All Chapters of O CHEFE QUE EU ODIEI AMAR : Chapter 111
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111 - ELA VAI TRANSFORMAR MINHA VIDA NUM INFERNO
Thor abaixou a cabeça.— Eu sei. Eu fui um merda. Cometi um erro grave.— Sim, cometeu. E agora, além disso tudo, tem a Isabela. A mulher tá doente por você. Tentou se matar. Tá grávida.Thor apertou as têmporas, como se a dor de cabeça aumentasse.— Eu tenho certeza que ela armou tudo. Engravidou de propósito pra me prender. Eu não queria esse filho, Arthur. Mas agora ele existe. E vou ter que arcar com as consequências.Arthur balançou a cabeça, sério.— Anos comendo mulher a rodo… foi engravidar logo a Isabela?— Pois é. Ela vai transformar minha vida num inferno. Eu sei disso. Mas o filho não tem culpa. Vou assumir, fazer minha parte. Mas amar a Isabela? Nunca.Arthur encarou o amigo por alguns segundos, depois disse com um tom mais brando:— Então comece resolvendo as pendências. Uma de cada vez. Converse com ela. Seja transparente. Abre o jogo. Você precisa ouvir ela também. Mas pare de tentar corrigir erros criando outros. Senão, você vai acabar perdendo tudo.Thor ficou em sil
112 - VOCÊ GUARDOU ESSA GRAVIDEZ POR TEMPO DEMAIS
Naquela tarde, Celina não viu mais Thor. Desde a conversa fria, seu peito parecia carregado de concreto. As palavras não ditas ecoavam em sua mente como tambores surdos, e cada passo que dava dentro da agência parecia mais pesado que o anterior.Faltava pouco para o fim do expediente quando ela pegou o celular e digitou rapidamente para Zoe:“Vai pra faculdade ou direto pra casa?”A resposta veio quase instantânea:“Casa! Te espero na recepção.”Pouco tempo depois, já estavam na rua, atravessando a calçada apressadas até o metrô. O movimento era intenso, como sempre naquele horário, mas Celina, com a barriga ainda discreta, recebeu prioridade para entrar e conseguiu se sentar. Zoe ficou de pé ao seu lado, trocando piadas com uma senhora simpática que também observava a amiga grávida com um sorriso solidário.Após a baldeação e um ônibus lotado, desceram exaustas, e Celina puxou Zoe pelo braço com um pedido tímido:— Você pode ir comigo no mercado? Ainda não conheço nada por aqui.— Cl
113 - O CASAMENTO NÃO SERÁ CANCELADO
Celina deu uma risada fraca, mas verdadeira. Pela primeira vez no dia, seu rosto suavizou.Zoe tirou a mesa, lavou a louça, e as duas ficaram conversando até tarde. Quando a amiga foi embora, deixando um beijo e um “tamo junta”, Celina escovou os dentes, sentou-se na cama e ligou o notebook.Abriu o arquivo do romance que havia começado na casa de campo e deixou os dedos deslizarem pelas teclas. As ideias vieram como um vendaval, e quando olhou no relógio, já eram quase três da madrugada.Dormiu com a cabeça leve, mas o coração ainda cheio. Porém, uma pequena chama de esperança já começava a acender ali.No outro dia, a manhã no hospital seguia silenciosa, exceto pelo som abafado dos monitores cardíacos e pelo vai e vem de enfermeiros apressados. No quarto 408, Isabela estava recostada na cama, de camisola branca, cabelos cuidadosamente soltos sobre os ombros, tentando parecer frágil. Ao seu lado, Letícia, sua mãe, mexia no celular, atenta a cada movimento da porta.Quando ela se abri
114 - EU JÁ PREVIA QUE ELE NÃO IA FACILITAR MINHA VIDA AQUI
