All Chapters of Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras: Chapter 301
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301 - Fim de expediente
O expediente já quase tinha terminado quando Dorian finalmente percebeu. Era estranho. Cassio não tinha aparecido na sala dele nenhuma única vez ao longo do dia inteiro. Nenhum comentário sarcástico no café. Nenhum debate sobre contratos. Nenhuma provocação sobre quem trabalhava mais. Nada. Aquilo por si só já era um alerta. Mas o pior foi quando ele chamou a secretária pelo interfone. — Natalia, o vice-presidente teve compromissos externos hoje? — Nenhum, senhor Villeneuve — respondeu ela. — Ele chegou no horário de sempre, mas… ficou trancado na sala desde então. Não pediu café, não chamou ninguém, não saiu nem para almoçar. Dorian franziu o cenho. — Ele pareceu… normal? A secretária hesitou. — Com todo respeito, senhor… ele parecia alguém que não dormiu. Nem um pouco. Dorian fechou o laptop devagar. Aquilo não estava certo. Levantou-se, caminhou pelo corredor silencioso do andar executivo e parou diante da porta do melhor amigo. Deu duas batidas, esperando ouvir o “e
302 - O que eu fiz
O bar escolhido era um daqueles clássicos: luz baixa, madeira escura, garrafas expostas atrás do balcão e um mural de barris decorativos.Cassio e Dorian se acomodaram em uma mesa mais reservada, perto da parede.— Duas doses do Lagavulin 16. — Cassio pediu ao garçom, automático, sem nem pensar.— Uma só. — Dorian corrigiu. — Eu tô dirigindo.Cassio nem respondeu.Apenas pegou o próprio copo quando chegou e virou metade já na primeira golada.O álcool queimou a garganta, mas não fez nem cócega na tormenta dentro dele.— Vai me contar agora — Dorian disse, cruzando os braços. — Desde quando você e a Malu…?Cassio soltou um suspiro que misturava frustração, saudade e orgulho.E aí começou a falar.Contou sobre o primeiro beijo no apartamento.O "intervalo" no sofá da Malu.A tensão no elevador.A aproximação inevitável.Dorian ouviu com a mesma expressão de sempre, impassível, até erguer uma sobrancelha quando Cassio descreveu a cena da porta batendo no dia da festa.— Ahn… — Dorian dis
303 - Limites
A noite já ia alta quando Cassio, Maya e Bianca deixaram o bar.Maya cambaleava, rindo alto; Cassio já estava no limite; Bianca mantinha o sorriso controlado de quem tinha um plano.— Eu vou ser a motorista da rodada, — Bianca decretou. — Alguém tem que ter juízo aqui.— Pelo menos UM dos três patetas. — Maya completou, gargalhando.Cassio revirou os olhos e pediu a conta.Sua cabeça latejava não só pelo álcool, mas pelo peso da conversa com Dorian que voltou a martelar sua mente.Malu. Ele tinha estragado tudo.Bianca tocou o braço dele.— Deixa que eu levo vocês pra casa.— Eu chamo um motorista — Maya rebateu, já mexendo no celular. — Mas acompanha o Cassio até o apartamento, por favor. Senão ele vai meter a cara no chão no meio do caminho.Cassio bufou.— Eu tô ótimo.Mentira. Mas seguiriam assim de qualquer forma.O carro chegou ao prédio.Bianca desceu junto com ele, apoiando seu braço como se eles fossem um casal de longa data e não dois ex que mal deveriam dividir o mesmo ar.
304 - Fugitivos
Malu conseguiu passar quase uma semana inteira sem ver Cassio.Não que fosse fácil.Ele mandava mensagens todos os dias.“Chegou em casa?”“Posso te ligar?”“Desculpa mais uma vez.”“Quando posso te ver?”Ela lia e respondia com educação calculada:“Hoje estou fora.”“Semana cheia.”“Cansada. Vamos falando.”E, ironicamente, não era mentira.Francine praticamente a sequestrou para dentro da mansão naquela semana, alegando que Jonas precisava de “imersão total”.A verdade é que Francine sabia que Malu não queria ir pra casa. E sabia o motivo. Mas fingia não saber, porque ser amiga também era isso: dar abrigo sem cobrar explicações.A mansão de Dorian e Francine virou seu esconderijo, seu refúgio e, para sua surpresa, um lugar onde o humor estava voltando a aparecer.Principalmente por causa de Jonas.O clima entre eles estava cada vez mais leve.A cozinha, antes silenciosa e protocolar, agora tinha risadas, comentários, piadas que Malu fazia só para ver o cozinheiro disfarçar um sorris
305 - Conversinhas
A Espanha recebeu as duas com sol quente, cheiro de rua viva e uma pressa bonita das pessoas que passavam.Francine estava radiante, grávida e faminta, alimentada por tapas, paellas e elogios dos fotógrafos.Malu estava encantada pelas ruas, pelas lojas, pelas comidas… e, aparentemente, pelas mensagens de Jonas.A primeira chegou assim que o carro da produção parou diante do estúdio de fotos."Malu, você usava mais páprica ou mais cúrcuma no frango dos patrões? Estou achando que errei a mão."Malu sorriu de lado.Francine percebeu na hora.— Quem é que já tá te fazendo sorrir assim a essa hora da manhã? — disse, descendo do carro com uma bolsa que valia o preço de um carro popular.— Ninguém. É o Jonas.— Ah, claro. — Francine cruzou os braços. — Mal saiu do Brasil e o chef já está carente.Malu mostrou o celular:— É dúvida de cardápio! No Brasil ainda nem deu horário do almoço. Ele deve estar adiantando o preparo.Francine ergueu uma sobrancelha cética, mas deixou pra lá.Dentro do
