All Chapters of Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras: Chapter 81
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81 - O olheiro da Montblanc
Francine prendeu o ar. Sim, era o convite. O maldito convite. Mas o que mais a desconcertava não era ele ter descoberto. Era o modo como a fazia se sentir, como se estivesse presa entre os limites da culpa e da vontade insana de não sair dali nunca mais. Francine olhou para o envelope como se nunca o tivesse visto antes. — O que é isso? — perguntou, forçando uma expressão de inocência que nem ela mesma compraria. Dorian soltou uma risada baixa, como se achasse divertido o teatrinho dela. — Algo que com certeza você quer — respondeu, arrastando as palavras. — Já que invadiu meu escritório pra encontrar. Ela virou o rosto lentamente, encarando-o com o máximo de firmeza que conseguiu reunir. — Como você tem tanta certeza disso? Tem câmeras no seu escritório? Ele sorriu com um canto da boca, aproximando o rosto ainda mais. — Não preciso de câmeras, Francine. Eu te leio como se fosse um livro. A resposta a desarmou. O sangue subiu ao rosto dela, e o calor do corpo del
82 - Sem recuar
Francine sentia o coração batendo tão forte que parecia querer romper as costelas.A revelação ecoava na mente, embaralhando tudo: Dorian era o olheiro.O homem que ela tinha desejado impressionar… o homem que tinha desejado ela de volta. O pânico e o alívio se misturavam numa confusão que a deixava sem ar.Parte dela queria recuar, encontrar um canto seguro para processar tudo. Mas outra, mais forte, mais teimosa, queria se perder ali mesmo, nos braços dele. E antes que pudesse pesar as consequências, ela percebeu que já estava inclinando o rosto para cima, pronta para encontrar os lábios que a dominavam sem sequer tocá-la. Os olhos de Dorian eram como um ímã, e Francine não tinha forças nem vontade para resistir. Ele não se moveu de imediato, como se saboreasse a rendição silenciosa dela, mantendo-a suspensa num fio de expectativa que a fazia arder por dentro. Quando finalmente se inclinou, o toque dos lábios dele não foi suave nem apressado, foi exato, como se tivesse calculad
83 - Cenário de guerra
Francine deixou escapar um sorriso enviesado, quase um desafio. — Você acha mesmo que eu estava esperando que esse encontro fosse acontecer? — provocou, a voz carregada de ironia. Dorian a fitou com um misto de frustração e desejo, como se quisesse muito mais do que ela estava disposta a admitir. Ela percebeu, e o canto da sua boca se ergueu mais um pouco. — Mas, se quiser, posso limpar seu quarto qualquer dia desses usando ele novamente — completou, arrastando as palavras de propósito. O olhar dele mudou no mesmo instante, escurecendo com aquela centelha que ela já tinha visto antes, o tipo de faísca que só surgia quando ele estava prestes a perder o controle. — Acho que você não vai mais precisar desse aqui então… — murmurou. Sem dar tempo para resposta, ele agarrou a frente da camisa do uniforme dela e puxou com força, rasgando-a como quem abre um pacote de chips, os botões voando e ricocheteando pelo chão. Francine soltou uma gargalhada surpresa. — Você é louco?
84 - Romântico ou possessivo?
Francine estava deitada no sofá, o corpo encaixado no de Dorian como se tivesse encontrado o lugar exato para descansar depois de horas de tensão e desejo. Ele, com a voz calma e firme, deu o comando: — Alexa, apague as luzes do escritório. O ambiente mergulhou em penumbra, restando apenas o brilho suave das luzes da rua filtrado pela cortina translúcida. Esse feixe difuso desenhava as curvas dela com um contorno quase etéreo, como se cada linha de seu corpo fosse uma obra que ele queria decorar para sempre. Sem pressa, Dorian aprofundou o abraço, puxando-a um pouco mais para si, sentindo o calor e a respiração tranquila dela. Sua mão deslizou até os cabelos de Francine, brincando com algumas mechas como quem grava na memória cada detalhe do momento. Ela suspirou baixo, aquele som involuntário que misturava cansaço, conforto e algo que nem ela queria nomear. — Você tá me olhando de um jeito perigoso — murmurou, sem abrir os olhos. Ele sorriu contra a pele dela, roçando os l
85 - O dossiê sobre Francine
O celular vibrou sobre o criado-mudo, arrancando Natan de um sono leve. Ele estendeu a mão, ainda de olhos semicerrados, e deslizou o dedo pela tela."O dossiê sobre Francine está pronto. Que horas podemos nos encontrar?" — a mensagem do investigador piscava na tela, seca, sem cumprimentos.Natan passou a mão pelo rosto, afastando o torpor da madrugada. Sentou-se na cama, já sentindo o leve aperto no estômago que aquela frase carregava. Pegou o celular novamente e respondeu:"Café Le Jardin, às 9h. É perto do meu escritório."Encostou-se na cabeceira, encarando a tela por alguns segundos, como se ela pudesse antecipar o que viria a seguir.O banho foi rápido, mas não suficiente para lavar a inquietação que já se instalara nele.Cada movimento era mecânico: vestir a camisa, abotoar, ajustar o relógio no pulso, enquanto a mente rodava como um projetor descontrolado, criando e descartando hipóteses sobre o conteúdo daquele dossiê.No caminho para o trabalho, o trânsito parecia mais lento
