All Chapters of Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras: Chapter 21
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21 - Bons modos
— Eu vi esse menino crescer. — disse com um meio sorriso. — Vi a mãe dele o tratar como adereço de vitrine e o pai como se fosse peso de ouro. Ele aprendeu a esconder o que sente porque, na casa onde cresceu, mostrar emoção era um convite para ser usado. Francine murchou um pouco. — Eu só... não sei lidar com isso. Ele me deixa nervosa. É como se estivesse sempre três passos à frente. — Ele é assim mesmo — Denise completou. — Mas você é a única mulher que eu vi virar o jogo com ele. Desde sempre. — Então vai me ajudar? Denise respirou fundo e levantou. — Vou pensar. — Denise… Ela parou na porta, virou-se e piscou: — Mas por enquanto, é melhor você começar a pensar o que vai fazer quando ele descobrir sozinha. Porque, minha filha... esse homem não vai desistir. Denise saiu do quarto de Francine ainda com um sorriso no rosto — daqueles que apenas as boas armações podiam provocar. Passou pelo corredor principal com passos calmos, atravessando o salão a caminho do es
22 - A lista de funcionários
O dia amanheceu tranquilo na mansão Villeneuve. Denise, a governanta, começou a circular pelos corredores com sua elegância firme de sempre, mesmo após o desgaste do dia anterior. Deu instruções à equipe, conferiu a arrumação da casa e, por fim, seguiu para seu escritório. — Filipe, ligue meu computador e a impressora, por favor. — O Sr. Dorian te pediu a lista de funcionários? — Filipe sussurrou como se contasse um segredo. — Sim. Ele esteve aqui mais cedo? — Ontem pela manhã. Assim que você saiu para o hospital. O homem parecia um leão pronto pra me engolir. — Típico dele — respondeu, sem surpresa. — Mas enfim, tenho que preparar essa lista antes que ele apareça por aqui de novo. Sentou-se à frente do computador e abriu a planilha. Os nomes estavam ali, um a um, devidamente organizados. Até que ela parou, os olhos fixos sobre a linha que continha: “Francine Morais”. Ficou em silêncio por alguns segundos. O cursor piscava. Seu dedo pairava sobre a tecla de delete
23 - Estaca zero
A folha estava dobrada, mas impecável. Ele desdobrou e passou os olhos rapidamente pela estrutura: nomes em ordem alfabética, separados por setores. Ele não precisava ler tudo. Sabia exatamente para onde ir. Letra F. Nenhuma Francy. Nenhum sobrenome suspeito. Nada. — Mas que…!!! — o grito veio seco, seguido por um soco firme no encosto do banco à sua frente. O impacto fez o estofado estremecer. O motorista olhou imediatamente pelo retrovisor, arregalando os olhos, mas não ousou comentar. Conhecia bem o temperamento do patrão. Palavras erradas custavam caro. Dorian olhou de volta para o papel pra ter certeza que não tinha visto errado, como se os nomes pudessem mudar. Foi em vão. E isso só o fez apertar ainda mais o papel nas mãos, como se pudesse amassar a própria frustração. O carro mal estacionou na frente do prédio e Dorian já empurrou a porta com mais força do que o necessário, descendo como um furacão. A porta de vidro do edifício quase voou quando ele entro
24 - Insuportável
O dia mal havia começado, e Dorian já estava insuportável. O silêncio na mansão o incomodava. Os funcionários, que antes andavam em silêncio absoluto por medo, agora pareciam estar gritando. A temperatura do café? Um escárnio. — Quem fez isso aqui? — perguntou, olhando a xícara como se estivesse envenenada. A cozinheira não ousou responder. Apenas tremeu os joelhos por dentro e agradeceu a Deus quando ele largou a xícara na bandeja com um baque. Já no carro, Dorian reclamou da velocidade do motorista. — Está com medo de que o carro decole? Um pouco de agilidade não faria mal. O motorista só assentiu. Aprendeu há tempos que discutir com Dorian Villeneuve era como tentar ensinar um peixe a voar. Na cozinha da mansão, Malu apoiou os cotovelos no balcão e observou Francine esfregando com concentração duvidosa uma bandeja já limpa. — Amiga... o homem tá virado no Jiraya hoje — disse baixinho, como se Dorian ainda pudesse ouvir do outro lado da cidade. — O que você fez
25 - Procura-se
— Dorian... não. Para. Você não pode estar considerando isso de verdade. — Por que não? — Porque você não vai encontrar ela desse jeito. Vai atrair curiosas, interesseiras, mentirosas... e a verdadeira? Se for inteligente, vai fugir ainda mais. — E se ela estiver esperando uma chance? — Se ela estivesse esperando, já teria aparecido. Dorian ficou em silêncio. Olhava fixamente para o tampo da mesa, como se tentasse encaixar um quebra-cabeça invisível. Cássio se inclinou para frente. — Escuta… você mesmo disse que ela foi embora sem deixar rastro. Não quis ser encontrada. Talvez essa seja a resposta. — Ou talvez ela só tenha medo do que vai acontecer quando for descoberta. — E com razão, não acha? — Cássio apoiou os braços na mesa. — Pensa como ela. Você é Dorian Villeneuve. Todo poderoso. Frio. Desconfiado. Do tipo que resolve tudo com dinheiro ou controle. Dorian estreitou os olhos, ofendido. — Obrigado pelo carinho. — Tô falando sério. Você já parou pra pensar
