All Chapters of Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras: Chapter 111
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111 - Quem ele é
Enquanto Francine tentava se estabelecer em Paris, batendo de porta em porta em busca de uma agência, Dorian descobria que viver sem a presença dela era como caminhar em um deserto interminável. Cada manhã parecia mais árida, cada noite mais longa. A esperança de reencontrá-la no baile da Montblanc, dali a dois meses, era o único fio que ainda o mantinha focado. Naquela manhã, sentado à cabeceira da longa mesa de reuniões, ele se esforçava para manter a postura. Executivos falavam de gráficos, projeções e parcerias, mas nada parecia fixar-se em sua mente. — Com esse reajuste no câmbio, podemos aumentar a margem de exportação em pelo menos cinco por cento — disse um deles, empolgado. Dorian assentiu mecanicamente, mas sua atenção já havia se dispersado. Seus olhos haviam parado no centro da sala, onde, sob um domo de vidro, repousava a máscara que Francine usara no baile que dera início a tudo. Um detalhe decorativo, colocado ali por iniciativa dele mesmo, que para
112 - Do que você é capaz
Francine acordou com um peso no peito. O visor do celular brilhava em vermelho: saldo quase zerado. Ela suspirou fundo, empurrou o lençol e encarou o teto do quarto do hotel como se ele pudesse oferecer uma solução milagrosa. Nada. — Café da manhã primeiro, drama depois — murmurou para si mesma, descendo até o saguão. Engoliu rápido um croissant murcho e um café forte demais. Quando saiu à rua, o frio da manhã parisiense a atingiu como um choque de realidade. Ela fechou o casaco e respirou fundo. — Vamos lá, Francine. Hoje você vira adulta de verdade. Com a cara e a coragem, começou a entrar em lojinhas, padarias e cafeterias. Um sorriso aqui, um “bonjour” mal pronunciado ali, sempre seguida de um “não, já estamos completos” ou de olhares que nem se davam ao trabalho de responder. Horas se passaram. O estômago roncava alto, implorando por misericórdia. Foi então que ela avistou uma cafeteria aconchegante na esquina. As mesinhas na calçada estavam ocupadas, clien
113 - Casa nova
Os dias seguintes se tornaram uma rotina quase sagrada. Ela acordava junto com o sol, descia para o café da manhã, corria para a cafeteria, cumprimentava todos os colegas e clientes, e rapidamente seu francês melhorava. Agora não precisava mais depender do inglês para confirmar pedidos. A simpatia e dedicação de Francine fidelizavam cada vez mais clientes, e seu patrão começou a confiar nela para lidar com os horários mais movimentados. Em um dos raros momentos de pausa no trabalho, seu chefe puxou assunto: — Você veio do Brasil, não é? — perguntou ele, curioso. — Sim, e lá fui acostumada a servir com educação. Mas a simpatia é de berço, sabe? — respondeu Francine, sorrindo. Ele riu e balançou a cabeça: — Pois está funcionando. Os clientes adoram você. Os dois ficaram em silencio por um instante. Logo, ele continuou a conversa. — Onde está morando? — Só num quarto de hotel, mas preciso achar algo mais barato, porque tá difícil manter. O patrão pensou por alguns
114 - Mexendo num vespeiro
Dorian já havia adotado uma nova rotina sem perceber. Desde que Francine deixara a mansão, passou a tomar o café da manhã na cozinha, hábito impensável para ele até então, apenas para ouvir da boca de Malu qualquer notícia que pudesse existir sobre ela. Naquela manhã, a cozinheira parecia desconfortável com as perguntas insistentes. — A Francine já conseguiu um lugar pra ficar — disse, ajeitando a toalha sobre a mesa. — E já está trabalhando também. Está bem… e continua sem querer notícias do senhor. Dorian fechou os punhos. A resposta seca atingiu-o mais do que gostaria de admitir. — Malu… pelo menos me diga onde ela foi. Ela ergueu o queixo, firme. — Se quiser, pode até me demitir, mas eu não conto. O olhar dele endureceu, mas não havia frieza suficiente para mascarar o desespero. — E ficar sem notícia nenhuma dela depois disso? Nem pensar. Você continua aqui, me dando todas as informações possíveis. Malu não conseguiu evitar uma risada curta diante daquela cena.
