All Chapters of O CHEFE QUE EU ODIEI AMAR : Chapter 131
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131 - E TALVEZ AINDA ESTEJA EM LUTO POR AQUILO QUE EU SONHEI
Gabriel se aproximou, com cuidado.— Você não precisa provar nada pra ninguém, Celina. Só precisa ser honesta. Consigo mesma, primeiro. E depois com os outros.— Eu não vou voltar pra ele — ela disse de repente, com firmeza.Gabriel a observou.— Isso eu tenho certeza. Eu não vou voltar pro Thor. Mesmo que ele se ajoelhe na minha frente. Eu não consigo mais. Acabou.— E você tem certeza disso?Celina olhou nos olhos dele, com determinação.— Tenho.Ela baixou o olhar e continuo falando:— Uma parte de mim ainda sente raiva por tudo que eu passei. E talvez... ainda esteja em luto por aquilo que eu sonhei. Pelo amor que eu achei que era verdadeiro. Mas não é porque eu quero de volta. É só... difícil aceitar que foi tudo uma mentira.Gabriel tocou levemente a mão dela.— Não foi uma mentira, Celi. Pode ter acabado mal, pode ter se perdido no caminho, mas existiu. E você precisa dar um ponto final de verdade nessa história se realmente está convicta que acabou. Não dá pra escrever outro c
132 - ERA SÓ UM HOMEM EM RUÍNAS.
Depois de longos minutos, levantou-se cambaleante e seguiu até o quarto do casal. Empurrou a porta com suavidade, quase como se pedisse licença para entrar. Tudo estava exatamente como Karina deixara. Os perfumes sobre a penteadeira, as joias guardadas com cuidado, a foto dos dois na cabeceira da cama. Ele foi até o closet, hesitante. Quando abriu as portas, o cheiro dela veio como um soco no estômago.As roupas de Karina, todas organizadas, algumas ainda com etiquetas de compras que ela nunca teve tempo de usar. Thor passou as mãos por elas, tocando cada tecido como se pudesse encontrar ali algum vestígio de calor. Pegou um dos vestidos favoritos dela, um floral leve que ela usava nos fins de tarde, e levou ao rosto. Inspirou fundo. O perfume dela ainda estava ali.Foi demais.Um soluço escapou, alto, doído. Thor caiu de joelhos no meio do closet, com o vestido nas mãos, o rosto enterrado no tecido. Gritou em silêncio. O peito parecia prestes a explodir. As lembranças vinham como uma
133 - É HORA DE DIZER ADEUS
Por volta das oito da manhã, o quarto ainda guardava o silêncio pesado de uma madrugada maldormida. O sol já invadia o quarto por entre as frestas da cortina, mas Thor ainda estava ali, jogado na cama, mergulhado em um sono pesado e inquieto. O cheiro do vestido de Karina, abandonado ao lado do travesseiro, ainda impregnava o ambiente. Ele despertou devagar, os olhos pesados, como se o corpo resistisse a acordar. A cabeça latejava, o peito doía. Espreguiçou-se lentamente, sentindo um desconforto estranho, uma espécie de vazio que começava no peito e se espalhava pelas veias como um sopro gelado. Como se estivesse se desprendendo de algo — ou de alguém.Esticou a mão e pegou o celular sobre o travesseiro. A tela se acendeu: dezenas de notificações. E-mails, mensagens, alertas. Ele olhou por alguns segundos, mas não teve ânimo para ler nada. Bloqueou a tela e largou o aparelho sobre a cama. Respirou fundo, ainda sentado, olhando fixamente para o nada.Seus olhos pousaram sobre a foto no
