All Chapters of Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras: Chapter 31
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31 - Retomando o controle
Denise levantou os olhos devagar, fitando-o como quem esperava outro tipo de ordem. — Posso saber por quê? — perguntou, com a voz baixa, mas cheia de intenção. — Você pode cumprir o que eu pedi. — O tom dele era frio, controlado. Denise cruzou os braços, o olhar apertado sobre ele. — Você vai demitir a garota? Dorian suspirou, irritado com a suposição — ou com o fato de que ela estava certa em pensar que ele poderia. — Só… mande ela até o escritório. Denise ainda hesitou por um segundo. Analisou a expressão dele como quem decifrava uma senha de cofre — e pareceu não gostar do que encontrou ali. — Como quiser — respondeu por fim, seca. E virou-se para sair, não sem antes completar, por cima do ombro — Mas pense bem no que vai fazer. Francine estava encostada na bancada da cozinha, rindo de alguma história que Malu contava sobre um incidente com farinha e um liquidificador possuído. Mas o riso das duas se dissolveu assim que Denise entrou pela porta, com a postura mai
32 - Sem respostas
Ele avançou mais um passo, devagar, como se encurtar a distância entre eles fosse inevitável.Dorian respirou fundo, juntando todo o orgulho que ainda tinha.— Você ainda não entendeu… Eu não quero te punir. Eu quero entender o que você queria com aquilo. O que você queria comigo.Ela riu, sem humor.— Você acha que tudo gira ao seu redor, não é? Que cada atitude minha tem a ver com você. Mas talvez eu só estivesse procurando outra pessoa, mas você chegou antes.As palavras bateram nele como tapas invisíveis, cada uma mais cruel que a anterior.— Então foi só isso pra você?Ela hesitou. Só por um segundo.— Aquela noite foi exatamente o que deveria ter sido, Dorian. E é assim que vai continuar.Virou-se para sair.— Francine…— Já terminou? — disse sem olhar pra trás. — Porque eu já fui longe demais só de ter vindo até aqui.E com isso, ela saiu do escritório — o mesmo jeito que entrou: sem pedir licença, sem se desculpar.Dorian soltou um sorriso sarcástico.— Mulher infernal, agora
33 - Punição
Francine subia os degraus como quem apenas cumpria mais uma tarefa qualquer do dia — prendedor de cabelo torto, expressão levemente sonolenta, passos apressados. Foi só erguer o rosto que ela quase perdeu o compasso. Dorian descia os mesmos degraus, impecável em um blazer cinza escuro, camisa branca perfeitamente alinhada no colarinho e o perfume caro que parecia ter sido pulverizado no ar à volta dele. O olhar dele encontrou o dela — e ali estava: o mesmo olhar calculado, de quem já sabia exatamente o que viria a seguir. Um sorrisinho lento surgiu nos lábios dele, o tipo de sorriso que dizia “você não perde por esperar.” Francine, no entanto, segurou firme. Ergueu o queixo e devolveu um olhar de total indiferença, como se ele fosse só mais uma planta decorativa no hall. Mas por dentro? Uma sirene interna gritando “ferrou.” Quando o viu sair pela porta da frente e entrar no carro com o motorista, soltou o ar dos pulmões que nem sabia que estava prendendo. — Foi embora. Graças a
34 - Quem está sendo punido?
Dorian estava encostado na moldura da porta do closet, os braços cruzados e aquele sorriso que misturava charme com provocação — o tipo de sorriso que devia vir com bula e contraindicações. — Esse é seu novo uniforme toda vez que vier limpar meu quarto — disse, como quem anuncia o menu do jantar. Dentro da caixa, repousava uma peça de lingerie vermelha como pecado bem cometido. Renda fina, transparência ousada, cinta-liga combinando e meias delicadamente dobradas, como se alguém tivesse planejado cada detalhe com precisão cirúrgica. — Eu não vou ser… sua escrava sexual! — Francine gritou as primeiras palavras e sussurrou as últimas. — Então pode sentar aqui na mesa e escrever sua carta de demissão. — Dorian respondeu, já puxando uma folha em branco e uma caneta do porta-lápis. Francine ficou parada por um segundo, com o peito subindo e descendo mais rápido. A raiva fervia… ou talvez fosse outra coisa. Porque enquanto ela dizia “não vou”, seu corpo inteiro estava dizendo “quero
35 - Longe de acabar
Dorian levantou num pulo, como se o corpo tivesse decidido sozinho. A poltrona foi deixada de lado com violência e Francine até estremeceu com a rapidez do movimento. Mas não recuou — porque recuar não fazia parte da personalidade dela. Ele entrou no banheiro com passos pesados, e bateu a porta com tanta força que o som ecoou no quarto. Não trancou. Nem pensou nisso. O foco agora era a água. Fria. Muito fria. Girou o registro no máximo e deixou o jato gelado despencar direto sobre a cabeça. A respiração estava pesada, os músculos tensionados. Mas nada disso comparava ao que acontecia mais embaixo, e que só piorava ao lembrar da cena anterior. Baixou os olhos e soltou um palavrão abafado. — Mulher desgraçada… olha o que ela fez comigo… Levantou a cabeça devagar, encostando a testa no azulejo gelado. "Isso era pra ser uma punição", ele pensou. "Mas quem tá pagando a penitência sou eu." Foi quando ouviu a batida na porta. Três toques leves. E a voz dela, doce, p
