All Chapters of Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras: Chapter 101
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101 - Em surto
Dorian entrou no quarto como uma tempestade, a porta se fechando com um estrondo que ecoou pelos corredores da mansão. O som seco da madeira batendo contra o batente parecia traduzir sua fúria. Largou o celular sobre a cômoda com um gesto brusco, tão forte que a tela chegou a trincar. Cada músculo do seu corpo estava tensionado, a respiração pesada, como se tivesse corrido uma maratona mas, na verdade, era o coração que o traía, martelando sem piedade contra o peito. Sem pensar, arrancou o paletó dos ombros e o atirou num canto, depois puxou a gravata de modo quase violento, o nó resistindo ao primeiro puxão, o que apenas alimentou ainda mais a raiva. Precisava de um escape, qualquer coisa que desse vazão ao turbilhão dentro dele. Caminhou até o banheiro, tirando as roupas com movimentos impacientes, e fechou-se sob o jato do chuveiro, a água quente caindo sobre sua pele sem que ele ao menos sentisse. Mas a água não lavava nada. A imagem voltava inteira, nítida demais
102 - Devastados
Francine levou a xícara aos lábios, mas o chá esfriava em suas mãos. O aroma suave não tinha efeito algum sobre a tempestade que se formava dentro dela. O olhar fixo no vazio denunciava o que as palavras, até então, não tinham conseguido sair. — Ele acabou comigo, Malu… — a voz saiu rouca, quase um sussurro. Malu se aproximou, apoiando a mão sobre a dela, firme e quente. — Fran, não dê a ele esse poder. Você consegue seguir sem ele. Francine respirou fundo, mas o ar pareceu preso nos pulmões. — Ele me ameaçou… — a confissão veio com um tremor, como se tivesse medo de que apenas repetir aquilo já fosse chamar a desgraça para dentro da cozinha. — Disse que vai contar pros meus pais onde eu trabalho. Malu franziu a testa, surpresa. — E por que isso é uma ameaça? O riso que escapou de Francine foi amargo, sem alegria. — Porque meus pais não valem nada, Malu. — ela ergueu o olhar, os olhos marejados refletindo uma dor antiga. — São dois golpistas. Dois parasitas qu
103 - Sim, senhor
Dorian ergueu os olhos lentamente, como se fosse um esforço arrancado de dentro dele. O olhar, carregado e sombrio, encontrou o dela, e Francine sentiu o corpo inteiro arrepiar. — Dorian… — sua voz saiu frágil, quase um sussurro, mas cheia de urgência. — Eu preciso conversar com você. Ele fechou o maxilar, a respiração pesada. — Não tenho nada pra falar com você, Francine. Vai embora. Ela deu um passo hesitante. — Eu sei o que você viu… mas você entendeu errado. E eu preciso te explicar. Num movimento brusco, Dorian se levantou, o banco rangendo atrás dele. O grito veio como um trovão. — Eu não quero explicações! O corpo dele avançou na direção dela, predatório, como um leão encurralando a presa. Francine recuou instintivamente, mas ele não a tocou. Não precisava. A fúria transbordava em cada músculo, em cada linha do rosto contraído. — Eu te falei, Francine! — a voz dele ecoou no terraço. — Ontem! Não foi há um mês, nem há um ano… foi ontem! E você já se esqueceu? Ela fi
104 - Cartas
Malu acordou sobressaltada, com aquela sensação ruim no peito. Algo estava diferente. Ela se virou para a cama ao lado, a de Francine, e o vazio a atingiu como um soco. A cama estava arrumada, perfeita demais, sem qualquer sinal de quem costumava dormir ali. Apenas alguns papéis cuidadosamente colocados sobre o travesseiro. Apressada, correu para a cozinha, esperando encontrar Francine tomando café ou ajeitando algo, mas só havia alguns funcionários distraídos com a rotina matinal. Um frio subiu pela espinha de Malu. Algo havia acontecido, e ela não sabia o que. Voltou para o quarto, o coração batendo descompassado. Quando abriu o guarda-roupa, a confirmação veio: uma boa parte das roupas de Francine havia desaparecido. A mala que ela sempre deixava no topo, pronta para qualquer viagem, também não estava. Malu sentiu o aperto aumentar, o pensamento disparando: "Francine… o que você está aprontando?" Seus olhos então pousaram sobre os papéis na cama. Cartas,
105 - Au revoir
O táxi freou diante do aeroporto ainda envolto na penumbra suave do amanhecer. O coração de Francine batia descompassado, e, por um instante, ela ficou imóvel, encarando o reflexo do vidro da janela como se ainda pudesse recuar. Mas a lembrança da noite anterior veio como uma lâmina: a espera arrastada pelo pagamento, o instante em que a demora abriu espaço para que Natan se impusesse, como sempre fazia, deixando atrás de si um rastro de medo e vergonha. A raiva subiu quente em sua garganta. Ela puxou a carteira com firmeza, tirou uma nota e, quando o motorista abaixou a mão para pegar o troco, ela apenas balançou a cabeça. — Pode ficar — disse seca, sem olhar para trás. Bateu a porta com força e, com passos decididos, avançou rumo ao saguão. O ar frio do aeroporto lhe atingiu o rosto, mas, em vez de gelar, trouxe uma estranha sensação de liberdade. Aproximou-se do balcão de atendimento com a pressa de quem não pode se dar ao luxo de hesitar. — Quero a próxima p