86 - Planejamento
Natan fechou o dossiê com um sorriso satisfeito, estendendo a mão para cumprimentar o investigador.— Você me ajudou muito hoje. — disse, com a voz controlada, mas carregada de intenção.Enquanto caminhava até o carro, já estruturava mentalmente os próximos passos.Agora que sabia que Francine não passava de uma empregada de confiança, tudo mudava.Ela podia até morar numa mansão, mas não era dona de nada ali, vivia sob as regras de outra pessoa, à mercê de um salário que, por mais “razoável” que fosse, jamais a colocaria no patamar que ele poderia oferecer.“Se Villeneuve a mantém tão perto, é porque ela deve ser útil… mas até utilidade tem prazo de validade”, pensou, ligando o motor.A ideia de se aproximar dela ganhava um sabor diferente agora, não como antes, movido apenas por curiosidade, mas com a convicção de que poderia mostrar a Francine um mundo inteiro que ela nunca teria se continuasse ali, trancada atrás daqueles portões.Dentro do carro, Natan pegou o celular e digitou u
87 - Café delicioso
Francine despertou devagar, ainda sentindo o corpo pesado e aquecido do pós-encontro com Dorian.Espreguiçou-se, soltando um suspiro preguiçoso, e só então se obrigou a sair da cama. O piso frio sob os pés descalços a fez despertar de vez, e ela caminhou até o armário, abrindo as portas com o automatismo de quem repetia aquele gesto todos os dias.Estendeu a mão para o uniforme… e congelou.O dela, o oficial, estava em pedaços, literalmente. A lembrança da noite anterior veio como um flash: o olhar faminto de Dorian, o som seco dos botões se soltando, o tecido cedendo sob os dedos dele. Uma risada escapou sozinha.— Parabéns, Francine… essa vai pro currículo — murmurou para si mesma, balançando a cabeça enquanto puxava o uniforme extra do cabide.Já trocada, seguiu até a sala de Denise, batendo de leve na porta antes de entrar.— Denise, preciso de um uniforme novo.A supervisora levantou os olhos, franzindo a testa.— O que aconteceu com o seu? A troca de uniformes foi feita recentem
88 - Quem não dá assistência...
O restante da manhã passou num misto de expectativa e frustração. Francine, ainda com o celular por perto, esperava uma nova mensagem de Dorian, mas nada veio.O dia no escritório da Villeneuve Corporation estava uma loucura. Planilhas, reuniões, e mais reuniões.Dorian revisava um planejamento de investimentos que simplesmente não saía como ele queria e cada gráfico parecia zombar da sua paciência.Mas, diferente dos dias normais, ele não explodia com os funcionários. Pelo contrário, Cassio, que observava de perto, percebeu algo diferente: o chefe parecia mais paciente, quase leve, mesmo no meio do caos.Quando a reunião terminou, Dorian dispensou todos com um aceno contido de cabeça e chamou Cassio para almoçar.— Cassio, vamos tomar um chopp? — disse Dorian, como se fosse a coisa mais natural do mundo.Cassio quase engasgou com a sugestão.— Você está com febre? Me sugerindo beber em horário de expediente?Dorian deu de ombros e esboçou um sorriso raro, daqueles que misturavam cans
89 - ... abre para a concorrência
Francine esfregava uma panela com força, jogando água e espuma no escorredor, enquanto Malu mexia distraidamente no celular ao lado.— Tá vendo, Malu — resmungou, limpando a testa com a manga — de que adiantou toda aquela perseguição pra eu ficar com ele, se agora nem uma mensagem ele tem coragem de me mandar?Malu ergueu uma sobrancelha, tentando não rir da indignação da amiga:— Ah, Francine, pelo menos você conseguiu… — começou, mas foi interrompida pelo som de um dos seguranças que apareceu na cozinha.— Francine, tem uma entrega pra você no portão...Francine parou, confusa, e secou as mãos rapidamente no avental.— Quem será agora? — murmurou, andando até a porta.Curiosa, ela seguiu até lá. Encontrou um entregador segurando uma pequena sacola de uma joalheria refinada.— Assina aqui, por favor. — disse ele, estendendo o tablet.Enquanto passava a caneta digital pela tela, ela murmurou, sorrindo de canto:— Não acredito que ele fez isso...Na cabeça dela, não havia dúvida: era D
90 - Faxina pesada
Francine estava servindo o jantar quando ouviu o som metálico de um talher batendo no chão. Olhou na direção dele e viu Dorian observando-a com calma. Pegou um novo garfo e o colocou diante dele, mas, ao se abaixar para recolher o que havia caído, sentiu a presença dele quase sufocante: — Espero você mais tarde para a faxina pesada no meu quarto — murmurou Dorian, perto demais do ouvido dela, a voz baixa e grave. Francine levantou-se calmamente, olhando firme para ele, como se nada tivesse acontecido, tentando segurar o sorriso que se formava no canto da boca. Falhou miseravelmente. — Sim, senhor. — foi tudo que conseguiu responder. Quando encerrou o expediente, Francine seguiu direto para o próprio quarto, deixando a porta encostada caso Malu chegasse. Ligou o chuveiro e deixou a água quente escorrer pelos ombros, tentando relaxar mesmo que o coração ameaçasse fugir pela boca. Ao sair do banheiro, enrolou-se na toalha, secou-se com calma e foi até a cômoda. Pegou a lingerie