115 - O início da vingança
Dorian ficou alguns minutos em silêncio diante da pasta aberta sobre a mesa. O nome Natan Ferraz latejava em sua mente como uma lembrança maldita que insistia em não se revelar por completo. Ele inclinou-se para trás na poltrona, respirando fundo. Estava tão mergulhado em seus próprios pensamentos que nem percebeu quando a porta foi aberta com discrição. — Senhor Villeneuve? — a voz suave da secretária o trouxe de volta. — Precisa de algo antes da reunião das dez? Dorian ergueu os olhos. Em vez de dispensá-la, como faria normalmente, apoiou os cotovelos sobre a mesa. — Sim. Preciso de um contato. — Algum em específico? — Quero que encontre para mim a principal ONG de proteção às mulheres. De preferência alguma com credibilidade, que seja reconhecida pela imprensa. A secretária piscou, surpresa com a solicitação incomum. — Claro, senhor. Deseja que eu agende um encontro? — Não. — Dorian fechou a pasta com um estalo seco. — Quero falar com a diretoria. Hoje. E
116 - Difamação
O restaurante tinha aquele burburinho discreto de gente poderosa fingindo que não repara em ninguém. Natan escolheu a mesa de sempre, encostada na janela, onde o sol filtrado pela película deixava tudo com um brilho caro. Pediu um tartare, água com gás, e tirou o celular do bolso, pronto pra mais um almoço em que ele seria a pessoa mais importante do recinto. Na cabeça dele, sempre foi. Demorou exatos três minutos para notar o primeiro olhar torto. Um casal na mesa ao lado cochichou e desviou rápido quando ele encarou de volta. “Inveja”, pensou, ajeitando a manga do paletó. O garçom se aproximou com uma educação rígida demais, mecânica, como quem cumpre tabela. Ao apoiar o prato, a mão tremeu um nada. Natan ergueu o queixo. — Algum problema? — a voz saiu fria. — Nenhum, senhor — respondeu o garçom, e sumiu como se tivesse sido engolido pelo salão. As notificações começaram a pipocar. Primeiro o grupo de diretores da empresa: URGENTE. Depois, mensagens não lid
117 - Julgamento
O celular de Natan tremeu de novo. As mensagens chegavam sem parar, uma atrás da outra. Desta vez, uma mensagem do jurídico: “Liminar improvável. Material legítimo. Danos de imagem em curso.” Em seguida chegou outra, da assessoria: “Canais pedem posicionamento. Não fique em silêncio.” Ele apertou o botão lateral com força demais, como se pudesse esmagar as vozes. — Isso é coisa dela — murmurou, começando a andar de um lado pro outro, como um predador enjaulado. — Ela me provocou, ela montou isso, ela deve estar aqui, por perto, rindo. Essa… — ele parou, a respiração acelerada — eu vou revirar essa cidade de cabeça pra baixo. Eu vou achar a Francine e… — E vai fazer o quê? — André interrompeu, o olhar duro, quase com pena. — Vai provar que o vídeo estava certo? Natan, por Deus. Senta. Respira. Natan sentou só no corpo, a cabeça não obedeceu. Uma náusea subiu com o gosto da humilhação. As cenas do restaurante, do copo no vidro, do segurança impassível… tudo latejav
118 - Só o começo
Natan Ferraz mal podia acreditar no que estava prestes a fazer. Sentado diante da imprensa, com os olhos estreitos e o queixo erguido, ele respirou fundo antes de iniciar sua declaração pública. Por fora, mantinha a postura firme de um empresário respeitado; por dentro, cada músculo do corpo implorava para explodir. O jornalista mais próximo ajeitou o microfone em frente a ele. O flash das câmeras estourava sem parar, cada clique soando como uma martelada em sua cabeça. — Boa tarde a todos — começou Natan, a voz grave, controlada. — Em respeito às vítimas de violência, achei importante trazer à tona uma situação que, embora registrada em circunstâncias privadas, serve de alerta para todos. Uma pausa calculada. Ele engoliu seco. — Quero deixar claro que repudiamos qualquer ação de violência. A empresa que represento se solidariza com a causa e estamos cooperando com as autoridades competentes. O burburinho cresceu entre os jornalistas. Um deles arriscou uma pergunta:
119 - Um corpo brasileiro
Francine estava sentada à mesa da cozinha, mexendo distraidamente a colher dentro da xícara de café. O vapor subia, formando espirais que se dissipavam no ar, mas ela quase não percebia. Havia dormido pouco, com o coração acelerado desde a noite anterior, mas curiosamente sentia-se mais leve. Um peso antigo parecia ter sido arrancado de seus ombros. Adele entrou no cômodo com os cabelos já devidamente alinhados, uma verdadeira lady, segurando um pão recém-saído da torradeira. Ao ver a Francine ali, com um sorriso contido nos lábios, franziu a testa. — Bon jour… — murmurou, mordendo o pão. — Você está com uma cara diferente hoje. Mais… sei lá, alegre. O que aconteceu? Francine ergueu os olhos, hesitou por um instante e depois puxou o celular do bolso do robe. — Você não vai acreditar — disse, deslizando a tela e colocando o aparelho sobre a mesa. — Olha isso. Adele se inclinou curiosa. O vídeo começou a rodar em silêncio: um homem de terno caro agarrando uma mulher contra a
120 - Cada vez mais perto
Naquela semana, Francine parecia ter engolido um motor. Se antes já era ágil no café, agora ela estava em outro nível. Subia e descia os corredores com as bandejas, sorria para cada cliente e mal tinha tempo para respirar. Mas, no fundo, adorava aquela sensação de estar sempre em movimento. — Francine, desacelera um pouco, você vai desmaiar desse jeito! — o patrão ralhou um dia, quando a viu equilibrando três pratos na bandeja. Francine soltou uma risadinha, suada, mas radiante. — Desmaiar? Seu Pierre, eu tô é voando! O patrão balançou a cabeça, divertido, mas satisfeito em ver que o brilho nos olhos de Francine estava voltando. Assim que o café fechava, quando qualquer um só pensaria em cama, a esposa de Pierre, Adele, já puxava Francine pela mão: — Vamos, a corrida nos espera! Elas desciam as ruas frias de Paris, correndo lado a lado, as luzes da cidade refletindo no Sena. No começo, cada passada era uma tortura. O corpo de Francine gritava, seus pés latejavam,