All Chapters of O CHEFE QUE EU ODIEI AMAR : Chapter 121
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121 - GRÁVIDA LEVA NA CARA DO MESMO JEITO
Celina despertou sobressaltada com o som insistente da campainha. O toque era firme, repetitivo, quase impaciente. Levantou-se num pulo, ainda confusa, os cabelos desgrenhados e os olhos semicerrados pela luz fraca do abajur ao lado da cama. Já era noite — escura, silenciosa, exceto pelo som da campainha quebrando a quietude de seu apartamento.— Já vai… — murmurou, com a voz rouca de quem havia dormido por horas.Seguiu pelo corredor, arrastando os pés no chão frio. Quando abriu a porta, encontrou Zoe parada ali, com as mãos nos quadris e uma expressão indignada, mas divertida.— Até que enfim, hein? — exclamou Zoe, entrando sem esperar convite. — Já estava quase desistindo! Achei que tinha acontecido alguma tragédia aqui dentro.— Ai, desculpa, Zoe… — Celina esfregou os olhos, ainda sonolenta.— Não vou nem perguntar o que aconteceu, porque a tua cara amassada já disse tudo. — Zoe largou as bolsas que trazia nos braços em cima do sofá. — Você não tem noção de quantas vezes eu liguei
122 - EU VI QUE O VAZIO NÃO ERA MEU ERA DELE
Celina gargalhou alto, tentando aliviar a tensão.— E ela ainda fez questão de dizer que o casamento deles está chegando… — a voz embargou.Zoe estendeu a mão, segurando a dela com firmeza.— Amiga, não fica assim. Ela pode estar tentando tirar sua paz, mas você já tá seguindo sua vida, não tá?— Tô. — Celina assentiu. — Ela me perguntou qual foi a mentira que o Thor me contou pra eu me envolver com ele. Disse que ela carrega o herdeiro dos Miller…— Ah, coitada. — murmurou Zoe.— E não parou por aí, ela disse: Eu carrego o filho que ele sempre quis. — Celina ergueu o queixo. — Ele jamais abandonaria essa criança por… uma comidinha de escritório.Zoe arregalou os olhos. — Mentira que ela disse isso, amiga?— Disse. — Celina sorriu de canto. — Mas mal sabe ela, que eu carrego dois.— Gêmeos! — Zoe vibrou. — Isso aí, esfrega na cara dela!— E foi aí que foi a gota. Olhei bem pra ela e disse: Se você é tão segura assim, por que fez questão de vir aqui? Está com medo, meu amor?— Boa, gat
123 - NÃO TEM MAIS VOLTA
Zoe arregalou os olhos e começou a gargalhar.— Meu Deus! Eu queria ter visto a cara do chefinho naquele momento! Já pensou o bonitão todo torto, se contorcendo igual novela mexicana?Celina riu alto, com gosto. Era o primeiro riso verdadeiro da noite. Zoe, entre risos, completou:— Amiga, eu vou estar com você até o fim. Eu não entrei naquele banheiro naquele dia à toa. O destino já tinha escrito nosso encontro. A nossa amizade. Você não tá sozinha. Você tem a mim, tem esses bebês lindos… e tem o gostoso do Gabriel, né?Zoe riu de novo e balançou a taça, sentindo o vinho bater e disse:— Mas o álcool já tá falando mais alto.Celina cobriu a boca de tanto rir. — Ele é gostoso mesmo, amiga… mas eu amo outro.Ela olhou para o chão, mais serena e continuo falando:— Mas eu vou seguir sem o Thor. Os bebês são só meus. É um novo ciclo. Pra nós.Zoe levantou a taça e disse animada: — Então vamos brindar!Celina pegou sua taça de suco e, quando as duas iam brindar, a campainha tocou.Celin
124 - POSSO SER O PAI DOS SEUS FILHOS
