All Chapters of Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário: Chapter 701
- Chapter 710
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Capítulo 701
~ BIANCA ~Quando eu saí para a ala externa da Tenuta, o ar parecia mais frio do que minutos antes.O sol estava descendo atrás dos vinhedos e transformando tudo em uma cor que eu normalmente chamaria de bonita. Mas hoje parecia deboche.Nico estava no pátio, alguns metros à frente, falando com dois policiais. Eu reconheci a postura dele de longe: o corpo firme, a cabeça inclinada, o jeito de quem responde tentando não tremer. Ele gesticulava pouco. Dava informações como quem monta mapa.Eu parei no batente da porta e observei por um segundo.Eu podia atravessar o pátio, interromper, dizer o que eu estava pensando.“Eu sei onde a Bella pode estar.”Podia.Mas a frase, na minha cabeça, ainda vinha com um aviso invisível.Pode.Era só uma ideia. Um palpite montado em cima de um detalhe. Dar esperança sem certeza parecia errado. Pior do que errado: cruel.E havia outra coisa.Aquela conversa com a polícia podia demorar.Eles iam querer repetir horários, repetir nomes, repetir rotas, repe
Capítulo 702
~ BIANCA ~— Tia… Bia?A voz veio pequena, do fundo da cave, como se tivesse medo de ser repreendida até pelo eco.— Você tá dodói? Você gritou.Eu congelei por um segundo. Foi como se o meu cérebro tivesse esquecido como funcionava o mundo.Bella estava de pé, meio escondida atrás de uma fileira de barricas, com a mochila ainda nas costas e o rosto sujo de quem passou o dia tentando ser corajosa. Os olhos dela estavam enormes, atentos demais para uma criança.— Bella! — o meu grito saiu como um alívio bruto.Eu corri.O chão estava frio e úmido, mas eu não senti nada. Eu só senti o peso do pânico se quebrando quando eu a alcancei e envolvi aquele corpo pequeno num abraço tão forte que eu mesma tive medo de machucar.— Meu Deus… — eu disse, com a boca encostada no cabelo dela, como se eu precisasse checar que ela era real. — Meu Deus, meu amor…Bella ficou dura por um segundo, e então os braços dela se fecharam em mim, apertando com uma força desproporcional para o tamanho.Eu engoli
Capítulo 703
~ NICO ~Quando a gente saiu da cave de barricas, eu senti o ar do fim de tarde me bater no rosto como se eu estivesse voltando de debaixo d’água.Bella estava no meu colo, grudada em mim do jeito que criança gruda quando o mundo vira coisa perigosa. Ela tinha o rosto amassado no meu pescoço e as mãos pequenas agarradas na minha camisa como se eu fosse uma parede.Eu não tinha força para pedir que ela soltasse.Eu também não queria.No pátio, as luzes já estavam acesas. O sol tinha descido de verdade e deixado aquele resto de dia com cara de fim de filme. Só que nenhum filme termina com burocracia esperando no meio da propriedade.Os policiais ainda estavam ali.Dois homens, postura de quem faz isso todos os dias, pranchetas e celulares na mão, preenchendo o espaço com autoridade.Quando me viram, os dois se moveram ao mesmo tempo.— Senhor Montesi — o mais velho disse. O tom era neutro, nem agressivo nem gentil. — A criança está bem?— Está — eu respondi.Bella levantou o rosto só um
Capítulo 704
~ BIANCA ~A viagem de volta para Florença foi rápida.Bella estava no banco de trás, abraçada a uma almofada, como se um objeto macio pudesse convencer o mundo a ser menos duro. Nico dirigia com as duas mãos no volante, o corpo inteiro ainda em modo alerta.Eu fiquei no banco do passageiro com o celular na mão e a cabeça em dois lugares: aqui, com o cinto de segurança, e lá, na frase que eu tinha dito ao policial em voz baixa.Homens estranhos.Eu repetia por dentro tentando decidir em que gaveta colocar aquilo. Que tipo de “estranho”? Que tipo de “homem”? Que tipo de “visita”?Eu olhei pelo retrovisor.Bella dormia com a boca entreaberta, exausta de ter sido corajosa o dia inteiro. O cabelo grudava na testa, e havia uma manchinha de gelato seco no canto da blusa.Nico percebeu meu olhar.— Ela dormiu? — ele perguntou, sem tirar os olhos da estrada.— Dormiu — eu respondi.Ele soltou o ar devagar, como se fosse a primeira vez em horas.Quando entramos na garagem do prédio, eu vi a po
Capítulo 705
~ BIANCA ~O café ainda descia amargo pela minha garganta quando eu abri a primeira marcação.A tela carregou com um daqueles layouts que fingem ser jornalismo, mas se alimentam do mesmo impulso da fofoca: certeza sem prova, suposições no lugar de fato.Eu passei os olhos, rápido, como quem faz triagem.COO DA BELLUCCI ITÁLIA ENVOLVIDA EM SEQUESTRO DE MENOR.Eu desci.“Fontes próximas à mãe biológica…”“Especialistas afirmam que casos assim costumam envolver alienação parental…”“Bianca teria manipulando a criança para rejeitar a mãe…”Manipulando? Eu li de novo para ter certeza de que era isso mesmo.A palavra vinha como se explicasse o mundo: Bianca, bilionária, calculista, grávida, com ciúmes de ex-esposa.Eu rolei mais.“Suspeito que, em meio ao desaparecimento, justamente a executiva tenha sido a única a ‘intuir’ o local…”“Após a comoção pública, ela teria se colocado como salvadora…”E então a parte que pretendia ser a lâmina final:“É difícil acreditar que, com toda a cidade p
