All Chapters of Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras: Chapter 281
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281 - Um brinde
Às 20h em ponto, como um relógio suíço, bateram na porta. Malu parou. Congelou. Por um segundo, pensou seriamente em fingir que não estava ali, mas suas pernas se moveram sozinhas até a porta. Ela respirou fundo e abriu a porta tentando manter a expressão neutra, mesmo que o coração estivesse dançando lambada dentro do peito. E lá estava Cassio. Parado na porta, camisa branca dobrada nos antebraços, cabelo impecável, duas taças penduradas pelos dedos e uma garrafa de champanhe francês na outra mão. Ele sorriu com aquele ar de “eu sei exatamente o efeito que tenho”. — Boa noite, vizinha. Malu ergueu uma sobrancelha. — O que você tá fazendo…? Cassio ergueu as taças devagar, teatral. — O combinado. Não vai me convidar pra entrar? Ela cruzou os braços, mantendo a porta só pela metade. — Ainda não sei se é seguro. Da última vez que ficamos sozinhos eu acordei seminua. Cassio abriu um sorriso perigoso. Devagar, levantou o olhar para ela, subindo dos tornozelos a
282 - Fermentando
Malu acordou com a agitação da rua lá embaixo, carros passando, buzinas ocasionais, gente conversando no ponto de ônibus. Aquela música urbana que vinha da janela aberta. Ficou alguns minutos encarando o teto, quieta, até o primeiro pensamento perigoso aparecer: O beijo. O beijo quente, lento, viciante. O beijo que ela não deveria ter dado, mas também não conseguiu nem por um segundo evitar. E junto com o beijo, veio a cena patética: ela expulsando o homem do apartamento como se estivesse contendo um incêndio criminoso. — Meu Deus do céu… — murmurou, apertando os olhos. — Eu sou uma vergonha nacional. Tentou se convencer de que não era, mas a lembrança da mão dele na nuca, do beijo lento que a fez derreter inteira… não ajudava. Depois de um tempo, levantou com um suspiro dramático e decidiu fazer a coisa mais “terapia caseira” possível: bolo. — Café fresquinho e um bolo resolvem qualquer vida emocional bagunçada — decretou. Foi até a pequena cozinha, abriu as portas dos armá
283 - Fofoca e café
Francine chegou no apartamento de Malu no meio da tarde, usando óculos escuros enormes, uma bolsa de grife pendurada no braço e uma energia de quem precisava urgentemente despejar fofoca.Bateu na porta três vezes, com o ritmo de quem exige entrada imediata.Malu abriu.— Graças a Deus! — Francine entrou sem pedir permissão, tirando os óculos. — Eu precisava vir antes que eu explodisse. Sério.Malu riu, fechando a porta.— Você tá com cara de quem viu um fantasma.— Não, pior — Francine jogou a bolsa no sofá. — O novo cozinheiro do Dorian.Malu ergueu a sobrancelha.— Ué, ele cozinha mal?— NÃO! Cozinha bem até demais! — Francine jogou as mãos no ar. — Mas… não tem o tempero da minha Maluzinha. — Ela agarrou o rosto da amiga com um exagero dramático. — Não tem o toque, não tem a alma, não tem o… como que fala? O amor de cozinheira fodida da vida.Malu gargalhou.— Obrigada pelo “fodida da vida”.— Você entendeu!As duas riram.A energia na sala era de reencontro, bagunça, saudade, amo
284 - Planejamento
Francine se recostou na cadeira, respirou fundo, e de repente mudou de expressão.— Agora mudando de pau para cavaco — disse. — O aniversário do Dorian é em algumas semanas. Malu olhou de canto.— E…? — Ele nunca teve comemoração. Nada. Nem bolo de padaria. — Francine olhou para a xícara. — E eu quero fazer algo dele. Algo especial. Mas NÃO SEI O QUE. Festa surpresa? Jantar a dois? Viagem? Uma serenata? Eu tô surtando!Malu pensou um pouco, mexendo o café.— Que tal… uma pequena festa surpresa? — sugeriu. — Aqui. No meu apartamento. Você diz que quer conhecer minha casa nova, traz o Dorian… e pronto. Ele não percebe nada. Comemoração íntima, leve e especial.Francine ficou olhando pra ela como se tivesse recebido uma revelação divina.— Eu te amo — disse. — Essa ideia é perfeita.— Eu sei.— Precisamos planejar o aniversário do Dorian. De verdade. Vou entrar em parafuso se não decidir logo.Malu sorriu. Era quase comovente ver como a mulher que antes morria de medo de compromisso ag
285 - Rotina puxada
Dois dias depois, Francine e Malu embarcaram para São Paulo para uma semana de compromissos que já começava antes mesmo de aterrissarem.O voo estava cheio, turbulento o suficiente para irritar qualquer pessoa normal, mas Francine parecia especialmente tensa.— A última vez que eu voei pra São Paulo… — ela comentou, colocando o cinto com força exagerada — foi pra ser sequestrada pelo Natan.Malu imediatamente fez o sinal da cruz.— Francine, pelo amor de Deus, não fala o nome desse estrupício aqui dentro desse avião! Vai que ele ressuscita?Francine riu, mas não completamente.— Eu sei, eu sei… mas não consigo evitar lembrar.— Pois trate de evitar. — Malu cutucou o braço dela. — Aquele traste foi direto pro espaço sideral e nunca mais volta. Agora essa viagem aqui tem gosto de volta por cima.Francine relaxou os ombros.— É… tem mesmo.A semana seria pesada: campanhas para duas marcas grandes, ensaio fotográfico editorial, uma entrevista dupla com uma revista de comportamento e, pra