Celina desviou o olhar e respondeu sem vacilar:— Não. E nunca vai saber. Meus filhos merecem um pai melhor. Ele vai casar com a Isabela, e meus filhos vão acabar sendo deixados de lado. Não quero isso pra eles.— Tem certeza disso? — insistiu Gabriel, preocupado.— Sem sombra de dúvidas. Não quero que meus filhos sofram nas mãos de uma madrasta descontrolada. Então sim, estou absolutamente certa da minha decisão.Gabriel consultou o relógio e suspirou.— Eu não vou poder me estender aqui, infelizmente. Amanhã é minha folga, mas tenho um compromisso bem cedo. E como falei mais cedo no restaurante, depois vou te dar toda a atenção que precisar.Celina sorriu, com o coração aquecido.— Obrigada, de verdade.Zoe murmurou baixinho, enquanto tomava o último gole de vinho:— Ele é um príncipe mesmo...Gabriel se levantou, ajeitou a jaqueta e olhou para Celina com seriedade.— Celina, preciso te falar algo, e quero que você pense com carinho essa noite.Ela assentiu, atenta.— Eu recebi uma
125 - SE NÃO É A SENHORA TEMPESTADE EM PESSOA
Depois que Celina leu a resposta de Tatiana, bloqueou a tela do celular. Apenas o pressionou contra a perna, respirando fundo. Estava pronta. Ou, pelo menos, era isso que queria acreditar.Levantou-se da cadeira com leveza e foi até a pia segurando o copo, onde ainda continha o restante de seu suco de goiaba. Bebeu tudo de uma vez, sentindo o gosto doce e familiar descer pela garganta. Diferente do café amargo que muitos tomavam pela manhã, Celina preferia algo mais suave. O suco era quase um ritual — como se mantivesse algum traço da menina que havia sido um dia.Em seguida, caminhou até o banheiro. Escovou os dentes novamente. Em frente ao espelho, ajeitou o cabelo que já estava preso num coque despojado, conferiu o delineado dos olhos e passou o batom rosado.Foi até o quarto, abriu o guarda-roupa e pegou a bolsa de couro caramelo que usava em dias mais neutros. Dentro dela já estavam os essenciais: carteira, documentos, lenço, remédio de enjôo e um batom reserva. Lançou um último
126 - VOCÊ NÃO VAI ME DERRUBAR OUTRA VEZ
César estava sentado à mesa, cruzando os braços como quem assistia a um espetáculo que já esperava começar.Um sorriso torto surgiu no canto dos lábios dele. Um daqueles sorrisos que desdenham, que tentam desarmar com sarcasmo.— Senti sua falta… da sua falta de aviso, principalmente.Celina não disse uma palavra. Parada à porta, seus olhos fixos nele, sua expressão era uma mistura de dor, coragem e uma fúria contida que ameaçava transbordar.Ela entrou, mantendo o queixo erguido, embora sentisse um nó crescente na garganta. Fechou a porta atrás de si, sem dizer nada por um momento. O silêncio era cortante, carregado de tudo que ainda restava não dito.— Eu vim resolver nossa situação, César — ela disse enfim, a voz serena apesar da tensão. — Estou aqui para assinar o divórcio.César inclinou-se ligeiramente para trás na cadeira, entrelaçando os dedos sobre a mesa. O canto de sua boca ergueu-se em um sorriso seco.— Ora, ora... O conto de fadas acabou tão rápido assim? Resolveu voltar
127 - ELE QUER TE DESESTABILIZAR
Celina desceu o elevador com o coração acelerado, os passos cambaleantes como se suas pernas não tivessem mais força para sustentá-la. Quando atravessou a porta giratória do prédio da Brown Advocacia, a luz do dia bateu em seus olhos e a fez fechar as pálpebras por um breve instante. O ar da rua parecia mais leve que a tensão que deixara no andar daquele prédio.O som dos saltos dela, ecoava na calçada à medida que se afastava da Brown Advocacia. O coração ainda batia acelerado, a respiração curta e entrecortada. Sentia-se como se estivesse fugindo de uma emboscada. Levou a mão ao peito, tentando controlar a ansiedade.— Calma, Celina. Calma, Celina... é isso que ele quer, ele quer te desestabilizar. — Murmurava para si mesma, como se aquelas palavras pudessem lhe devolver o controle.A cidade seguia seu ritmo frenético ao redor, mas dentro dela, tudo estava em caos. Sua mente era um redemoinho de pensamentos:— César está vigiando cada passo meu... Ele sabe dos meus filhos... e agora
