparando para uma pancada. Bella continuou no banco por um segundo a mais, grudada no cinto, olhando do Dante para nós como se estivesse tentando entender por que adulto sempre fica com aquela cara de preocupação.— Vem, princesa — Dante disse, gentil, fazendo um gesto com a mão, não apressando. — É rapidinho.Bella desceu devagar, pisando no cascalho com cuidado demais para uma criança. E eu senti o impulso de pegar na mão dela, mas não peguei.Dante nos conduziu pela lateral da casa principal. O caminho era curto, mas, naquela Tenuta, tudo parecia ter eco: cada porta, cada corredor, cada canto ainda tinha uma espécie de silêncio recente, um silêncio que lembrava o que podia ter sido muit
Capítulo 688
~ NICO ~Três dias era pouco tempo para alguém se recompor.Mas era tempo suficiente para o mundo decidir o que queria fazer com a gente.O Conti ligou no meio de uma manhã que eu estava tentando fingir que era normal — o tipo de normal em que eu assino coisa de obra, respondo mensagens de fornecedor, e finjo que a minha cabeça não está dividida em duas: uma parte trabalhando, a outra contando quantas vezes a Bella piscou diferente desde a entrevista.— Montesi? — a voz dele veio direta, sem “bom dia — Saiu a audiência da provisória.Eu parei onde estava. O som do canteiro virou um zumbido.— Quando?— Hoje — pausa curta. — Duas horas.Eu senti o chão dar aquela… cedida. Não é que eu fosse cair. Eu só… percebi o peso do corpo, de repente. Aquele lembrete físico de que eu não estava no controle.— Hoje…— É. E eu preciso que você esteja aqui. — A voz dele baixou. — Com calma. Sem improviso. Entendeu?Eu olhei para o céu cinza e pensei: sem improviso. Na minha vida, ultimamente, tudo er
Capítulo 689
~ NICO ~— Com base na avaliação técnica e no bem-estar da menor, defiro o pedido de medida provisória, estabelecendo residência temporária com a genitora, com direito de convivência do genitor em dias e horários definidos, até reavaliação por este juízo.Eu ouvi cada palavra.Mas foi como ouvir um idioma que eu conhecia só o suficiente para reconhecer perigo e não o suficiente para me defender dele.Genitora. Genitor. Convivência. Reavaliação.O som ficou distante e, ao mesmo tempo, pesado demais para o ar da sala. Eu olhei para a boca do juiz se movendo e pensei, com um atraso ridículo, que eu devia ter trazido um copo d’água. Que eu devia ter dormido mais. Que eu devia ter respondido diferente em algum ponto do caminho, em algum dia, em alguma conversa que agora se transformava nisso: uma sentença limpa, quase educada, sobre a vida da minha filha.Eu vi Renata de relance. O cabelo perfeito, a postura ereta, o rosto com aquela calma calculada que ela só tinha quando estava vencendo.
Capítulo 690
~ NICO ~No carro, o silêncio foi pior do que qualquer outra coisa.Eu dirigi sem lembrar do caminho. Bianca ficou com as mãos no colo, os dedos se mexendo de vez em quando, como se ela estivesse contando alguma coisa invisível para se manter no lugar. Talvez batimentos. Talvez prazos. Talvez medo.Quando chegamos, Bella estava na sala com Martina, desenhando no chão. Quando nos viu, levantou o rosto e sorriu pequeno, sincero, aquela alegria que me desmontava porque não sabia do que vinha.— Papai! — ela se levantou, e correu até mim com aquele impulso que era puro instinto de pertencimento.Eu me agachei, abracei, fechei os olhos com força.— Oi, meu amor.Martina olhou para mim e para Bianca como quem lê as notícias pelo rosto dos outros. Ela não perguntou. Só levantou devagar e passou a mão no meu ombro, um toque que dizia: eu tô aqui.Eu precisei de um minuto para achar palavras que não traíssem pânico.— Bella… vem comigo um pouquinho? — eu disse. — Vamos conversar no seu quarto.