All Chapters of Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras: Chapter 61
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61 - Silêncio
Dorian saiu do escritório mais cedo naquele dia, sem dar muitas explicações. Foi direto ao shopping, caminhando com passos decididos como se estivesse indo assinar um contrato importante — embora, no fundo, soubesse que estava fazendo algo completamente fora da sua rotina racional. Parou em frente à loja de eletrônicos e encarou a vitrine de celulares topo de linha, todos brilhando sob luzes estrategicamente posicionadas. — Isso é ridículo. — murmurou para si mesmo, cruzando os braços. Sentia-se como um adolescente tentando impressionar a crush com um presente caro. E pior: um adolescente que nem sabia se estava sendo correspondido. Ainda assim, entrou. Enquanto o atendente descrevia as vantagens técnicas dos modelos, Dorian apenas apontou para um. — Esse. Com capa resistente. E película. — Vai querer ativar o plano também? — Quero ativar o que for preciso pra ela nunca mais cair numa armadilha daquele stalker idiota. — respondeu, seco. O vendedor deu um sorriso mei
62 - Um começo
Dorian caminhou até a bandeja de frutas e pegou uma pêra, sem a menor intenção de comê-la. Era só uma desculpa para ocupar as mãos enquanto observava Francine. E foi ali, com a fruta esquecida na palma, que ele percebeu: ela não ia aceitar. O olhar desconfiado, o corpo tenso, a maneira como mantinha distância da sacola — tudo gritava que, em poucos segundos, ela daria meia-volta com uma resposta ácida na ponta da língua. — Uma modelo precisa de boas fotos, não precisa? — disse ele, tentando suavizar o tom. — E um bom celular ajuda muito. Francine apertou os lábios para conter a resposta automática, mas não conteve a imagem que surgiu de repente na cabeça. Ela em Paris, com aquele celular novinho nas mãos, virando o rosto para a câmera com a Torre Eiffel ao fundo e a luz dourada do entardecer pegando exatamente seu melhor ângulo. Postagens com filtro zero, patrocinadores implorando por stories… Ela piscou, espantando a cena como quem afasta uma tentação. — Falou o homem
63 - Pôr do Sol
Francine voltou para a cozinha com mini saltinhos de alegria, tentando conter o sorriso bobo que insistia em escapar pelos cantos dos lábios. O celular novo estava guardado no bolso do avental, como um segredo precioso. Dorian não podia — jamais — saber o quanto ela estava satisfeita com aquele presente. Mas Malu... Malu era outra história. A amiga a observou entrando na cozinha como quem voltava de um parque de diversões. Cruzou os braços, arqueou uma sobrancelha e soltou, sem cerimônia: — E essa alegria toda aí? Rolou um flashback da festa e eu não tô sabendo? Francine revirou os olhos e tentou manter a pose. — Sai fora, Malu. Não tem flashback nenhum. Apenas ganhei um presente que não esperava. Malu estreitou os olhos, divertida. — Presente? Do Dorian? Ou da fada madrinha da cozinha? — Não te interessa — respondeu Francine, fingindo desinteresse enquanto enfiava uma uva na boca. — Mas foi um bom presente. Útil, moderno… caríssimo. — Ah, então definitivamente não
64 - Treino
Dorian pegou a toalha do banco ao lado e começou a secar o rosto, o pescoço, os ombros, como se não tivesse acabado de interromper o fôlego de alguém ali. — Você devia vir treinar comigo um dia. É bom pra acalmar a mente — disse ele, casual, como se ela não estivesse ali completamente fora do prumo. Francine fez o possível pra recuperar a compostura e levantou o celular. — Vou pensar no caso. Por enquanto, vou ficar com o treino de fotografia. — Então capricha na luz. Essa aqui merece uma boa edição. Ela riu, ainda tentando fingir naturalidade. Ótimo. A primeira selfie não saiu. Mas a memória? Essa ela não ia apagar nunca. — Pode ficar à vontade pra fotografar com seu celular novo — disse Dorian, voltando a se posicionar na barra como se fosse a coisa mais casual do mundo. — Não vou cobrar royalties pela imagem. Francine soltou uma risadinha nervosa, apoiando-se discretamente na mureta do terraço. A luz estava mesmo perfeita. Mas quem precisava de pôr do sol com aquele
65 - Modo sedução
Francine entrou na cozinha tentando parecer natural — o que, nela, significava andar reto, manter o queixo erguido e fingir que o coração não estava prestes a sair pela boca. — Ué, demorou, hein? — Malu comentou, cortando um tomate com a tranquilidade de quem sabia que algo tinha acontecido. — Já voltou com o pôr do sol em 4K? — O sol já tinha se escondido — Francine respondeu, colocando o celular sobre a bancada, como quem diz “isso aqui não significa nada”. — Ih, perdeu o timing? Que pena. E as fotos? Quero ver. — Nem tirei — ela respondeu rápido demais. Malu parou de cortar e virou só a cabeça, desconfiada. — Como assim “nem tirei”? Você saiu daqui falando da piscina, da luz perfeita, toda emocionada… — Não tava com o enquadramento bom. A luz não tava batendo direito — Francine balançou a mão no ar, descartando o assunto. — Enfim, e essa salada, vai ser temperada com o quê? — Com a verdade, se depender de mim — Malu cruzou os braços, encostando-se na pia. — Tá, se n
