All Chapters of Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras: Chapter 11
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11 - Ácida
Dorian entrou na sala de segurança e voltou a fitar Elias. — A câmera do jardim. Onde está? Elias engoliu seco. — Aquela câmera... deu pane no dia anterior, senhor. Não conseguimos recuperar as imagens. Silêncio. Dorian girou lentamente o anel no dedo. — Curioso. Justo a câmera que mostraria de onde ela veio. — Sim, senhor. Tivemos problemas com a umidade. Estamos fazendo manutenção nas externas esta semana... Dorian não respondeu. Abriu a porta com força e... Deu de cara com Francine. Ela estava parada ali, segurando uma bandeja com pães de queijo e um potinho de goiabada, prestes a entregá-los a Elias, que ficou paralisado como uma criança flagrada com o dedo no pote de açúcar. Dorian estreitou os olhos. — Funcionária da cozinha... Aqui, nesse horário? Francine endireitou a postura. O coração batia no pescoço, mas a boca. como sempre, agiu por conta própria: — Senhor, os funcionários também comem. BAM. Tiro direto no ego dele. Dorian arqueou uma
12 - Scanner Humano
Dorian acordou cedo naquela manhã. Mais cedo do que de costume. Tomou banho, vestiu uma camisa branca impecável com as mangas dobradas até o antebraço, como se o casual fosse milimetricamente calculado, e desceu para o café. A mesa estava posta com a exatidão que ele exigia. Frutas cortadas simetricamente, café servido na temperatura certa, pães quentinhos... E funcionários atentos. Três mulheres circulavam discretamente pela sala, cuidando da bandeja de sucos, repondo guardanapos, recolhendo pratos usados. Ele observava uma por uma. Cada olhar, cada movimento, cada timidez. Nenhuma delas sorriu daquele jeito. Nenhuma era ela. Na cozinha, Francine espiava discretamente pela fresta da porta, com a cabeça meio torta e o coração aos saltos. — Tá olhando o quê aí, agente secreta? — Malu sussurrou atrás dela, fazendo Francine dar um pulo. — Ele tá olhando pra todo mundo, Malu. O homem virou um scanner humano. — E você surtando desse jeito vai acabar entregando o ouro. Francine
13 - Personagem
Dorian entrou em sua sala com passos longos, firmes e impacientes. Jogou o paletó na cadeira, afrouxou os botões da camisa no colarinho e ligou o computador como se estivesse dando uma ordem de guerra. O site da antiga agência de modelos abriu rápido. Ele vasculhou sessões, nomes, arquivos de castings antigos, tudo com a precisão de um investigador. E com o humor de um homem que teve o dia atrapalhado. Nada. A conta do Ins profissional também não trazia novos rastros. A única certeza era o vazio. E o nome falso. "Francy Moreau" não era um nome real. Era artístico. Enter. Nada. Delete. Clique. Nada de novo. Cassio bateu duas vezes na porta de vidro e entrou com uma pasta em mãos. — Vim trazer o relatório da expansão no setor internacional… — ele interrompeu a frase, arqueando uma sobrancelha. — Tá tudo bem com você? Dorian não respondeu de imediato. Só continuou encarando a tela como se ela fosse responsável por um crime pessoal. Cassio puxou uma cadeira e se sentou na
14 - Passeio
O som abafado de uma playlist animada tocava ao fundo, enquanto roupas estavam espalhadas por toda parte — em cima da cama, da cadeira, do encosto da janela. Francine experimentava peças e se olhava no espelho com ar crítico. Malu estava sentada no chão, de pernas cruzadas, com um pão de queijo numa mão e o celular na outra, observando tudo como uma juíza de desfile de moda. — Malu, tô precisando comprar umas roupas e uma bolsa nova, bora bater perna? — Ah, não sei não… você sempre prova tudo e nunca leva nada! — respondeu, sem tirar os olhos do celular. Francine virou para ela, colocando as mãos na cintura. — O que posso fazer se meu gosto não é convencional? — Com um corpo desses você devia vestir qualquer coisa e se sentir maravilhosa! — disse Malu, apontando teatralmente com o pão de queijo como se fosse um microfone. Francine deu uma risadinha presunçosa e jogou o cabelo para trás com um exagero proposital. — E eu me sinto. — piscou. — Só não quer dizer que eu vá
15 - Esconderijo
Francine entrou na loja puxando Malu pelo braço, ainda rindo de alguma piada que só as duas tinham achado graça. — Essa vitrine tá gritando meu nome — disse, sem nem disfarçar o entusiasmo. Malu tropeçou num tapete mal esticado logo na entrada. — Tá gritando seu nome, mas seu cartão vai chorar, Francine! Elas mal haviam dado dez passos para dentro da loja quando Francine parou abruptamente. O sorriso sumiu do rosto. Os olhos fixaram em um ponto fora da vitrine. Dorian. Ele estava ali. Na calçada. Exatamente no lugar onde ela tinha passado. Francine congelou por um segundo. Depois, agarrou Malu pelos ombros e praticamente a jogou entre duas araras lotadas de vestidos longos. — Malu, se abaixa pelo amor de Deus! — Que isso?! Tá louca?! — É ele! — Quem? — O ele, Malu. O chefão. O dono da mansão. O... Dorian Villeneuve em carne, osso e linho italiano! Malu arregalou os olhos, já se enfiando entre os cabides. Francine espiou por uma fresta entre os vesti
16 - Que ódio!
