All Chapters of Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras: Chapter 71
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71 - Triângulo
O sorriso surgiu antes mesmo dela conseguir conter. Automático, bobo, sincero. Malu, que já observava tudo de camarote, apontou a colher como se fosse um microfone: — Pelo visto a fila andou, né? Francine tentou disfarçar, mas a tentativa foi patética. — Que fila, menina? Tá doida. — Ah, claro. Você só sorri assim quando o crush manda “bom dia”. Se fosse notificação do banco, cê tava bufando. — Malu estreitou os olhos. — É o Dorian, né? Francine não respondeu, mas a covinha na bochecha entregava tudo. — Eu sabia. Desde aquele dia que você fez panqueca e deixou queimar porque tava rindo sozinha no celular. Desde ali eu sabia. — Malu, não é nada demais. — Uhum. Você só tá com o brilho no olho de quem não sente mais raiva ao ver cueca na pia. Francine gargalhou e largou o celular na mesa. — Você vai me zoar muito se eu disser que... gosto de conversar com ele? — Só até a eternidade — respondeu Malu, levantando da cadeira com a xícara na mão. — Mas pode ficar tranq
72 - Contra ataque
Natan pousou o celular virado pra baixo e pegou o guardanapo com força desnecessária, alisando-o como se quisesse arrancar a raiva com as pontas dos dedos. Do outro lado do salão, um casal ria de algo compartilhado num celular. Natan olhou, e a visão o irritou ainda mais. Era isso. Ela devia estar com outro. A única explicação para tanta firmeza, pra esse tom de maturidade forçada, era que alguém novo tinha surgido na jogada. E ela estava se achando superior por ter “seguido em frente”. O prato chegou, mas o apetite não. Ele passou os olhos pela tela mais uma vez, os dedos tamborilando ao lado do celular. Queria responder. Queria despejar ironia, esfregar tudo o que ela tinha perdido. Mas não. Precisava de algo mais sutil. Mais calculado. Engoliu a raiva com uma taça de vinho, respirou fundo e soltou um sorrisinho torto, forçado. O tipo de sorriso que precede um contra-ataque. — Então tá, Francine. Vamos ver até onde vai esse “outro momento” seu... Francine tinha o
73 - Um pouco de sol
Era início da tarde e o sol filtrado pelas cortinas finas deixava a sala de descanso com cara de preguiça. O ambiente, um dos poucos cômodos da mansão destinados ao uso livre dos funcionários, era pequeno, com um sofá encostado à parede, duas poltronas de tecido surrado e uma estante com livros antigos e jogos de tabuleiro que ninguém ousava tocar. Francine estava ali sem pressa, no seu dia de folga, deitada no sofá com uma almofada improvisada sob a cabeça e o celular em mãos. O som da notificação fez sua barriga gelar antes mesmo de ver o nome. Natan. Ela hesitou, mas clicou. “Que pena, não queria te incomodar, de verdade.” “Só senti que depois de tudo o que vivemos, você merecia algo à altura.” “Mas tudo bem, se você acha que encontrou algo melhor, vou respeitar.” “Só fico triste por perceber como você se tornou alguém que responde com frieza um gesto sincero.” “Mesmo que não queira mais saber de mim, eu continuo torcendo por você. Sempre.” Francine soltou um suspiro, lo
74 - Perseguição
Ela piscou duas vezes, o envelope ainda em sua mão. Por um segundo, seu cérebro não conectou. Montblanc? A maior agência de talentos da Europa? A mesma que ela sonhava um dia ser notada? Por que diabos eles estavam mandando carta para Dorian? Entregou o envelope a Filipe, mas seus olhos ficaram fixos nele até o último segundo. — Tá tudo aí? — perguntou ele, secando o próprio rosto com a manga. — Uhum — ela respondeu sem convicção. No caminho de volta à cozinha, agora toda molhada, Francine começou a construir uma galeria de teorias. "Será que Dorian é cliente da Montblanc?" "Ou tem algum familiar famoso?" "Talento escondido?" "Dono da porra toda?" "E se ele tiver ligações com o mundo da moda e nunca comentou nada?" "Será que é ele o olheiro fantasma de quem as meninas vivem falando?" Francine entrou na cozinha pingando, o cabelo grudado no rosto, a blusa colada nas costas e os chinelos fazendo “squelch” a cada passo. Malu quase cuspiu o gole de café que tinha acabado de
75 - Vai sobrar pra mim
Francine deu duas batidinhas leves na porta entreaberta, equilibrando a bandeja com o cuidado de quem serve chá da realeza. — Trouxe um agrado da cozinha — anunciou, com um sorriso doce demais pra ser só simpatia. Denise ergueu os olhos por cima dos óculos. Estava sentada atrás da mesa, concentrada em um amontoado de contratos, com uma pilha de correspondências ao lado. — Isso tudo é gentileza demais vindo de você — respondeu, desconfiada, mas divertida. — Vai ver bateu a febre? — A febre do altruísmo, talvez. Acredite, é grave. Filipe, sentado numa poltrona ao canto da sala, soltou uma risada abafada. Francine pousou a bandeja sobre a mesa com movimentos ensaiados, quase cerimoniais. O aroma do bolo logo invadiu o ambiente. — Fiz questão de trazer. Vocês trabalham tanto… um bolinho ajuda a adoçar o dia, né? — Ou disfarçar veneno — brincou Filipe. Ela riu, mas seus olhos não riram. Eles estavam fixos na pilha de correspondências, mais especificamente no envelope cinz
76 - Ciúmes
Assim que passou pela porta da mansão, o turbilhão de pensamentos invadiu a mente de Dorian como uma tempestade sem aviso. “Então era esse o remetente das flores?” “Será que foi ele quem colocou o rastreador na bolsa dela?” “É por causa dele que ela não se abre comigo?” As perguntas se atropelavam, deixando pouco espaço para a lógica e muito espaço para o incômodo. Sem se dar conta, ele bateu a porta do salão principal com força suficiente para assustar qualquer alma viva por perto, e talvez até ser ouvido da rua. Não que se importasse. Seguiu em passos pesados até o corredor. Um dos empregados cruzou com ele no caminho, cumprimentando-o com um tímido "boa noite". — Boa noite, senhor Dorian. Não recebeu resposta. Apenas um olhar de aço e o som apressado dos sapatos ecoando pelo piso de mármore. — Pelo visto o humor dele voltou ao normal — comentou o funcionário, mais para si mesmo do que para alguém ouvir. No quarto, Dorian tirou o paletó com um gesto brusco, afrouxou a gra
77 - Acertou, mizeravi!