66 - Não era
Enquanto seguia para mais um dia de trabalho no escritório, o som abafado do motor preenchia o carro, mas a cabeça de Natan estava em outro lugar. Ele encarava a pista à frente como se cada carro fosse um obstáculo entre ele e o que realmente importava. Francine. Era inacreditável. Depois de tudo, ela nem sequer mandou uma mensagem. Nem um emoji, nem um "obrigada pelas flores", nem um "vai se tratar". Nada. Ele apertou o volante com mais força do que o necessário, fazendo os nós dos dedos doerem por um breve segundo. Talvez ela não tenha recebido. Talvez outra pessoa tenha ficado com o buquê. Ou talvez… ela simplesmente tenha ignorado. E essa última hipótese era inaceitável. As flores foram um gesto simbólico, só pra quebrar o gelo. Uma abertura. Um convite. Mas ignorar? Passar por cima como se ele fosse mais um na fila? "Francine não é assim", pensou. "Ou… não era." Talvez o problema fosse exatamente esse: ele não sabia mais quem ela era. Não de verdade. Fazia tempo. Tempo dem
67 - Útil
Sábado à noite, o restaurante Conttento exalava sofisticação. Velas sobre as mesas, arranjos discretos, garçons precisos. O tipo de lugar onde ninguém falava alto — e todo mundo fazia questão de ser visto. Natan Ferraz chegou com cinco minutos de antecedência. Vestia um blazer marinho perfeitamente ajustado, o rosto barbeado com precisão cirúrgica e o relógio suíço brilhando com discrição suficiente para parecer casual. Ele não precisava de extravagância. Sabia onde mirar, como se mover, como se impor. — Senhor Ferraz. Mesa para quatro, correto? — Sim. E minha acompanhante chega em instantes. Pode me levar até lá. Foi conduzido à melhor mesa do salão — perto da adega envidraçada, com visão privilegiada do ambiente, mas ainda assim reservada. Posicionamento estratégico. Ali, ele seria visto por quem importava, sem se misturar com quem não interessava. Os outros empresários chegaram minutos depois. Natan os recebeu com cordialidade firme, risos controlados, elogios pontuais, co
68 - Quebrando o gelo
Desde que Francine enviou o vídeo para Dorian (com aquele tom provocador e leve que ele não estava acostumado a receber) algo entre eles começou a se transformar. De forma discreta, quase imperceptível, a distância que os separava passou a ceder espaço a uma curiosa aproximação. Nos primeiros dias, as mensagens trocadas seguiam um padrão prático e quase impessoal: "Bom dia. O que temos para o café?" Mensagens diretas, enviadas com o mesmo tom de comando que Dorian costumava usar com todos à sua volta. "Dormiu bem?" Francine, por sua vez, respondia com secura ou apenas com emojis — uma carinha sonolenta, uma xícara de café — como quem deixava claro que não estava disposta a ser bajulada. Mas ele insistia. De forma sutil. De forma quase... encantada. Vez ou outra, mandava uma foto da pilha de papéis acumulados sobre a mesa do escritório, com a legenda: "Olha o que me espera hoje." Francine respondia no mesmo tom, enviando uma imagem das verduras espalhadas sobre a b
69 - Conversa errada
— Você vai dormir de conchinha com esse celular hoje ou nem pretende dormir? — Malu apareceu encostada no batente da porta, com um pacote de biscoito na mão e o cabelo preso num coque torto que denunciava o fim de um dia longo. Francine estava deitada, abraçada ao travesseiro, a luz da tela iluminando o rosto. Não respondeu de imediato, apenas sorriu de canto enquanto digitava mais uma resposta rápida. — Malu, pelo amor de Deus... vai viver tua vida. — Tô tentando, mas é difícil competir com a sua paixonite virtual. — Ela entrou no quarto e se jogou aos pés da cama, de costas. — Sério, Francine... cê já percebeu que passa mais tempo trocando figurinha com o Dorian do que fazendo qualquer outra coisa? Inclusive me ignorando! Francine deu uma risada curta e abafada pelo travesseiro. — Que exagero. A gente só conversa, e nem é tanto assim. No máximo uns "bom dia", "tudo certo aí?" e, sei lá... ele me mandou uma foto de um look cafona ontem e perguntou se eu aprovaria pra passarela.
70 - Siga em frente
Francine ficou parada por um tempo, olhando para a tela. O cursor ainda piscava ali, como se esperasse um sinal verde. "Sabia que você ainda guardava esse seu jeito doce comigo. Fiquei feliz, de verdade." Ela sabia que deveria simplesmente ignorar. Mas alguma parte dela, talvez o tédio, talvez o ego, queria responder. Ou pelo menos rir disso com alguém. Largou o celular no criado-mudo e foi até a janela, puxando a cortina com um movimento preguiçoso. Abriu só uma fresta, o suficiente para um raio de sol entrar direto no seu rosto. — Aff, queimada viva — murmurou, se afastando como se fosse feita de papel. — Um vampiro teria mais tolerância que eu. Pegou uma roupa qualquer, short de moletom e regata larga, e foi até a cozinha. O cheiro de alho e cebola refogados no azeite atingiu em cheio o estômago, que imediatamente respondeu com um ronco alto e desajeitado. — Bom dia pra você também — disse Malu, mexendo algo na panela com uma colher de pau. — Tá viva? — Mais ou men