Capítulo 706
~ NICO ~Quando a assistente social terminou a frase sobre “determinação vigente”, eu senti um impulso primitivo de pegar minha filha e desaparecer.Martina fez um som baixo, uma respiração que falhou. Bianca ficou imóvel, a mão pousada sobre a própria barriga, como se o corpo dela tivesse entendido o golpe antes do cérebro.Bella estava agarrada nas minhas pernas, o rosto enterrado na minha calça, como se eu fosse o único lugar seguro do mundo. Eu passei a mão nos cabelos dela devagar, repetindo “eu tô aqui” mais para mim do que para ela, porque eu precisava lembrar que eu ainda era capaz de ficar de pé.Ela levantou o rosto, molhado de lágrimas, e me encarou com uma clareza que criança não deveria ter.— Eu não quero ir — ela sussurrou.Eu senti a frase me atravessar como se fosse um objeto sólido.O homem da pasta mexeu nos papéis.— Senhor Montesi — ele começou.— Eu entendi — eu cortei, sem levantar a voz. — Eu só preciso de um minuto.Eu me abaixei na altura de Bella.— Princesa
Capítulo 707
~ BIANCA ~Eu acordei com a impressão de que tinha engolido vidro.Uma tensão acumulada em lugares que não deveriam existir no corpo... atrás do olho, na nuca, entre as costelas. Eu fiquei alguns segundos imóvel, ouvindo o apartamento em silêncio, tentando decidir qual era a primeira emergência do dia.A resposta veio sozinha: todas.Eu virei o rosto.Nico dormia de lado, não um sono de descanso, mas aquele tipo de sono em que o corpo apaga por falta de combustível e a mente fica acordada em algum lugar. O braço dele estava estendido na direção do espaço vazio na cama.O espaço onde Bella tinha dormido horas antes.A cama parecia grande demais sem ela.Eu levantei devagar, com cuidado para não fazer barulho e fui direto para o banheiro. Tomei um banho frio, como se água fria pudesse arrancar o que tinha grudado na noite anterior. Prendi o cabelo. Passei hidratante. A minha mão desceu para a barriga no meio do movimento, mais hábito do que carinho.Eu ainda estava tentando funcionar.N
Capítulo 708
~ BIANCA ~O café ficava numa rua discreta. Eu escolhi a mesa mais ao fundo, com visão da porta e do balcão. Um hábito antigo. Quando você aprende a ser observada, você aprende a observar primeiro.O homem chegou sem pressa, sem olhar demais para os lados, como quem sabe que gente apressada chama atenção. Terno escuro, barba por fazer calculada, pasta fina — não de advogado, de alguém que prefere que o trabalho fique fora do papel.— Senhora Bellucci? — ele perguntou.Eu assenti.Ele sentou.— Pode me chamar de Lorenzo — ele disse. — Você foi recomendada.— Eu sei — eu respondi. — E eu não vou usar seu nome fora daqui.Um canto da boca dele quase subiu.— Ótimo. Então a gente fala a mesma língua — ele falou.Eu apoiei as duas mãos na xícara como se fosse só isso que eu precisava segurar.— É um caso de guarda de menor — eu comecei. — Então tudo tem que ser ainda mais… cuidadoso.— Menor de idade muda procedimento e muda preço — ele respondeu, prático. — Mas dá para fazer. Você quer o
Capítulo 709
~ BIANCA ~Eu entrei na sede da Bellucci como quem entra em casa e, por um segundo, eu quase esqueci que oficialmente eu não deveria estar ali.O lobby tinha o mesmo ritmo de sempre, gente apressada demais para olhar para os lados, crachás batendo no peito, telas exibindo números que fingiam estabilidade.— Nem afastada você deixa de vir aqui?A voz veio da minha direita, com aquele tom de brincadeira que só existe quando a pessoa conhece o seu nível de vício em trabalho.Mia.Ela estava com um copo de café na mão e um sorriso meio torto no rosto, como se eu fosse uma criança que aparece no escritório doente só para provar que ainda consegue trabalhar.— Vai viver, Bianca — ela completou.Eu não sorri.— Preciso falar com você — eu disse. — E com o Dante.Mia revirou os olhos com teatralidade.— Ah, ótimo. Eu adoro quando você começa frases assim. Sempre termina em alguém ameaçando processar a gente.— Ele está aqui hoje, não está? — eu perguntei, já caminhando. — Ou na Tenuta?Mia ac
Capítulo 710
~ BIANCA ~— Nem pensar.Matheus disse como se eu tivesse pedido pra ele incendiar a sede da Bellucci e sair correndo pelo lobby com um extintor na mão.Eu encostei as costas na cadeira e observei a cena com uma calma que não era calma.A sala era a minha sala.A mesma mesa, a mesma vista, o mesmo canto onde eu deixava uma caneca que eu nunca usava. Só que, agora, eu estava do lado oposto da mesa.A sensação era estranha. Não por vaidade. Por instinto: meu corpo sabia onde eu me sentava para comandar.E do outro lado estava Matheus.Pelo menos era ele.Pelo menos, quando eu olhava para aquela cadeira ocupada, eu via alguém que eu confiava o suficiente para não sentir que estavam roubando minha pele.Mia continuava de pé, encostada na estante, com aquela postura de quem está pronta para rir e pronta para morder na mesma frase. Dante estava largado na poltrona como se fosse uma reunião social e não uma conversa que podia mudar a vida de uma criança.Matheus, por outro lado, tinha o olha