36 - Maldição
Dorian saiu do banho ainda bufando, uma toalha amarrada na cintura e o orgulho em frangalhos. A água gelada tinha ajudado pouco. A imagem de Francine, de joelhos entre suas pernas, espanando "inocentemente" cada canto do quarto, ainda estava tatuada na mente dele como uma maldição. Passou a mão nos cabelos molhados, decidido a se recompor. Mas ao se aproximar da cama, o controle escorregou mais uma vez pelos dedos. Sobre o travesseiro, uma folha dobrada cuidadosamente esperava por ele. Dorian a pegou, desconfiado, e desdobrou devagar, como se soubesse que o conteúdo não ia ajudá-lo em nada. “Levei meu uniforme pra lavar, caso precise usar de novo. Como sabe, sou uma excelente profissional.” Ele encarou o bilhete por alguns segundos. Só alguns. Porque logo depois, riu. Um riso seco, indignado. Incrédulo. — Mulher infernal. Jogou o papel sobre a cômoda e passou a mão pelo rosto como quem tentava se livrar de um feitiço. Dorian olhou novamente para o bilhete. Le
37 - Ela merece uma estátua
Dorian passou a mão pelo rosto mais uma vez, como se o simples ato de contar fosse desgastante. — Eu mandei ela limpar o meu quarto hoje. — Até aí, rotina normal de patrão escroto. — De uniforme novo. Cássio franziu o cenho. — Como assim… uniforme novo? Dorian encostou o copo devagar na mesa, os olhos voltados para o fundo da bebida como se ali estivesse sua dignidade afogada. — Uma lingerie vermelha. Com cinta-liga. Cássio não conseguiu segurar. — Puta merda, Dorian! — Ele gargalhou alto o suficiente pra fazer o garçom olhar. — Você… você obrigou a mulher a faxinar de lingerie? — Eu não obriguei! Dei duas opções: usar o uniforme ou pedir demissão. — Aham. O famoso "livre arbítrio" versão 50 tons de vermelho. Dorian deu um gole mais curto. Estava ficando irritado. Consigo mesmo. — Ela topou, desde que eu não tocasse nela. Trocou de roupa, limpou tudo mas… provocou. Cada movimento. Cada passo. Ela sabia exatamente o que estava fazendo. — Claro que sabia. Ela
38 - Mudança de estratégia
Dorian olhava para Cássio com cara de quem não estava entendendo nada. — Você vai ser doce. Gentil. Vai elogiar, vai sorrir. Vai tratar ela como se ela fosse a realeza da mansão. — Tá louco? — Confia. Isso vai deixá-la tão desconfiada que ela vai tropeçar sozinha. Quando se está acostumada com uma muralha, o tapete vermelho é mais perigoso do que parece. Dorian pensou por um momento… e sorriu. — Eu gosto disso. — É claro que gosta. Porque você é competitivo, e ela é a única adversária à altura que apareceu na sua vida. — Então a partir de amanhã… nada de ameaças. Nada de ordens. Só sorrisos, gentilezas e charme. Cássio levantou o copo. — À nova fase dessa guerra. — À fase em que eu volto a vencer. Eles brindaram. Dorian sentiu que talvez estivesse pronto pra enfrentar o furacão que era Francine… com um furacão ainda maior. Ele próprio. No dia seguinte, o relógio nem tinha marcado sete e meia quando Dorian Villeneuve atravessou o corredor principal da mansão com a postura
39 - Jogada de mestre
Francine entrou na cozinha e jogou o pano de prato sobre a bancada com mais força do que o necessário.— Malu, eu preciso descobrir o que o Dorian tá tentando fazer.Malu, que mexia o café como quem fazia um feitiço, não tirou os olhos da xícara.— Fiquei sabendo que ele deu bom dia até pras plantas hoje, né?— Que espécie de maluco ele virou?— Culpa sua! Não foi você que deixou o homem louco ontem no quarto?Francine arregalou os olhos e logo desviou o olhar, como se a própria memória fosse indecente.A imagem dele no chuveiro voltou com nitidez quase cruel — a água escorrendo pelos ombros largos, os músculos tensionados... e, mesmo debaixo d’água, dava pra perceber exatamente o que ela tinha provocado.Cobriu os olhos com uma das mãos, como se isso pudesse apagar a lembrança.— Achei que o banho fosse suficiente pra acalmar ele... — murmurou, meio rindo, meio querendo sumir do planeta.— Pelo visto o choque foi demais. — Malu se encostou na pia com um sorrisinho sacana. — Tá tentan
40 - Novos ares
Alguns dias se passaram, e os “bons dias” de Dorian haviam deixado de causar espanto. Agora, alguns funcionários até sorriam de volta, meio desconfiados, como se aquele comportamento gentil tivesse prazo de validade. Denise, por outro lado, observava tudo com a atenção de quem já tinha visto de tudo naquela casa, mas nunca aquilo. — E pensar que teve gente aqui que quase foi demitida — disse, enquanto passava por Francine, mas sem olhar diretamente para ela. Francine suspirou, sem levantar os olhos. — E pensar que teve gente aqui que queria me empurrar pra demissão — rebateu, no mesmo tom. Denise riu baixo, como quem se diverte com o duelo. — Não banque a vítima. Não combina com você. Francine não respondeu. Só continuou organizando os talheres, mas apertando a colher com mais força do que deveria. Mais tarde, Dorian atravessou o corredor principal com as mãos nos bolsos e um olhar decidido. Encontrou Denise próxima à estufa de plantas da mansão, anotando algo no caderno de