286 - Exames
No dia seguinte, Francine chegou cedo no apartamento de Malu para definirem os detalhes da festa surpresa de Dorian. Entrou já falando alto: — Amiga, trouxe uma lista de ideias, fotos de referência e três inspirações de bolo. — Ela jogou tudo na mesa. — Antes que você me mate: sim, eu sei que você vai fazer o bolo. Mas eu precisava mostrar. Malu riu, ajeitando os papéis. — Eu só mato por motivo sério. Isso aqui é quase fofo. — Eu sou uma fofura — Francine anunciou. — E agora, sobre os convidados… Malu ergueu as sobrancelhas, esperando ver uma lista cheia de nomes complicados. — Então… — Francine deu um suspiro meio dramático. — É aí que entra o problema. Eu não conheço amigos do Dorian além do Cassio. E eu acho que chamar pessoas do trabalho deixaria tudo estranho demais. Ele não curte misturar vida pessoal com profissional. Malu arregalou os olhos. — Como assim… só o Cassio? — É — Francine respondeu inocentemente. Malu quase engasgou com a própria saliva. — Isso signific
287 - Quase lá
Na manhã seguinte, antes mesmo do sol se firmar no céu, Francine mandou mensagem: “To indo fazer os exames. Depois vou tirar o dia pra descansar. Médico mandou.” Malu respondeu ainda deitada, a cabeça enfiada no travesseiro: “Vai descansar mesmo, hein. Sem se fazer de teimosa.” Com Francine ocupada e supostamente repousando, Malu decidiu fazer algo que estava adiando desde que chegou de viagem: faxina pesada. Colocou um short jeans confortável, daqueles que mostravam mais perna do que escondiam, e um cropped de frente única com amarração no pescoço. O cabelo puxado num coque alto improvisado, com algumas mechas caindo soltas. Meia hora depois, a sala já estava um caos controlado: panos, baldes, cheiros de produto cítrico, música tocando num volume que só vizinho rico aguenta, porque se dependesse de Malu, o volume estaria no talo. Quando a fome bateu, ela simplesmente abriu o app e pediu comida japonesa. — Faxina merece sushi. É lei. — murmurou. Assim que recebeu a notificaçã
288 - Preparativos para a festa
Os dias seguintes passaram como se alguém tivesse apertado o botão de velocidade x2 na vida de Malu.Francine apareceu no apartamento dela várias vezes durante a semana.Na terça-feira Francine chegou por volta das dez, de vestido branco, cabelo preso num coque elegante e uma fome que nem ela explicava.— Amiga, pelo amor de Deus, você tem alguma coisa pra comer? — ela perguntou entrando já olhando em volta. — Eu tô morrendo. MORRENDO.Malu estranhou.— Você não tomou café?— Não, o exame tinha que ser feito em jejum de 12 horas. — Francine respondeu abrindo a geladeira. — Mas parece que não como há quatro dias.Ela comeu duas fatias de bolo que sobrou do dia anterior, abriu um pacote de biscoito, tomou um copo inteiro de suco e ainda assim disse:— Acho que cabe um pão de queijo.Malu ergueu a sobrancelha.— Francine, você tá comendo como se tivesse dois estômagos.— Deve ser o jejum. Ou o estresse. Ou sei lá. — ela deu de ombros.Mas não convenceu.— E os resultados?— Saem sexta. —
289 - Admirando a vista
Assim que Cássio entrou, Malu trancou a porta atrás dele e respirou fundo, tentando recobrar qualquer traço de autocontrole que ainda restava no corpo dela. — Certo — ela disse, batendo palmas como uma general pronta para comandar um batalhão. — Você vai começar movendo essa mesa para cá. Cássio arqueou uma sobrancelha. — Gosto de mulher que sabe dar ordens. — Fica quieto e empurra a mesa. Ele riu, aquele riso grave, íntimo, que dava vontade de cometer pecados, e se posicionou atrás da mesa. Malu se afastou alguns passos, ostensivamente profissional, mas com os olhos grudados nele. Cássio flexionou levemente os joelhos, encaixou as mãos nas laterais da mesa e… puxou como se fosse feita de isopor. A mesa deslizou pelo chão sem resistência alguma. As veias dos antebraços dele saltaram, marcando o caminho até o bíceps. O músculo tensionou sob a camisa escura com as mangas perfeitamente ajustadas. O relógio caro brilhou sob a luz da janela. E Malu engoliu seco. “
290 - Fim do intervalo
A respiração de Malu estava quente, presa na garganta. O corpo inteiro vibrava como se tivesse sido ligado direto na tomada. E Cássio, colado nela, olhando como se esperasse apenas uma palavra para incendiar o apartamento inteiro. Ela fechou os olhos, sentiu a mão dele firme em sua cintura, o cheiro dele, a boca dele tão perto… E falou baixo. Baixinho demais para o juízo sobreviver. — …só uns minutinhos. Cássio sorriu. Não um sorriso comum. Um sorriso vencedor, lento, cheio de “eu sabia”. Antes que Malu pudesse pensar nas consequências, ele passou o braço atrás das coxas dela, ergueu-a no ar com facilidade absurda e a levou até o sofá, sentando-se com ela no colo, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. Malu, ofegante, ficou ali, sentada no colo dele, sentindo as mãos dele firmes na sua cintura, o peito dele subindo e descendo devagar sob a camisa escura. “Eu tô mesmo fazendo isso? Eu tô realmente fazendo isso?” Um sorriso escapou, involuntário, suave, denunci