306 - Reencontro
O retorno ao Brasil aconteceu num piscar de olhos.O avião pousou no fim da tarde, e assim que o sinal de liberar celulares acendeu, Francine já estava ligando.— Amor? Já chegamos.A voz de Dorian veio firme, mas aliviada:— O motorista já está aí. Estou saindo do escritório, nos encontramos em casa.— Tá, mas vou levar Malu em casa primeiro, tudo bem? Devo demorar um pouquinho mais. — ela falou.— Sem problemas, o motorista leva as duas.— Fechado.Francine virou-se para Malu com um sorriso cansado.— Vem, eu te deixo em casa. Depois vou pra mansão, Pascal já está me perturbando com “evite fritura, evite sobremesa, evite até respirar açúcar”.As duas riram, e poucos minutos depois, Malu descia na frente do prédio.Beijou a amiga, acenou para o motorista e ficou ali por um segundo, encarando o próprio reflexo nas portas envidraçadas, e sentindo o corpo inteiro pedir banho quente, cama e zero emoções humanas.Mas o destino não estava aceitando pedidos naquele dia.Quando o elevador ch
307 - A um toque do paraíso
O beijo aconteceu como se eles tivessem aguardado uma vida inteira por aquilo.Assim que Cassio puxou Malu pela cintura, ela sentiu o corpo inteiro afrouxar, como se finalmente estivesse voltando para o lugar certo.As mãos dela subiram pelo peito dele, quentes, decididas, até descansarem na nuca firme que ela queria tanto puxar para mais perto.Cassio virou o corpo dela com um movimento suave, mas seguro, pressionando-a levemente contra a mesa onde o buquê descansava. Ele afastou o rosto só o suficiente para enxergar melhor.Para tocar.Para memorizar.Os dedos deslizaram pelo cabelo dela, devagar, ajeitando uma mecha que caía sobre o rosto.— Eu estava contando os minutos pra te beijar de novo — confessou, a voz grave arranhando o ar entre eles.— Então você contou muito, né? — ela provocou, respirando rápido. — Três semanas…— Mais de trinta mil minutos. — ele corrigiu, sem desviar o olhar. — É tempo demais sem você.— Você é louco.— Você que me deixa assim. — Ele murmurou contra
308 - Café reforçado
Malu acordou antes do sol subir completamente.O quarto ainda estava meio azulado, silencioso… e quente demais para ser ignorado.Ela virou na cama, instintivamente buscando espaço e viu Cassio dormindo ao lado dela, uma calma rara no rosto, um braço jogado por cima do travesseiro como se tivesse tentado alcançá-la no meio da noite.O coração dela fez aquele negócio bobo de tropeçar no próprio ritmo.Mas ela afastou a sensação com um suspiro teimoso.Levantou devagar, caminhou até o banheiro e tomou um banho rápido, tentando convencer o próprio corpo a acordar e, acima de tudo, a não reviver cada detalhe de algumas horas antes.Quando saiu, amarrou o cabelo num coque improvisado e foi direto pra cozinha preparar café.Passou o pó, ligou a cafeteira, separou leite e geléia, abriu os armários procurando alguma coisa para complementar o café da manhã.O cheiro se espalhou pelo apartamento com aquela lentidão deliciosa de domingo, mesmo não sendo domingo.Ela estava colocando as xícaras n
309 - Conselheiro
A manhã tinha começado de um jeito tão incomum que até os funcionários mais antigos da empresa soltaram discretos comentários.Cassio entrou no prédio como quem atravessa o próprio reino. Terno impecável, sorriso fácil, passos leves.A diferença era absurda.Nas três semanas anteriores, ele parecia um executivo recém-saído de um terremoto emocional: olheiras fundas, mau humor, silêncio e café.Muito café.Quase tóxico.Mas hoje?Hoje ele cumprimentou até o segurança da garagem pelo nome.Pegou o elevador assobiando uma música que ninguém reconheceu.E, quando chegou ao andar da diretoria, a secretária de Dorian o encarou como quem vê um milagre registrado no ponto eletrônico.— Bom dia, Natalia! — Cassio disse, abrindo um sorriso de propaganda de pasta de dente.Natalia piscou.Duas vezes.— Bom… dia… senhor Bachinni.Ele deu um tchauzinho e entrou na própria sala, deixando a porta aberta, mexendo em papéis, abrindo janelas, como se estivesse reorganizando o próprio humor.Cinco minut
310 - Só negócios
O almoço na casa dos Diniz tinha tudo para ser um campo minado e Cassio levantou sabendo disso.Acordou antes do despertador, com uma leve dor de cabeça que não tinha nada a ver com álcool, e sim com a ansiedade de enfrentar um passado que ele vinha empurrando há anos.Ele ficou alguns segundos sentado na beira da cama, esfregando o rosto.O almoço.Walter. Bianca. Maya.E, no meio de tudo isso, a conversa que ele precisava ter… e que seria pior adiar.Ainda assim, havia uma pontinha de esperança: aquela mesa seria a chance perfeita de colocar limites definitivos, de deixar claro que a dívida de gratidão já estava paga e que o capítulo “Família Diniz” precisava ficar, finalmente, no passado.Tomou um banho rápido, jogou água no rosto, penteou o cabelo para trás com as mãos e encarou o próprio reflexo como quem se prepara para uma batalha.A verdade é que ele queria estar em outro lugar.Queria estar com Malu.Queria estar com ela, deitado na cama dela, ouvindo ela reclamar do elevador