All Chapters of Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras: Chapter 231
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231 - Negócio fechado
As viagens de Francine tinham se tornado cada vez mais frequentes nas últimas semanas.A carreira dela estava em ascensão, e as oportunidades vinham de todos os lados: campanhas publicitárias, desfiles exclusivos, entrevistas e editoriais de moda espalhados pelo mundo.Viena, Paris, Milão, São Paulo, às vezes parecia que ela vivia mais dentro de um avião do que em casa.Dorian, por outro lado, mergulhava em uma fase delicada na Villeneuve Corp.As negociações internacionais exigiam cada vez mais dele, e as viagens para reuniões e conferências se tornaram rotina.Quando Francine chegava de viagem, ele estava saindo; quando ele retornava, ela já estava no embarque seguinte.Os desencontros viraram parte da vida dos dois, uma dança silenciosa de compromissos que pareciam sempre se desencontrar por um fuso horário.Ela já havia perdido a conta de quantas vezes arrumara as malas com uma mão e segurara o celular com a outra, falando com Dorian em videochamadas apressadas.As mensagens, os á
232 - Largados
Francine suspirou, relaxando os ombros.— Eu juro que achei que estava sonhando quando te vi ali.— E eu achei que estava alucinando — respondeu ele, com um meio sorriso. — Acho que o universo resolveu dar um tempo pra gente.Ela riu, e ele passou o braço em volta da cintura dela.— Vamos para o hotel — disse, baixinho. — Quero aproveitar esse tempo antes que o universo mude de ideia.O carro deslizou suavemente pelas ruas iluminadas de Viena, enquanto o silêncio confortável entre os dois era quebrado apenas pelo som baixo da chuva tocando o vidro.Francine apoiava o queixo na mão, observando as luzes refletindo nas janelas, até ouvir Dorian dizer baixinho:— Obrigado.Ela virou o rosto para ele, arqueando as sobrancelhas.— Pelo quê?Dorian manteve o olhar fixo na janela por alguns segundos antes de responder.— Eu estava aqui pra fechar um negócio. E, por coincidência, o investidor que eu precisava convencer acabou se interessando por você. — Um leve sorriso surgiu em seu rosto. — G
233 - Satisfação perigosa
O vapor do café subia lentamente da xícara de porcelana, espalhando um aroma adocicado que não combinava com o olhar frio de Natan.Ele estava sentado perto da janela, observando o movimento da rua com o mesmo tédio de quem assiste a um mundo que já não lhe pertence.Na televisão da cafeteria, um programa de variedades animava a manhã.Vez ou outra Natan olhava para a tela, registrava algo e voltava a observar o movimento urbano.O apresentador comentava sobre as novas campanhas de moda e, entre risadas exageradas, o nome de Francine surgiu na tela.— “A nova queridinha brasileira das passarelas mundiais”, — dizia a repórter, — “depois de desfilar em São Paulo e Milão, Francine Morais é apontada como o rosto favorito para os desfiles da Paris Fashion Week”.As imagens mostravam uma sequência de fotos: Francine em catwalks, flashes, sorrisos ensaiados..Natan parou de mexer o café. O barulho dos talheres, das conversas, tudo pareceu sumir por um instante.— “E os boatos sobre o romance
234 - Um desfile exclusivo
O aeroporto fervilhava de vozes, malas e partidas apressadas, mas Francine parecia flutuar.Vestia uma calça de linho bege, blusa de seda branca e óculos escuros enormes, um misto de elegância e autoconfiança que fazia as pessoas olharem duas vezes.Ao lado dela, Dorian caminhava com o celular colado ao ouvido, resolvendo os últimos detalhes antes de embarcar para os Estados Unidos.— Então você está indo para um desfile exclusivo? — ele perguntou, desligando o telefone e olhando para ela com um meio sorriso.— Exclusividade é meu sobrenome — respondeu Francine, ajeitando o cabelo com um ar de falsa modéstia. — Disseram que vai ser em um hotel no litoral de São Paulo, algo bem restrito, pra poucos convidados.— E a Montblanc sabe disso?— Uhum. Foram eles mesmos que enviaram o contrato. Parece um daqueles desfiles privados, só pra investidores e clientes da marca.Ela deu um passo à frente e, com aquele brilho travesso no olhar, completou:— Quem sabe eu não consiga uns investidores p
235 - Estranhos
Assim que o avião pousou e o aviso de “pode ligar seus aparelhos eletrônicos” ecoou pela cabine, Dorian pegou o celular.O aparelho vibrou com dezenas de notificações, mas uma, em especial, chamou sua atenção.“Esses caras são meio estranhos. Tô indo pro litoral agora. Te aviso quando chegar.”A mensagem tinha sido enviada há quase sete horas.Dorian franziu o cenho.O voo dela para o litoral não passaria de quarenta minutos, no máximo.Se estivesse tudo bem, Francine já deveria ter chegado, mandado foto, feito piada, algo.O estômago dele se contraiu. Tentou ligar.Caixa postal.Tentou de novo.Caixa postal.Cassio, sentado ao lado, notou o desconforto.— Algum problema?Dorian olhou pela janela antes de responder, tentando disfarçar a tensão na voz.— Francine. Ela me mandou uma mensagem esquisita. Disse que achou os caras que foram buscá-la… estranhos.Cassio arqueou uma sobrancelha.— Estranhos como?— Não sei. Só disse isso. Mas o voo dela já devia ter pousado há muito tempo, e o