134 - SUA AMIGA ME ESCONDE COISAS
Quando saiu do chuveiro, pegou uma toalha e enrolou na cintura. Depois parou de frente para pia de mármore, pegou a espuma de barbear, espalhou sobre o rosto e começou a fazer a barba com movimentos lentos, quase ritualísticos. Cada lâmina que deslizava sobre sua pele parecia cortar, também, os laços que ainda o prendiam àquela história que já não fazia sentido.Quando terminou, enxaguou o rosto, enxugou-se com a toalha branca ao lado e olhou-se no espelho novamente. O homem ali refletido já não era o mesmo. Algo nele havia mudado. Voltou ao quarto, foi até o closet. Vestiu-se devagar, uma roupa impecável, colocou o relógio favorito. Passou perfume. Arrumou o cabelo com as mãos.Ali estava ele. De pé. Pronto.Olhou-se mais uma vez no espelho. A imagem refletida agora era de um homem que havia sangrado por dentro, mas que escolhia viver. Que escolhera seguir em frente. Thor respirou fundo, pegou a chave do carro e saiu. Tinha um dia inteiro pela frente. A empresa o esperava. A vida ch
135 - EU AMO CUTUCAR AQUELE HOMEM
Zoe caminhava apressada pelo corredor da empresa, com um leve sorriso nos lábios e o celular já nas mãos. Era seu horário de almoço e, como de costume, precisava dividir com Celina o que estava atravessando seu peito desde o dia anterior. Ela mal conseguia esperar mais um minuto. Apertou o botão de chamada e levou o celular ao ouvido.— Zoe, de novo? — atendeu Celina, rindo. — Está ocupada?— Eu que te pergunto isso, mulher! — Zoe rebateu em tom animado. — Está ocupada? Pode falar?— Não, acabei de parar de escrever. Estava preparando meu almoço, mas confesso que hoje não tô com muita fome... Acordei meio enjoada.— Ixi... Enjoada? Vida de grávida ativada com sucesso!— Deve ser alguma coisa que comi ontem e os bebês não aceitaram ou ansiedade. Sei lá. — Celina respondeu, tentando minimizar. — Mas fala, que voz é essa de quem tá prestes a explodir?— Amiga... — Zoe começou, arrastando a palavra como se fosse um suspense de novela mexicana. — Eu ia na tua casa hoje à noite só pra te co
136 - NÃO QUERO ME TORNAR UMA PRISÃO PRA ELA
Thor a olhou por um segundo, como se não soubesse se devia sorrir ou chorar.— É com ela que eu quero tentar. É nela que vejo o agora. Mas... tenho medo de estragar tudo.— Medo de ser quem era antes?Thor assentiu lentamente.— Não quero repetir erros. Não quero me tornar uma prisão pra ela. Ela já viveu isso com o ex-marido. Eu preciso ser melhor.A sessão seguiu em um tom introspectivo e terminou pontualmente. Embora ele fosse um homem de negócios acostumado a controlar tudo ao seu redor, ali, naquele consultório, ele permitia que suas emoções transbordassem. Era o único lugar onde ele não precisava ser implacável, inflexível, nem esconder o peso que carregava nos ombros desde que assumiu os negócios da família. Ao sair do consultório, ele respirou fundo, ajeitou a gravata com a expressão carregada e voltou direto para a empresa. Ainda havia muito a resolver e, às 17h, ele estaria diante de novos investidores.Já em sua sala, focado em documentos e revisando números no computador,
137 - ELE PERGUNTOU POR VOCÊ SABIA?
