All Chapters of Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras: Chapter 41
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41 - Deseja mais alguma coisa?
Dorian deu de ombros, ainda largado na poltrona como se aquele fosse só mais um dia comum na mansão. — Desde que vi você exibindo um talento... e depois desistindo dele sem explicação. — A vida acontece, Dorian — ela respondeu com ironia. — Acontece bastante pra gente que precisa pagar boletos. Ele inclinou levemente a cabeça, apoiando o cotovelo no braço da poltrona. — Mas você tem talento. Postura, presença... Você brilha quando quer. E não tô falando só daquela noite — ele completou, com a voz mais baixa. Francine sentiu o coração acelerar. Desviou os olhos, voltou a esfregar a prateleira com mais força do que o necessário. — Tá tentando puxar assunto comigo agora? Vai me oferecer conselhos de carreira? — Talvez — ele sorriu de canto. — Ou talvez só esteja tentando conhecer melhor a mulher que anda ocupando demais os meus pensamentos. Ela parou de novo. Soltou um riso curto e incrédulo, sem sequer virar para ele. — Por que tá me analisando agora? Vai me dar um rel
42 - Olheiros em campo
Francine fixou o olhar nele tempo o suficiente para o coração acelerar como se estivesse correndo uma maratona. Ela sorriu. Um sorriso leve, quase blasé. O tipo de sorriso que alguém usa quando precisa esconder o caos. — Querer não é poder, senhor Dorian. — A voz saiu firme, quase doce. Como se ela tivesse o controle da situação, quando tudo nela gritava por ele. Deu um passo para o lado, desviando do corpo dele com elegância. Passou por ele como se não sentisse o perfume ainda colado à pele, como se não lembrasse exatamente da sensação da pele dele sob os dedos, da boca dele em cada centímetro do seu corpo. Mas lembrava. E como lembrava. Internamente, uma batalha de proporções épicas acontecia. "Você só precisava virar e beijar esse homem." "Ou correr." "Ou ambos." Mas não fez nada disso. Seguiu em direção à porta com a cabeça erguida e a dignidade por um fio, mas em pé. Antes de sair, virou o rosto por sobre o ombro: — Até mais, senhor. E fechou a porta at
43 - Vai lá
Francine estava de frente para o espelho, tentando decidir entre um batom ousado ou um discreto — e falhando miseravelmente em ignorar o frio na barriga. As roupas estavam espalhadas pela cama, como se nenhuma peça fosse boa o bastante para o que estava prestes a acontecer. Atrás dela, Malu observava com os braços cruzados e a sobrancelha arqueada. — Então você vai mesmo faltar ao trabalho pra ir a esse evento? — Claro! — Francine respondeu, com o olhar firme e o delineador quase pronto. — O que é um dia de trabalho comparado com a oportunidade da vida? Malu bufou, jogando uma almofada de leve no chão ao se jogar sobre a cama. — Mas que desculpa você vai dar se o senhor Dorian descobrir? Você sabe como ele é rígido. E imprevisível. E… bonito demais pra alguém que dá tanto medo. Francine riu, ajeitando o cabelo com mais determinação do que técnica. — Malu, um problema de cada vez. Agora eu só quero passar nessa peneira. Ela se virou, segurando um par de saltos como que
44 - Prestando atenção
Francine se escondeu atrás de uma das colunas do corredor lateral, com o coração disparado. Sentado à margem do salão, encostado casualmente na lateral da arquibancada improvisada, ele estava ali: Dorian.Sem blazer, sem camisa social, sem gravata. Usava uma camiseta polo escura, calça jeans e tênis. Mexia no celular como se estivesse entediado, completamente alheio ao frenesi que tomava conta do lugar. — Não. Não, não, não, não! — murmurou baixinho, como se repetir a palavra fosse fazer o homem desaparecer. “O que esse homem tá fazendo aqui, meu Deus?” “Ele não devia estar trabalhando? Espera, EU devia estar trabalhando!” “Não tinha hora pior pra esse homem aparecer!” Ela se esgueirou de lado, espiando novamente. Dorian continuava ali, distraído. Aparentemente só mais um espectador curioso, esperando o início da movimentação. “Será que ele tá aqui por mim? Será que me seguiu? Será que vai me demitir assim que me vir naquela passarela?” As perguntas vinham como tiros
45 - Passado e presente
Quando as inscrições foram encerradas o salão já estava lotado. Pais, amigos, fotógrafos, olheiros disfarçados entre a plateia, e até curiosos que se aglomeravam pelos corredores do Lumine Mall para espiar o desfile amador que prometia revelar o novo rosto da Montblanc. Francine ajeitou os ombros. A postura reta. O queixo levemente erguido. Como se usasse uma coroa invisível. Ao redor, outras garotas cochichavam nervosas. Algumas arrumavam o cabelo compulsivamente. Outras prendiam a respiração a cada nome chamado no microfone. Francine, não. Ela respirava fundo, firme, com o tipo de segurança que não se aprende, se nasce com ela. Vestia exatamente o que o regulamento pedia: uma camiseta branca básica, colada ao corpo, e uma calça jeans skinny que moldava suas curvas com perfeição. Nos pés, um salto preto simples, mas preciso. A maquiagem era quase imperceptível, e o cabelo solto caía em ondas naturais sobre os ombros. E naquele instante, ela parecia ter sido feita sob med
