All Chapters of Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras: Chapter 51
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51 - Decisão madura
A porta da cozinha se escancarou com um estrondo, batendo contra a parede com tanta força que fez os potes nas mãos de Malu quase voarem. A funcionária deu um pulo, o coração disparando no peito. — Minha nossa, Francine! Vai derrubar a casa, mulher! Mas Francine nem ouviu. Entrou com os olhos faiscando de raiva, a respiração pesada, o rosto ainda ruborizado de indignação. Marchou até o balcão como se estivesse prestes a lançar uma revolução. — Adeus, Malu! Eu vou embora dessa casa! — anunciou, jogando a bolsa sobre a bancada como se fosse uma bomba prestes a explodir. Malu arregalou os olhos, ainda segurando um tupperware de tampa azul. — Como é que é? — Isso mesmo que você ouviu! Eu não sou obrigada a nada! Ninguém vai brincar com a minha vida e eu vou aceitar sem fazer nada! — começou a abrir os armários de qualquer jeito, como se procurasse algo só pra canalizar a raiva. — Eu vim pra cá pra recomeçar, não pra ser manipulada por um CEO mimado que acha que pode decidi
52 - Sabor de desabafo
Francine deu mais uma garfada no bolo antes de desabafar.— Aquele imbecil me boicotou só porque faltei ao trabalho. Ainda veio com a cara mais cínica dizer que estava fazendo o melhor pra mim.— E como ele te boicotou? Aliás, o que ele estava fazendo lá?— Sei lá, Malu. Esse homem é imprevisível e aparentemente está em todo lugar onde eu estou. Eu vi ele conversando com um jurado, aposto que foi por causa dele que não fui escolhida.— Será que ele não estava apenas fazendo negócios, como sempre? Você sabe como ele vê dinheiro até numa sombra.— Eu não faço ideia, mas é coincidência demais, Malu. Até outras candidatas ficaram chocadas que eu não fui escolhida. Tinha menina me perguntando no corredor se eu tinha recusado a vaga.— Mas você não perguntou diretamente a ele?— Malu, a minha vontade era torcer o pescoço daquele infeliz. Acha mesmo que eu ia conseguir conversar? Eu só vim embora, achando que já tinha tido desgraça suficiente pra um dia… mas a minha vida é uma piada de mau g
53 - Menos do que esperava
Ela soltou um suspiro impaciente, cruzando os braços. — Pra sua sorte, não deu tempo de escrever. Os olhos dele analisaram cada centímetro do rosto dela, como se tentasse medir até onde podia ir. — Você devia confiar mais em mim. Ela arqueou uma sobrancelha, quase rindo da ironia. — E você devia fingir que eu não existo. Como sempre foi. Ela não esperou a resposta. Virou o rosto e continuou andando, os passos ecoando pelo corredor enquanto ele ficava ali, parado, com as palavras dela ainda pairando no ar. Francine entrou no quarto e foi direto para o banheiro. Tirou a roupa como se estivesse arrancando o próprio dia de cima da pele. Ligou o chuveiro quente e deixou a água escorrer pelas costas, tentando lavar junto a decepção do desfile, o medo de Natan e a raiva de Dorian. Enquanto ensaboava os braços, sua mente voava num cálculo impreciso. Quantos meses já fazia que estava naquela casa? Doze? Quinze? Mais de um ano aguentando as ordens secas, os olhares afiados, os
54 - Sorrisinho ensaiado
Francine acordou antes do despertador, coisa que não acontecia desde... bom, talvez desde que se mudara pra mansão. Esticou os braços com gosto, pulou da cama num movimento só e foi direto abrir o guarda-roupa. Hoje, ela não era funcionária, nem estagiária, nem ex de golpista — era personal stylist da Malu em missão especial no centro da cidade. Enquanto escovava os dentes, já mentalizava o roteiro: a loja das bolsas com liquidação relâmpago, o brechó com peças que gritavam Paris, e aquela vitrine onde Malu sempre passava reto dizendo “não tenho coragem de entrar” — hoje, elas iam entrar. Na cozinha, o café das duas parecia mais uma reunião de esquenta. Pão quentinho, frutas cortadas com capricho, café passado na hora e conversas com risadas que acordariam até o Dorian — se ele estivesse em casa. — Hoje eu deixo você escolher as lojas — disse Francine, com falsa generosidade, enquanto passava manteiga numa torrada. — Que honra — respondeu Malu, rindo. — Já posso me prepar
55 - Natan Ferraz
Assim que sumiu da vista de Francine, Natan caminhou sem pressa por algumas ruas estreitas do centro até dobrar em uma viela apertada, escondida entre dois prédios antigos. Era o tipo de lugar onde qualquer pessoa de bom senso evitava entrar — mas Natan não se importava com sensatez. Já tinha cruzado muitos becos na vida, tanto figurativa quanto literalmente. No fim da viela, ele subiu dois degraus de uma escada de acesso metálica, enferrujada, e se sentou. Estava ofegante, mas sorria. Tirou o celular do bolso e abriu o aplicativo de rastreamento. Um ponto azul piscava em tempo real: Francine. Ela estava exatamente onde deveria estar. A AirTag escondida discretamente no forro da bolsa era sua garantia. — Agora você não foge mais de mim, minha bonequinha. Alguns minutos depois, um homem de jaqueta surrada se aproximou, vindo do lado oposto da rua. O cabelo desgrenhado e o jeito sorrateiro denunciavam sua profissão informal. — E aí? — disse o homem, enfiando as mãos