26 - Destaque
Alguns dias depois, Dorian estava imerso em relatórios quando recebeu o aviso da secretária: — Senhor Villeneuve, chegaram para entregar o domo de vidro. Ele não respondeu de imediato. Apenas se levantou, ajustou os punhos da camisa e seguiu até a sala de reuniões principal. O objeto já estava sendo posicionado bem no centro da mesa, com a iluminação embutida revelando os contornos elegantes da máscara. Dorian ficou alguns segundos em silêncio, observando. A peça parecia quase viva dentro do domo — um segredo em exposição. — Está perfeito — murmurou, mais para si do que para os montadores. Virou-se para a secretária. — Chame a assessoria de imprensa. Agora. Minutos depois, três profissionais da equipe entravam na sala. Ele foi direto: — Quero uma sessão de fotos aqui dentro. Algo formal. Empresarial. Uma matéria qualquer sobre liderança, estratégias da Villeneuve Corp, tanto faz. O que importa é a imagem. — A imagem, senhor? — Exato. Quero uma foto minha com o
27 - E se…
Denise estava sentada diante da escrivaninha, com um chá ainda quente ao lado e os óculos escorregando pela ponta do nariz. — Achei que ia demorar mais pra aparecer — disse, como quem já esperava por Francine. Francine entrou em silêncio, sentou-se na cadeira em frente e passou as mãos no rosto como quem queria arrancar os próprios pensamentos. — Eu não sei o que fazer. Denise apoiou os cotovelos na mesa, entrelaçou os dedos e apenas esperou. Francine suspirou de novo. — Ele... ele colocou a máscara em um domo de vidro. Está em todas as matérias de jornal, aposto que foi só pra ver se me cutucava. E conseguiu. — E você está aqui — disse Denise, com um leve sorriso. — Não era pra ser assim. Eu queria que isso tivesse ficado naquela noite. — Às vezes o que a gente quer e o que a vida faz são duas coisas bem diferentes, menina. Francine hesitou, olhou para as mãos no colo. — Se eu contar a verdade, ele pode pensar que eu escondi tudo de propósito. Que brinquei com ele
28 - Minha máscara
Dorian encarava o domo de vidro no centro da mesa de reuniões como quem contemplava um enigma sem solução. A máscara ali dentro, relíquia silenciosa de uma noite que teimava em não desaparecer da memória, parecia zombar dele. — Talvez ela nem tenha visto — disse, baixo, quase para si mesmo. — A sua superindireta em todos os sites de notícia da cidade? — Cássio alfinetou. — Ah, claro. Com certeza passou batido. Dorian o ignorou, cruzando os braços. — Pode ser que ela tenha entendido… e só não quis aparecer mesmo. — Ou, sei lá, talvez ela seja uma mulher sensata que fugiu de um homem obcecado que anda trancando máscara em redoma. — Cássio balançou a cabeça. — Você precisa seguir em frente, cara. Tá parecendo doido. Dorian não teve tempo de responder. A porta se abriu e os investidores foram anunciados pela recepcionista. Ele rapidamente assumiu a postura de sempre — sóbria, poderosa, indiferente. Um a um, os convidados se sentaram, até que uma mulher, de postura elega
29 - Quem foi?
Otávio chegou à mansão como faria em qualquer outro dia. Cumprimentou os colegas com um sorriso gentil, ajeitou a gola do uniforme e seguiu em direção à área de serviço. Estava pronto para mais uma jornada tranquila — ou assim pensava. — Otávio — chamou Denise do corredor, com aquele tom que só ela tinha. — O Sr. Dorian pediu que você o encontrasse no escritório assim que chegasse. Pode ir agora, por favor. Otávio franziu o cenho, surpreso. Raramente era chamado para falar com Dorian diretamente, ainda mais no escritório. Mas apenas assentiu, ajeitou o uniforme e seguiu obediente. Francine, que organizava a cristaleira da sala como se caçasse partículas invisíveis de poeira, virou-se a tempo de ver a porta do escritório de Dorian se fechar atrás de Otávio. O pânico bateu como um trovão. — Malu! — ela sussurrou alto, surgindo na cozinha como um furacão. — Que surto é esse, mulher? — Otávio está no escritório de Dorian! — E...? — Malu arqueou uma sobrancelha, mas
30 - Você sabia!
A porta do escritório de Denise se escancarou com um baque, fazendo a governanta levantar os olhos calmamente, sem o menor susto. — Eu quero a ficha de admissão da Francine. Com foto. Agora. — A voz dele veio firme, cortante. Ela cruzou os braços devagar. — Então você já descobriu… — Por que você escondeu isso de mim?! — ele avançou até a mesa, batendo a mão com força sobre ela. — Você sabia o tempo todo! — E você parecia tão empenhado em descobrir… achei que seria divertido ver você tentar mais um pouco. — respondeu, com aquele sorriso travesso nos lábios e a voz tranquila que só deixava tudo mais insuportável. — Denise, que diabos! Eu confiei em você! — E eu confiei que você usaria o cérebro. — rebateu, se levantando. — Mas quando começa a misturar desejo com orgulho, você se torna burro, Dorian. E eu não eduquei você pra isso. — Você não tinha o direito de se meter! — Eu sempre tive. Desde o dia em que você me trouxe para morar nessa casa e chorava escondido porqu