46 - A atenção certa
O último passo de Francine na passarela foi tão firme quanto o primeiro. Ela manteve o olhar reto até a borda final, e só então, ao dar meia-volta e retornar, permitiu a si mesma um leve sorriso, pequeno, discreto, quase imperceptível. Mas ela sabia. Sentia no corpo inteiro. Tinha entregado tudo. O salão explodiu em palmas, algumas mais contidas, outras entusiasmadas. Um ou outro espectador mais experiente trocava olhares cúmplices, como quem já sabia quem era a estrela do dia. Ao descer da passarela, o coração ainda acelerado, Francine sentia o corpo leve, mas o sangue fervendo. Uma mistura de adrenalina, orgulho e… inquietação. Ela varreu a plateia com os olhos, discreta. Procurava apenas um rosto, um olhar específico. Mas Dorian não estava mais onde tinha estado. "Sumiu? Justo agora?" Caminhou devagar até a lateral do salão, como quem apenas procurava um lugar mais calmo para respirar, mas a verdade era outra. Queria vê-lo. Queria entender o que ele havia achado. Mas ele
47 - As cinco selecionadas
— Trinta minutos até o resultado. Vai passar voando… ou rastejando — murmurou para si, se afastando da sala do desfile com passos incertos. Francine resolveu andar. Respirar. Fazer qualquer coisa que a distraísse. Foi parar na praça de alimentação, e quando deu por si, estava com um sorvete de casquinha na mão. Baunilha com cobertura de chocolate. Se sentou em uma das mesas do canto, e até conseguiu sorrir, observando o movimento do shopping. Estava bem movimentado para uma terça-feira. Por um instante, sentiu-se invisível. Livre. Mas não estava. Do outro lado da praça, o rapaz que a tinha reconhecido na hora do desfile ainda a observava. Agora ele se escondia entre as vitrines e colunas, com o capuz do moletom puxado até a testa. — Então era aqui que você estava se escondendo, princesa — murmurou, o olhar estreito. — Francine Morais. Ou deveria dizer… Francy Moreau. Ela, no entanto, nem sonhava com a presença dele. Estava ocupada demais tentando não surtar por antec
48 - Questão de tempo
Francine naquele momento se esqueceu completamente de que ele era seu chefe. — Oi nada! — ela disparou, ainda com os olhos brilhando de raiva. — Você diz pra eu ir atrás do meu sonho, e depois me dá uma rasteira dessas? Dorian soltou um riso leve, como se estivesse assistindo um espetáculo exclusivo. — Você fica maravilhosa quando tá irritada. — Ele falou isso num tom quase íntimo, esticando a mão para tirar uma mecha do cabelo dela que havia escapado e caído no rosto. Francine recuou, esbaforida. — Tira a mão de mim! — O olhar dela era um raio. — Você não tinha esse direito, Dorian, que droga! — Você não devia estar trabalhando hoje? — ele devolveu, com o ar mais cínico e calmo possível. Ela ficou em silêncio por um segundo. Só um segundo. Porque logo o sangue ferveu de novo. — Ahhhh, então é por isso? É por isso que está me punindo?! — Os olhos dela faiscavam. — Pois quando você chegar em casa, não vai ser um bilhete no seu travesseiro que vou deixar, e sim a minha c
49 - Sanguessuga
Francine travou por um segundo ao encarar aquele rosto do passado, mas a raiva acumulada dos últimos minutos encontrou um novo alvo. — Tira as mãos de mim, sua peste! — ela gritou, empurrando-o com as duas mãos. — Desgraçado! Infeliz! Como é que você tem a cara de pau de aparecer aqui?! — Francine… — ele deu um passo, como se estivesse se divertindo com a reação dela. — Não achei que fosse me receber com tanta saudade assim. — Eu mandei você sumir da minha vida! SUMIR! — Ela apontava o dedo no peito dele, a voz ganhando cada vez mais força, descontrolada. — E agora me aparece feito uma praga? — Ah, Francine… — ele riu, aquele riso debochado que ela conhecia bem. — Eu sei que você não vive sem mim. Apesar que devo admitir… — os olhos dele vasculharam a fachada da mansão atrás dela — … você deve estar muito bem, se está morando aqui. Subiu de vida, hein? — Eu não te devo satisfação da minha vida! — ela retrucou com firmeza, já bufando. Num gesto rápido, ele agarrou o rosto d
50 - Controle total
Depois que Francine saiu como um furacão, deixando um rastro de indignação e olhares curiosos pelo saguão do shopping, Dorian permaneceu onde estava por alguns instantes, como se absorvesse o impacto da tempestade que ele mesmo provocara. Ajeitou a gola da camisa com calma e soltou um longo suspiro antes de voltar para o salão do desfile. Lá, cumprimentou os organizadores com a naturalidade de quem estava no centro do próprio império. — O evento foi um sucesso — elogiou, apertando a mão de um dos patrocinadores mais influentes. — E eu quero discutir possibilidades futuras. Algo maior. Nacional. Eles sorriram, ansiosos, já imaginando o que o nome Dorian Villeneuve poderia trazer para os próximos eventos. Ele trocou mais algumas palavras, estreitou laços, plantou sementes. Como sempre fazia. — A propósito, Villeneuve — disse um dos jurados ao se aproximar, ainda com o crachá da agência pendurado no pescoço — espero que esteja satisfeito com o resultado. Dorian virou-se com um sorr