56 - Claro que…
Depois do susto com o roubo da bolsa, Francine e Malu decidiram fazer uma pausa. O coração ainda estava acelerado e as pernas, bambas. Um restaurante acolhedor na esquina pareceu o abrigo perfeito. — A gente precisa de comida, de água com gás e de paz — Malu decretou, já puxando a cadeira. — E talvez de um novo plano de vida — Francine suspirou, afundando no assento. Enquanto esperavam os pedidos, ela finalmente soltou o que estava engasgado: — Malu, eu não vim só passear. Eu precisava conversar com você. O que disse ontem era sério. Quero ir pra Paris. — Paris… pretende participar na Paris Fashion Week? Francine assentiu. — É a chance de mudar tudo. Mostrar quem eu sou. Malu estreitou os olhos, prática: — E quanto você tem? — Não muito. Mas o suficiente pra ir. Só que lá… eu teria que arrumar um bico pra conseguir me manter por um tempo. Antes que Malu pudesse responder, o som da porta de entrada chamou atenção. Uma voz familiar falava ao telefone. — Francine... não olha
57 - AirTag
Eles já estavam quase terminando o prato quando Dorian franziu a testa e pegou o celular do bolso. — Estranho… — murmurou. Francine levantou os olhos, desconfiada. — O que foi agora? Alguma ação caiu um centavo? Ele não respondeu de imediato, apenas olhou a tela, depois ao redor, como se escaneasse o ambiente. Malu, por sua vez, aproveitava a trégua momentânea para raspar o molho do prato com o pão. — Recebi um alerta aqui — disse Dorian, sem olhar diretamente para nenhuma das duas. — Tem um AirTag desconhecido próximo de mim há um tempo. O garfo caiu do prato de Francine com um tilintar seco. Ela empalideceu. — Um quê? — AirTag. Localizador da Apple. Normalmente avisa quando alguém está sendo seguido sem saber. — Ele ergueu os olhos pra ela, com um olhar mais sério, menos provocador dessa vez. — Será que está com alguma de vocês? Francine empurrou a cadeira para trás de repente e começou a vasculhar a própria bolsa com pressa, os dedos tremendo levemente. Malu s
58 - Relacionamento moderno
As duas se entreolharam, e Francine suspirou como quem precisava de um banho de sal grosso. — Vamos pedir a conta antes que mais algum milionário tente comprar a nossa dignidade — ela resmungou, levantando a mão para chamar o garçom. Mas o rapaz se adiantou, já se aproximando com um sorriso. — Senhoritas, o almoço já foi pago. O cavalheiro que estava com vocês pediu para avisar. Francine fechou os olhos por um segundo e murmurou: — Óbvio. Malu deu uma cotovelada leve nela, rindo: — Disso você não vai reclamar, né, Fran? Francine ajeitou a bolsa no ombro, ainda com aquele peso simbólico do AirTag escondido no forro. Malu caminhava ao lado, em ritmo leve, como se estivessem apenas curtindo uma tarde comum. — Bom, pelo menos economizei no almoço — Francine comentou, olhando para o céu e tentando ignorar o rastreamento passivo-agressivo. — Esse dinheiro vai direto pro cofrinho da Paris Fashion Week. Malu arregalou os olhos, fingindo indignação: — Nossa, nem um pres
59 - Rosas, lavandas e macarons
Mais tarde, já em casa, Natan recostou-se na poltrona do escritório, com o celular em mãos e os olhos fixos no mapa. O pequeno ponto azul marcava a última localização conhecida do AirTag de Francine: centro da cidade. Franziu a testa. “O que ela estaria fazendo tão tarde no centro da cidade? Ela não vai voltar para a mansão?” Passou a mão pelos cabelos, desconfiado. Tinha certeza de que ela voltaria direto pra casa, mas havia se enganado. Algo estava errado. Dormiu inquieto. No dia seguinte, antes mesmo do sol nascer, despertou com o mesmo pensamento grudado na cabeça. Pegou o celular ainda deitado e abriu o aplicativo. O AirTag ainda estava no centro. Mas agora em outro ponto. Um lugar totalmente aleatório. Se sentou devagar, com a mandíbula tensa. — Não... — murmurou. — Ela descobriu. Levantou-se num pulo e começou a andar de um lado para o outro, inquieto. — Como ela descobriu tão rápido? Olhou novamente para o mapa, tentando calcular a rota, os horários
60 - Coisa de maluco
Dorian entrou no escritório com passos firmes e cara fechada. A porta mal tinha batido atrás dele e Cássio já estava de pé, caneca de café na mão e o sarcasmo na ponta da língua. — O que rolou dessa vez? Ela se demitiu? — Bom dia pra você também, Cássio. — Isso é um "não", então. — Ele deu um gole na bebida, estudando o semblante do amigo. — Mas alguma coisa aconteceu. Tá escrito na sua testa. Dorian jogou a pasta em cima da mesa e soltou um suspiro irritado. — Ela apareceu com um buquê de flores logo cedo. Cássio arqueou uma sobrancelha. — Ah… entendi. E não era você o remetente, certo? — Bingo. — Tá com ciúmes? Dorian lançou um olhar de aviso, mas não respondeu. E o silêncio dizia tudo. — Cara, você tá perdido nessa história. Vai acabar tropeçando no próprio orgulho — murmurou Cássio, voltando pra sua mesa com um meio sorriso. — Sim… Cássio parou no meio do caminho, girando nos calcanhares com uma expressão divertida. — O quê? Pode repetir? Acho que en