All Chapters of O CHEFE QUE EU ODIEI AMAR : Chapter 211
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211 - VOCÊ VAI ME SEQUESTRAR?
Foi como um choque elétrico. Ficaram assim, por um segundo longo demais, próximos, vulneráveis. O olhar dele dizia mais do que qualquer palavra. O dela, então… era um mar de sentimentos contidos. Thor desviou o olhar, desconcertado. Limpou a garganta e ela voltou ao procedimento, mais séria, mais rápida. — Pronto… terminei. Ele levantou-se, pegou a bandeja e foi até o banheiro e então… o celular tocou. Estava sobre a cama, ao lado de Celina. Ela olhou para a tela: "Modelo". A tal modelo do vídeo estava alí, destruindo aquele momento. Celina congelou. Pegou o celular sem pensar. Thor saiu do banheiro enxugando as mãos e parou ao vê-la segurando o aparelho. Ela estendeu o celular para ele, com o rosto já transformado. A expressão suave de minutos antes havia desaparecido. Agora, era só frieza. — Toma. Ele pegou o aparelho e imediatamente recusou a chamada. — Celina… — Não quero mais ver filme. Quero voltar para o meu quarto. — Não precisa disso… — disse ele, tentando manter
212 - ENFIM, A SÓS
As nuvens pesadas e o céu acinzentado tornavam o ambiente ainda mais silencioso e tenso, como se o próprio universo estivesse atento ao que estava prestes a acontecer ali. Celina o encarou com os olhos semicerrados, os braços cruzados diante do peito, e o tom de voz cortante.— Em que momento exatamente você resolveu me trazer pra cá? — perguntou, sem desviar o olhar.Thor apertou os lábios num sorriso enviesado, o sarcasmo escorrendo pela voz.— Quando eu percebi que se eu não fizesse isso, você ia continuar fugindo. Dei tempo suficiente pra você falar. Esperei, respeitei. Mas como sempre, você prefere o silêncio. Fugir. Então resolvi te trazer pra longe de tudo. Não era agora, ia ser depois da consulta. Mas, bem... devido às circunstâncias... cá estamos. Seja bem-vinda, querida.— Você é insuportável, Thor.Ele riu, debochado.— Na cama você não dizia isso.Celina nem teve tempo de retrucar. Thor já foi logo falando:— Vem que eu vou te pegar no colo.— Eu vou andando.— E o repouso
213 - VOCÊ FOI UM ERRO
Thor andou até a janela. A voz dele agora era mais baixa, mas carregada de emoção.— O Raul... não é meu pai biológico. O casamento dos meus pais foi um acordo entre famílias. Mas minha mãe era apaixonada por um funcionário do meu avô. Um canalha. Ele sabia manipular. Ela se entregou pra ele, achando que era amor. Só que ele queria status. Meu avô descobriu e deu um fim naquilo. Três meses depois, minha mãe casou com Raul.Celina ouviu, imóvel, o rosto pálido.— Minha mãe escondeu a gravidez. O casamento no início foi uma fachada. Dormiam em quartos separados. Ela o desprezava, o culpava por achar que ele tinha envolvimento no sumiço do desgraçado. Mas um dia, ela desmaiou. No hospital, Raul soube. Ela estava grávida. Meu pai disse que o mundo dele desabou. Ela não era mais virgem. Estava grávida de outro. E não o amava. Mas sabe o que ele fez?Thor se virou para ela. Os olhos dele marejados, porém firmes.— Ele me assumiu como filho. Por amor a ela. Mesmo sendo rejeitado. Mesmo ouvin
214 - O HERÓI VEIO SALVAR A DONZELA
Ele se levantou, caminhando até Celina, se ajoelhando diante dela.— Mas decepcionei ele de novo quando escolhi a Karina e me casei com ela. O acordo era para eu me casar com Isabela. Tudo já estava fechado. Mas fui teimoso. Segui o coração. Raul ficou decepcionado. Ficamos distantes de novo. Mas Karina... ela o conquistou. E quando ele soube que seria avô pela primeira vez, ele ficou radiante.Celina abaixou o olhar, e Thor segurou as mãos dela.— Como você já sabe, a vida me tirou tudo. A mulher. O filho. A paz. Mas meu pai... meu pai me deixou uma lção que nunca vou esquecer. Ele dizia que quando um homem se interessa por uma mulher que tem um filho, ele precisa aceitar primeiro a criança. E ser, se possível, melhor que o pai biológico.Thor passou o polegar com carinho pelas mãos dela.— Essa é a atitude de um homem de verdade, Celina. E foi isso que eu tentei fazer. Porque meu pai, o homem que me ensinou o que é amor de verdade, me mostrou isso com cada gesto. Ele nunca forçou mi
215 - VOCÊ VAI SER PAI
O sol da manhã mal rompia o horizonte, lançando uma luz pálida sobre o chalé coberto pela geada. A brisa cortante do inverno soprava suave, fazendo os galhos nus das árvores balançarem com delicadeza. O lago ali perto estava quase imóvel, coberto por uma leve névoa que subia da água como se o rio estivesse respirando.Celina, de casaco grosso e as mãos enfiadas nos bolsos, caminhava devagar pela trilha até a margem. Thor a seguia, calado, respeitando o silêncio que o momento pedia.Quando ela parou perto do lago, o ar embaçou ao sair por entre seus lábios. Ela olhou fixamente para a água. E, sem virar-se, começou a falar — com a voz baixa, quebrada, como quem revisita um lugar antigo dentro de si.— No dia em que te conheci, Thor... antes daquele hotel... eu estava em casa, sozinha, em frente ao espelho. E ali, eu me perguntei: Será que eu ainda sou bonita? Será que estou envelhecendo? Será que ele já encontrou alguém melhor? — A voz dela vacilou, mas seguiu. — César já tinha outra. T