128 - NÃO IMPORTA A REAÇÃO DELE
Tatiana ficou em silêncio por um instante depois que Celina terminou de desabafar. Havia tantas emoções misturadas ali — dor, medo, arrependimento, raiva, e principalmente amor. Ela observou a amiga à sua frente: tão forte e tão ferida ao mesmo tempo. Respirou fundo, tomou um gole de suco, e então pousou a taça sobre a mesa com delicadeza antes de falar com firmeza, mas com carinho.— Amiga… eu sei que você está com medo, que está se sentindo sozinha e perdida no meio desse turbilhão todo. E o Gabriel, olha, tá sendo um anjo na sua vida, um apoio incrível… Mas eu preciso te dizer uma coisa que talvez você não queira ouvir agora.Celina ergueu os olhos marejados, já sentindo o peso daquelas palavras.— Eu acho que você deve contar sim pro Thor sobre a gravidez.Celina balançou a cabeça em negação imediata, mas Tatiana levantou a mão suavemente, pedindo calma.— Espera, me escuta. Eu entendo seus motivos de se calar, entendo que ele te magoou, que ele foi um babaca com você, que te acus
129 - O CHEFINHO ESTÁ INSUPORTÁVEL HOJE
Celina abriu a porta do seu apartamento e entrou com passos lentos. O silêncio do lugar contrastava com o redemoinho de sentimentos dentro dela. Largou a bolsa sobre o sofá, afundou no estofado macio com um suspiro cansado e pegou o celular. Digitou uma mensagem rápida para Gabriel: “Já cheguei em casa.”Bloqueou a tela e deixou o celular sobre a mesinha de centro. Levantou-se, foi até a cozinha, abriu a janela para deixar o ar fresco entrar e foi até o filtro. Serviu-se de um copo d'água e encostou-se na pia, olhando para o céu que estava levemente nublado. O cinza lá fora parecia refletir exatamente como ela se sentia por dentro. Os pensamentos estavam longe... cada palavra de Tatiana ainda ecoava dentro dela. Cada frase dita pela amiga servia como um espelho, revelando feridas que ela ainda tentava esconder até de si mesma.Ela voltou para a sala em passos pensativos e abriu a janela da varanda. Sentou-se novamente no sofá, pegou o celular e viu que Gabriel havia respondido:"Tô i
130 - NÃO TEM COMO EXISTIR UM NÓS DEPOIS DE TUDO
Celina sentou-se ao lado de Gabriel. Então ele começou a falar:— Eu sei que você vai dizer que está tudo bem... mas não está, né? — ele começou, com aquela voz suave e acolhedora.Celina deu um sorriso fraco, fitando o chão.— Eu não tô chorando por ele. Não é sobre ele. É só... é muita coisa.Gabriel assentiu, compreensivo.— Eu não disse que é por ele. Mas você também não consegue esconder que algo ali ainda te mexe, Celi. Até porque está tudo muito recente.Então Celina começou a chorar e Gabriel respeitou o momento dela.O entardecer se derramava pelas janelas como um véu dourado, tingindo os móveis de tons quentes e suaves. Gabriel estava com aquele olhar cheio de sensibilidade, como se lesse além das palavras. Quando Celina se acalmou ele disse:— Quero entender o que está acontecendo, o que você queria conversar comigo ontem. — ele disse com gentileza, sem apressá-la.Celina olhou para ele, respirou fundo e começou a falar. Com voz firme, mas embargada em alguns momentos, ela