Francine rolava pela cama, o lençol enroscado entre as pernas e o celular firme nas mãos. A tela piscava, iluminando o quarto no escuro. Nenhuma notificação. Nenhuma mensagem. Nada. Ela bufou e largou o aparelho no travesseiro ao lado. Tentou se convencer de que não estava esperando nada, que Dorian provavelmente só estava ocupado… ou dormindo… ou em reunião com algum bilionário entediante que usava suspensório e falava devagar. Mas não colou. Francine tinha revisado mentalmente cada segundo do abraço com Filipe e, principalmente, o momento exato em que largou o coitado ao ver o carro preto entrando pela mansão. Dorian tinha visto. Dava pra ver nos olhos dele. Aquela frieza súbita, aquele cumprimento mecânico… ela conhecia bem. “Droga.” Sentou-se na cama e agarrou o travesseiro contra o peito. “Será que peguei pesado? Será que ele achou que era… alguma coisa com o Filipe?” Olhou pro celular de novo. Nada. “Tá. Então agora vai fazer a egípcia.” Francine mal tinh
78 - Ansiosa
Francine vestiu o uniforme com a precisão de quem tentava disfarçar o nervosismo e saiu do quarto cedo, indo direto para a cozinha. O café da manhã precisava estar na mesa antes que Dorian descesse, exatamente como ele exigia. Arrumava as xícaras, repunha as frutas, ajeitava o guardanapo com mais zelo do que o necessário. Tentava ocupar as mãos, porque a cabeça… bom, a cabeça ainda estava presa naquela mensagem da madrugada. Quando ouviu os passos vindo do corredor, seu corpo todo entrou em alerta. Dorian entrou no salão com postura impecável, terno escuro, cabelo milimetricamente alinhado e aquele charme irritante que ele carregava como quem não sabia o efeito que causava. — Bom dia — disse ele, num tom cordial, enquanto cumprimentava os empregados com um leve aceno de cabeça. Francine apenas assentiu e serviu o café com um sorrisinho educado, mas contido. Dorian observava cada movimento dela como quem lia um livro interessante. Quando se sentou e pegou a xícara, ele
79 - Ataque de curiosidade
Francine atravessou os corredores da mansão com passos rápidos e mente fervilhando. Não era só curiosidade — era uma missão. Ela precisava saber o que tinha naquela carta. Não conseguia trabalhar, pensar, respirar direito com aquele mistério rondando seus pensamentos. E se fosse algo importante? Um convite? Uma ameaça? Um testamento secreto? Não, isso era novela demais… Mas ainda assim, ela precisava ver com os próprios olhos. Chegando no quadro de escalas, ela analisou rapidamente os nomes distribuídos. Os olhos logo encontraram o que procurava: Escritório – Luana. — Bingo. Apressada, foi até a área de serviço, onde encontrou Luana organizando produtos de limpeza. — Lu! Ei, Luana! — chamou, com um sorriso largo que era meio simpático, meio desesperado. — Oi, Fran. Que foi? — Então… eu tava vendo aqui a escala e queria te pedir uma coisinha — começou, tentando parecer casual. — Que tal a gente trocar hoje? Eu fico com o escritório e você faz o meu setor. Luana arqueou uma s
80 - Mania de se infiltrar
Dorian chegou em casa mais tarde do que o habitual naquela noite.Tirou a gravata com calma, apoiou sobre a poltrona do escritório e passou os olhos pelo ambiente.Tudo parecia no lugar, em excesso, até.Os livros perfeitamente alinhados, a lixeira vazia, a gaveta ligeiramente revirada.Pequenos detalhes, imperceptíveis a olhos comuns. Mas não aos dele.Pegou o telefone e ligou para a governanta.— Denise, quem organizou o escritório hoje?Do outro lado, uma pausa. Depois a resposta:— A Francine.Um sorriso cínico se desenhou nos lábios dele.— Mande ela vir aqui. Agora.Na cozinha, Francine tentava manter uma conversa com Malu, mas sua cabeça estava longe, mergulhada nas gavetas vasculhadas, nas folhas remexidas, no chão aspirado duas vezes por pura ansiedade.Quando viu Denise se aproximando com aquele olhar curioso, seu estômago revirou.— Aconteceu alguma coisa? — Denise perguntou, olhando de Francine para Malu.— Nada de mais. Estou só cansada. Organizar o escritório do senhor D