216 - SENTIA FALTA DE VOCÊ
A noite no chalé havia sido longa. Entre lágrimas, sorrisos e palavras que libertaram os dois de antigas amarras, Celina e Thor passaram horas conversando. Ali, diante do lago que parecia guardar segredos e devolver verdades, eles se permitiram abrir a alma. Falaram sobre o passado, sobre os erros e, principalmente, sobre o futuro que ambos queriam construir juntos.Eles sabiam que a vida não lhes daria um mar de rosas. Estavam conscientes de que haveria dias difíceis, desentendimentos e desafios. Mas também estavam certos de que o amor, o respeito e o diálogo seriam seus pilares. E isso, para eles, era suficiente para recomeçar.Na manhã seguinte, o chalé ainda estava envolto na bruma fria do inverno. Os primeiros raios de sol atravessavam timidamente as cortinas claras, desenhando faixas douradas sobre o lençol branco. Celina ainda dormia profundamente, o corpo envolto em cobertores, um leve sorriso repousando nos lábios, como se o sono ainda fosse extensão da noite feliz que tivera
217 - NUNCA MAIS VAMOS DORMIR SEPARADOS
Thor e Celina saíram do hospital. A consulta havia sido tranquila, ela e os bebês estavam bem, os pontos foram tirados. Thor dirigia com uma das mãos no volante e a outra segurava firmemente a mão de Celina, como se aquele simples contato fosse a âncora que o mantinha conectado à realidade e ao futuro que eles estavam construindo.Celina, contemplando o movimento das ruas de Nova York pela janela, decidiu tocar num assunto delicado. Ela sabia que precisava ser agora, que Thor precisava ouvir aquilo com o coração aberto.— Thor, posso te pedir uma coisa? — perguntou, apertando levemente os dedos dele.— Você pode me pedir tudo, minha vida — ele respondeu, lançando um rápido olhar apaixonado para ela.— Eu queria que você pensasse em tentar se reaproximar da sua mãe. — Ela sentiu a mão dele endurecer levemente. Thor respirou fundo, claramente desconfortável.— Celina, esse assunto…— Espera, me escuta. Quando Angélica me procurou e pediu para eu me afastar de você, ela fez aquilo achand
218 - NOVAS VOZES DA LITERATURA
No dia seguinte, Celina acordou cedo. Ela pegou o celular, abriu seu e-mail e encontrou uma mensagem inesperada. Seu coração acelerou ao ler o remetente: Reitoria da Universidade de Nova York. Ela clicou no e-mail com uma mistura de curiosidade e ansiedade."Prezada Celina Brown, é com grande entusiasmo que a convidamos para participar do evento literário "Novas Vozes da Literatura", voltado para autores iniciantes que estão impactando as redes sociais com suas histórias e perspectivas únicas. Seu trabalho chamou a atenção da comissão organizadora, e gostaríamos de contar com sua presença no evento que ocorrerá na próxima semana."Celina relia cada palavra, ainda incrédula. Seu conteúdo nas redes sociais, suas reflexões sobre relações e o início de seus contos autorais estavam finalmente ganhando reconhecimento. Mas junto com a empolgação veio o medo. Ela nunca havia participado de um evento assim.— Não sei se estou pronta para isso. — murmurou para si mesma.Thor apareceu na porta d
219 - ESTOU FERRADO COM VOCÊS DUAS JUNTAS
Naquela manhã o frio matinal cobria a cidade com uma fina camada de geada. A mansão onde Thor e Celina agora residiam parecia ainda mais aconchegante diante do contraste com o clima lá fora. Na sala de jantar, os dois estavam sentados tomando café da manhã juntos, um momento que eles valorizavam cada vez mais.Thor repousou a xícara de café sobre o pires e soltou um suspiro leve antes de encarar Celina com um semblante sereno, mas determinado.— Amor, esses dias vão ser bem corridos para mim. Estou resolvendo a transferência da sede para Nova York já que nós vamos morar definitivamente aqui, então preciso colocar tudo em ordem o quanto antes.Celina sorriu, compreensiva, mas também pensativa. Ela sabia o quanto a carreira de Thor era importante, mas também queria que ele não se perdesse no meio da rotina intensa.— Eu entendo, meu amor. E por falar nisso, estava pensando... A Zoe ainda está no hotel. Tenho certeza que deve ser horrível ficar lá sozinha. Por mais que ela passe o dia tr
220 - VOU TE FAZER GASTAR
Depois que Thor saiu para a empresa naquela manhã, Celina ficou alguns minutos sozinha na sala, imersa em seus pensamentos. O sorriso insistia em permanecer em seu rosto, e o coração parecia leve, algo que não sentia há muito tempo. Ela se levantou, pegou o celular e discou o número de Zoe. Bastaram dois toques para a voz animada da amiga surgir do outro lado da linha.— Quer dizer que você fez o poderoso chefinho me dispensar hoje? — Zoe brincou, a voz carregada de humor.— Sim, amiga! Eu tinha que te ver hoje de qualquer jeito. E que pena que você não pode ir ontem ao evento. Eu queria tanto ter meus amigos ontem comigo.— Ah, amiga, estava morrendo de cólicas. Um verdadeiro campo de batalha aqui dentro. Mal conseguia sair da cama. — Zoe respondeu, arrancando uma risada de Celina.— Depois do evento, ele me levou para jantar. Foi tudo tão... perfeito.— Eu estou tão feliz que vocês finalmente se acertaram. — Zoe disse, com um sorriso audível. — Nem estou acreditando! Que vocês sejam