All Chapters of Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras: Chapter 311
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311 - Arrancando o curativo
O clima na área gourmet parecia leve, com risadas, taças, o perfume da carne assando, o sol brilhando sobre a piscina, mas Cassio sabia que aquele almoço era uma arena.E logo o gongo soou.Depois de alguns minutos de conversa superficial, Walter estalou os dedos, chamando todos para a mesa já posta com louças claras e talheres alinhados milimetricamente.— Vamos almoçar, pessoal! — anunciou, inflado de entusiasmo. — E já aproveitamos para colocar alguns assuntos em dia.Cassio sentou-se entre o pai e Maya, de frente para Walter, como se a disposição dos lugares tivesse sido escolhida a dedo para deixá-lo sem rota de fuga.O prato ainda nem tinha sido servido quando Walter inclinou o corpo para frente, apoiando os antebraços na mesa.— Cassio, vamos falar da Villeneuve Corp. — começou, como quem abre um tabuleiro de xadrez. — Estou pensando seriamente em aplicar uma parte considerável dos meus investimentos lá. E dizem que você tem… informações precisas sobre o futuro da empresa.Cassi
312 - Conspiração
A sobremesa chegou, mas ninguém parecia realmente com vontade de comer.Walter mexia a colher no creme de limão com a expressão distante, o maxilar travado de desapontamento.Quando finalmente ergueu os olhos para Cassio, não havia raiva explícita… apenas uma decepção quieta, pesada.— Cassio — começou, num tom polido, quase diplomático demais — eu respeito sua escolha. Mas… não vou mentir. Estou decepcionado.Cassio manteve a postura, mesmo sentindo o peso deslizar até os ombros.— Eu sabia que você ficaria — respondeu, firme, porém educado. — Por isso não quis falar antes de ter certeza do que eu queria.Walter assentiu devagar.— Você sempre foi como um filho pra nós. Esperávamos que fizesse parte da família de maneira definitiva, mas… cada um sabe do seu caminho.Cassio respirou fundo. Ele precisava terminar o que tinha começado, por mais desconfortável que fosse.— Walter… — disse, endireitando-se na cadeira. — Você me ofereceu uma chance quando ninguém sabia quem eu era. Indico
313 - Sem volta
A noite, como prometido, Cassio passou no apartamento de Malu apenas para buscá-la e irem jantar fora.Enquanto Malu se arrumava, ele esperava na sala, mexendo no relógio, inquieto, claramente ansioso para contar como o almoço tinha terminado.Do quarto, a voz dela ecoou:— Temos dress code pra hoje?— Você pode vestir o que quiser. — ele respondeu, sem pensar duas vezes.Malu abriu uma frestinha da porta, ainda enrolada na toalha, só para dar uma espiada.Cassio estava sentado no sofá, mas o visual era digno de uma reunião de acionistas em Dubai: camisa social azul-marinho com as mangas dobradas até o antebraço, relógio caro, calça de alfaiataria impecável, sapatos que refletiam a luz da luminária.“Formal. Nada de vestidinho florido hoje.” pensou.Ela abriu o guarda-roupa e puxou um vestido terracota que abraçava o corpo, ajustado até a cintura, descia firme até os joelhos e, de repente, se abria num lascado lateral que revelava a coxa, elegante, mas mortífero. A região do busto era
314 - Pacto de nós dois
O elevador subia devagar, iluminado por aquela luz suave que deixava tudo mais íntimo do que precisava ser.Malu mantinha os olhos no painel, tentando não parecer tão nervosa, e falhando miseravelmente.Cassio, atrás dela, se apoiou na parede de aço polido e a puxou pela cintura, encaixando o corpo dela contra o seu como se completassem o mesmo molde.As mãos dele entrelaçaram nas dela com firmeza, como se selasse ali, silenciosamente, um pacto.Um pacto de “nós dois agora”.Quando as portas se abriram, Cassio manteve uma das mãos na dela e a guiou pelo corredor iluminado de modo suave, até girar a chave e empurrar a porta da cobertura.— Entra — ele disse, com um sorriso que deixava claro que estava orgulhoso de mostrar aquele espaço a ela.Malu deu dois passos e ficou… parada.A respiração suspensa. Os olhos varrendo cada canto.O apartamento era… um universo particular.A luz indireta desenhava o ambiente como se fosse uma cena de filme: perfis de madeira quente na parede, mobiliár
315 - Teatro
A semana passou devagar, como se desse tempo para Malu e Cassio se conhecerem melhor. No domingo Malu estava encolhida no sofá, pernas dobradas sob o corpo, a cabeça apoiada no ombro de Cássio. Ele, por sua vez, tinha um braço relaxado em volta dela, os dedos desenhando movimentos distraídos na pele do braço dela, como se quisesse memorizar aquele instante. Malu soltou um suspiro satisfeito. — Se toda semana fosse assim, eu assinava — ela comentou, sem tirar os olhos da tela. Cássio sorriu, inclinando o rosto para beijar o topo da cabeça dela. — Eu também. O celular dele vibrou em cima da mesa de centro. Uma vez. Duas. Três. Cássio franziu o cenho, esticando o braço para pegar o aparelho. O nome piscando na tela fez o sorriso desaparecer. MAYA. Ele hesitou. O telefone vibrou de novo. Insistente. — Eu preciso atender — Cassio disse, já com um pressentimento ruim. — Ela não liga assim sem motivo. Atendeu. — O que foi agora, Maya? Do outro lado, a voz veio trêmula, entrec
316 - Como planejamos
Malu estava apoiada na bancada da cozinha, ainda de pijama, tomando café sem pressa.A manhã entrava preguiçosa pela janela, iluminando o apartamento com aquela luz clara que costumava deixá-la de bom humor.No celular, ela rolava o feed distraída, curtindo fotos que não via de verdade, quando a notificação apareceu no topo da tela.Cassio.Ela abriu a mensagem.“Você tem algum analgésico aí? Esqueci de comprar e tô com dor de cabeça. Se puder deixar no apê, a porta vai ficar aberta enquanto eu tomo banho.”Ela leu uma vez. Depois outra.— Ah, então agora você aparece… — resmungou, levando a caneca à boca.A noite inteira sem notícias.Nenhuma mensagem. Nenhum “cheguei”, nenhum “tô vivo”, nada.E agora aquilo.Ela apoiou o celular na bancada e ficou alguns segundos olhando para o nada.Parte dela queria responder atravessado. Outra parte queria perguntar se estava tudo bem.Mas o tom da mensagem era tão… normal, tão cotidiano, que desarmava qualquer indignação maior.— Bonito, Cássio.