Dorian entrou no escritório feito um furacão de terno escuro. O calor da cidade, somado ao gosto amargo do próprio orgulho ferido, parecia colar na pele feito cola. — Boa tarde, senhor Dorian... — tentou dizer a recepcionista, mas ele já tinha passado direto, com passos duros, expressão de quem estava pronto para comprar uma guerra. Cássio, do outro lado do vidro, olhou a chegada do amigo e já previu que a tarde ia ser longa. — Se perguntar qualquer coisa, ele morde. — murmurou para a secretária. Dorian jogou a pasta em cima da mesa, soltou o paletó na cadeira e nem chegou a sentar. O celular vibrou. Ele olhou com desdém — mais uma interrupção — mas atendeu assim mesmo. — Villeneuve. A voz do outro lado da linha era feminina, polida, experiente. — Senhor Dorian! Que bom falar com o senhor. Aqui é Cláudia, gerente do Studio Vega Models. Imagino que esteja ocupado, mas queria retornar sua ligação de hoje cedo. Dorian apertou os olhos, lembrando da primeira ligação ma
17 - Folga
O banho quente fez pouco para relaxar Dorian. Mas bastou para restaurar a fachada — o olhar frio, o andar preciso, o terno impecável mesmo dentro da própria casa. Na sala de jantar, tudo seguia seu ritual: mesa posta, luz baixa, louça em silêncio. Os funcionários mantinham o mesmo padrão de distanciamento que ele sempre exigiu. Ele sentou-se sozinho, como sempre. Não perguntou nada. Não agradeceu. Apenas levantou o guardanapo com um movimento mecânico e começou a refeição como se estivesse num piloto automático de luxo. A conversa com Cássio tinha surtido efeito. As horas de trabalho intenso, reuniões e relatórios tinham funcionado como anestesia. E agora ele se sentia de volta ao controle. Mas era só aparência. Porque, entre um gole de vinho e outro, Dorian voltava à busca silenciosa: a mulher do baile. Enquanto mastigava, imaginava formas de refazer o caminho. Quais rostos passaram por ele? Quais vozes? Qual gesto poderia ter denunciado algo? Cada vez que u
18 - Nome na lista
O som do relógio de parede marcava 7h. O sol invadia os corredores da mansão com a mesma sobriedade dos móveis antigos — luz fria, controlada, sem calor. Dorian ajustava os botões da camisa enquanto caminhava em direção à escada. O rosto sério, o cabelo impecavelmente penteado para trás. A mente, como sempre nos últimos dias, longe dali. No lado oposto do corredor, Francine surgia com uma pilha de roupa de cama nos braços, equilibrando lençóis e fronhas como se aquilo fosse suficiente para esconder o próprio rosto — não era. Os passos deles se cruzaram no centro da escada. Ele descendo para o café. Ela subindo com o uniforme impecável, postura reta, expressão neutra. Nem um bom dia. Silêncio. Mas no exato instante em que os corpos se desencontraram, a voz dela — firme e baixa — escapou, como se falasse sozinha: — É só conquistar ele... Dorian parou por um segundo no meio do degrau, sentindo a frase ricochetear nas costas como se fosse uma provocação calculada.
19 - Eco da minha desgraça
Francine entrou na cozinha ainda mordendo a unha e arrancou o avental como se isso fosse suficiente pra aplacar o desespero. Malu, que estava calmamente untando a forma do bolo, levantou os olhos devagar, com aquela cara de “o que foi dessa vez?”. — Ele pediu uma lista, Malu. Uma lista atualizada de funcionários. — Ele quem? — perguntou só por protocolo. A resposta era óbvia. — Quem mais? Dorian Villeneuve. O próprio. Foi até a sala da governanta, com aquele ar de quem vai abrir uma investigação federal. Malu largou a colher. — Ai, Francine… — Ai nada! — rebateu, andando de um lado pro outro como uma leoa enjaulada. — O que esse homem quer com a lista? Será que ele só quer saber o nome da fulaninha da noite do baile? Ou será que ele tá montando um relatório completo com CPF, tipo sanguíneo e última vez que a pessoa tomou vacina? — Eu aposto na segunda opção — Malu zombou. — Ele tem cara de quem dorme com planilha aberta. Francine parou e apoiou os cotovelos na bancad
20 - Encanto
O relógio do escritório marcava quase três da tarde quando Cássio entrou sem bater, já com o blazer pendurado no ombro e o copo de café pela metade. — Avisa quando for abrir uma cafeteria aqui dentro. — largou, encostando-se na estante ao lado da mesa de Dorian. — Porque do jeito que você anda animado, vai acabar distribuindo cappuccino pros funcionários. Dorian nem ergueu os olhos da tela. Estava debruçado sobre a planilha de RH, mas a atenção estava tão focada que até o ar parecia mais tenso ali. — Caffè latte, no máximo — respondeu, sem ironia, mas com um leve puxar de canto de boca. — Meu Deus, isso foi uma piada? Ele está melhorando — Cássio tomou um gole do café, balançando a cabeça. — Achei que depois da boca torta, só te veríamos feliz no Natal. Dorian finalmente parou o que fazia, se encostando na cadeira com os braços cruzados. — Estou a um passo, Cássio. — Um passo de...? — Encontrá-la. Cássio arqueou a sobrancelha com uma expressão debochada. — Ah não,