Nos dois dias, ela acordou cedo, vestiu roupas confortáveis e caminhou pelas redondezas do novo bairro. Aproveitava para conhecer padarias, ruas, pequenas praças. A brisa matinal e o movimento calmo da vizinhança ajudavam a clarear a mente. Sentia que aquelas caminhadas, ainda que simples, eram parte de sua cura — um passo por vez, tentando driblar a insônia, a ansiedade e a saudade. Durante as tardes, dedicou-se a colocar todas as roupas no guarda-roupa, passando as que precisavam, organizando os livros, documentos, arrumando os detalhes do novo lar. Leu também. Livros sobre maternidade, sobre alimentação na gravidez, sobre os primeiros meses do bebê. Assistiu vídeos sobre parto, mesmo sabendo que ainda era cedo. Mas ela queria estar preparada — física e emocionalmente — para quando a hora chegasse. O momento mais difícil daquele final de semana aconteceu de forma quase traiçoeira, no meio da arrumação do guarda-roupa. Celina estava dobrando algumas peças, empilhando com cuidado as
115 - FOI NESSE CORPO QUE ELE GOZOU COM PRAZER
Quando Celina entrou na sala, ainda processando a humilhação da advertência, pronta para retomar ao trabalho, foi surpreendida por uma presença inesperada — e indesejada.— Oi, querida — disse Isabela, com um sorriso venenoso nos lábios, sentada em sua cadeira, como se fosse dona do lugar.Celina manteve a postura, o olhar firme, o coração acelerando no peito, mas o rosto inabalável.— Fecha a porta, por favor — ordenou Isabela, cruzando as pernas com elegância ensaiada.Sem desviar o olhar, Celina fechou a porta com calma e ficou em pé, mantendo a compostura.— O que a senhorita deseja? — perguntou com frieza.— Senhorita? — Isabela soltou uma risadinha de desprezo. — Não, não. Senhora. Em poucos dias, como o esperado, me tornarei a Senhora Miller.Celina sentiu o estômago revirar, mas não demonstrou. Engoliu seco.— Como é? — perguntou, num sussurro quase incrédulo.Isabela se levantou com a confiança de uma rainha coroada, caminhando até parar diante de Celina.— Você tem algum pro
116 - DE MOÇA RECATADA À FERA DO ANDAR DA PRESIDÊNCIA
Celina não conseguiu se conter. Um riso escapou, leve, libertador, ainda que cansado. — Só você pra me fazer sorrir numa hora dessas. Zoe se escorou na mesa de Celina como quem se preparava para ouvir um grande segredo, piscou e apontou: — É pra isso que eu tô aqui! Porque, meu amor, ninguém, e eu repito, ninguém mais nessa empresa tá falando de outra coisa além de você, Celina! A mulher recatada, delicada e educada que hoje... virou uma onça Marruá! Celina arregalou os olhos, engasgando com o próprio riso. — O quê?! — Isso mesmo que você ouviu! — confirmou Zoe, já gesticulando como quem narra um épico. — Hoje pela manhã tínhamos a Celina: moça calma, centrada, quase uma freira corporativa... E agora? PÁ! Surge a Onça Marruá! A selvagem da ala jurídica! A justiceira do RH! A caçadora de patricinhas grávidas folgadas! Celina riu alto dessa vez, jogando o corpo pra trás na cadeira. — Zoe, você não presta! — Amiga... — disse Zoe, ajeitando os óculos com ar debochado. — V
117 - NUNCA FOI AMOR DA SUA PARTE
Celina virou de supetão. Era Thor.— O que significa isso? — perguntou ela, tentando se soltar. Ele não respondeu. Apenas a puxou em direção ao corredor, sem se importar com quem pudesse vê-los.— Thor, me solta!— Anda — murmurou ele.— Thor, você perdeu o juízo? Eu vou te processar!Ele parou, virou-se lentamente, encarando-a com o olhar frio e impenetrável.— Você esquece quem eu sou? Tenta...Celina engoliu seco. O coração disparou. Mas não deixou transparecer nenhum sinal de fraqueza.— Eu não esqueci não. Você não me assusta.Thor seguiu puxando-a até sua sala. Entrou com ela e, ao fechar a porta, ela tentou impedir.— Abre essa porta agora, Thor! — ordenou, empurrando com força.Mas ele trancou com a chave e a enfiou no bolso, olhando-a com uma calma que assustava.Celina recuou, cruzando os braços.— Vai me dizer agora o que foi aquele showzinho mais cedo? — ele disparou, com tom gélido. — Onde você quer chegar?Ela o encarou, altiva.— Onde eu quero chegar? — Celina riu com