317 - Desabafo
Malu chegou à mansão de Francine e Dorian com uma pequena mochila nas costas e a sensação de que o próprio corpo pesava uma tonelada.Cada passo pelo caminho de pedras até a porta principal parecia exigir um esforço desproporcional, como se a gravidade tivesse aumentado só para ela.O rosto estava inchado, os olhos ardendo, e a garganta apertada denunciava que o choro tinha sido contido à força durante todo o trajeto.Antes mesmo de tocar a campainha, a porta se abriu.Francine apareceu descalça, vestindo um robe leve, o cabelo preso de qualquer jeito, claramente não estava esperando visita alguma naquela manhã.O olhar dela encontrou o de Malu… e bastou isso.Malu não disse uma palavra.A mochila escorregou do ombro e caiu no chão no mesmo instante em que ela se jogou nos braços da amiga, desmoronando ali mesmo, no hall de entrada.O choro veio forte, descontrolado, daquele tipo que sai do fundo do peito e dói fisicamente.Francine ainda levou alguns segundos para processar o que esta
318 - Sumiço
Cássio chegou em casa carregando no corpo o peso de uma noite inteira que parecia ter durado dias.Os ombros estavam tensos, a cabeça latejava, e o cansaço não vinha só da noite mal dormida, vinha da culpa, da preocupação e da irritação por ter sido arrastado para mais um caos provocado por Maya.Assim que fechou a porta do apartamento, largou as chaves sobre o aparador e puxou o celular do bolso.Abriu a conversa com Malu.Os dedos pairaram sobre a tela por alguns segundos antes de digitar.“Amor, virei a noite no hospital com a Maya. Foi um susto, mas tá tudo bem agora. Quando eu sair do trabalho passo ai e te explico melhor. Me liga quando acordar.”Enviou.Não ficou esperando resposta.Colocou o celular sobre a bancada da cozinha e seguiu direto para o banho, tentando lavar não só o corpo, mas aquela sensação estranha de que algo estava fora do lugar.A água quente escorreu pelas costas, levando embora o cheiro de hospital, mas não conseguiu levar a sensação incômoda no peito.Ele
319 - Porta fechada
Na manhã seguinte, Cássio acordou com a frase de Dorian ecoando na cabeça como um aviso que chegava tarde demais."E se você não quiser perder a Malu de vez, vai ter que provar que realmente não fez nada."Ele se levantou rápido demais, como se ficar na cama fosse um risco.Vestiu-se quase no automático e saiu do apartamento antes mesmo de terminar o café.Não tinha um plano claro, só uma urgência incômoda, aquela sensação de que algo estava escapando por entre os dedos.Não havia briga, não havia discussão, não havia porta batida. Só… silêncio.Desceu até a portaria do prédio, ainda acreditando, no fundo, que aquilo tudo era só um desencontro bobo.— Bom dia — cumprimentou o porteiro, apoiando o antebraço no balcão. — Você tem visto a Malu por aqui?O homem franziu a testa, pensativo.— A moça do 302?— Isso.— Olha… não hoje. — Ele fez uma pausa curta. — Na verdade, a última vez que a vi foi antes de ontem de manhã, bem cedo.O coração de Cássio deu um pequeno salto.— E… normal?O
320 - Dor
Malu acordou com a luz suave entrando pelas frestas da cortina do quarto da mansão. Por alguns segundos, ficou imóvel, tentando se localizar. O teto alto, o quarto amplo, o silêncio diferente.Não era o apartamento dela.Virou o rosto e deu de cara com caixas empilhadas perto da parede, algumas ainda abertas, com livros, roupas e pequenos objetos que tinham pertencido a uma vida que agora parecia distante.Aquilo doeu mais do que ela esperava.Suspirou, se levantou devagar e seguiu para o banheiro.Um banho rápido, quase automático, só para espantar o peso do corpo.Quando saiu, vestiu uma roupa confortável e desceu.Na cozinha, o cheiro de café fresco a encontrou antes mesmo de ver alguém.Jonas estava encostado no balcão, mexendo distraidamente uma panela pequena no fogão.Usava o uniforme da cozinha, mangas dobradas, e parecia completamente à vontade naquele espaço que, semanas atrás, ainda não era dele.— Bom dia — ela disse, com a voz ainda rouca de sono.Ele se virou e sorriu, d