Thor dirigia feito um louco pelas ruas da cidade, os pensamentos se atropelando. Estava desesperado para chegar até a mãe, mas não conseguia evitar que a imagem de Celina invadisse sua mente. Seus braços ainda lembravam o toque dela, e os olhos... Aqueles olhos que pareciam despir sua alma, mesmo sem querer.Quando chegou à mansão da família, jogou o carro na garagem e correu para dentro. Encontrou Raul na sala, visivelmente abatido.— Onde ela está? — perguntou sem fôlego.— No quarto. O médico está lá com ela. Parece que foi apenas um pico de pressão, mas... — Raul pausou. — Ela pediu por você.Thor não respondeu. Subiu as escadas com pressa e entrou no quarto. Sua mãe, mesmo pálida, sorriu ao vê-lo.— Meu filho...Ele se aproximou, pegou a mão dela com delicadeza e se ajoelhou ao lado da cama.— Você me assustou, mãe.— Foi só um susto, meu querido. O médico disse que foi emocional. Preciso descansar mais... e me preocupar menos.Ele respirou fundo, se culpando mentalmente. Sabia q
138 - EU VOU ATÉ ELE AGORA
Celina se virou de imediato, surpresa. — O quê? — Isso mesmo que você ouviu. O poderoso chefinho perguntou por você. E não foi só isso. Ele disse que as coisas vão mudar. Celina cruzou os braços. — É claro que vai. O casamento dele tá chegando... Zoe deu de ombros com fingida inocência. — Pois é, né? Mas como você mesma disse que entre vocês não tem mais volta, então está tudo tranquilo da sua parte, né? Ela terminou a frase cutucando Celina de leve na costela, fazendo-a rir e revirar os olhos. Celina se levantou com um sorriso. — Vamos pra cozinha porque alguém aí disse que ia fazer nosso jantar... Zoe levantou animada. — E você vai perder ele se continuar mentindo pra si mesma! — Aff... — Celina bufou, já indo em direção à pia. — Agora cadê o moreno alto, bonito e sensual que ia cozinhar pra gente peladão, só de avental? — disse Zoe, colocando a mão na cintura e jogando o cabelo pro lado, como se posasse para uma propaganda. Celina gargalhou alto. — Se ele aparecer pel
139 - JÁ ESTAVA MAIS DO QUE NA HORA DELE DEIXAR O LUTO
O elevador parou com um leve tranco. Celina deu um pulo discreto e abriu os olhos no mesmo instante. As portas se abriram revelando a ampla e luxuosa sala da cobertura de Thor. Ela deu um passo hesitante para fora. O ambiente estava iluminado de forma suave, com luzes indiretas dando ao espaço um ar acolhedor. O aroma era familiar: um misto de madeira, lavanda e algo que ela não sabia definir, mas que reconheceria em qualquer lugar — era o cheiro dele. Foi então que ouviu passos vindos do corredor. A figura da governanta, Dona Sara, surgiu, parecendo nervosa e surpreendida com a presença inesperada de Celina. Os olhos da senhora estavam arregalados, e seu rosto, normalmente calmo e discreto, estava pálido. Celina parou, sentindo o estômago revirar. — Dona Sara? — disse com a voz trêmula. — Está tudo bem? A senhora deu um passo à frente, arrumando a blusa com gestos ligeiros, como se não soubesse o que fazer com as próprias mãos. — Ah, senhorita Celina... eu... não sabia que
140 - LUTA POR MIM PELOS NOSSOS FILHOS
O silêncio da madrugada começava a se instalar como um manto espesso sobre a casa. O céu escuro lá fora parecia refletir o estado de espírito de Celina, que caminhava de volta ao quarto com o coração pesado, após conversar com Dona Sara na cozinha. As palavras doces da senhora idosa ainda ecoavam em sua mente, mas foram silenciadas quando ela abriu a porta e se deparou com Thor agitado na cama.Ele se revirava entre os lençóis, o corpo tremendo em febre alta. O suor escorria por sua testa, e os olhos semiabertos pareciam não enxergar o presente. Thor falava com o passado. Chamava pelo nome da falecida esposa em meio a delírios febris, murmurava — Théo, meu filho... me perdoa...Com a voz embargada, e por fim, num sussurro que cortou o coração de Celina como uma lâmina, ele chamou por ela.— Celina... me perdoa... não me deixa... eu te amo...Ela parou por um segundo, sentindo o ar escapar dos pulmões. O impacto daquelas palavras proferidas em um delírio sincero a atingiu como uma ava