118 - EU ME LIBERTEI
Celina saiu da sala de Thor com o corpo tenso e o coração disparado. Cada passo em direção à sua sala parecia ecoar mais alto do que o anterior, como se o chão estivesse marcando o fim de um ciclo — e o começo de outro. O som dos saltos sobre o piso liso da T&R Enterprises não escondia mais sua decisão: ela não ia mais se calar. Não ia mais abaixar a cabeça. Assim que entrou em sua sala, fechou a porta e se encostou nela, como se seu próprio corpo precisasse impedir qualquer pensamento de recuo. Levou uma das mãos ao peito, sentindo o coração bater descompassado, como se quisesse escapar do peito. A respiração vinha curta, acelerada. — Calma, Celina... calma, respira, murmurou para si mesma, com os olhos fechados. Inspirou. Expirou. Mais uma vez. Inspirou. Expirou. Aos poucos, foi encontrando algum controle sobre seu próprio corpo. Ainda encostada na porta, deslizou as mãos até o ventre, onde repousavam as maiores razões de sua força e coragem. Colocou ambas as mãos ali com
119 - HOJE ELE MATA UM DE NÓS
A tarde caiu sobre São Paulo com um peso cinzento, espelhando a tensão que se acumulava nos corredores da T&R Enterprise. Thor entrou na sala de reuniões com o semblante fechado, os olhos faiscando raiva contida. A ausência de Celina havia desestabilizado a rotina da empresa — mas ninguém imaginava o quanto. A mesa estava ocupada por cinco funcionários do setor financeiro, todos visivelmente nervosos. No canto da sala, uma jovem tentava, desajeitada, organizar os papéis que Celina normalmente prepararia com precisão cirúrgica. Thor lançou um olhar cortante para ela. — Isso aqui é o que vocês chamam de relatório? — rugiu, jogando a pasta sobre a mesa com força. — Parece que foi feito por um estagiário com problemas de cognição. — Senhor Thor, — tentou intervir um dos gerentes — tivemos dificuldade porque a única funcionária que tinha disponível hoje para ocupar o lugar de sua secretária, é nova ainda está se adaptando… — Adaptando? — interrompeu Thor, batendo com a palma da mão
120 - RECONHECER QUE ERROU É O PRIMEIRO PASSO
Thor permaneceu sentado à mesa após o desabafo brutal com Arthur. O silêncio entre os dois era espesso, cortante. Arthur, com os cotovelos apoiados nos braços da cadeira, olhava para o amigo com uma expressão entre decepção e compaixão.— Você sabe que o que fez foi imperdoável, não sabe? — disse, quebrando o silêncio. — Eu nunca te vi assim, Thor. Você perdeu completamente o controle.Thor baixou o olhar, respirando fundo, os olhos ainda vidrados de raiva, dor e frustração. Arthur se levantou, pegou o paletó jogado no encosto da cadeira e suspirou.— Olha, se um dia você quiser a Celina de volta, vai ter que rastejar nos pés dela, pedir perdão de verdade. E ainda assim, vai depender só dela aceitar. Porque o que você fez... é grave. Você tá doente, Thor. E se não cuidar disso, vai destruir tudo ao seu redor. Inclusive a si mesmo.Thor não respondeu. Apenas fitava o vazio. Arthur deu dois tapinhas leves na mesa.— Pensa no que eu te disse. Eu preciso ir. Cuida de você, cara.Arthur sa