236 - Entre a razão e a lealdade
Dorian tentou ligar para o número. Uma, duas, três vezes. Todas caíram direto na caixa postal. Ele prendeu o celular entre os dedos com força, como se tentasse esmagar a impotência junto com o aparelho. — Não adianta, eles não vão atender — Cassio disse, tentando manter a calma. — Você precisa pensar com clareza. Mas Dorian já tinha outra coisa em mente. Ele se recompôs num gesto seco e já estava discando o primeiro número antes que Cassio dissesse qualquer coisa. — Vou ligar para o Departamento de Segurança — murmurou, e a ligação foi atendida quase de imediato. — Senhor Villamar, tudo bem? — a voz do outro lado era tensa, profissional. — Não. Quero que rastreiem um vídeo que acabei de receber. Agora. — Entendido. O senhor pode encaminhar o arquivo? — Já está no sistema. Use o protocolo interno “nível preto”. Cassio o observava de canto, surpreso com a frieza. Ele conhecia Dorian o bastante pra saber que aquele tom só aparecia quando algo realmente grave estava em jogo. —
237 - Rindo pra não chorar
Quando Francine acordou, seu queixo foi puxado de uma vez para cima, e a primeira coisa que ela viu foi um celular quase entrando em seu rosto.Por um segundo, pensou que estava sonhando, porque tudo ainda estava escuro, e havia apenas uma luz sobre ela que quase a deixava cega.Mas o pescoço doía, o braço não se movia, e o ar cheirava a mofo. Então não era sonho.Francine piscou algumas vezes, tentando entender o cenário.Uma cadeira metálica. Um feixe de luz sobre ela. Escuridão ao redor.Tentou mexer o pulso e ouviu o som seco do metal. Correntes.Maravilha. Sequestrada."Olha só que glamour", pensou. “Às vésperas de realizar meu sonho de desfilar na Paris Fashion Week, eu viro protagonista de Cativeiro — o Filme. Que sorte a minha.”Tentou puxar mais uma vez, em vão.A cadeira não cedia.Os tornozelos também estavam presos.E foi aí que ela viu o homem que a acompanhara desde o aeroporto, o mesmo motorista educado de blazer, agora sem o sorriso e com o olhar frio, observando-a de
238 - Serviço de quarto
Quando os primeiros raios de sol invadiram o galpão, Francine não fazia ideia de quanto tempo tinha dormido.Só sabia que o corpo doía, o pescoço parecia um nó e a cabeça latejava como se tivesse levado uma surra.Passou boa parte da noite tentando entender onde estava.A luz acima dela, forte demais, ofuscava a visão e deixava tudo em volta num breu absoluto.Nem sombra, nem janela, nem sinal de vida.Mas conforme o dia amanheceu, alguns filetes de luz começaram a entrar por frestas quase invisíveis nas paredes do galpão.Aos poucos, o ambiente começou a se revelar: caixas empilhadas, contêineres velhos, poeira suspensa no ar. Cheiro de ferrugem.Francine respirou fundo, observando cada canto.Nada que denunciasse onde estava. Nenhuma marca, nenhum nome. As caixas estavam sem identificação.Ela testou o movimento do pulso, forçando o quanto pode.O som seco do metal respondeu. Correntes. Presa à cadeira.Ela olhou pra frente e avistou a mesinha com a tesoura que haviam usado pra amea
239 - Hambúrguer duplo com batata
O avião em que Dorian estava pousou em Guarulhos antes do sol nascer. Ele desceu com o celular já na mão, o rosto tenso, o paletó esquecido no ombro. A equipe de segurança da Villeneuve Corp já o esperava na pista, três homens de terno e olhares cansados, já que ninguém dormia direito desde a notícia do sequestro. — Carro pronto, senhor — avisou um deles. Dorian só assentiu e entrou. O trajeto até o prédio do departamento de segurança foi silencioso, interrompido apenas pelo som do teclado do celular. No escritório montado às pressas na cidade de São Paulo, telas exibiam mapas, dados de rastreamento, relatórios de operadoras e câmeras de tráfego. Um caos organizado. — Podem me atualizar o que conseguiram até agora? — pediu, a voz baixa, porém firme. Um dos analistas se virou, com olheiras que denunciavam horas intensas de trabalho. — Ainda não conseguimos identificar a origem do vídeo, senhor. Foi enviado por uma rede mascarada, e o IP muda a cada trinta segundos. Dorian
240 - Assombração
O silêncio do galpão foi quebrado pelo som apressado de passos.Francine prendeu a respiração.Tinha se enfiado entre duas caixas enormes, tentando parecer parte da decoração.Se pelo menos tivesse um papel higiênico por perto, a encenação seria perfeita.O capanga apareceu, cambaleando. A testa ainda vermelha da cabeçada que levara.— Ei! — ela gritou, fazendo sinal com as mão para ele parar, antes que pudesse alcançá-la. — Dá licença! Posso ter pelo menos um pouco de privacidade pra fazer as minhas necessidades?O homem parou, surpreso.— Como é?— Isso mesmo! — respondeu ela, gesticulando como se aquilo fosse o argumento mais lógico do mundo. — Eu tô desde ontem presa naquela cadeira. Estava já desesperada para aliviar o sistema digestivo, se é que você me entende.Ele cruzou os braços, sem mover um músculo.— E achou que podia sair andando por aí, é isso?— Olha, moço, com todo respeito, mas não dava pra fazer na frente de um desconhecido. A menos que o pacote de sequestro inclua