106 - Homens em fúria
O som do interfone ecoou no pequeno espaço da portaria. Eduardo ajeitou o quepe antes de apertar o botão e responder: — Pois não? Do outro lado da câmera, Natan encarava o portão como se pudesse atravessá-lo apenas com a força do olhar. A respiração dele era pesada, a postura inquieta. — Preciso falar com a Francine. Agora. Diga que é Natan. — Sua voz soou carregada de impaciência. Eduardo, impassível, caminhou até o portão. Sem abrir, retirou um envelope do balcão e estendeu pela pequena fresta. — A senhorita Francine não está. Mas deixou isto para o senhor. Natan arrancou o envelope da mão do porteiro, já antecipando o conteúdo. Rompeu o papel com brutalidade e puxou a carta. Bastou uma olhada para que seu rosto se contraísse num misto de incredulidade e fúria. Em letras garrafais, a única mensagem: “Vá para o inferno, Natan!” As mãos dele tremeram. O papel foi amassado e jogado ao chão, enquanto um rugido escapava de sua garganta. — Onde ela está?! — bradou,
107 - A verdade dói
Por alguns minutos, Dorian apenas encarou o envelope como se fosse uma bomba prestes a explodir. Parte dele queria ignorar, outra queria rasgar tudo em pedaços sem sequer olhar. Mas o papel sobre o travesseiro parecia zombar dele, um desafio silencioso que atiçava ainda mais sua fúria. Com um movimento brusco, ele abriu o envelope. Dentro, um bilhete… e um pendrive. — Que merda é essa agora? — rosnou, apertando o objeto entre os dedos. Conectou o pendrive ao notebook, e só então leu o bilhete. “Já que você só acredita no que seus olhos veem, vê se assiste essa merda com os olhos bem abertos. Se não acreditar nos seus olhos, ouça o áudio e acredite nos seus ouvidos.” Seu coração disparou, os músculos do maxilar se contraíram. Ele clicou no arquivo de vídeo, e o ar pareceu sumir dos pulmões. Francine. Sendo empurrada com violência contra uma pilastra. O áudio estava desligado, mas não havia dúvida: o corpo dela estava tenso, os olhos arregalados, a resistência c
108 - Onde ela vai estar
Dorian largou a carta sobre a escrivaninha com força, como se o papel tivesse queimado sua pele. — Porra, Francine… precisava mesmo ser tão drástica? — murmurou, o maxilar travado. Denise, que estava próxima, ergueu o rosto com uma mistura de cautela e curiosidade. — Dorian, o que exatamente você fez a essa menina? Ele soltou um riso curto, amargo. — Nada. Fui um idiota, só isso. Passou as mãos pelos cabelos, tentando organizar os pensamentos que teimavam em se atropelar. O peso do silêncio o sufocava até que, de repente, uma lembrança surgiu: o dia em que encontrou Francine na cidade, almoçando com uma colega. Virou-se para Denise, num impulso. — Aquela amiga dela… como era mesmo o nome? Você sabe em que setor ela trabalha? A governanta pensou por um instante. — Se for a Malu, ela trabalha na cozinha. — Isso! Malu! Eu lembro dela falar esse nome! — os olhos dele brilharam por um instante, como quem enxerga uma brecha na escuridão. — Obrigado, Denise, você é um anjo! Ant
109 - Alô, Paris
Francine desceu do avião com o coração disparado, como se cada batida denunciasse o peso da decisão que tinha tomado. — Alô, Paris, Francine Morais chegou, vocês não perdem por esperar! — disse baixinho, enquanto descia do avião. Paris não a recebeu com sorrisos, flores ou o charme que tantas vezes vira em filmes. O aeroporto era barulhento, cheio de pessoas falando alto em uma língua que ela mal dominava, e por um instante, o arrependimento quase a sufocou. Tinha mesmo sido sensato largar tudo e atravessar o oceano? Segurando firme a mala de rodinhas, passou pela imigração e seguiu até a saída. O frio que a envolveu logo que atravessou as portas de vidro era cortante, muito diferente do calor abafado que deixara para trás. Puxou o casaco mais para cima e olhou ao redor, procurando um táxi. — Taxi… hôtel, s’il vous plaît — murmurou, com seu francês hesitante, para o motorista de rosto sisudo que parou diante dela. Ele a olhou de cima a baixo, como quem avalia a
110 - Ao trabalho
No dia seguinte, Francine respirou fundo enquanto olhava para a fachada da primeira agência de modelos que tinha anotado no caderno improvisado. Era um prédio elegante, com portas de vidro e o logo cravejado em dourado. Ela apertou o book contra o peito, sentindo o peso da insegurança, mas também da determinação. No balcão, a recepcionista a olhou de cima a baixo, os olhos avaliando cada detalhe. Francine estufou o peito, tentando parecer confiante, enquanto pensava: “Se eu não arrasar, pelo menos faço eles se arrependerem de me dispensar” — Bonjour, je suis Francine… — disse, tropeçando um pouco na pronúncia. O agente pegou o book e folheou rápido, franzindo a testa. — Você tem um rosto bonito — disse, em tom seco — mas é só isso. Não vejo potencial em você, ainda mais com esse peso. Francine engoliu seco, mas já se preparava para a resposta interna: “Tá, obrigado pelo feedback. Você vai se arrepender de me dispensar, seu abusado.” — Obrigada — disse, com u